Ninlaro negado pelo plano de saúde? Seus direitos
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Ninlaro (Ixazomibe) negado pelo plano? Seus direitos

Direito à Saúde, Remédio
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Publicado: maio 18, 2022 Atualizado: maio 14, 2026
Tempo estimado de leitura: 5 minutos

O Ninlaro® (princípio ativo ixazomibe) é o primeiro inibidor de proteassoma por via oral aprovado para tratamento do mieloma múltiplo (MM) em combinação com lenalidomida e dexametasona.

É o “irmão oral” do Velcade (bortezomibe), que é injetável (SC ou IV). Mesma classe molecular, mesma intervenção biológica, apresentação fundamentalmente diferente.

Custo mensal entre R$ 35 mil e R$ 55 mil. O regime: 1 cápsula nos dias 1, 8 e 15 de ciclos de 28 dias. Tratamento contínuo enquanto houver resposta — pode durar anos em manutenção.

Por que um proteasome inhibitor oral mudou o jogo

Por mais de uma década, o bortezomibe (Velcade) foi o único inibidor de proteassoma disponível. Funciona excelentemente — é um dos pilares do tratamento do MM. Mas exige aplicações subcutâneas ou intravenosas com frequência (2-3 vezes/semana em alguns esquemas).

Para pacientes idosos, com mobilidade reduzida, em manutenção prolongada após transplante, ou que residem longe de centros oncológicos, essa logística é desgastante. Visitas semanais durante anos.

O ixazomibe mudou isso. Cápsulas tomadas em casa, três vezes por mês. Menos visitas a clínica, melhor qualidade de vida, aderência facilitada. A apresentação oral redefiniu o cuidado do MM em determinadas fases.

Onde o Ninlaro se encaixa: combo IRd e manutenção

A indicação principal e mais consolidada do Ninlaro é em combinação tripla com lenalidomida e dexametasona (esquema IRd): ixazomibe + Revlimid + dexa.

Esse trio é usado em pacientes com MM recidivado ou refratário que receberam pelo menos uma linha prévia. O resultado clínico do estudo TOURMALINE-MM1 estabeleceu a eficácia.

Em manutenção pós-transplante autólogo, o ixazomibe também tem dados. Em pacientes elegíveis para manter um proteasome inhibitor após o transplante — mas sem a logística de injeções frequentes do bortezomibe — o Ninlaro é uma alternativa.

Em situações específicas, é também usado como manutenção após indução com VRd em pacientes não candidatos a transplante (especialmente idosos).

Diferenças moleculares e o perfil de toxicidade

Mecanicamente, o ixazomibe age na mesma classe alvo do bortezomibe — o proteassoma 26S. Bloqueia reversivelmente a atividade quimotripsina-like da subunidade β5 do proteassoma, acumulando proteínas mal-dobradas nas células do MM até o ponto de apoptose.

Mas as diferenças farmacocinéticas e estruturais resultam em perfil de toxicidade diferente. A neuropatia periférica — efeito limitante característico do bortezomibe — é significativamente menor com ixazomibe.

Em contrapartida, o ixazomibe tem mais diarreia, constipação, náusea, vômito, rash cutâneo, trombocitopenia. Cada perfil de paciente pode favorecer uma ou outra opção — paciente com neuropatia prévia se beneficia do oral; paciente com queixas GI tolera melhor o injetável.

Esquema: 3 doses por mês e o “ciclo 28”

O esquema do Ninlaro tem cadência fixa. Dias 1, 8 e 15 de ciclos de 28 dias. Dose padrão: 4 mg em cada uma das 3 doses mensais. Tomado em jejum (1 hora antes ou 2 horas após refeição).

O esquema é mantido enquanto houver resposta e tolerância. Em manutenção pós-transplante, o tratamento pode durar até 24 meses ou indefinidamente, dependendo do protocolo.

Em combinação IRd, a lenalidomida é tomada continuamente (21 dias seguidos, 7 dias de pausa por ciclo) e a dexametasona em doses semanais. O paciente acompanha 3 medicamentos com cronogramas diferentes — exige organização.

Preço, comparação e o argumento da qualidade de vida

O Ninlaro é vendido em cápsulas de 2,3 mg, 3 mg ou 4 mg. Caixa com 3 cápsulas (suficiente para um ciclo de 28 dias na dose padrão) custa entre R$ 35 mil e R$ 55 mil.

Comparado em monoterapia: Velcade em esquema típico de manutenção custa entre R$ 8 mil e R$ 16 mil/mês (mais barato), mas com a logística de injeções repetidas.

No esquema combinado IRd, o custo total mensal (Ninlaro + Revlimid + dexa) pode ultrapassar R$ 60 mil. Como medicamento de alto custo, alvo recorrente de negativa.

Cobertura, DUT e o argumento da neuropatia ou logística

O ixazomibe está no Rol da ANS para MM recidivado/refratário em combinação com lenalidomida e dexametasona, com critérios das Diretrizes de Utilização (DUT).

As negativas frequentes envolvem: uso em manutenção pós-transplante (indicação mais recente, nem sempre coberta pela DUT padrão), uso em primeira linha, e preferência imposta pelo bortezomibe mais barato.

