Uma reportagem da Folha de São Paulo, publicada em 19 de outubro de 2026, destacou que a vítima de golpe do falso boleto pode, em determinados casos, cobrar o prejuízo da instituição financeira.
O texto explica que quem paga um documento adulterado enfrenta dois problemas ao mesmo tempo: perde o dinheiro enviado aos criminosos e continua devendo o valor ao credor legítimo. Em algumas situações a Justiça determina que o banco reconheça a quitação da dívida e indenize o consumidor. Em outras, entende que a instituição não tem responsabilidade pela fraude.
O que a matéria da Folha revela sobre o golpe do falso boleto
O levantamento do escritório Rosenbaum Advogados citado na matéria analisou 1.041 decisões do Tribunal de Justiça de São Paulo sobre boletos falsos publicadas entre junho de 2025 e agosto de 2026.
Em 50,3% dos julgamentos com resultado identificado, o consumidor conseguiu ressarcimento total ou parcial. Nos outros 49,7% os pedidos foram considerados improcedentes. Uma pesquisa complementar em cinco outros tribunais (Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Distrito Federal) mostrou percentual menor de decisões favoráveis ao consumidor: 36,9%.
Levantamento citado pela Folha mostra que cerca de metade das decisões do TJ-SP com resultado identificado foram favoráveis ao consumidor.
Esses números mostram que o resultado não é automático. O desfecho depende da existência de indícios de que o golpe foi facilitado por uma falha na prestação do serviço bancário, como o uso indevido de informações sigilosas do cliente ou uma vulnerabilidade nos sistemas de segurança.
Três situações em que a responsabilidade do banco pode ser reconhecida
Segundo Rosenbaum, três situações podem levar à responsabilização da instituição.
A primeira ocorre quando a vítima é direcionada ao golpista por um funcionário ou canal oficial do banco. A segunda acontece quando criminosos utilizam informações sigilosas sobre a relação do cliente com a instituição. A terceira surge quando há falhas na abertura da conta usada para receber o dinheiro da fraude.
“Não basta ter sido vítima, é preciso mostrar onde o banco falhou”
Léo Rosenbaum
Esses critérios ajudam a diferenciar uma fraude externa de um golpe facilitado por defeito no serviço.
Quando o boleto falso reproduz detalhes precisos de uma operação bancária (como valor de parcela, saldo devedor ou solicitação de quitação), o indício de vazamento de dados se fortalece. Dados básicos como nome e CPF, por outro lado, podem ter origem em outras fontes e, isoladamente, não bastam para caracterizar falha bancária.
Base legal: Código de Defesa do Consumidor e Súmula 479 do STJ
A legislação aplicável parte do artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor, que estabelece a responsabilidade dos fornecedores de serviços por defeitos na prestação. No caso dos bancos, a Súmula 479 do STJ reforça a responsabilidade objetiva por danos decorrentes de fraudes praticadas por terceiros quando relacionadas a riscos inerentes à atividade bancária — o chamado fortuito interno.
A Súmula 479 do STJ e o Código de Defesa do Consumidor fundamentam a análise de responsabilidade em casos de fortuito interno.
A matéria da Folha cita um exemplo concreto do Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial 2.077.278/SP, de outubro de 2023). Nele, criminosos souberam de um e-mail enviado pela consumidora ao banco e usaram essa informação para aplicar o golpe na quitação de um financiamento.
O STJ entendeu que o uso indevido de informações relativas à operação bancária caracterizava defeito no serviço, restabeleceu a quitação e determinou a devolução de parcelas cobradas indevidamente.
Em sentido oposto, o mesmo tribunal já afastou a responsabilidade em casos nos quais não se demonstrou vínculo entre a fraude e falha da instituição (como no Recurso Especial 2.046.026/RJ). O Enunciado 12 da Seção de Direito Privado do TJ-SP também condiciona o ressarcimento à prova de direcionamento por funcionário ou canais do banco.
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Como a inversão do ônus da prova ajuda o consumidor
Quando o consumidor apresenta indícios de acesso indevido a informações sigilosas, a inversão do ônus da prova prevista no Código de Defesa do Consumidor pode transferir ao banco o dever de demonstrar a ausência de falha. Como os sistemas de segurança estão sob controle da instituição, essa prova costuma ser difícil de produzir.
Se a responsabilidade for reconhecida, o consumidor pode pedir o reconhecimento da quitação da dívida, a restituição de valores pagos indevidamente, a reparação de danos materiais e morais e, em alguns casos, a devolução em dobro prevista no artigo 42 do Código de Defesa do Consumidor.
