Tepadina® (Tiotepa) pela Bradesco Saúde
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Decisão favorável após Bradesco Saúde negar Tepadina® (Tiotepa)

Decisões Favoráveis, Direito à Saúde, Remédio
Bradesco Saúde nega Tepadina® (Tiotepa) para paciente oncológico.
Publicado: outubro 28, 2024 Atualizado: abril 23, 2026
Tempo estimado de leitura: 6 minutos

Quando um paciente diagnosticado com Linfoma Difuso de Grandes Células B precisou de um transplante autólogo de medula, seu médico prescreveu o medicamento Tepadina® (Tiotepa) como essencial para o sucesso do procedimento. No entanto, ao buscar a autorização da operadora Bradesco Saúde, o paciente recebeu uma negativa de cobertura sob a justificativa de que o medicamento não constava no contrato e era considerado “não nacionalizado” e de uso “experimental” pela operadora.

O paciente, surpreso com a recusa, tentou resolver a situação diretamente com a operadora de saúde. Foram realizadas várias tentativas de negociação, mas a Bradesco Saúde manteve sua postura, alegando que o contrato não incluía a cobertura para o Tepadina® (Tiotepa), mesmo diante de um relatório médico detalhado que comprovava a sua necessidade para salvar a vida do paciente.

Sem alternativa, o paciente percebeu que seu direito à saúde estava sendo violado. Com base nisso, decidiu procurar orientação de um advogado especializado em ações contra planos de saúde para buscar medidas judiciais para assegurar o tratamento ao tratamento vital. Sabendo que a negativa de cobertura poderia comprometer sua saúde e sua vida, o paciente entrou com uma ação judicial para obter o fornecimento do medicamento.

A ação judicial contra a Bradesco Saúde

No tribunal, a defesa da Bradesco Saúde insistiu que não havia cobertura para o medicamento Tepadina® (Tiotepa) por ser considerado de uso experimental, citando cláusulas contratuais que alegadamente excluíam a cobertura. A operadora argumentou também que não havia segurança e eficácia comprovadas para o medicamento, reiterando suas alegações contratuais.

Por outro lado, o paciente, devidamente representado por seu advogado, sustentou que havia uma prescrição médica clara indicando a necessidade do medicamento para o transplante de medula. Além disso, destacou que a negativa de cobertura violava o Código de Defesa do Consumidor, que prevê a boa-fé e a função social do contrato.

Decisão judicial: condenação e obrigação de fazer

Ao analisar os argumentos de ambas as partes, o juiz considerou que, em casos de relações de consumo, como é a prestação de serviços de saúde, o paciente, como consumidor final, deve ser protegido de cláusulas contratuais abusivas. Ficou demonstrado que o Tepadina® (Tiotepa) é essencial para o transplante e para a sobrevida do paciente, e que sua negativa pela Bradesco Saúde gerou um risco significativo para o enfermo.

Na sentença, o juiz condenou a Bradesco Saúde a fornecer o medicamento de forma imediata, destacando que a cláusula de exclusão era abusiva e nula, pois colocava o consumidor em desvantagem exagerada. O tribunal citou a ADI 7.265/STF do Tribunal de Justiça de São Paulo, que classifica como abusiva a negativa de custeio de tratamento prescrito sob alegação de caráter experimental ou de ausência no rol da ANS.

Importante: em setembro de 2025, o Supremo Tribunal Federal julgou a ADI 7.265 e definiu que o Rol da ANS é taxativo, mas admite exceções quando preenchidos cinco requisitos cumulativos: (i) prescrição médica fundamentada; (ii) ausência de negativa expressa da ANS para a incorporação; (iii) inexistência de alternativa terapêutica no Rol; (iv) comprovação científica de eficácia e segurança; e (v) registro na Anvisa. Além disso, o Tema 990 do STJ consolidou que medicamentos com registro na Anvisa podem ter cobertura obrigatória, inclusive para uso off-label, quando há evidência clínica.

Além disso, a decisão enfatizou que a operadora falhou no seu dever de informação. A empresa não orientou o paciente de forma clara sobre as coberturas excluídas no momento da contratação, gerando uma legítima expectativa de que o tratamento estaria coberto.

