Kisqali (Ribociclibe): Preço e Cobertura pelo Plano de Saúde
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Kisqali (Ribociclibe): cobertura em mama HR+/HER2-, MBC e adjuvante

Direito à Saúde, Remédio
Imagem editorial do Kisqali (ribociclibe) usado contra câncer de mama HR+/HER2-
Publicado: julho 2, 2020 Atualizado: julho 8, 2026
Tempo estimado de leitura: 8 minutos

O Kisqali® (princípio ativo ribociclibe) é um inibidor das quinases dependentes de ciclina 4 e 6 (CDK4/6) usado em câncer de mama HR+/HER2- — categoria que firmou-se como padrão moderno no tratamento dessa neoplasia.

Saiba como o Judiciário trata de forma geral a negativa de cobertura desses medicamentos — incluindo o Tema 990 do STJ e a decisão do STF na ADI 7.265, que definiu o rol da ANS como taxativo com exceções — no nosso guia consolidado de medicamentos de alto custo pelo plano de saúde.

É um dos três CDK4/6i disponíveis no Brasil — junto com abemaciclibe (Verzenios) e palbociclibe (Ibrance). Embora compartilhem mecanismo, têm perfis clinicamente distintos.

Indicações: mama HR+/HER2- metastática em 1ª linha (combo com IA ou fulvestranto, em pré ou pós-menopausa) e mama HR+/HER2- em recidiva (combo com fulvestranto).

Também: adjuvante em alto risco recém-aprovada (NATALEE, 2023) — segunda indicação adjuvante entre os CDK4/6i, após o monarchE do abemaciclibe.

Custo: R$ 22 mil a R$ 32 mil/mês (600 mg/dia por 3 semanas, depois 1 semana off — ciclo de 28 dias). Em MBC com uso prolongado, custo total ultrapassa R$ 500 mil-R$ 1 milhão. Em adjuvante (3 anos): R$ 800 mil-R$ 1,2 milhão.

CDK4/6 e o trio de inibidores

O ciclo celular é regulado por ciclinas e CDKs (quinases dependentes de ciclina). Em mama HR+, o estrogênio ativa a sinalização proliferativa via CDK4/6, que fosforila a proteína do retinoblastoma (Rb).

Rb fosforilada libera E2F, levando a transcrição de genes da fase S e proliferação celular descontrolada — a base molecular da progressão tumoral em mama HR+.

Inibir CDK4/6 paralisa o ciclo em G1, sem necessariamente destruir o tumor — efeito “citostático” que se traduz em controle prolongado da doença, especialmente em combo com terapia endócrina (que reduz o estímulo estrogênico).

Os três CDK4/6i:

Ribociclibe (Kisqali): QTc prolongado é sua marca — exige ECG basal e periódico. Estudos MONALEESA mostraram sobrevida global em pré e pós-menopausa.

Palbociclibe (Ibrance): pioneiro (2015). Neutropenia profunda é a marca. Tem o maior número de pacientes tratados mundialmente, perfil consagrado.

Abemaciclibe (Verzenios): posologia contínua (sem semana off), diarreia como marca, penetração CNS melhor que os outros, indicação adjuvante consagrada (monarchE).

MONALEESA: a série de estudos que firmou Kisqali em MBC

MONALEESA-2 (2016): ribociclibe + letrozol vs placebo + letrozol em MBC HR+/HER2- em 1ª linha em pacientes pós-menopausa. SLP 25,3 vs 16,0 meses. Sobrevida global em atualização: 63,9 vs 51,4 meses.

MONALEESA-3 (2018): ribociclibe + fulvestranto vs placebo + fulvestranto em MBC HR+/HER2- pré-menopausa com supressão ovariana, em 1ª ou 2ª linha. Sobrevida global em atualização: 53,7 vs 41,5 meses.

MONALEESA-7 (2018): ribociclibe em combo (IA ou tamoxifeno) em MBC HR+/HER2- em PRÉ-MENOPAUSA com supressão ovariana. Primeiro estudo CDK4/6i específico em pré-menopausa.

Resultados: SLP 23,8 vs 13,0 meses; SG em atualização não alcançada vs 40,9 meses — 1ª demonstração de ganho de sobrevida em pré-menopausa com CDK4/6i.

Conjunto MONALEESA: ribociclibe é o ÚNICO CDK4/6i com demonstração consistente de ganho de sobrevida global em MBC em múltiplos cenários. Em alguns análises retrospectivos, sugere superioridade vs Ibrance em sobrevida.

