Verzenio (Abemaciclibe): Preço e Cobertura pelo Plano de Saúde
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Verzenio (Abemaciclibe): Preço, Cobertura pelo Plano de Saúde e Seus Direitos

Direito à Saúde, Remédio
Imagem editorial do Verzenio (abemaciclibe) usado contra câncer de mama HR+/HER2-
Publicado: dezembro 3, 2020 Atualizado: maio 8, 2026
Tempo estimado de leitura: 10 minutos

O Verzenio (abemaciclibe) é um remédio em comprimido usado contra câncer de mama HR+/HER2-, com custo entre R$ 15.000 e R$ 22.000 por mês. Por ser caro, é frequente que planos de saúde neguem a cobertura — mesmo havendo prescrição médica.

A Justiça brasileira tem reconhecido o direito do paciente a receber o tratamento, com base em decisões recentes do STF e do STJ.

Esta página explica, em linguagem clara, como o Verzenio funciona, o que dizem as leis, o que fazer diante de uma negativa e o que a Justiça já decidiu.

Como o abemaciclibe age no organismo

O Verzenio (abemaciclibe) é um inibidor seletivo de CDK4 e CDK6 — duas enzimas centrais no controle do ciclo celular. Em tumores de mama hormônio receptor-positivos (HR+), a sinalização estrogênica recruta CDK4/6 para empurrar a célula tumoral pela fase G1 do ciclo, permitindo que ela se multiplique. Bloquear essas enzimas paralisa a divisão celular logo no início, antes que a célula chegue à replicação do DNA.

O abemaciclibe se diferencia dos outros CDK4/6 inibidores por ser tomado continuamente, sem pausa entre ciclos (o palbociclibe e o ribociclibe têm pausa de 7 dias). É uma molécula com perfil ligeiramente mais seletivo para CDK4 do que para CDK6, o que se reflete em menos neutropenia e mais diarreia comparado aos outros dois CDK4/6. Toma-se em casa, em duas doses diárias, em combinação com terapia endócrina (inibidor de aromatase ou fulvestranto). É um antineoplásico oral.

Indicações aprovadas e o diferencial do tratamento adjuvante

O abemaciclibe é o único CDK4/6 inibidor com aprovação para câncer de mama precoce de alto risco (adjuvante), além das indicações em doença avançada:

  • Câncer de mama HR+/HER2- avançado ou metastático, em primeira linha (com inibidor de aromatase) ou em linhas posteriores (com fulvestranto).
  • Câncer de mama HR+/HER2- precoce de alto risco (adjuvante) em combinação com terapia endócrina, após cirurgia. Esta é a indicação exclusiva do abemaciclibe entre os CDK4/6 inibidores — palbociclibe e ribociclibe não têm aprovação adjuvante similar.
  • Câncer de mama HR+/HER2- avançado em monoterapia em pacientes pré-tratadas em algumas situações específicas.

Para pacientes pós-cirurgia com critérios de alto risco (≥ 4 linfonodos axilares positivos, ou 1-3 linfonodos com Ki-67 ≥ 20% / grau 3 / tumor ≥ 5 cm), o abemaciclibe se tornou um padrão adjuvante por reduzir o risco de recidiva. O laudo médico que sustenta a prescrição inclui status HR/HER2, estadiamento patológico e Ki-67 — informações essenciais para a solicitação ao plano de saúde.

Verzenio é quimioterapia? Diferença para a quimio convencional

O abemaciclibe não é quimioterapia — é uma terapia-alvo molecular. Apesar de tomado em casa, está incluído nas regras de cobertura obrigatória de antineoplásicos orais. A diferença prática:

CaracterísticaQuimioterapia tradicionalInibidor de CDK4/6 (abemaciclibe)
AlvoCélulas de divisão rápida em geralEnzimas CDK4 e CDK6 do ciclo celular
AplicaçãoIV em ciclos hospitalaresOral 2 doses diárias em casa, contínuo
Combinação típicaOutras quimios em ciclosSempre com terapia endócrina (IA ou fulvestranto)
Efeitos típicosQueda cabelo, náusea intensa, queda imunidadeDiarreia, neutropenia leve a moderada, fadiga

A Lei 12.880/2013 alterou a Lei dos Planos de Saúde para incluir expressamente os antineoplásicos orais entre os tratamentos de cobertura obrigatória — argumento direto contra a recusa por “uso domiciliar”. Combinada com a ADI 7.265/STF, o Tema 990 do STJ, a Lei 9.656/98 e a RN 465/2021 da ANS, fundamenta o direito à cobertura. Em situações de negativa, vale procurar orientação jurídica especializada em direito à saúde.

