Lenvima (Lenvatinibe) pelo Plano: Cobertura em 4 Tipos de Câncer
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Lenvima (Lenvatinibe) negado pelo plano? Seus direitos

Direito à Saúde, Remédio
Estrutura molecular do inibidor de tirosino quinase em tablet ao lado de cápsulas — Lenvima (lenvatinibe) e cobertura pelo plano de saúde
Publicado: março 24, 2020 Atualizado: maio 14, 2026
Tempo estimado de leitura: 6 minutos

O Lenvima® (princípio ativo lenvatinibe) é um medicamento oral oncológico com um perfil de indicações pouco comum: cobre câncer de tireoide diferenciado refratário ao iodo, hepatocarcinoma (HCC), câncer renal e câncer de endométrio avançado.

É um inibidor de tirosina quinase multi-alvo com perfil próprio: VEGFR-1, -2, -3, FGFR-1 a -4, PDGFR-alfa, KIT, RET. Essa amplitude — particularmente a inclusão de FGFR — diferencia o lenvatinibe de outros TKIs como sunitinibe e cabozantinibe.

Custo mensal entre R$ 25 mil e R$ 38 mil. As negativas mais comuns envolvem indicações em câncer de endométrio e em HCC em primeira linha — onde a inclusão no Rol é mais recente.

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Tireoide diferenciada refratária ao iodo: a indicação histórica

O câncer de tireoide diferenciado (papilar ou folicular) é geralmente indolente e tem excelente prognóstico após cirurgia + radioterapia com iodo (I-131). A maioria dos pacientes vive décadas sem progressão.

Mas em uma fração dos casos, a doença perde a capacidade de captar o iodo — torna-se “refratária ao iodo radioativo”. A partir daí, a radioterapia clássica não funciona mais. Antes do lenvatinibe (e do sorafenibe), as opções eram limitadas.

O Lenvima foi aprovado em 2015 baseado no estudo SELECT — demonstrou resposta tumoral significativa e prolongamento de sobrevida livre de progressão em câncer de tireoide diferenciado refratário ao iodo. É a indicação mais consolidada e a mais coberta pelas DUTs no Brasil.

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Hepatocarcinoma: o desafio da função hepática

Em hepatocarcinoma (HCC) avançado, o lenvatinibe é uma das opções de primeira linha, ao lado de sorafenibe (Nexavar) e de imunoterapias modernas. Foi aprovado em 2018 baseado no estudo REFLECT — não-inferioridade ao sorafenibe, com perfil de efeitos colaterais diferente.

A escolha entre lenvatinibe e sorafenibe em HCC frequentemente é feita pelo perfil de tolerância. Lenvatinibe tem mais hipertensão e proteinúria; sorafenibe tem mais síndrome mão-pé e diarreia.

A função hepática (Child-Pugh) é critério crucial. O Lenvima é indicado em Child-Pugh A — função hepática preservada. Em Child-Pugh B, o uso é mais controverso e requer avaliação cuidadosa.

Câncer de endométrio: a indicação mais nova

A indicação mais recente do Lenvima é em câncer de endométrio avançado/metastático, em combinação com pembrolizumabe (Keytruda).

Em pacientes com câncer de endométrio que progrediram após terapia sistêmica prévia, a combinação Lenvima + Keytruda mostrou benefício significativo de sobrevida. Indicação aprovada em 2020-2021.

Essa indicação é uma das mais negadas pelos planos — a DUT da ANS pode ser interpretada restritivamente, e o uso da combinação com imunoterapia em segunda linha de câncer endometrial é alvo recorrente de questionamento.

Câncer renal: a combinação com Keytruda em primeira linha

Em câncer renal avançado, o Lenvima participa de uma das primeiras linhas modernas: Lenvima + Keytruda. Aprovação baseada no estudo CLEAR — demonstrou superioridade contra sunitinibe.

Essa combinação compete com outras primeiras linhas em câncer renal: Cabometyx + Opdivo, Avastin + atezolizumabe, pembrolizumabe + axitinibe. A escolha cabe ao oncologista, considerando perfil de risco, comorbidades e preferência.

Como em câncer endometrial, a combinação Lenvima + Keytruda em primeira linha de câncer renal pode ser questionada pela DUT vigente — argumento contornável pelo estado da arte (NCCN, ESMO).

Efeitos colaterais e o desafio da hipertensão

O efeito colateral mais característico do Lenvima é a hipertensão arterial — ocorre na maioria dos pacientes e frequentemente é severa. Exige monitorização e tratamento antihipertensivo otimizado, às vezes com múltiplas drogas.

Outros efeitos comuns: diarreia, fadiga, perda de peso e apetite, proteinúria (importante monitorar função renal), hipotireoidismo (TSH periódico), síndrome mão-pé.

Reduções de dose (10 mg, 8 mg, 4 mg) são frequentes — o esquema padrão começa em 24 mg/dia em câncer de tireoide ou 12 mg/dia em endométrio (combinação com Keytruda). A toxicidade frequentemente força ajustes.

Preço, esquema e o custo dos combos

O Lenvima é vendido em cápsulas de 4 mg e 10 mg. Caixa com 30 cápsulas custa entre R$ 25 mil e R$ 38 mil.

Em monoterapia (tireoide refratária, HCC), o custo mensal é o do Lenvima isolado. Em combinação com Keytruda (renal, endometrial), some R$ 25-30 mil/ciclo de pembrolizumabe — total mensal pode passar de R$ 65 mil.

O tratamento se prolonga enquanto houver resposta — em câncer de tireoide refratário, pode durar muitos meses ou anos. Como medicamento de alto custo, é alvo frequente de negativa.

