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Cabometyx (Cabozantinibe) negado pelo plano? Seus direitos

Direito à Saúde, Remédio
cabometyx
Publicado: julho 31, 2020 Atualizado: maio 13, 2026
Tempo estimado de leitura: 5 minutos

O Cabometyx® (princípio ativo cabozantinibe) é um medicamento oral oncológico indicado em três cenários bem distintos: carcinoma renal avançado, hepatocarcinoma após sorafenibe e carcinoma medular de tireoide.

É um inibidor de tirosina quinase multi-alvo, mas com perfil próprio: bloqueia VEGFR, MET, AXL — alvos que diferenciam o cabozantinibe de outros TKIs renais como sunitinibe, pazopanibe e axitinibe.

Custo mensal entre R$ 22 mil e R$ 38 mil. Em combinação com nivolumabe (Opdivo) em câncer renal, primeira linha — o custo total pode ultrapassar R$ 60 mil/mês.

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Por que cabozantinibe não é “só mais um TKI renal”

Existem hoje vários TKIs com indicação em carcinoma renal avançado: sunitinibe (Sutent), pazopanibe (Votrient), axitinibe (Inlyta), lenvatinibe (Lenvima) e o próprio cabozantinibe.

A diferença não é só comercial. O cabozantinibe atua em MET e AXL, além dos receptores de VEGF. Essa amplitude é particularmente relevante em pacientes que já progrediram com inibidores de imunoterapia (anti-PD-1) ou outros TKIs.

Por isso, o cabozantinibe ganhou espaço como segunda linha após imunoterapia, e mais recentemente como primeira linha em combinação com nivolumabe.

Cenário 1: câncer renal — em monoterapia e em combo com Opdivo

Em carcinoma renal de células claras avançado/metastático, o cabozantinibe é uma das opções de monoterapia, particularmente após progressão a imunoterapia ou outros TKIs.

A combinação Cabometyx + Opdivo (nivolumabe) em primeira linha demonstrou superioridade em estudos contra sunitinibe — sobrevida global e taxa de resposta. Tornou-se uma das primeiras linhas preferidas em pacientes de risco intermediário/alto.

A combinação adiciona uma camada: TKI + checkpoint inhibitor. O custo dobra, e o acompanhamento de toxicidade exige equipe familiarizada com efeitos imunomediados (tireoidite, hepatite, colite) e efeitos do TKI (HAS, mão-pé, diarreia).

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Cenário 2: hepatocarcinoma após Nexavar

O hepatocarcinoma (HCC) avançado tem opções de tratamento sistêmico ainda limitadas. Por anos, o sorafenibe (Nexavar) foi a única opção. Depois vieram lenvatinibe em primeira linha, e o cabozantinibe se firmou como segunda linha pós-Nexavar.

A indicação foi consolidada pelo estudo CELESTIAL — pacientes com HCC avançado e Child-Pugh A com progressão ao sorafenibe tiveram benefício em sobrevida global com cabozantinibe.

É uma situação particular: paciente com função hepática limítrofe, doença em progressão, opções escassas. A escolha pelo cabozantinibe é geralmente bem fundamentada — e a negativa do plano nesse cenário é especialmente difícil de sustentar.

Cenário 3: carcinoma medular de tireoide

O carcinoma medular de tireoide é um câncer raro, derivado das células C parafoliculares (não dos folículos tireoidianos clássicos). Tem comportamento mais agressivo e responde mal à radioiodoterapia.

Em formas avançadas ou metastáticas, o cabozantinibe é uma das duas opções aprovadas (a outra é o vandetanibe/Caprelsa). A indicação é específica e nem sempre coberta automaticamente pelas DUTs.

Pacientes com mutações RET particulares podem se beneficiar mais — embora hoje existam alternativas RET-seletivas mais novas (selpercatinibe). O cabozantinibe permanece como uma das colunas em medular avançado.

Preço, esquema e o problema dos efeitos colaterais

O Cabometyx é vendido em comprimidos de 20 mg, 40 mg ou 60 mg. Caixa com 30 comprimidos custa entre R$ 22 mil e R$ 38 mil. Dose padrão para CCR: 60 mg/dia em monoterapia, ou 40 mg/dia em combinação com Opdivo.

O tratamento é contínuo, mantido enquanto houver resposta e tolerância. Efeitos colaterais característicos incluem síndrome mão-pé (frequente e dose-limitante), hipertensão arterial, fadiga, diarreia, e em alguns casos alterações hepáticas.

Reduções de dose para 40 mg ou 20 mg são comuns. A descontinuação por toxicidade não é rara. O custo permanece alto mesmo nas doses reduzidas — embora o consumo por caixa diminua.

