
O Vitrakvi® (princípio ativo larotrectinibe) é um remédio oral oncológico com uma característica única: é tumor-agnóstico. Trata tumores que carregam um marcador molecular específico — a fusão NTRK —, independentemente de qual órgão o câncer surgiu.
Foi um dos primeiros medicamentos aprovados pela Anvisa nessa lógica: indicação baseada na mutação, não no órgão. Aplica-se a mais de 20 tipos de tumores com a fusão NTRK presente.
Cada caixa custa entre R$ 30 mil e R$ 50 mil. Quando o plano de saúde nega a cobertura, a Justiça tem reconhecido o direito do paciente — em especial pela ausência absoluta de alternativa em tumores raros com fusão NTRK.
A revolução tumor-agnóstica: tratar pelo gene, não pelo órgão
Por décadas, a oncologia organizou tratamentos por órgão de origem: câncer de mama, pulmão, cólon, próstata, cada um com seu protocolo. Faz sentido porque tumores de órgãos diferentes costumam ter biologias diferentes.
Mas há marcadores moleculares que aparecem em vários cânceres diferentes, com peso clínico semelhante em todos.
A fusão NTRK é um desses marcadores: surge em cerca de 0,5% a 1% de todos os cânceres em adultos, e em até 60% de alguns cânceres pediátricos raros (sarcoma fibrolastico infantil, nefroma mesoblástico).
Em todos esses tumores — independentemente de surgirem em pulmão, salivar, tireoide, intestino ou outro órgão — a fusão NTRK dispara o crescimento descontrolado. Bloqueá-la com o Vitrakvi controla a doença em qualquer um deles.
É a primeira vez que um medicamento foi aprovado sob essa lógica tumor-agnóstica no Brasil. Outros vieram depois (entrectinibe, larotrectinibe, dabrafenibe+trametinibe em BRAF V600E em tumores raros).
O teste NTRK como pré-requisito
A indicação do Vitrakvi só existe quando há fusão NTRK confirmada em teste molecular. Sem o teste, não há prescrição.
O teste pode ser feito por imuno-histoquímica (rastreio) seguida de RT-PCR ou sequenciamento de nova geração (NGS) para confirmação. Em alguns laboratórios, painéis genômicos amplos identificam a fusão NTRK junto com outros marcadores.
Esse teste é parte essencial da definição da conduta terapêutica. Quando o oncologista o solicita com fundamentação clínica — especialmente em tumores raros ou refratários —, a cobertura pelo plano costuma ser obrigatória.
Preço e como o tratamento é tomado
O Vitrakvi é vendido em cápsulas de 25 mg ou 100 mg, ou em solução oral 20 mg/mL para pacientes pediátricos. As cotações em 2026 ficam entre R$ 30 mil e R$ 50 mil por caixa.
A dose em adultos é 100 mg duas vezes ao dia, contínua. Em crianças, a dose é ajustada pela superfície corporal. O tratamento é mantido enquanto houver resposta e tolerância — podendo se prolongar por anos.
O custo mensal fica entre R$ 30 mil e R$ 50 mil, com custo anual ultrapassando R$ 400 mil. Como medicamento de alto custo, é alvo de negativas — mesmo com indicações claras e tumor-agnósticas.
Cobertura e o argumento da ausência absoluta de alternativa
O larotrectinibe tem registro Anvisa para a indicação tumor-agnóstica em fusão NTRK. A inclusão no Rol da ANS é mais recente e nem sempre alinhada com todos os cânceres possíveis.
Em situações fora dos critérios estritos do Rol, vale a ADI 7.265 do STF (setembro de 2025). E aqui o Vitrakvi tem uma defesa particular forte: em tumores raros com fusão NTRK, não existe alternativa terapêutica equivalente.
A medicina convencional, organizada por órgão, não tem resposta padrão para esses casos. O larotrectinibe (junto com o Rozlytrek/entrectinibe) é específico para essa população. Esse argumento atende um dos critérios cumulativos da ADI 7.265.
Negativas comuns e como rebater
“Não está no Rol”. Argumento débil em tumor com NTRK confirmado: a ausência de alternativa equivalente sustenta a cobertura via ADI 7.265.
“O câncer original não tem indicação Vitrakvi”. O argumento contradiz a lógica tumor-agnóstica. A indicação é pelo marcador NTRK, não pelo órgão. Quando o teste é positivo, a indicação é cabível.
“Teste NTRK não é coberto”. Quando o oncologista solicita o teste para definir conduta terapêutica, a cobertura segue a mesma lógica do medicamento. Negativas para o teste necessário ao tratamento também são revertidas judicialmente.
Tutela de urgência e jurisprudência em fusões raras
Primeiro: negativa por escrito com justificativa e protocolo. Segundo: relatório oncológico — diagnóstico do tumor (CID), histologia, resultado do teste NTRK (com método e laboratório), linhas anteriores quando aplicável.
Em câncer com fusão NTRK, especialmente em pediatria ou em tumores refratários, o atraso pode permitir progressão sem opção de resgate — é cenário típico de tutela de urgência.
A jurisprudência sobre medicamentos tumor-agnósticos é ainda em formação, mas se beneficia do raciocínio em medicamentos para tumores raros e oncologia personalizada.
Veja o guia geral sobre o que fazer quando o plano nega medicamento e decisões em medicamentos próximos como o Lynparza (também medicina personalizada via teste molecular).
Mais informações
Se você passou por uma negativa de cobertura do Vitrakvi ou tem dúvidas sobre o caminho a seguir, pode entrar em contato com a Rosenbaum Advogados para que a sua situação seja analisada.