Xalkori para Câncer: Como Conseguir pelo Plano de Saúde
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Xalkori (Crizotinibe): cobertura em NSCLC ALK+, ROS1+ e MET

Direito à Saúde, Remédio
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Publicado: setembro 21, 2020 Atualizado: maio 15, 2026
Tempo estimado de leitura: 6 minutos

O Xalkori® (princípio ativo crizotinibe) foi o primeiro inibidor de ALK (anaplastic lymphoma kinase) aprovado em 2011 — marco histórico que iniciou a era das terapias-alvo molecular em câncer de pulmão de células não-pequenas (NSCLC).

Suas indicações: NSCLC com rearranjo ALK (translocação ELM4-ALK e outras fusões), NSCLC com rearranjo ROS1 (~1-2% dos NSCLC), NSCLC com mutação MET exon 14 skipping em situações específicas, e linfoma anaplásico de células grandes ALK+ pediátrico (raro).

Sua descoberta clínica é uma das histórias mais elegantes da oncologia: o crizotinibe foi originalmente desenhado como inibidor de MET, e durante o desenvolvimento foi identificada atividade contra ALK quando ainda não se conhecia o papel do ALK em NSCLC.

A confirmação clínica do rearranjo ALK em ~5% dos NSCLC adenocarcinoma (Soda et al, 2007) e os primeiros resultados clínicos em 2010 mudaram o cenário em meses.

Custo: R$ 18 mil a R$ 35 mil/mês (250 mg 2×/dia). Em 2026, deslocado da 1ª linha em NSCLC ALK+ por alectinibe (Alecensa) e lorlatinibe (Lorbrena) — mas permanece como opção em ROS1+ e em situações específicas.

ALK e o rearranjo ELM4-ALK em NSCLC adenocarcinoma

O ALK (anaplastic lymphoma kinase) é uma tirosino-quinase originalmente descrita em linfoma anaplásico de células grandes — daí o nome. Em condições normais, é expressa em sistema nervoso em desenvolvimento.

Em 2007, Soda e equipe identificaram que ~5% dos NSCLC adenocarcinoma têm rearranjo EML4-ALK — fusão gênica que cria uma proteína quimérica com domínio quinase de ALK constitutivamente ativo, dirigindo proliferação tumoral.

Características da população ALK+ em NSCLC:

Tendência a pacientes mais jovens (mediana ~50 anos).

Não-fumantes ou ex-fumantes leves.

Histologia: adenocarcinoma com padrão acinar ou predominantemente sólido.

Alta incidência de metástases cerebrais (40-60% em algum momento da história — crítico para escolha terapêutica).

Os ALKi atuam ligando-se ao domínio quinase do ALK fundido, bloqueando a sinalização proliferativa. Cada geração de ALKi tem perfil distinto:

Três gerações de ALKi e o lugar do Xalkori hoje

1ª geração: crizotinibe (Xalkori, 2011). Eficácia inicial robusta — taxa de resposta ~60-70%, mediana SLP ~8-11 meses em 1ª linha (PROFILE 1014).

Limitações: penetração CNS limitada (mets cerebrais frequentemente progridem primeiro) e a mutação G1202R do ALK (sítio de resistência mais comum) limita a 2ª linha.

2ª geração: alectinibe (Alecensa), ceritinibe (Zykadia), brigatinibe (Alunbrig), ensartinibe. Mais potentes que crizotinibe, melhor penetração CNS. Alectinibe é hoje 1ª escolha em 1ª linha em maioria dos centros — estudo ALEX (2017) mostrou SLP 34,8 meses (vs ~11 do crizotinibe).

3ª geração: lorlatinibe (Lorbrena, 2018). Mais potente ainda, supera G1202R e outras mutações 2ª-gen-resistentes, penetra CNS robustamente.

Em 1ª linha (CROWN, 2020), mediana SLP NÃO ALCANÇADA em 5 anos — sinal extraordinário. Pode ser 1ª linha em pacientes com mets cerebrais ou em centros que preferem 3ª gen desde o início.

Sequenciamento moderno: alectinibe (ou lorlatinibe) em 1ª linha → outro ALKi em 2ª linha após progressão (com testagem molecular de mecanismo de resistência). Crizotinibe foi deslocado para 2ª-3ª linha em ALK+ em maioria dos centros.

Em ALK+ recidivado pós-alectinibe: opções incluem lorlatinibe (preferido para mets cerebrais ou mutações específicas), ou continuação além da progressão em situações selecionadas.

ROS1+: a indicação onde o Xalkori mantém força

O rearranjo ROS1 (CD74-ROS1 e outras fusões) ocorre em ~1-2% dos NSCLC adenocarcinoma — população ainda mais jovem e nunca-fumante que ALK+.

O crizotinibe foi o primeiro ALKi aprovado também em ROS1+ (PROFILE 1001, 2014) — taxa de resposta ~70%, SLP ~19 meses. Aprovação rápida pela raridade do alvo e alta atividade do crizotinibe.