Eficácia: o que mostraram os estudos clínicos

O abemaciclibe foi avaliado em uma série de estudos de fase 3 conhecidos como Programa MONARCH. Os mais relevantes:

  • Estudo monarchE — em câncer de mama HR+/HER2- precoce de alto risco (5.637 pacientes), abemaciclibe + terapia endócrina vs terapia endócrina isolada por 2 anos no adjuvante. Reduziu o risco de recidiva em 25-30%, com 3,5% de melhora absoluta da sobrevida livre de doença em 2 anos. Conforme análises atualizadas publicadas no Journal of Clinical Oncology e em seguimento de 5 anos.
  • Estudo MONARCH 3 — em câncer de mama HR+/HER2- avançado em primeira linha, em combinação com inibidor de aromatase. Demonstrou ganho substancial de sobrevida livre de progressão.
  • Estudo MONARCH 2 — em pacientes pré-tratadas, em combinação com fulvestranto. Demonstrou ganho de sobrevida global em pacientes com doença visceral.

O conjunto desses dados estabelece o abemaciclibe como referência tanto no tratamento adjuvante de alto risco quanto na doença metastática.

Efeitos colaterais e acompanhamento durante o tratamento

O perfil de efeitos colaterais do abemaciclibe tem dois sinais característicos — diarreia mais frequente que com palbociclibe/ribociclibe, e menos neutropenia profunda. A bula registrada na ANVISA descreve:

  • Muito comuns (mais de 10% dos pacientes): diarreia (até 80% dos pacientes em algum grau, geralmente leve a moderada), neutropenia, fadiga, náusea, anemia, dor abdominal, perda de apetite, leucopenia.
  • Comuns (1% a 10%): tromboembolismo venoso, elevação de enzimas hepáticas, eventos pulmonares (doença intersticial), perda de cabelo discreta.
  • Raros: pneumonite intersticial grave.

O manejo da diarreia geralmente envolve loperamida e ajuste de dose. O acompanhamento exige hemograma periódico (a cada 2 semanas no início, depois mensal), função hepática e avaliação clínica. Sintomas como diarreia intensa que não responde a loperamida, falta de ar nova com tosse, dor em panturrilha, icterícia ou febre persistente exigem comunicação imediata. Não interrompa nem ajuste a dose por conta própria. As informações completas estão na bula do paciente do Verzenio registrada na ANVISA.

Para que serve o Verzenio

O Verzenio é indicado para o tratamento de câncer de mama hormônio-positivo, do tipo HR+/HER2-. É usado tanto em casos avançados (metastáticos) quanto como tratamento adjuvante em pacientes de alto risco após cirurgia.

O abemaciclibe é o princípio ativo do Verzenio — um remédio em comprimido que bloqueia duas proteínas (CDK4 e CDK6) que o câncer usa para se multiplicar.

Faz parte da família dos inibidores de CDK4/6. Foi desenvolvido pelo laboratório Eli Lilly.

Quanto custa o Verzenio no Brasil

O preço médio do Verzenio no Brasil varia entre R$ 15.000 e R$ 22.000 por mês, conforme a dose prescrita e a farmácia. Como o tratamento costuma ser contínuo e prolongado, o valor total se torna inviável para a maioria das famílias.

Por isso, o Verzenio está entre os medicamentos de alto custo que mais geram disputas com planos de saúde no país.

O plano de saúde precisa cobrir o Verzenio?

Sim, há base legal sólida para exigir a cobertura. A Lei 9.656/98, que regula os planos de saúde, foi alterada em 2013 para incluir expressamente os remédios contra câncer tomados em casa entre os tratamentos obrigatórios.

Isso quer dizer que o Verzenio, mesmo sendo um em comprimido de uso domiciliar, deve ser custeado pelo plano quando há prescrição médica.

Em setembro de 2025, o STF reforçou esse entendimento ao julgar a ADI 7.265. Decidiu que o plano deve cobrir o tratamento mesmo quando ele não está na lista oficial da ANS.

Para isso, basta que o médico prescreva, que exista comprovação científica de eficácia, que o remédio tenha registro na Anvisa e que não haja alternativa equivalente já listada.

No caso do Verzenio, esses pontos costumam estar atendidos quando o paciente tem o relatório médico em mãos.

O Superior Tribunal de Justiça também é firme nesse sentido. No Tema 990, o STJ entendeu que medicamentos com registro na Anvisa devem ser cobertos pelo plano, inclusive quando o uso é fora da bula oficial — desde que haja indicação médica e respaldo científico.

Por que os planos negam o Verzenio

Imagem editorial sobre Verzenio (abemaciclibe) e a Justiça brasileira

As negativas costumam vir com três justificativas: o remédio não estaria na lista da ANS; o uso seria fora da bula; ou seria considerado experimental.