A proteção dos direitos do paciente e a responsabilidade do plano de saúde

O resultado desse caso reforça a importância de procurar um advogado especializado ao enfrentar situações de negativa de cobertura pelo plano de saúde. Negar o acesso a medicamentos essenciais, especialmente em casos graves como tratamentos oncológicos, viola o direito básico à vida e à saúde, que são protegidos por normas constitucionais e pelo Código de Defesa do Consumidor.

A Justiça concluiu que a conduta da Bradesco Saúde ao negar a cobertura contrariou princípios fundamentais, deixando de cumprir sua função social. Assim, foi confirmada a liminar para a entrega do medicamento Tepadina® (Tiotepa), enquanto o paciente necessitar do tratamento.

Informações do caso

Esse caso foi julgado na 17ª Vara Cível do Foro Central Cível da Comarca de São Paulo, sob o número do processo 1054860-27.2020.8.26.0100, tendo sido proferida sentença em 8 de outubro de 2020 pela Juíza Luciana Biagio Laquimia. A decisão é passível de recurso por parte da operadora Bradesco Saúde, que foi condenada, além do fornecimento do medicamento, ao pagamento de custas processuais e honorários advocatícios de R$ 3.500,00.


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Perguntas frequentes sobre Decisão favorável após Bradesco Saúde negar Tepadina (Tiotepa) e plano de saúde

O plano de saúde pode negar Tepadina Tiotepa por ser experimental?
A negativa de cobertura por alegado caráter experimental pode configurar abuso de direito contratual quando há prescrição médica fundamentada e necessidade terapêutica comprovada. O Código de Defesa do Consumidor protege o beneficiário contra exclusões injustificadas, especialmente em tratamentos oncológicos de comprovada eficácia clínica. Cabe ao plano demonstrar, com evidências técnicas robustas, a falta de segurança ou eficácia do medicamento.
Quanto custa Tepadina Tiotepa sem plano de saúde na rede particular?
O custo do Tiotepa varia conforme o fornecedor, localidade e quantidade necessária, podendo alcançar valores muito elevados (acima de R$ 10 mil por dose) quando adquirido particularmente. A ausência de tabelamento de preços para medicamentos oncológicos de alto custo torna o acesso privado praticamente impossível para a maioria dos pacientes. Recomenda-se consultar farmácias especializadas e programas de assistência ao paciente dos laboratórios fabricantes.
Como conseguir Tepadina pelo plano Bradesco Saúde quando ele nega cobertura?
Primeiramente, formalize a solicitação por escrito junto à operadora acompanhada de relatório médico detalhado, laudo técnico e evidências de eficácia. Caso persista a negativa, é possível interpor reclamação na ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) e, simultaneamente, ajuizar ação judicial com pedido de tutela de urgência para obtenção imediata do medicamento. A via judicial pode resultar em medidas cautelares que compelem a operadora ao fornecimento enquanto o mérito é julgado.
Transplante autólogo de medula com Linfoma Difuso de Grandes Células B precisa de Tiotepa?
O Tiotepa é amplamente reconhecido na literatura médico-oncológica como medicamento de condicionamento em transplantes hematopoiéticos autólogos, particularmente em linfomas agressivos como o Difuso de Grandes Células B. A prescrição por oncologista qualificado para essa indicação possui respaldo em protocolos internacionais e estudos clínicos consolidados. A negativa de cobertura por essa indicação específica pode caracterizar recusa manifestamente injustificada.
Como conseguir liminar para forçar plano de saúde liberar Tepadina antes de julgamento?
A tutela de urgência (liminar ou antecipação de tutela) pode ser concedida quando há demonstração de risco de dano irreparável ou de difícil reparação à saúde do paciente. O juiz avalia a probabilidade do direito e o perigo da demora; em casos de tratamento oncológico essencial, a concessão é mais viável mediante comprovação médica da necessidade urgente. A decisão judicial pode determinar imediatamente o fornecimento do medicamento pela operadora, independentemente do resultado final da ação.

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Leo Rosenbaum

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