A negativação indevida em cadastros de inadimplentes também pode gerar indenização por danos morais. Em situações de urgência, é possível pedir tutela de urgência para suspender cobranças e retirar registros negativos enquanto o processo tramita.
O que fazer se você já pagou um boleto suspeito
A matéria destaca a importância de agir rapidamente. O consumidor deve comunicar o banco pelos canais oficiais, preservar o boleto e o comprovante de pagamento, guardar conversas, e-mails e mensagens com datas e horários, anotar a origem do contato e reunir documentos do contrato original, extratos e protocolos de atendimento. O registro de boletim de ocorrência também é recomendado.
Essas provas ajudam a demonstrar o nexo entre a fraude e eventual falha bancária. Se o banco não resolver administrativamente, o consumidor pode recorrer à ouvidoria da instituição, ao Banco Central ou aos órgãos de defesa do consumidor.
Em muitos casos a orientação jurídica especializada é recomendável para avaliar se os indícios de fortuito interno estão presentes e quais pedidos são adequados.
Prevenção continua sendo o caminho mais seguro
Antes de pagar qualquer boleto, o consumidor deve conferir, na tela do aplicativo ou internet banking, o nome e o CPF ou CNPJ do beneficiário, o valor e a data de vencimento. Qualquer divergência indica risco e deve impedir o pagamento.
Guardar boleto, comprovante, conversas e protocolos é fundamental para demonstrar eventual falha bancária.
Preferir canais oficiais para gerar a segunda via e desconfiar de mensagens com urgência ou de remetentes desconhecidos também reduz a exposição ao golpe do falso boleto.
A Febraban, citada na reportagem, afirma que cada caso é analisado conforme as circunstâncias e as provas, e que não há responsabilização automática das instituições. Os bancos investem em tecnologia de monitoramento e prevenção, mas a Justiça avalia se houve defeito na prestação do serviço.
A relevância de orientação especializada para garantir os direitos do consumidor
A análise de cada situação exige atenção às provas disponíveis e ao entendimento atual dos tribunais. Um advogado especializado em golpes financeiros pode examinar se há indícios de falha na prestação do serviço, orientar sobre a documentação necessária e acompanhar os procedimentos administrativos ou judiciais cabíveis.
Conferir nome, CPF ou CNPJ do beneficiário na tela do aplicativo é a principal forma de evitar o pagamento de boleto adulterado.
Essa orientação ajuda o consumidor a compreender com clareza quais são seus direitos e quais caminhos são mais adequados para cada caso concreto, sem generalizações.
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Avaliação dos clientes
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Segundo processo contra a empresa aérea com êxito, escritório super transparente com ótimos atendimentos e conselhos.
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Alvaro Frontela
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Experiência excelente, tudo as claras se enganação. Processo contra a Latam por conta de cancelamento de Voo. Causa ganha, 6 meses após o início da ação.
Grato
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MB
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Carlos Schneider
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Ação vitoriosa movida contra corretora de criptomoedas - hacker invadiu a conta e sacou as moedas existentes - 14 meses após a assinatura do contrato com a Rosenbaum, o que é um tempo excelente considerando nosso judiciário. As solicitações de informações que fiz durante o curso do processo foram prontamente atendidas pela empresa. Indico com louvor.
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Gabriela Siqueira
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Recomendo 100%. Já nos ajudaram en 2 processos. Atendimento cordial, processos que dão resultado. Muito bom contar com eles para que a justiça seja feita.
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Paulo Rogério de Souza Paulo Rogerio
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Estou aqui para parabenizar os profissionais do escritório ROSENBAUM ADVOGADOS.
pela eficiência do trabalho prestado.
No início tive dúvida se eles seriam uma boa opção para trabalhar no meu processo, mas de acordo com o andamento e a agilidade do trabalho, então tive a certeza que fiz a melhor escolha em contratar o escritório Rosenbaum Advogados,
Fui super bem atendido.
Recomendo 100%
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Fabio Rogozyk
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Ótimo, sempre prontos para esclarecer as dúvidas e o resultado final foi super positivo.
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Milton Deim CoLoNeTTi (CoToNeTe)
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Equipe atenciosa, competente e altamente confiável.
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J MOSCOVICH
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O resultado da gestão do escritorio foi muito bom e o fechamento foi agil e correto. Eu só teria gostado, e fica como sugestão, que haja algum tipo de comentário ou atualização do status do processo a cada certo tempo, seja mensal, bi-mensal, etc....
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