
O Lenvima® (princípio ativo lenvatinibe) é um medicamento oral oncológico com um perfil de indicações pouco comum: cobre câncer de tireoide diferenciado refratário ao iodo, hepatocarcinoma (HCC), câncer renal e câncer de endométrio avançado.
É um inibidor de tirosina quinase multi-alvo com perfil próprio: VEGFR-1, -2, -3, FGFR-1 a -4, PDGFR-alfa, KIT, RET. Essa amplitude — particularmente a inclusão de FGFR — diferencia o lenvatinibe de outros TKIs como sunitinibe e cabozantinibe.
Custo mensal entre R$ 25 mil e R$ 38 mil. As negativas mais comuns envolvem indicações em câncer de endométrio e em HCC em primeira linha — onde a inclusão no Rol é mais recente.
Tireoide diferenciada refratária ao iodo: a indicação histórica
O câncer de tireoide diferenciado (papilar ou folicular) é geralmente indolente e tem excelente prognóstico após cirurgia + radioterapia com iodo (I-131). A maioria dos pacientes vive décadas sem progressão.
Mas em uma fração dos casos, a doença perde a capacidade de captar o iodo — torna-se “refratária ao iodo radioativo”. A partir daí, a radioterapia clássica não funciona mais. Antes do lenvatinibe (e do sorafenibe), as opções eram limitadas.
O Lenvima foi aprovado em 2015 baseado no estudo SELECT — demonstrou resposta tumoral significativa e prolongamento de sobrevida livre de progressão em câncer de tireoide diferenciado refratário ao iodo. É a indicação mais consolidada e a mais coberta pelas DUTs no Brasil.

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Hepatocarcinoma: o desafio da função hepática
Em hepatocarcinoma (HCC) avançado, o lenvatinibe é uma das opções de primeira linha, ao lado de sorafenibe (Nexavar) e de imunoterapias modernas. Foi aprovado em 2018 baseado no estudo REFLECT — não-inferioridade ao sorafenibe, com perfil de efeitos colaterais diferente.
A escolha entre lenvatinibe e sorafenibe em HCC frequentemente é feita pelo perfil de tolerância. Lenvatinibe tem mais hipertensão e proteinúria; sorafenibe tem mais síndrome mão-pé e diarreia.
A função hepática (Child-Pugh) é critério crucial. O Lenvima é indicado em Child-Pugh A — função hepática preservada. Em Child-Pugh B, o uso é mais controverso e requer avaliação cuidadosa.
Câncer de endométrio: a indicação mais nova
A indicação mais recente do Lenvima é em câncer de endométrio avançado/metastático, em combinação com pembrolizumabe (Keytruda).
Em pacientes com câncer de endométrio que progrediram após terapia sistêmica prévia, a combinação Lenvima + Keytruda mostrou benefício significativo de sobrevida. Indicação aprovada em 2020-2021.
Essa indicação é uma das mais negadas pelos planos — a DUT da ANS pode ser interpretada restritivamente, e o uso da combinação com imunoterapia em segunda linha de câncer endometrial é alvo recorrente de questionamento.
Câncer renal: a combinação com Keytruda em primeira linha
Em câncer renal avançado, o Lenvima participa de uma das primeiras linhas modernas: Lenvima + Keytruda. Aprovação baseada no estudo CLEAR — demonstrou superioridade contra sunitinibe.
Essa combinação compete com outras primeiras linhas em câncer renal: Cabometyx + Opdivo, Avastin + atezolizumabe, pembrolizumabe + axitinibe. A escolha cabe ao oncologista, considerando perfil de risco, comorbidades e preferência.
Como em câncer endometrial, a combinação Lenvima + Keytruda em primeira linha de câncer renal pode ser questionada pela DUT vigente — argumento contornável pelo estado da arte (NCCN, ESMO).
Efeitos colaterais e o desafio da hipertensão
O efeito colateral mais característico do Lenvima é a hipertensão arterial — ocorre na maioria dos pacientes e frequentemente é severa. Exige monitorização e tratamento antihipertensivo otimizado, às vezes com múltiplas drogas.
Outros efeitos comuns: diarreia, fadiga, perda de peso e apetite, proteinúria (importante monitorar função renal), hipotireoidismo (TSH periódico), síndrome mão-pé.
Reduções de dose (10 mg, 8 mg, 4 mg) são frequentes — o esquema padrão começa em 24 mg/dia em câncer de tireoide ou 12 mg/dia em endométrio (combinação com Keytruda). A toxicidade frequentemente força ajustes.
Preço, esquema e o custo dos combos
O Lenvima é vendido em cápsulas de 4 mg e 10 mg. Caixa com 30 cápsulas custa entre R$ 25 mil e R$ 38 mil.
Em monoterapia (tireoide refratária, HCC), o custo mensal é o do Lenvima isolado. Em combinação com Keytruda (renal, endometrial), some R$ 25-30 mil/ciclo de pembrolizumabe — total mensal pode passar de R$ 65 mil.
O tratamento se prolonga enquanto houver resposta — em câncer de tireoide refratário, pode durar muitos meses ou anos. Como medicamento de alto custo, é alvo frequente de negativa.
Cobertura, indicações múltiplas e o argumento da diretriz
O lenvatinibe está no Rol da ANS para câncer de tireoide diferenciado refratário ao iodo, com critérios das Diretrizes de Utilização (DUT). Para HCC, câncer endometrial e câncer renal (em combinação com Keytruda), a inclusão é mais recente ou parcial.
As negativas frequentes envolvem: combo Lenvima + Keytruda em primeira linha de renal, uso em endométrio metastático, e uso em HCC em primeira linha sob argumento de “sorafenibe seria suficiente”.
Em situações fora dos critérios estritos do Rol, vale a ADI 7.265 do STF (setembro de 2025). O argumento do estado da arte (diretrizes NCCN, ESMO) tem peso particularmente forte nas indicações em combinação.
Caminho prático e a especificidade das indicações
Primeiro: negativa por escrito, com justificativa e protocolo.
Segundo: relatório oncológico — diagnóstico (CID, classificação histológica do tumor), estadiamento, performance status, função hepática (em HCC), tratamentos anteriores, prescrição (monoterapia ou combo com Keytruda).
Em câncer metastático com progressão, a tutela de urgência tem peso. Veja o guia geral sobre o que fazer quando o plano nega medicamento e os paralelos por indicação: Cabometyx (renal/HCC) e Sutent (renal).
Mais informações
Se você passou por uma negativa de cobertura do Lenvima ou tem dúvidas sobre o caminho a seguir, pode entrar em contato com a Rosenbaum Advogados para que a sua situação seja analisada.
Este caso integra o panorama do Observatório Rosenbaum de Planos de Saúde, levantamento de mais de 43 mil decisões públicas do TJSP sobre planos de saúde.