Xofigo (Radio-223): Cobertura Obrigatoria pelo Plano
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Xofigo (Cloreto de Rádio-223) negado pelo plano? Seus direitos

Direito à Saúde, Remédio
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Publicado: setembro 24, 2020 Atualizado: maio 14, 2026
Tempo estimado de leitura: 5 minutos

O Xofigo® (princípio ativo cloreto de rádio-223) é um medicamento oncológico que rompe a lógica das categorias tradicionais. Não é quimioterapia. Não é hormonioterapia. Não é imunoterapia. É um radiofármaco.

Indicado para câncer de próstata resistente à castração (CRPC) com metástases ósseas sintomáticas, sem metástases viscerais conhecidas. É a primeira terapia alfa-emissora aprovada com benefício comprovado em sobrevida global.

Custo por aplicação entre R$ 30 mil e R$ 50 mil. São 6 doses mensais totais. Como medicamento de alto custo em indicação muito específica, alvo recorrente de negativa.

Radiofármaco alfa-emissor: a física por trás do tratamento

O rádio-223 é um isótopo radioativo que emite partículas alfa. Diferente das radiações beta (elétrons) ou gama (fótons), as partículas alfa são núcleos de hélio — grandes e com carga elétrica significativa.

Consequência prática: as partículas alfa percorrem distâncias muito curtas no tecido (menos de 100 micrômetros — cerca de 10 diâmetros celulares). Causam dano local intenso ao DNA das células próximas, sem afetar tecidos distantes.

Quando o rádio-223 é injetado, ele se comporta quimicamente como cálcio — é incorporado preferencialmente em locais de remodelação óssea ativa, exatamente onde estão as metástases ósseas. O resultado é radiação focalizada nessas lesões, com mínima toxicidade sistêmica.

Por que o Xofigo é especial em CRPC com metástases ósseas

O câncer de próstata tem afinidade peculiar pelos ossos. Em fases avançadas (CRPC), metástases ósseas são frequentemente o problema clínico dominante: dor, fraturas patológicas, anemia, hipercalcemia.

Antes do Xofigo, opções para metástases ósseas eram limitadas: bifosfonatos como Zometa (prevenção de eventos esqueléticos), denosumabe (mecanismo similar), radiofármacos beta-emissores antigos (samário-153, estrôncio-89) — que aliviam a dor mas não prolongam sobrevida.

O Xofigo é diferente. O estudo ALSYMPCA demonstrou que ele prolonga a sobrevida global em CRPC com metástases ósseas sintomáticas. Não é só paliativo da dor — é tratamento que muda história natural.

Quem é elegível: critérios estritos

A indicação é específica e exige critérios rigorosos:

Câncer de próstata resistente à castração (CRPC) — comprovado por progressão apesar de testosterona em níveis de castração.

Metástases ósseas sintomáticas — ou seja, com dor relacionada às lesões, não apenas achado de imagem. Frequentemente o paciente já está em uso de analgésicos opioides.

Ausência de metástases viscerais conhecidas — fígado, pulmão, etc. Em pacientes com doença visceral significativa, o Xofigo perde eficácia (não trata essas lesões) e pode ter risco aumentado.

Função medular adequada — hemoglobina, neutrófilos, plaquetas em limites mínimos. A toxicidade hematológica é o efeito limitante.

Esquema: 6 doses mensais, depois acompanhamento

O Xofigo é administrado por infusão intravenosa lenta, mensal, por 6 ciclos consecutivos. Após o sexto ciclo, o tratamento termina — não é mantido indefinidamente.

Cada infusão é precedida de avaliação clínica e laboratorial (especialmente hemograma). Em casos de citopenias graves, doses podem ser adiadas ou suspensas.

Após os 6 ciclos, o paciente segue em acompanhamento. Em alguns casos selecionados, um segundo curso pode ser considerado anos depois — mas não é o padrão.

Mielossupressão: o efeito limitante

Apesar da distribuição preferencial nas metástases ósseas, parte da radiação alfa também afeta a medula óssea adjacente. Resultado: queda de hemoglobina, neutrófilos e plaquetas.

O monitoramento exige hemograma a cada ciclo. Pacientes com anemia prévia ou plaquetopenia podem precisar de transfusões. Em alguns casos, a citopenia grave leva à suspensão do tratamento antes dos 6 ciclos.

Outros efeitos colaterais comuns: náuseas, diarreia, fadiga, dor óssea transitória (“flare” inicial em alguns pacientes — paradoxalmente, a dor pode piorar nos primeiros dias antes de melhorar significativamente).

Preço, logística e a combinação proibida

Cada infusão de Xofigo custa entre R$ 30 mil e R$ 50 mil. O tratamento completo (6 ciclos) totaliza entre R$ 180 mil e R$ 300 mil.

A administração exige clínica de medicina nuclear ou oncologia com licença para manuseio de radiofármacos. Cuidados específicos com excretas (urina) nos primeiros dias após cada aplicação.

Importante: a combinação do Xofigo com Zytiga (abiraterona) + prednisona foi associada a aumento de mortalidade no estudo ERA-223, e essa combinação é contraindicada. A escolha entre as opções é sequencial, não combinada.

Cobertura, critérios estritos e o argumento da sobrevida

O cloreto de rádio-223 está no Rol da ANS para CRPC com metástases ósseas sintomáticas, sem metástases viscerais, com critérios das Diretrizes de Utilização (DUT).