Em situações fora dos critérios estritos do Rol, vale a ADI 7.265 do STF (setembro de 2025).

A defesa pela opção oral tem fundamento clínico forte em: neuropatia prévia significativa, idosos com mobilidade reduzida, falha ao bortezomibe por intolerância, ou distância de centros oncológicos.

Caminho prático e o esquema completo

Primeiro: negativa por escrito, com justificativa e protocolo.

Segundo: relatório do onco-hematologista — diagnóstico (CID, MM), estadiamento (ISS), linhas anteriores de tratamento (incluindo bortezomibe e motivos de troca), neuropatia documentada se aplicável, prescrição do esquema completo (Ninlaro + Revlimid + dexametasona).

Em MM em recidiva ou refratariedade, a tutela de urgência tem peso. Veja o guia geral sobre o que fazer quando o plano nega medicamento e os hubs paralelos do MM: Velcade, Revlimid, daratumumabe.

O plano de saúde é obrigado a cobrir o Ninlaro?
Sim. O Ninlaro (ixazomibe) é antineoplásico oral de uso domiciliar, categoria coberta pela Lei 12.880/2013. Está no Rol da ANS para mieloma múltiplo recidivado/refratário em combinação com lenalidomida e dexametasona, com critérios da DUT. Para outras indicações (manutenção pós-transplante, uso em primeira linha em pacientes específicos), a cobertura também pode ser exigida com base na ADI 7.265 do STF: prescrição médica fundamentada, ausência de alternativa equivalente, registro Anvisa e comprovação científica.
Qual a diferença entre Ninlaro e Velcade?
Os dois são inibidores de proteassoma da mesma classe molecular — agem na subunidade β5 do proteassoma 26S, acumulando proteínas mal-dobradas nas células do mieloma. O Velcade (bortezomibe) é injetável (subcutâneo ou intravenoso), exige aplicações 2-3 vezes/semana em alguns esquemas. O Ninlaro (ixazomibe) é oral, em cápsulas tomadas nos dias 1, 8 e 15 de ciclos de 28 dias. O Ninlaro tem significativamente menos neuropatia periférica, mas mais efeitos GI (diarreia, náusea). A escolha cabe ao onco-hematologista assistente.
O plano pode trocar Ninlaro por Velcade?
Pode tentar, alegando preço menor do Velcade. Mas a escolha entre as duas opções cabe ao onco-hematologista, considerando: neuropatia prévia do paciente (favorece Ninlaro), mobilidade e logística (Ninlaro permite tratamento domiciliar), tolerância a injeções, distância de centros oncológicos. Quando o médico justifica clinicamente a escolha pelo Ninlaro (neuropatia significativa, idoso com mobilidade reduzida, intolerância prévia ao bortezomibe), a substituição imposta pelo plano pode ser considerada inadequada.
O Ninlaro pode ser usado em manutenção pós-transplante?
Sim — é uma indicação importante. Em pacientes elegíveis para manter um proteasome inhibitor após o transplante autólogo, mas que se beneficiariam de evitar a logística de injeções frequentes do bortezomibe, o Ninlaro é uma alternativa estabelecida. A DUT da ANS pode não cobrir explicitamente essa indicação — a cobertura pode ser exigida com base na ADI 7.265 do STF, com documentação onco-hematológica fundamentada.
Quanto custa o tratamento mensal com Ninlaro?
Caixa com 3 cápsulas de Ninlaro (suficiente para um ciclo de 28 dias na dose padrão de 4 mg em 3 doses mensais) custa entre R$ 35 mil e R$ 55 mil em 2026. No esquema combinado IRd (Ninlaro + Revlimid + dexametasona), o custo total mensal pode ultrapassar R$ 60 mil. O tratamento é contínuo enquanto houver resposta e tolerância.
Quais são os efeitos colaterais mais comuns do Ninlaro?
A neuropatia periférica é significativamente menor que com bortezomibe — essa é uma das vantagens clínicas do Ninlaro. Em contrapartida, os efeitos GI são mais frequentes: diarreia, constipação, náusea, vômito. Outros efeitos comuns incluem rash cutâneo, edema periférico, trombocitopenia (queda das plaquetas) — exigem monitoramento. Em pacientes com queixas GI prévias ou intolerância documentada a essa classe, o bortezomibe pode ser preferido.
Posso tomar Ninlaro junto com a comida?
Não. O Ninlaro deve ser tomado em jejum — pelo menos 1 hora antes ou 2 horas após qualquer refeição. Comida reduz a absorção, comprometendo a eficácia terapêutica. Em pacientes que tomam medicamentos múltiplos com cronogramas variados (que é a norma em MM), a organização das doses é importante para garantir aderência adequada.

Mais informações

Se você passou por uma negativa de cobertura do Ninlaro ou tem dúvidas sobre o caminho a seguir, pode entrar em contato com a Rosenbaum Advogados para que a sua situação seja analisada.

Este caso integra o panorama do Observatório Rosenbaum de Planos de Saúde, levantamento de mais de 43 mil decisões públicas do TJSP sobre planos de saúde.

Leo Rosenbaum

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