Padcev® (Enfortumabe Vedotina) e Plano De Saúde - Direitos
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Padcev (Enfortumabe Vedotina) negado pelo plano? Seus direitos

Direito à Saúde, Remédio
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Publicado: dezembro 19, 2022 Atualizado: maio 13, 2026
Tempo estimado de leitura: 5 minutos

O Padcev® (princípio ativo enfortumabe vedotina) é um medicamento oncológico de via intravenosa indicado para carcinoma urotelial (câncer de bexiga, ureter ou pelve renal) localmente avançado ou metastático.

É um anticorpo conjugado a fármaco (ADC): um anticorpo dirigido contra a proteína Nectin-4 carrega uma quimioterapia potente (MMAE) diretamente para dentro da célula tumoral.

Desde 2024, virou de chave: deixou de ser droga de “linha tardia” para se tornar primeira linha em combinação com o Keytruda, mudando o padrão de tratamento da doença. Custo do ciclo fica entre R$ 60 mil e R$ 100 mil.

Câncer urotelial metastático: até onde a quimioterapia tradicional levava

O carcinoma urotelial é o câncer que se origina no revestimento da via urinária — mais comumente na bexiga, mas também ureter, pelve renal e uretra. Quando se torna metastático, é um cenário de difícil controle.

Por décadas, o tratamento foi baseado em quimioterapia com platina (cisplatina/gencitabina, ou carboplatina/gencitabina em pacientes com função renal comprometida). A maioria dos pacientes respondia, mas a doença voltava em meses.

Depois vieram as imunoterapias (pembrolizumabe, atezolizumabe, durvalumabe), que ampliaram opções mas não substituíram a quimio. Faltava uma terceira via — e essa via é o ADC.

O conceito do ADC: o cavalo de Troia molecular

O Padcev é uma engenharia molecular em três partes. Primeira: um anticorpo monoclonal que reconhece a proteína Nectin-4, expressa em alta densidade pelas células do carcinoma urotelial.

Segunda: um linker químico (um conector). Terceira: uma molécula citotóxica potente — a monometil auristatina E (MMAE), um inibidor da divisão celular.

O anticorpo “encontra” a célula tumoral pelo Nectin-4, é internalizado, o linker se quebra dentro da célula, e a MMAE é liberada — onde precisa, sem atravessar tecidos saudáveis na mesma magnitude que a quimioterapia clássica.

A virada de chave de 2024: Padcev + Keytruda em primeira linha

Por vários anos, o Padcev era usado em pacientes que já haviam falhado a platina e a imunoterapia — uma “linha 3” para uma doença em que a maioria não chegava lá.

O estudo EV-302, publicado em 2024, mudou tudo. A combinação Padcev + pembrolizumabe (Keytruda) em primeira linha demonstrou superioridade sobre a quimioterapia tradicional. Diferença significativa em sobrevida.

A partir desse resultado, diretrizes internacionais (NCCN, ESMO) e nacionais passaram a recomendar o combo como primeira linha preferida em pacientes elegíveis. É uma das mudanças mais marcantes da onco-urologia recente.

Esquema, preço e efeitos colaterais característicos

O enfortumabe vedotina é administrado em infusão intravenosa. Em monoterapia, é dado nos dias 1, 8 e 15 de ciclos de 28 dias. Em combinação com Keytruda, ajusta-se para ciclos de 21 dias.

Cada frasco custa em torno de R$ 25 mil a R$ 40 mil. Considerando a dose por peso e o esquema, o custo por ciclo fica entre R$ 60 mil e R$ 100 mil. Em combinação com Keytruda (cerca de R$ 30 mil/ciclo), o tratamento mensal pode superar R$ 130 mil.

Efeitos colaterais característicos incluem neuropatia periférica progressiva (frequentemente a causa de redução de dose), reações cutâneas, hiperglicemia e fadiga. O acompanhamento exige atenção a esses parâmetros.

Cobertura, DUT defasada e o argumento do estado da arte

O enfortumabe vedotina está no Rol da ANS para câncer urotelial localmente avançado/metastático, com critérios da Diretrizes de Utilização (DUT). As DUTs frequentemente ainda contemplam o uso “após platina e imunoterapia” — refletindo o cenário pré-2024.

Em pedidos atuais de Padcev + Keytruda em primeira linha, a negativa é comum sob o argumento de “tratamento experimental” ou “fora da DUT”. Mas o tratamento não é experimental — é o novo padrão internacional baseado em estudo de fase III.

Em situações fora dos critérios estritos da DUT, vale a ADI 7.265 do STF (setembro de 2025). O argumento do estado da arte (diretrizes NCCN, ESMO) tem peso forte em câncer metastático.

