Verzenio (Abemaciclibe): Preço e Cobertura pelo Plano de Saúde
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Verzenios (Abemaciclibe): cobertura, monarchE adjuvante e MBC HR+/HER2-

Direito à Saúde, Remédio
Imagem editorial do Verzenio (abemaciclibe) usado contra câncer de mama HR+/HER2-
Publicado: dezembro 3, 2020 Atualizado: junho 22, 2026
Tempo estimado de leitura: 7 minutos

O Verzenios® (princípio ativo abemaciclibe) é um inibidor das quinases dependentes de ciclina 4 e 6 (CDK4/6) usado em câncer de mama HR+ (receptor hormonal positivo)/HER2-.

O Verzenio se enquadra na categoria de medicamentos de alto custo — drogas de alta complexidade terapêutica frequentemente negadas pelas operadoras de plano de saúde. Para entender a base jurídica geral e o passo a passo da ação judicial, veja: medicamento de alto custo pelo plano de saúde.

É um dos três CDK4/6i disponíveis no Brasil — junto com palbociclibe (Ibrance) e ribociclibe (Kisqali) — mas tem diferenças farmacológicas e clínicas que justificam indicações específicas, especialmente em tratamento adjuvante pós-cirurgia (estudo monarchE).

Custo: R$ 25 mil a R$ 35 mil/mês. Em MBC: uso até progressão (mediana 2-3 anos). Em adjuvante alto risco: 2 anos fixos, total ~R$ 600 mil-R$ 800 mil.

Negativa frequente: pedido em adjuvante (indicação mais nova, operadoras resistem), substituição imposta por Ibrance/Kisqali (Verzenios mais caro em alguns contextos), uso em pacientes com critérios marginais do monarchE.

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CDK4/6 e o ciclo celular como alvo

As quinases dependentes de ciclina (CDKs) são reguladores do ciclo celular. Em mama HR+, a sinalização do estrogênio ativa a CDK4/6, que fosforila a proteína Rb e libera o E2F — promovendo passagem da fase G1 para S.

Em mama HR+, essa via fica hiperativa e dirige proliferação. A inibição de CDK4/6 paralisa o ciclo em G1 — pausa o tumor sem necessariamente destruí-lo. Por isso, CDK4/6i são geralmente usados em combinação com terapia endócrina (inibidor de aromatase ou fulvestranto).

Os três CDK4/6i disponíveis: palbociclibe, ribociclibe, abemaciclibe. Mecanismo similar, mas diferenças importantes em potência relativa, perfil de toxicidade e penetração em SNC.

Diferenças do abemaciclibe vs palbociclibe e ribociclibe

Posologia: o abemaciclibe é tomado 2x/dia continuamente (sem pausa). Palbociclibe e ribociclibe são 1x/dia por 3 semanas + 1 semana off. A continuidade do abemaciclibe é mais conveniente em alguns pacientes mas exige tolerância sustentada.

Potência relativa em CDK4 vs CDK6: o abemaciclibe é mais potente em CDK4 (relação CDK4:CDK6 ~14:1) que palbociclibe e ribociclibe (relação ~1:1 a 1:3). Tem implicações no perfil tumoral e na atividade em alguns subgrupos.

Penetração em SNC: o abemaciclibe atravessa a barreira hematoencefálica melhor que os outros — algumas séries sugerem atividade em metástases cerebrais HR+. Ainda não é indicação aprovada, mas tem suporte de evidência preliminar.

Toxicidade-perfil: o abemaciclibe tem diarreia como toxicidade dominante (75% em algum grau, 9-15% grau ≥3) — diferente de palbociclibe/ribociclibe, onde neutropenia é o dominante.

Manejo: loperamida, hidratação, ajuste de dose. Não tem cardiotoxicidade tipo QTc (ribociclibe tem — exige ECGs seriadas).

Mama metastática (MBC) HR+/HER2-: a indicação estabelecida

Em 1ª linha de MBC HR+/HER2-: abemaciclibe + inibidor de aromatase (anastrozol, letrozol) em pré- e pós-menopáusicas (com supressão ovariana em pré-menopáusicas). Estudo MONARCH-3: sobrevida livre de progressão 28,2 meses vs 14,8 meses do IA isolado.

Em 2ª linha (após falha em IA prévio ou recidiva precoce em adjuvante): abemaciclibe + fulvestranto. Estudo MONARCH-2: sobrevida global 46,7 vs 37,3 meses (raro em MBC HR+).

Em monoterapia: abemaciclibe em pacientes intensamente pré-tratadas com endócrino + quimio (MONARCH-1) — resposta modesta, indicação residual hoje.

Comparados em MBC, palbociclibe, ribociclibe e abemaciclibe têm eficácia semelhante em sobrevida livre de progressão. A escolha entre eles é por perfil de toxicidade, comorbidades, conveniência e custo.

Adjuvante alto risco (monarchE): a indicação que mudou o cenário

Em outubro de 2020, o estudo monarchE mostrou benefício de abemaciclibe ADJUVANTE em mama HR+/HER2- de alto risco — categoria pioneira entre CDK4/6i (Ibrance e Kisqali falharam em demonstrar benefício adjuvante semelhante).