Nenhuma dessas razões resiste à legislação atual quando há prescrição médica fundamentada. Em situações de negativa de medicamento, o paciente tem caminhos jurídicos claros para reverter a decisão.

O que fazer quando o plano nega

  1. Peça a negativa por escrito. Por lei, o plano é obrigado a fornecer a justificativa formal em até 24 horas. Esse documento é a base de qualquer ação judicial.
  2. Reúna o relatório médico detalhado. Ele deve conter o diagnóstico, a indicação do Verzenio e o motivo pelo qual outros tratamentos não foram suficientes ou são contraindicados.
  3. Registre uma reclamação na ANS pelo telefone 0800 701 9656 ou pelo site da agência. Isso documenta a recusa formalmente.
  4. Procure um advogado com experiência em direito à saúde. Em casos de urgência, é possível pedir uma decisão liminar que obriga o plano a fornecer o medicamento enquanto o processo corre.

Tutela de urgência: o que é e quando cabe

A tutela de urgência é o mecanismo pelo qual o juiz pode determinar, no início do processo, que o plano forneça o Verzenio imediatamente — sem esperar o julgamento final.

O pedido precisa demonstrar duas coisas: que há base legal para o direito e que a demora pode causar prejuízo grave à saúde do paciente.

Nos casos relacionados ao Verzenio, a urgência costuma ser evidente — o atraso no tratamento pode permitir a progressão da doença e reduzir as chances de resposta.

Decisões da Justiça que reconheceram o direito

Os tribunais brasileiros têm decidido reiteradamente em favor de pacientes que precisam de inibidores de CDK4/6 para câncer de mama. Veja casos reais já decididos:

A Amil foi obrigada a custear inibidor de CDK4/6 combinado com terapia hormonal. A NotreDame Intermédica também perdeu em ação semelhante.

A SulAmérica foi condenada a fornecer o remédio e indenizar a paciente. A Unimed teve recurso negado e manteve a obrigação de cobertura.

Outras informações sobre o Verzenio

O Verzenio é tomado duas vezes ao dia, com ou sem alimentos. A dose padrão é de 150 mg duas vezes ao dia, podendo ser ajustada conforme a tolerância.

Os efeitos colaterais mais comuns incluem diarreia (a mais comum), cansaço, náusea, alteração na contagem de células do sangue e, mais raramente, problemas pulmonares.

Por isso, o acompanhamento médico regular e exames periódicos são essenciais durante todo o tratamento. Mais informações técnicas estão disponíveis na bula registrada na Anvisa.

Quem está em tratamento com Verzenio não deve interrompê-lo por conta própria. A descontinuação só pode ser decidida pelo médico.

Se houver intolerância ou resistência, o profissional pode considerar trocar para outro remédio da mesma família, como Kisqali (ribociclibe), Ibrance (palbociclibe).

Perguntas frequentes

O plano de saúde é obrigado a cobrir o Verzenio?
Sim. A Lei 9.656/98, alterada pela Lei 12.880/2013, inclui os remédios orais contra câncer entre os tratamentos obrigatórios. O STF, em 2025, reforçou esse entendimento na ADI 7.265. Quando há prescrição médica e registro na Anvisa, a recusa pode ser questionada na Justiça.
E se o Verzenio for prescrito para uso fora da bula?
Mesmo no chamado uso off-label (fora da indicação oficial da bula), o STJ entende que o plano deve cobrir, desde que o médico justifique a indicação e exista respaldo científico. O Tema 990 do STJ trata especificamente desse ponto.
Em quanto tempo a Justiça pode determinar a entrega do remédio?
Em casos urgentes, é possível requerer uma tutela de urgência (liminar) logo no início do processo. O juiz analisa o pedido conforme o caso e os documentos apresentados — não há prazo garantido, mas urgências em saúde costumam ter prioridade.
Preciso ter pago a primeira dose do próprio bolso para entrar com a ação?
Não. A ação pode ser ajuizada com base apenas na negativa do plano e no relatório médico. Não é necessário antecipar nenhum pagamento.
O SUS fornece o Verzenio?
O abemaciclibe pode estar incorporado pelo SUS para algumas indicações específicas, conforme protocolo do Ministério da Saúde. A disponibilidade real, porém, varia muito entre estados, e muitos pacientes recorrem à Justiça quando há demora no fornecimento.

Fale com o Rosenbaum Advogados

Se o seu plano de saúde negou a cobertura do Verzenio, é possível buscar a Justiça para reverter a recusa. O Rosenbaum Advogados atua há mais de 25 anos na defesa de pacientes com doenças graves contra operadoras de planos de saúde.

Entre em contato pelo WhatsApp ou pela página de contato para que possamos analisar a sua situação.

Leo Rosenbaum

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