NATALEE: a 2ª indicação adjuvante consagrada entre CDK4/6i

Em 2023, o estudo NATALEE demonstrou benefício do ribociclibe em ADJUVANTE em mama HR+/HER2- de alto risco — segunda indicação adjuvante entre CDK4/6i, após o monarchE do abemaciclibe (Verzenios).

5.101 pacientes randomizadas em ribociclibe 400 mg/dia (dose reduzida do MBC) + IA por 3 anos vs IA isolado por 5 anos. Critérios de alto risco: linfonodos positivos (N1-N3), ou linfonodos negativos + alto risco (T2 + grau 3 ou Ki-67 ≥ 20% ou T3-T4).

Resultados (atualização 2024): SLI invasiva em 3 anos 90,7% vs 87,6% — redução de 25% no risco de recidiva invasiva. Benefício consistente em todos os subgrupos analisados.

Esquema: ribociclibe 400 mg/dia por 3 anos em combo com IA padrão. Dose reduzida vs MBC (600 mg) para tolerância em paciente clinicamente sem doença.

A indicação adjuvante do Kisqali foi aprovada FDA em setembro de 2024 e Anvisa em 2024-2025. ANS está em processo de incorporação ao Rol em algumas DUTs.

Diferenças vs Verzenios (monarchE) adjuvante:

Critérios de risco: NATALEE é mais amplo (inclui N0 alto risco); monarchE focou em N+.

Duração: NATALEE 3 anos; monarchE 2 anos.

Dose: NATALEE usa dose menor que MBC; monarchE usa dose plena.

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QTc prolongado: a assinatura cardiovascular do ribociclibe

A cardiotoxicidade do ribociclibe é distinta dos outros CDK4/6i — prolongamento de QTc, que pode levar a arritmias graves (torsades de pointes) em casos extremos.

Frequência: prolongamento de QTc em 5-9% dos pacientes em ECG; raramente sintomático. Mais frequente em pacientes com fatores de risco: distúrbio eletrolítico, medicações QTc-prolongadoras (alguns antibióticos, antifúngicos, antieméticos, antipsicóticos), cardiopatia estrutural.

Monitoramento obrigatório:

ECG basal antes de iniciar (QTc < 450 ms para iniciar com segurança).

ECG aos 14 dias do ciclo 1 (pico de exposição).

ECG no início do ciclo 2, depois conforme indicação clínica.

Eletrólitos basais e periódicos: K, Mg, Ca. Reposição se anormalidade.

Em QTc 480-500 ms: pausa do ribociclibe, repor eletrólitos, reavaliar. Em QTc > 500 ms: suspensão até normalização; redução de dose ao retomar; em casos persistentes ou recorrentes, descontinuação.

Em pacientes com fatores de risco cardiovascular significativos (síndrome QT longo congênito, IC com FE baixa, arritmias graves prévias): contraindicação ou cautela extrema — frequentemente Verzenios ou Ibrance são preferidos.

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Outras toxicidades

Neutropenia: ~75% em algum grau, 20-30% grau ≥3. Geralmente nas primeiras 4 semanas. Manejável com pausa e redução de dose. Esquema 21/7 (3 semanas on, 1 semana off) permite recuperação da contagem de neutrófilos.

Hepatotoxicidade: aumento de transaminases em 5-15%. Monitorar mensalmente nos primeiros 6 meses, depois conforme estabilidade.

Náusea, fadiga, alopecia parcial, rash, diarreia (menor que Verzenios): efeitos GI e gerais comuns, geralmente leves.

Hipertrigliceridemia: efeito metabólico.

Doença pulmonar intersticial: rara mas grave — efeito de classe CDK4/6i. Sintomas respiratórios novos exigem TC e suspensão.

Tromboembolismo venoso: 1-2%, similar a outros CDK4/6i.

A cobertura de terapias-alvo oncológicas como o ribociclibe é amplamente reconhecida pela Justiça paulista quando há prescrição médica e o plano nega.

Observatório Rosenbaum · decisões públicas do TJSP
97,2%
das ações sobre cobertura de tratamentos oncológicos foram favoráveis ao paciente (recorte oncológico do estudo)
678
decisões públicas analisadas

Levantamento de decisões públicas do Tribunal de Justiça de São Paulo (jun/2025 a jun/2026) do nosso estudo de jurimetria — não são casos do escritório, e sim um retrato da jurisprudência pública. Dado descritivo do passado; cada caso é único e não representa promessa de resultado.