Critérios de alto risco: ≥ 4 linfonodos acometidos, ou 1-3 linfonodos + (tumor ≥ 5 cm OU grau histológico 3 OU Ki-67 ≥ 20%).

Esquema: abemaciclibe 150 mg 2×/dia por 2 anos, em combinação com terapia endócrina padrão (IA por 5-10 anos ou tamoxifeno).

Resultados (atualização 2024): redução de 35% no risco de recorrência invasiva em 5 anos, redução de 36% no risco de metástase à distância. Sobrevida global ainda em maturação — sinal positivo mas não definitivo.

Os planos resistem mais a essa indicação que à metastática por: (1) ser indicação mais nova; (2) custo de 2 anos sem progressão demonstrada (paciente clinicamente sem doença); (3) critérios de alto risco do monarchE serem restritos.

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Leo Rosenbaum

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Toxicidade: a diarreia e como gerenciá-la

A diarreia é a toxicidade-marcador do abemaciclibe — 75-80% dos pacientes em algum grau, 9-15% em grau ≥3 (mais de 6 episódios/dia, desidratação, hospitalização).

Início: tipicamente em primeiras 1-2 semanas, com pico de intensidade no primeiro mês e gradual atenuação depois.

Manejo proativo: loperamida em horário programado nas primeiras semanas (não esperar a diarreia chegar), hidratação abundante, ajuste alimentar (evitar lactose, fibras irritativas). Em grau ≥3 ou refratária: pausa do abemaciclibe e redução de dose ao retomar (150→100→50 mg).

Outras toxicidades: neutropenia (menos intensa que palbociclibe/ribociclibe), fadiga, elevação de creatinina (efeito tubular renal, sem perda real de função glomerular).

Também são descritos náusea/vômito leves e tromboembolismo venoso (1-2%, exige monitoramento clínico ativo durante o tratamento).

Pneumonite intersticial: raríssima mas grave — qualquer dispneia/tosse nova exige investigação.

O abemaciclibe (Verzenios) tem índice de êxito muito alto na Justiça de São Paulo quando há indicação médica e negativa do plano.

Observatório Rosenbaum · decisões públicas do TJSP
98,8%
das ações sobre cobertura do abemaciclibe (Verzenios) foram favoráveis ao paciente
84
decisões públicas analisadas

Levantamento de decisões públicas do Tribunal de Justiça de São Paulo (jun/2025 a jun/2026) do nosso estudo de jurimetria — não são casos do escritório, e sim um retrato da jurisprudência pública. Dado descritivo do passado; cada caso é único e não representa promessa de resultado.

Negativas frequentes e respostas

“Use Ibrance/Kisqali em vez do Verzenios”: cabível em MBC 1ª linha, onde a eficácia em SLP é semelhante entre os três CDK4/6i.

Em adjuvante, NÃO cabe — Ibrance falhou no estudo PALLAS, e Kisqali só obteve aprovação adjuvante em 2024 com perfis distintos (NATALEE). A escolha em adjuvante alto risco é fundamentada.

“Critério de alto risco do monarchE não atende”: argumento técnico que pode cair com fundamentação.

A DUT segue os critérios do monarchE, mas pacientes em fronteira (3 linfonodos + grau 3 + Ki-67 18%, por exemplo) podem ser pleiteados com fundamento individualizado.

“Indicação adjuvante fora do Rol”: a indicação foi incorporada ao Rol em 2024 com DUT específica. Para casos marginais ou fora dos critérios estritos, a ADI 7.265 do STF respalda cobertura com prescrição fundamentada. A Lei 14.454/2022 reforça esse entendimento, ao tornar o rol da ANS exemplificativo.

“Diarreia intolerável — suspender”: a diarreia é gerenciável na maioria dos pacientes. Negativa por toxicidade exige avaliação se houve manejo adequado antes de descontinuar.

Como agir na negativa do Verzenios

Primeiro: negativa por escrito, com fundamento técnico.

Segundo: relatório oncológico — diagnóstico (mama HR+/HER2-, estadiamento, perfil molecular) e critérios específicos da indicação.

Em adjuvante (monarchE), inclua número de linfonodos, tamanho, grau e Ki-67; em MBC, linhas prévias e sítios metastáticos. Justifique a escolha do abemaciclibe especificamente.

Em MBC em progressão clínica, em adjuvante alto risco recém-diagnosticada com janela ótima de início no pós-operatório imediato, a tutela de urgência tem peso.

Veja o guia do que fazer quando o plano nega medicamento ou fale com a Rosenbaum Advogados.