Em ROS1+, alternativas modernas incluem entrectinibe (Rozlytrek) e repotrectinibe (Augtyro, 2023). Em pacientes com mets cerebrais ou em recidiva, entrectinibe ou repotrectinibe são preferidos pela penetração CNS superior.

Em ROS1+ em 1ª linha, crizotinibe permanece opção válida — particularmente em pacientes sem mets cerebrais e com perfil de toxicidade preservado.

MET exon 14 skipping e outras indicações específicas

Em NSCLC com mutação MET exon 14 skipping (3-4% dos NSCLC, mais comum em idosos não-fumantes), o crizotinibe tem atividade — alvo MET é compartilhado com a indicação original do crizotinibe.

Hoje, alternativas mais específicas e potentes em MET exon 14 são capmatinibe (Tabrecta) e tepotinibe (Tepmetko) — preferidas em 1ª linha. Crizotinibe é alternativa em pacientes com contraindicação ou indisponibilidade.

Linfoma anaplásico de células grandes ALK+ pediátrico recidivado/refratário: indicação aprovada FDA (não Anvisa específica) com atividade documentada.

Neuroblastoma e outros tumores ALK+ raros: uso off-label em situações específicas, com fundamentação por ADI 7.265.

Toxicidade do crizotinibe

Mais frequentes: distúrbio visual (60% — “rastros” luminosos, flashes, percepção alterada de movimento; geralmente leve e tolerável, mas atrapalha direção noturna), diarreia, náusea, vômito, edema periférico, fadiga, aumento de transaminases.

Mais relevantes mas menos frequentes: hepatotoxicidade grave, pneumonite intersticial (1-3%, potencialmente fatal — TC se sintomas respiratórios novos).

Também: bradicardia sinusal (efeito específico — monitorar FC em pacientes com cardiopatia), prolongamento QTc e hipogonadismo masculino raro mas documentado.

Interações: CYP3A4 (inibidores fortes/indutores), pH gástrico (não afetado significativamente).

O perfil de toxicidade é geralmente manejável — uma vantagem do crizotinibe vs alguns ALKi de 2ª-3ª gen (lorlatinibe tem efeitos cognitivos/psiquiátricos mais frequentes).

Negativas frequentes em NSCLC molecular

“Use Alecensa em vez de Xalkori em 1ª linha ALK+”: cabível em maioria dos cenários (Alecensa é hoje 1ª escolha após ALEX). NÃO cabe em ROS1+ (alecensa não tem aprovação ROS1) ou em pacientes com contraindicação/intolerância ao alectinibe.

“Use Lorbrena em vez”: alternativa em 1ª linha em alguns centros (CROWN). Em ROS1+, lorlatinibe não é 1ª escolha (uso off-label, embora ativo).

“Indicação fora do Rol”: NSCLC ALK+ e ROS1+ constam no Rol da ANS com DUT. Em MET exon 14 skipping, NSCLC ALK+ pediátrico, ou indicações marginais, a ADI 7.265 do STF respalda.

“Use genérico em vez de Xalkori”: crizotinibe genérico não está amplamente disponível no Brasil em 2026 (medicamento ainda sob proteção em algumas formulações). Quando disponível, intercambialidade é considerada aceita.

Como agir na negativa do Xalkori

Primeiro: negativa por escrito, com fundamento técnico.

Segundo: relatório oncológico — diagnóstico (NSCLC adenocarcinoma), estadiamento, resultado da testagem molecular (rearranjo ALK por FISH/IHQ/NGS; rearranjo ROS1; mutação MET exon 14 skipping), tratamentos prévios.

Inclua a justificativa pela escolha do crizotinibe — ROS1+ (indicação consagrada), MET exon 14 com contraindicação a capmatinibe/tepotinibe, ALK+ em 2ª linha pós-alectinibe, ou contexto específico.

Em NSCLC ALK+ ou ROS1+ recém-diagnosticado com mets cerebrais sintomáticas, em doença em progressão clínica, a tutela de urgência tem peso decisivo.

Veja o guia do que fazer quando o plano nega medicamento e os hubs paralelos: Alecensa (ALK 2ª gen 1ª linha hoje), Lorbrena (ALK 3ª gen), Tagrisso (EGFR 3ª gen — par molecular).