Caminho prático e a urgência da primeira linha

Primeiro: negativa por escrito, com justificativa e protocolo. Segundo: relatório oncológico — diagnóstico (CID, histologia), estadiamento, performance status, função renal (importante em urotelial), e justificativa clínica para o combo Padcev + Keytruda em primeira linha.

O argumento de elegibilidade ao combo é particularmente importante em pacientes com função renal comprometida (que não tolerariam cisplatina) — para esses, o combo Padcev + Keytruda é frequentemente a melhor opção.

Em câncer metastático com progressão ativa, a tutela de urgência tem peso. Veja o guia geral sobre o que fazer quando o plano nega medicamento e os casos paralelos de outros ADCs como Enhertu (HER2) e Trodelvy (Trop-2).

O plano de saúde é obrigado a cobrir o Padcev?
Sim. O Padcev (enfortumabe vedotina) está no Rol da ANS para carcinoma urotelial localmente avançado ou metastático, com critérios da DUT. Para uso em primeira linha em combinação com Keytruda (padrão recomendado pelas diretrizes internacionais a partir de 2024), a cobertura também pode ser exigida com base na ADI 7.265 do STF: prescrição médica fundamentada, ausência de alternativa equivalente, registro Anvisa e comprovação científica.
Padcev em primeira linha é coberto pelo plano?
A DUT da ANS para Padcev pode ainda refletir o uso pós-platina e imunoterapia (cenário pré-2024). Pedidos de Padcev + Keytruda em primeira linha frequentemente recebem negativa sob argumento de “fora da DUT”. Mas o combo é hoje o padrão internacional preferido (NCCN, ESMO) baseado em estudo de fase III. O argumento do estado da arte fundamenta o pedido judicial com base na ADI 7.265.
Por que o combo Padcev + Keytruda mudou o tratamento?
O estudo EV-302 (publicado em 2024) demonstrou que a combinação Padcev + pembrolizumabe (Keytruda) em primeira linha foi superior à quimioterapia tradicional com platina+gencitabina em câncer urotelial metastático — em sobrevida global e em sobrevida livre de progressão. A partir desse resultado, diretrizes internacionais (NCCN, ESMO) e nacionais passaram a recomendar o combo como primeira linha preferida em pacientes elegíveis.
O que é um ADC e como o Padcev funciona?
ADC é a sigla para anticorpo conjugado a fármaco. O Padcev é uma engenharia em três partes: um anticorpo dirigido contra a proteína Nectin-4 (altamente expressa em carcinoma urotelial), um linker químico, e uma quimioterapia potente (MMAE, monometil auristatina E). O anticorpo “encontra” a célula tumoral, é internalizado, o linker se quebra e a MMAE é liberada dentro da célula — minimizando exposição de tecidos saudáveis comparado à quimioterapia tradicional.
Quanto custa o tratamento mensal com Padcev?
Cada frasco custa entre R$ 25 mil e R$ 40 mil em 2026. Considerando dose por peso e esquema (dias 1, 8, 15 em ciclos de 28 dias em monoterapia, ou ciclos de 21 dias em combinação), o custo por ciclo fica entre R$ 60 mil e R$ 100 mil. Em combinação com Keytruda (cerca de R$ 30 mil/ciclo), o total mensal pode superar R$ 130 mil.
Quais são os efeitos colaterais mais comuns do Padcev?
O efeito colateral mais característico é a neuropatia periférica progressiva — sensação de formigamento ou dormência em mãos e pés, que pode evoluir e exigir redução de dose. Outros efeitos comuns incluem reações cutâneas (podem ser graves em alguns casos), hiperglicemia (incluindo em pacientes sem diabetes prévio), fadiga e diarreia. O acompanhamento exige atenção a esses parâmetros para ajustar dose quando necessário.
Padcev é uma opção quando o paciente não tolera cisplatina?
Sim — é particularmente importante nesse cenário. Muitos pacientes com câncer urotelial têm função renal comprometida (idade, comorbidades, obstrução pelo próprio tumor) e não toleram cisplatina, a quimioterapia tradicional de primeira linha. Para esses pacientes, o combo Padcev + Keytruda é frequentemente a melhor opção. A documentação da função renal e da inelegibilidade à cisplatina reforça o pedido judicial.

Mais informações

Se você passou por uma negativa de cobertura do Padcev ou tem dúvidas sobre o caminho a seguir, pode entrar em contato com a Rosenbaum Advogados para que a sua situação seja analisada.

Leo Rosenbaum

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