O plano de saúde é obrigado a cobrir o Verzenios (abemaciclibe)?
Sim, nas indicações com respaldo clínico. Em mama metastática HR+/HER2- em primeira ou segunda linha (combo com IA ou fulvestranto), a indicação consta no Rol da ANS. Em adjuvante alto risco (estudo monarchE — ≥ 4 linfonodos ou 1-3 linfonodos + critério adicional), a indicação foi incorporada ao Rol em 2024 com DUT específica. Em situações marginais aos critérios estritos da DUT ou em indicações específicas, a ADI 7.265 do STF (setembro de 2025) consolidou a obrigação de cobertura com prescrição fundamentada.
Qual a diferença entre Verzenios, Ibrance e Kisqali?
Os três são CDK4/6i com mecanismo central similar (paralisa ciclo celular em G1), mas com diferenças farmacológicas relevantes. Posologia: Verzenios 2×/dia contínuo; Ibrance e Kisqali 1×/dia por 3 semanas + 1 semana off. Toxicidade dominante: Verzenios = diarreia (75-80%); Ibrance = neutropenia profunda; Kisqali = neutropenia + cardiotoxicidade tipo QTc (precisa ECGs seriadas). Penetração SNC: Verzenios > Ibrance/Kisqali. Em adjuvante alto risco: Verzenios é a opção consagrada (monarchE positivo); Ibrance falhou (PALLAS); Kisqali tem aprovação recente (NATALEE) com perfil distinto. Em MBC, eficácia em SLP é semelhante; escolha individualizada por perfil de toxicidade, comorbidades e custo.
O Verzenios adjuvante por 2 anos é obrigatório no Rol?
A indicação adjuvante em mama HR+/HER2- de alto risco (≥ 4 linfonodos ou 1-3 linfonodos + critério adicional como tumor ≥ 5 cm, grau 3 ou Ki-67 ≥ 20%) foi incorporada ao Rol da ANS em 2024, com DUT específica. Para pacientes que atendem aos critérios estritos da DUT, a cobertura é direta. Em casos marginais ou em fronteira (3 linfonodos + grau 3 + Ki-67 18%, por exemplo), a fundamentação individualizada é necessária e a ADI 7.265 do STF respalda a cobertura com prescrição motivada.
Como gerenciar a diarreia do Verzenios?
A diarreia é a toxicidade-marcador do abemaciclibe (75-80% em algum grau). O manejo é proativo: loperamida em horário programado nas primeiras 4-8 semanas (não esperar a diarreia se manifestar para iniciar antidiarreico), hidratação abundante, ajuste alimentar (evitar lactose, fibras irritativas, alimentos picantes). Início típico: primeiras 1-2 semanas, pico no primeiro mês, gradual atenuação depois. Em grau ≥ 3 (mais de 6 episódios/dia, desidratação, necessidade de hospitalização) ou refratária: pausa do Verzenios e redução de dose ao retomar (esquema padrão 150 mg 2×/dia → 100 → 50). A maioria dos pacientes consegue tolerar com manejo adequado, mas ~5-10% descontinuam por toxicidade.
Quanto tempo dura o tratamento?
Em MBC: até progressão clínica/radiológica ou toxicidade intolerável — mediana de uso 2-3 anos. Em adjuvante alto risco (monarchE): 2 anos fixos, em combinação com terapia endócrina padrão (IA por 5-10 anos ou tamoxifeno). A duração de 2 anos foi estabelecida pelo desenho do estudo. Em pacientes que progrediram em adjuvante durante o uso do Verzenios, retomar como linha metastática é controverso — outras opções (CDK4/6i diferente, quimio, terapias direcionadas) são preferidas.
Posso usar Verzenios em metástases cerebrais?
Não é indicação aprovada formalmente, mas há evidência preliminar de atividade. O abemaciclibe atravessa a barreira hematoencefálica melhor que palbociclibe e ribociclibe — algumas séries de casos e estudos pequenos sugerem respostas em metástases cerebrais HR+/HER2-. Em pacientes selecionados com metástases cerebrais ativas e doença HR+/HER2-, o abemaciclibe pode ser considerado como parte do esquema sistêmico, frequentemente em combinação com radioterapia estereotáxica. A cobertura nessa situação específica costuma exigir fundamentação cuidadosa do oncologista, mas pode ser respaldada pela ADI 7.265 do STF.
Quanto custa o Verzenios?
R$ 25 mil a R$ 35 mil por mês (150 mg 2×/dia, 60 comprimidos). Em MBC com uso até progressão (mediana 2-3 anos): R$ 750 mil a R$ 1,2 milhão. Em adjuvante alto risco (2 anos fixos): R$ 600 mil a R$ 800 mil — somando-se ao custo da terapia endócrina associada e do monitoramento. É um dos medicamentos oncológicos de uso prolongado mais caros, o que explica a resistência das operadoras especialmente na indicação adjuvante, onde a paciente está clinicamente sem doença ativa.

Mais informações

Se você passou por uma negativa de cobertura do Verzenios ou tem dúvidas sobre o caminho a seguir, pode entrar em contato com a Rosenbaum Advogados para que a sua situação seja analisada.

Este caso integra o panorama do Observatório Rosenbaum de Planos de Saúde, levantamento de mais de 43 mil decisões públicas do TJSP sobre planos de saúde.

Leo Rosenbaum

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