O Cabometyx® (princípio ativo cabozantinibe) é um medicamento oral oncológico indicado em três cenários bem distintos: carcinoma renal avançado, hepatocarcinoma após sorafenibe e carcinoma medular de tireoide.
É um inibidor de tirosina quinase multi-alvo, mas com perfil próprio: bloqueia VEGFR, MET, AXL — alvos que diferenciam o cabozantinibe de outros TKIs renais como sunitinibe, pazopanibe e axitinibe.
Custo mensal entre R$ 22 mil e R$ 38 mil. Em combinação com nivolumabe (Opdivo) em câncer renal, primeira linha — o custo total pode ultrapassar R$ 60 mil/mês.
Por que cabozantinibe não é “só mais um TKI renal”
Existem hoje vários TKIs com indicação em carcinoma renal avançado: sunitinibe (Sutent), pazopanibe (Votrient), axitinibe (Inlyta), lenvatinibe (Lenvima) e o próprio cabozantinibe.
A diferença não é só comercial. O cabozantinibe atua em MET e AXL, além dos receptores de VEGF. Essa amplitude é particularmente relevante em pacientes que já progrediram com inibidores de imunoterapia (anti-PD-1) ou outros TKIs.
Por isso, o cabozantinibe ganhou espaço como segunda linha após imunoterapia, e mais recentemente como primeira linha em combinação com nivolumabe.
Cenário 1: câncer renal — em monoterapia e em combo com Opdivo
Em carcinoma renal de células claras avançado/metastático, o cabozantinibe é uma das opções de monoterapia, particularmente após progressão a imunoterapia ou outros TKIs.
A combinação Cabometyx + Opdivo (nivolumabe) em primeira linha demonstrou superioridade em estudos contra sunitinibe — sobrevida global e taxa de resposta. Tornou-se uma das primeiras linhas preferidas em pacientes de risco intermediário/alto.
A combinação adiciona uma camada: TKI + checkpoint inhibitor. O custo dobra, e o acompanhamento de toxicidade exige equipe familiarizada com efeitos imunomediados (tireoidite, hepatite, colite) e efeitos do TKI (HAS, mão-pé, diarreia).

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Cenário 2: hepatocarcinoma após Nexavar
O hepatocarcinoma (HCC) avançado tem opções de tratamento sistêmico ainda limitadas. Por anos, o sorafenibe (Nexavar) foi a única opção. Depois vieram lenvatinibe em primeira linha, e o cabozantinibe se firmou como segunda linha pós-Nexavar.
A indicação foi consolidada pelo estudo CELESTIAL — pacientes com HCC avançado e Child-Pugh A com progressão ao sorafenibe tiveram benefício em sobrevida global com cabozantinibe.
É uma situação particular: paciente com função hepática limítrofe, doença em progressão, opções escassas. A escolha pelo cabozantinibe é geralmente bem fundamentada — e a negativa do plano nesse cenário é especialmente difícil de sustentar.
Cenário 3: carcinoma medular de tireoide
O carcinoma medular de tireoide é um câncer raro, derivado das células C parafoliculares (não dos folículos tireoidianos clássicos). Tem comportamento mais agressivo e responde mal à radioiodoterapia.
Em formas avançadas ou metastáticas, o cabozantinibe é uma das duas opções aprovadas (a outra é o vandetanibe/Caprelsa). A indicação é específica e nem sempre coberta automaticamente pelas DUTs.
Pacientes com mutações RET particulares podem se beneficiar mais — embora hoje existam alternativas RET-seletivas mais novas (selpercatinibe). O cabozantinibe permanece como uma das colunas em medular avançado.
Preço, esquema e o problema dos efeitos colaterais
O Cabometyx é vendido em comprimidos de 20 mg, 40 mg ou 60 mg. Caixa com 30 comprimidos custa entre R$ 22 mil e R$ 38 mil. Dose padrão para CCR: 60 mg/dia em monoterapia, ou 40 mg/dia em combinação com Opdivo.
O tratamento é contínuo, mantido enquanto houver resposta e tolerância. Efeitos colaterais característicos incluem síndrome mão-pé (frequente e dose-limitante), hipertensão arterial, fadiga, diarreia, e em alguns casos alterações hepáticas.
Reduções de dose para 40 mg ou 20 mg são comuns. A descontinuação por toxicidade não é rara. O custo permanece alto mesmo nas doses reduzidas — embora o consumo por caixa diminua.
Cobertura, indicações múltiplas e a defasagem das DUTs
O cabozantinibe está no Rol da ANS para câncer renal avançado e hepatocarcinoma, com critérios das Diretrizes de Utilização (DUT). Para câncer medular de tireoide e para combinação com nivolumabe em primeira linha, a inclusão pode ser parcial.
As negativas frequentes envolvem: combo Cabometyx + Opdivo em primeira linha de CCR, uso em medular de tireoide, e uso em pacientes com Child-Pugh A limítrofe em HCC.
Em situações fora dos critérios estritos do Rol, vale a ADI 7.265 do STF (setembro de 2025). O argumento de estado da arte baseado em diretrizes internacionais (NCCN, ESMO) tem peso forte.
Caminho prático e a urgência em câncer metastático
Primeiro: negativa por escrito, com justificativa e protocolo. Segundo: relatório oncológico — diagnóstico (CID), estadiamento, histologia, função renal/hepática, linhas anteriores, prescrição (monoterapia ou combo) e justificativa clínica.
Em câncer metastático com progressão, a tutela de urgência tem peso. Veja o guia geral sobre o que fazer quando o plano nega medicamento e os casos paralelos de Sutent (sunitinibe) em câncer renal e Lenvima (lenvatinibe) em HCC e outros tumores.
Mais informações
Se você passou por uma negativa de cobertura do Cabometyx ou tem dúvidas sobre o caminho a seguir, pode entrar em contato com a Rosenbaum Advogados para que a sua situação seja analisada.
Este caso integra o panorama do Observatório Rosenbaum de Planos de Saúde, levantamento de mais de 43 mil decisões públicas do TJSP sobre planos de saúde.