Negativas frequentes em Kisqali

“Use Ibrance (palbociclibe) — mais barato”: cabível em alguns cenários, pois eficácia em SLP em MBC é comparável.

NÃO cabe quando paciente está estável sob ribociclibe, em pré-menopausa onde MONALEESA-7 tem dados específicos, ou em casos onde dados de sobrevida do ribociclibe são argumento clínico relevante.

“Use Verzenios em vez de Kisqali em adjuvante”: cabível em maioria dos casos N+ (monarchE foi aprovado primeiro). NÃO cabe em N0 alto risco onde NATALEE tem critérios próprios mais amplos. Em pacientes com intolerância anterior à diarreia do Verzenios, Kisqali é alternativa.

“Indicação adjuvante fora do Rol”: NATALEE é mais recente — em algumas DUTs ainda em incorporação. Em casos elegíveis pelos critérios do estudo, a ADI 7.265 do STF respalda.

“QTc prolongado limita uso”: argumento técnico válido em pacientes com QTc prolongado basal ou fatores de risco. Em pacientes com perfil cardiovascular normal e ECG basal adequado, o uso é seguro com monitoramento padrão.

Como agir na negativa do Kisqali

Primeiro: negativa por escrito, com fundamento técnico.

Segundo: relatório oncológico — diagnóstico (mama HR+/HER2-, perfil molecular, status menopausal), estadiamento, em adjuvante: linfonodos, tamanho, grau, Ki-67 (critérios NATALEE); em MBC: linhas prévias, sítios metastáticos.

Inclua avaliação cardiovascular basal (ECG, função cardíaca, perfil eletrolítico) e justificativa pela escolha do ribociclibe — dados de sobrevida MONALEESA, indicação em pré-menopausa (MONALEESA-7), adjuvante NATALEE em critérios próprios.

Em MBC HR+/HER2- recém-diagnosticada com janela ótima para iniciar, em recidiva metastática em progressão, em adjuvante recém-operada elegível NATALEE, a tutela de urgência tem peso decisivo.

Veja o guia do que fazer quando o plano nega medicamento e os hubs paralelos: Verzenios (CDK4/6i par, monarchE adjuvante), Arimidex (IA parceiro padrão), Nolvadex (SERM par em pré-menopausa), Zoladex (supressão ovariana em pré-menopausa).