As negativas frequentes envolvem: questionamento da “ausência de metástases viscerais” (achados pequenos em imagem podem gerar discussão), função medular limítrofe, e contexto de uso simultâneo com Zytiga (combinação contraindicada).

Em situações fora dos critérios estritos do Rol, vale a ADI 7.265 do STF (setembro de 2025). O argumento do benefício em sobrevida global (estudo ALSYMPCA) é forte — diferentemente de outros radiofármacos que são apenas paliativos.

Caminho prático em CRPC com metástases ósseas

Primeiro: negativa por escrito, com justificativa e protocolo.

Segundo: relatório oncológico ou urológico — diagnóstico (CID), confirmação de CRPC, cintilografia óssea ou PSMA-PET mostrando metástases ósseas múltiplas, ausência de metástases viscerais em TC/RM.

Adicionar: sintomas (dor com escala de avaliação), tratamentos prévios (excluir Zytiga concomitante), hemograma recente.

Em CRPC com progressão ativa, a tutela de urgência tem peso. Veja o guia geral sobre o que fazer quando o plano nega medicamento e os hubs paralelos: Xtandi, Jevtana, Zytiga.

O plano de saúde é obrigado a cobrir o Xofigo?
Sim. O Xofigo (cloreto de rádio-223) está no Rol da ANS para câncer de próstata resistente à castração com metástases ósseas sintomáticas, sem metástases viscerais conhecidas, com critérios da DUT. Para situações específicas, a cobertura também pode ser exigida com base na ADI 7.265 do STF: prescrição médica fundamentada, ausência de alternativa equivalente, registro Anvisa e comprovação científica.
O que é um radiofármaco alfa-emissor?
É um medicamento que contém isótopo radioativo emissor de partículas alfa (núcleos de hélio). As partículas alfa percorrem distâncias muito curtas no tecido (menos de 100 micrômetros — cerca de 10 diâmetros celulares), causando dano local intenso ao DNA das células próximas, sem afetar tecidos distantes. O rádio-223 (princípio ativo do Xofigo) comporta-se quimicamente como cálcio — é incorporado em locais de remodelação óssea ativa, exatamente onde estão as metástases ósseas do câncer de próstata. O resultado é radiação focalizada nas lesões, com mínima toxicidade sistêmica.
Por que o Xofigo é diferente de outros tratamentos para metástases ósseas?
Antes do Xofigo, opções para metástases ósseas eram limitadas: bifosfonatos (Zometa) e denosumabe previnem eventos esqueléticos (fraturas, dor) mas não prolongam sobrevida. Radiofármacos antigos beta-emissores (samário-153, estrôncio-89) aliviam a dor mas também não prolongam sobrevida. O Xofigo é diferente: o estudo ALSYMPCA demonstrou prolongamento de sobrevida global em CRPC com metástases ósseas sintomáticas. Não é só paliativo da dor — é tratamento que muda história natural da doença.
Posso usar Xofigo com Zytiga ao mesmo tempo?
Não — a combinação é contraindicada. O estudo ERA-223 demonstrou aumento de mortalidade quando Xofigo foi combinado com Zytiga (abiraterona) + prednisona. A escolha entre as opções terapêuticas em CRPC com metástases ósseas é sequencial, não combinada. O oncologista define a ordem mais adequada: Zytiga ou Xtandi → docetaxel → Xofigo ou Jevtana → continuação dependendo de resposta.
Quanto custa o tratamento completo com Xofigo?
Cada infusão custa entre R$ 30 mil e R$ 50 mil em 2026. O tratamento completo (6 ciclos mensais consecutivos) totaliza entre R$ 180 mil e R$ 300 mil. É um tratamento de duração definida — não mantido indefinidamente como hormonais. Após os 6 ciclos, o paciente segue em acompanhamento; um segundo curso pode ser considerado anos depois em casos selecionados.
Quais são os efeitos colaterais do Xofigo?
O efeito limitante é a mielossupressão (queda de hemoglobina, neutrófilos, plaquetas), pela proximidade das metástases ósseas com a medula adjacente. O monitoramento exige hemograma a cada ciclo. Pacientes com citopenias prévias podem precisar de transfusões ou ter doses adiadas. Outros efeitos comuns: náuseas, diarreia, fadiga, dor óssea transitória (“flare” inicial em alguns pacientes — paradoxalmente, a dor pode piorar nos primeiros dias antes de melhorar significativamente).
Existe Xofigo para câncer de mama ou outro câncer?
A indicação aprovada do Xofigo é exclusivamente para câncer de próstata resistente à castração com metástases ósseas sintomáticas, sem metástases viscerais. Não tem indicação aprovada para outros cânceres — embora pesquisas explorem o uso em câncer de mama metastático ósseo e em sarcomas. Para outras indicações, o uso seria off-label e dificilmente coberto. Em câncer de próstata com metástases viscerais (fígado, pulmão), o Xofigo também não é indicado — outras opções terapêuticas são preferidas.

Mais informações

Se você passou por uma negativa de cobertura do Xofigo ou tem dúvidas sobre o caminho a seguir, pode entrar em contato com a Rosenbaum Advogados para que a sua situação seja analisada.

Leo Rosenbaum

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