Cobertura, indicações múltiplas e o argumento da diretriz

O lenvatinibe está no Rol da ANS para câncer de tireoide diferenciado refratário ao iodo, com critérios das Diretrizes de Utilização (DUT). Para HCC, câncer endometrial e câncer renal (em combinação com Keytruda), a inclusão é mais recente ou parcial.

As negativas frequentes envolvem: combo Lenvima + Keytruda em primeira linha de renal, uso em endométrio metastático, e uso em HCC em primeira linha sob argumento de “sorafenibe seria suficiente”.

Em situações fora dos critérios estritos do Rol, vale a ADI 7.265 do STF (setembro de 2025). O argumento do estado da arte (diretrizes NCCN, ESMO) tem peso particularmente forte nas indicações em combinação.

Caminho prático e a especificidade das indicações

Primeiro: negativa por escrito, com justificativa e protocolo.

Segundo: relatório oncológico — diagnóstico (CID, classificação histológica do tumor), estadiamento, performance status, função hepática (em HCC), tratamentos anteriores, prescrição (monoterapia ou combo com Keytruda).

Em câncer metastático com progressão, a tutela de urgência tem peso. Veja o guia geral sobre o que fazer quando o plano nega medicamento e os paralelos por indicação: Cabometyx (renal/HCC) e Sutent (renal).

O plano de saúde é obrigado a cobrir o Lenvima?
Sim. O Lenvima (lenvatinibe) é antineoplásico oral de uso domiciliar, categoria coberta pela Lei 12.880/2013. Está no Rol da ANS para câncer de tireoide diferenciado refratário ao iodo, com critérios da DUT. Para outras indicações (hepatocarcinoma, câncer renal em combinação com Keytruda, câncer endometrial em combinação com Keytruda), a cobertura também pode ser exigida com base na ADI 7.265 do STF: prescrição médica fundamentada, ausência de alternativa equivalente, registro Anvisa e comprovação científica.
O que é câncer de tireoide refratário ao iodo radioativo?
Em uma fração dos cânceres de tireoide diferenciados (papilar ou folicular), a doença perde a capacidade de captar o iodo (I-131), tornando a radioterapia clássica ineficaz. É a forma “refratária ao iodo radioativo”. Antes do lenvatinibe e do sorafenibe, as opções eram limitadas. O Lenvima é hoje o tratamento padrão dessa indicação, baseado no estudo SELECT, que demonstrou resposta tumoral significativa e prolongamento de sobrevida livre de progressão.
O Lenvima pode ser usado em câncer renal?
Sim — em combinação com pembrolizumabe (Keytruda), em primeira linha de câncer renal avançado. Aprovação baseada no estudo CLEAR, que demonstrou superioridade contra sunitinibe. Compete com outras primeiras linhas em câncer renal: Cabometyx + Opdivo, Avastin + atezolizumabe, pembrolizumabe + axitinibe. A escolha cabe ao oncologista. A negativa em primeira linha é frequente sob argumento de “fora da DUT” — contornável pelo argumento do estado da arte (NCCN, ESMO).
O Lenvima é coberto em câncer de endométrio?
A indicação para câncer de endométrio avançado/metastático em combinação com pembrolizumabe (Keytruda) é a mais recente — aprovação em 2020-2021. A DUT da ANS pode ser interpretada restritivamente, e o uso da combinação em segunda linha após terapia sistêmica prévia é alvo recorrente de negativa. A cobertura pode ser exigida com base na ADI 7.265 do STF, com documentação ginecológico-oncológica completa e justificativa para a combinação.
Quais são os efeitos colaterais mais comuns do Lenvima?
O mais característico é hipertensão arterial — afeta a maioria dos pacientes, frequentemente severa, exigindo tratamento antihipertensivo otimizado com múltiplas drogas. Outros efeitos comuns: diarreia, fadiga, perda de peso e apetite, proteinúria (monitorar função renal), hipotireoidismo (TSH periódico), síndrome mão-pé. Reduções de dose são frequentes — o esquema padrão começa em 24 mg/dia em câncer de tireoide ou 12 mg/dia em endométrio (combo com Keytruda), e a toxicidade frequentemente força ajustes para 10 mg, 8 mg ou 4 mg.
Quanto custa o tratamento mensal com Lenvima?
Caixa com 30 cápsulas (de 4 mg ou 10 mg) custa entre R$ 25 mil e R$ 38 mil em 2026. Em monoterapia (câncer de tireoide refratário, HCC), o custo é o do Lenvima isolado. Em combinação com Keytruda (renal, endometrial), some R$ 25-30 mil/ciclo de pembrolizumabe — total mensal pode passar de R$ 65 mil. O tratamento se prolonga enquanto houver resposta.
Qual a diferença entre Lenvima e Cabometyx em câncer renal?
São dois TKIs multi-alvo aprovados em câncer renal, ambos em combinação com imunoterapia (Lenvima + Keytruda, Cabometyx + Opdivo). Diferem em alvos moleculares (Cabometyx atua em MET e AXL além de VEGFR; Lenvima atua em FGFR e RET), eficácia em diferentes cenários e perfil de toxicidade. A escolha cabe ao oncologista, considerando perfil do paciente, comorbidades e tolerância esperada. Substituição imposta pelo plano sem fundamentação clínica pode ser questionada.

Mais informações

Se você passou por uma negativa de cobertura do Lenvima ou tem dúvidas sobre o caminho a seguir, pode entrar em contato com a Rosenbaum Advogados para que a sua situação seja analisada.

Este caso integra o panorama do Observatório Rosenbaum de Planos de Saúde, levantamento de mais de 43 mil decisões públicas do TJSP sobre planos de saúde.

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