O plano de saúde é obrigado a cobrir o Kisqali (ribociclibe)?
Sim, nas indicações com respaldo clínico. As principais — mama HR+/HER2- metastática em 1ª linha em combo com IA ou fulvestranto (MONALEESA-2/3), mama HR+/HER2- em recidiva (MONALEESA-3), mama HR+/HER2- em pré-menopausa com supressão ovariana (MONALEESA-7), adjuvante em alto risco (NATALEE 2023, em incorporação ao Rol) — constam ou estão em incorporação no Rol da ANS com Diretrizes de Utilização específicas. Em situações marginais ou em indicações em adjuvante onde a DUT ainda não foi atualizada, a ADI 7.265 do STF (setembro de 2025) consolidou a obrigação de cobertura com prescrição fundamentada e ausência de alternativa equivalente.
Qual a diferença entre Kisqali, Ibrance e Verzenios?
Todos são CDK4/6i com mecanismo central similar (paralisam ciclo celular em G1), mas com perfis distintos. Posologia: Kisqali (ribociclibe) e Ibrance (palbociclibe) usam esquema 21 dias on, 7 off; Verzenios (abemaciclibe) é contínuo. Toxicidade dominante: Kisqali = QTc prolongado (ECG seriado), neutropenia; Ibrance = neutropenia profunda; Verzenios = diarreia, neutropenia leve. Penetração CNS: Verzenios > Ibrance/Kisqali. Dados de sobrevida: Kisqali tem demonstração consistente de ganho em sobrevida global em pré e pós-menopausa (MONALEESA-2/3/7); Ibrance tem dados em SLP mas não em sobrevida global consistente; Verzenios tem dados de sobrevida em MBC mais recente. Em adjuvante: Verzenios consagrado (monarchE em N+) desde 2020; Kisqali aprovado em 2024 (NATALEE em critérios mais amplos incluindo N0 alto risco); Ibrance falhou em adjuvante (PALLAS). A escolha é individualizada.
O Kisqali aumenta a sobrevida em câncer de mama metastático?
Sim — diferencial central do Kisqali. Os estudos MONALEESA são a série mais robusta entre CDK4/6i com demonstração consistente de ganho em sobrevida global em múltiplos cenários: MONALEESA-2 (pós-menopausa 1ª linha): SG 63,9 vs 51,4 meses; MONALEESA-3 (pré-menopausa com SO em 1ª/2ª linha): SG 53,7 vs 41,5 meses; MONALEESA-7 (pré-menopausa em 1ª linha): SG não alcançada vs 40,9 meses (mais impressionante). Esse dado de sobrevida global consistente diferencia Kisqali entre os CDK4/6i em MBC. Em estudos head-to-head retrospectivos, sugere superioridade vs Ibrance em sobrevida — embora dados prospectivos head-to-head sejam limitados.
Posso usar Kisqali em mulher pré-menopausa?
Sim — em combo com supressão ovariana (Zoladex/Lupron) + IA ou tamoxifeno. O estudo MONALEESA-7 foi o primeiro CDK4/6i específico em pré-menopausa, demonstrando superioridade vs combo sem CDK4/6i. SLP 23,8 vs 13,0 meses; sobrevida global em atualização significativa (não alcançada vs 40,9 meses). É um diferencial do Kisqali — os outros CDK4/6i têm dados em pré-menopausa mas menos robustos. Em mama HR+/HER2- metastática em pré-menopausa, o esquema padrão é: supressão ovariana (Zoladex 3,6 mg/28 dias ou 10,8 mg/12 semanas) + IA (anastrozol/letrozol) ou tamoxifeno + Kisqali (ou outro CDK4/6i conforme escolha). Em adjuvante NATALEE em pré-menopausa: similar com SO + IA + Kisqali por 3 anos.
Por que preciso de ECG com Kisqali?
Para monitorar prolongamento de QTc — efeito adverso característico do ribociclibe. O QTc é o intervalo do ECG entre o início do complexo QRS e o final da onda T, corrigido pela frequência cardíaca. Quando prolongado (>450-470 ms), aumenta risco de arritmias graves (torsades de pointes). Frequência com Kisqali: 5-9% em algum grau, raramente sintomático. Mais frequente em pacientes com fatores de risco: distúrbio eletrolítico (K, Mg baixos), medicações que prolongam QTc (alguns antibióticos macrolídeos, antifúngicos azólicos, antieméticos, antipsicóticos), cardiopatia estrutural. Protocolo padrão: ECG basal (QTc 500: suspensão até normalização, redução de dose ao retomar.
O Kisqali em adjuvante (NATALEE) vale a pena?
Em pacientes de alto risco — sim. NATALEE (2023) demonstrou em 5.101 pacientes com mama HR+/HER2- de alto risco (N1-N3, ou N0 com critérios adicionais T2+grau 3 ou Ki-67 ≥ 20% ou T3-T4): SLI invasiva em 3 anos 90,7% vs 87,6% (redução de 25% no risco). Diferenças vs monarchE adjuvante (Verzenios): NATALEE é mais amplo (inclui N0 alto risco onde monarchE focou em N+); duração 3 anos vs 2; dose reduzida vs MBC. Aprovação FDA setembro 2024, Anvisa 2024-2025; ANS em incorporação. Em pacientes elegíveis pelos critérios do NATALEE, a indicação é válida. A negativa específica em adjuvante é mais frequente por ser indicação recente — defesa fundamentada em NATALEE + critérios de elegibilidade documentados.
Quanto custa o tratamento com Kisqali?
R$ 22 mil a R$ 32 mil por mês (600 mg/dia por 3 semanas, depois 1 semana off — dose padrão MBC, ou 400 mg/dia em adjuvante NATALEE). Em MBC com uso prolongado até progressão (mediana SLP 25-28 meses): R$ 500 mil a R$ 1 milhão por linha. Em respondedoras excepcionais com uso > 5 anos, ultrapassa R$ 1,5 milhão. Em adjuvante NATALEE (3 anos fixos com dose reduzida): R$ 600 mil a R$ 1 milhão. Comparativamente, Verzenios (abemaciclibe) e Ibrance (palbociclibe) têm custos similares por mês — escolha é frequentemente clínica e por indicação específica do estudo (MONALEESA, monarchE, NATALEE, PALLAS).

Mais informações

Se você passou por uma negativa de cobertura do Kisqali (ribociclibe) ou tem dúvidas sobre o caminho a seguir, pode entrar em contato com a Rosenbaum Advogados para que a sua situação seja analisada.

Decisões favoráveis sobre Kisqali

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Este conteúdo integra o panorama do Observatório Rosenbaum de Planos de Saúde, levantamento de mais de 43 mil decisões públicas do TJSP sobre planos de saúde.

Leo Rosenbaum

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