Cobertura, indicações múltiplas e a defasagem das DUTs

O cabozantinibe está no Rol da ANS para câncer renal avançado e hepatocarcinoma, com critérios das Diretrizes de Utilização (DUT). Para câncer medular de tireoide e para combinação com nivolumabe em primeira linha, a inclusão pode ser parcial.

As negativas frequentes envolvem: combo Cabometyx + Opdivo em primeira linha de CCR, uso em medular de tireoide, e uso em pacientes com Child-Pugh A limítrofe em HCC.

Em situações fora dos critérios estritos do Rol, vale a ADI 7.265 do STF (setembro de 2025). O argumento de estado da arte baseado em diretrizes internacionais (NCCN, ESMO) tem peso forte.

Caminho prático e a urgência em câncer metastático

Primeiro: negativa por escrito, com justificativa e protocolo. Segundo: relatório oncológico — diagnóstico (CID), estadiamento, histologia, função renal/hepática, linhas anteriores, prescrição (monoterapia ou combo) e justificativa clínica.

Em câncer metastático com progressão, a tutela de urgência tem peso. Veja o guia geral sobre o que fazer quando o plano nega medicamento e os casos paralelos de Sutent (sunitinibe) em câncer renal e Lenvima (lenvatinibe) em HCC e outros tumores.

O plano de saúde é obrigado a cobrir o Cabometyx?
Sim. O Cabometyx (cabozantinibe) é antineoplásico oral de uso domiciliar, categoria coberta pela Lei 12.880/2013. Está no Rol da ANS para câncer renal avançado e hepatocarcinoma. Para outras indicações (medular de tireoide) ou esquemas modernos (combo com Opdivo em primeira linha de CCR), a cobertura também pode ser exigida com base na ADI 7.265 do STF: prescrição médica fundamentada, ausência de alternativa equivalente, registro Anvisa e comprovação científica.
O plano pode trocar Cabometyx por outro TKI multi-alvo?
Não unilateralmente. Apesar de pertencerem à mesma classe (sunitinibe, pazopanibe, axitinibe, lenvatinibe, cabozantinibe), cada TKI tem perfil próprio de alvos moleculares (cabozantinibe atua em MET e AXL além de VEGFR), eficácia em diferentes cenários e perfil de toxicidade. Quando o oncologista justifica clinicamente a escolha pelo Cabometyx (linha anterior, perfil do paciente, indicação específica), a substituição imposta pelo plano pode ser considerada abusiva.
Cabometyx + Opdivo em primeira linha de câncer renal é coberto?
A combinação demonstrou superioridade contra sunitinibe em estudo de fase III e é uma das primeiras linhas preferidas em pacientes de risco intermediário/alto. A DUT vigente pode não cobrir totalmente o combo em primeira linha — pedidos podem receber negativa. A cobertura pode ser exigida com base na ADI 7.265 do STF e nas diretrizes internacionais (NCCN, ESMO).
O Cabometyx é coberto para hepatocarcinoma?
Sim — a indicação para HCC avançado em segunda linha pós-sorafenibe (Nexavar) está consolidada pelo estudo CELESTIAL e geralmente reconhecida no Rol da ANS. Pacientes com função hepática Child-Pugh A limítrofe podem ter dificuldade adicional na liberação, mas a documentação clínica e o registro Anvisa fundamentam o pedido.
Cabometyx é uma opção em medular de tireoide?
Sim — em carcinoma medular de tireoide avançado ou metastático, o cabozantinibe é uma das duas opções aprovadas (a outra é o vandetanibe/Caprelsa). A indicação é específica e nem sempre coberta automaticamente pelas DUTs. A documentação (CID específico, estadiamento, calcitonina, status mutacional RET quando aplicável) fundamenta o pedido judicial.
Quanto custa o tratamento mensal com Cabometyx?
Caixa de 30 comprimidos (20 mg, 40 mg ou 60 mg) custa entre R$ 22 mil e R$ 38 mil em 2026. Em monoterapia (60 mg/dia para CCR), o consumo é de uma caixa por mês. Em combinação com Opdivo (40 mg/dia + infusões de nivolumabe), o custo total mensal pode ultrapassar R$ 60 mil. Reduções de dose para 40 mg ou 20 mg são comuns por toxicidade.
Cabometyx pode ser usado depois de imunoterapia em câncer renal?
Sim — é um dos cenários consolidados para o cabozantinibe. Pacientes com câncer renal de células claras que progrediram a imunoterapia (anti-PD-1) frequentemente recebem cabozantinibe em monoterapia. A documentação da linha anterior e da progressão é parte do relatório oncológico.

Mais informações

Se você passou por uma negativa de cobertura do Cabometyx ou tem dúvidas sobre o caminho a seguir, pode entrar em contato com a Rosenbaum Advogados para que a sua situação seja analisada.

Este caso integra o panorama do Observatório Rosenbaum de Planos de Saúde, levantamento de mais de 43 mil decisões públicas do TJSP sobre planos de saúde.

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