O plano de saúde é obrigado a cobrir o Xalkori (crizotinibe)?
Sim, nas indicações com respaldo clínico. NSCLC com rearranjo ALK e NSCLC com rearranjo ROS1 constam no Rol da ANS com Diretrizes de Utilização específicas. Em NSCLC com mutação MET exon 14 skipping, em linfoma anaplásico de células grandes ALK+ pediátrico, ou em indicações marginais (neuroblastoma ALK+ off-label, etc.), a ADI 7.265 do STF (setembro de 2025) consolidou a obrigação de cobertura com prescrição fundamentada e ausência de alternativa equivalente.
O Xalkori ainda é a melhor opção em NSCLC ALK+?
Não em 1ª linha. Em 2026, o padrão de 1ª linha em NSCLC ALK+ avançado é alectinibe (Alecensa) ou lorlatinibe (Lorbrena), não crizotinibe. O estudo ALEX (2017) mostrou alectinibe com SLP 34,8 meses vs ~11 do crizotinibe. O CROWN (2020) mostrou lorlatinibe com SLP não-alcançada em 5 anos — sinal extraordinário. Crizotinibe permanece como opção em: ROS1+ (onde mantém papel de 1ª linha em pacientes selecionados), MET exon 14 skipping em situações específicas, ou em 2ª/3ª linha pós-alectinibe ou lorlatinibe (sequenciamento conforme mecanismo de resistência identificado por rebiópsia).
Qual a diferença entre Xalkori, Alecensa e Lorbrena?
Geração: Xalkori é 1ª gen, Alecensa é 2ª gen, Lorbrena é 3ª gen. Potência: cada geração é mais potente que a anterior contra ALK. Penetração CNS: melhora com geração — crizotinibe (limitada, mets cerebrais frequentemente progridem primeiro), alectinibe (boa), lorlatinibe (excelente — pode tratar mets cerebrais sem radioterapia). Cobertura de mutações resistentes: lorlatinibe cobre G1202R (resistência mais comum aos ALKi 1ª/2ª gen), alectinibe cobre algumas mas não G1202R, crizotinibe cobre menos. Em 1ª linha: padrão moderno é alectinibe ou lorlatinibe, com crizotinibe em 2ª-3ª linha. Em ROS1+: crizotinibe ainda tem papel em 1ª linha; alectinibe não tem aprovação ROS1; lorlatinibe atua em ROS1 mas com aprovação mais restrita.
Posso usar Xalkori em NSCLC ROS1+?
Sim — é uma das principais indicações. O crizotinibe foi o primeiro inibidor aprovado em NSCLC com rearranjo ROS1 (PROFILE 1001, 2014). Em 1ª linha de ROS1+ avançado, é opção válida ao lado de entrectinibe (Rozlytrek) e repotrectinibe (Augtyro). Em pacientes com mets cerebrais ou em recidiva, entrectinibe e repotrectinibe têm vantagem pela penetração CNS superior. Crizotinibe permanece como 1ª escolha em pacientes ROS1+ sem mets cerebrais e com perfil clínico que favorece (sem contraindicação ao crizotinibe específico). A escolha é individualizada pela situação clínica.
O que são "distúrbios visuais" causados pelo Xalkori?
Manifestação curiosa e característica do crizotinibe: ~60% dos pacientes relatam “rastros” luminosos, flashes, percepção alterada de movimento, especialmente em ambientes com mudanças bruscas de luz. Mecanismo: não totalmente esclarecido, possivelmente relacionado a efeito do crizotinibe sobre função retiniana. Geralmente é leve e tolerável — não causa perda visual real, raramente leva a descontinuação. Atrapalha mais em direção noturna (rastros e flashes podem incomodar). Tende a atenuar com tempo em muitos pacientes. Outros ALKi (alectinibe, lorlatinibe) não causam esse efeito visual característico — diferenciação clínica útil.
O Xalkori atravessa a barreira hematoencefálica?
Limitadamente. Esta é uma das principais limitações do crizotinibe — penetração CNS é inferior aos ALKi de 2ª/3ª gen. Em pacientes em uso de crizotinibe, mets cerebrais frequentemente são o primeiro sítio de progressão (efeito “santuário CNS”). Por isso, em NSCLC ALK+ com mets cerebrais (40-60% dos pacientes em algum momento), os ALKi mais penetrantes (alectinibe, lorlatinibe) são preferidos em 1ª linha. Em pacientes em uso de crizotinibe que desenvolvem mets cerebrais isoladas, a troca para alectinibe ou lorlatinibe (com ou sem radioterapia complementar) é estratégia consagrada. O lorlatinibe tem penetração CNS excepcional — pode tratar mets cerebrais ativas sem radioterapia em casos selecionados.
Quanto custa o tratamento com Xalkori?
R$ 18 mil a R$ 35 mil por mês (250 mg 2×/dia, 60 cápsulas). Em uso contínuo até progressão (mediana em 1ª linha ~11 meses; em 2ª linha pós-alectinibe variável; em ROS1+ ~19 meses em 1ª linha): R$ 200 mil a R$ 800 mil por linha. Em alguns pacientes excepcionais com uso prolongado, pode ultrapassar R$ 1 milhão. Comparativamente, Alecensa custa R$ 30-45 mil/mês; Lorbrena R$ 35-55 mil/mês. O crizotinibe ainda é o mais barato dos ALKi, o que mantém sua relevância em algumas situações práticas.

Mais informações

Se você passou por uma negativa de cobertura do Xalkori (crizotinibe) ou tem dúvidas sobre o caminho a seguir, pode entrar em contato com a Rosenbaum Advogados para que a sua situação seja analisada.

Leo Rosenbaum

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