Olumiant® (Baricitinibe) pela SulAmérica Saúde
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Olumiant® (Baricitinibe): SulAmérica Saúde condenada a fornecer medicamento

Decisões Favoráveis, Direito à Saúde, Remédio
Jovem descobre que SulAmérica Saúde se negou a custear seu tratamento com Olumiant® (Baricitinibe).
Publicado: agosto 28, 2024 Atualizado: abril 24, 2026
Tempo estimado de leitura: 6 minutos

A negativa de cobertura por parte dos planos de saúde é um problema enfrentado por muitos beneficiários. Recentemente, um caso envolvendo a SulAmérica Saúde destacou-se quando a operadora negou a cobertura do medicamento Olumiant® (Baricitinibe), essencial para o tratamento de um paciente diagnosticado com alopecia areata.

Tudo começou quando um jovem paciente, diagnosticado com alopecia areata total, condição que causa a perda de cabelo em áreas específicas do corpo, foi prescrito o medicamento Olumiant® (Baricitinibe). Após tentativas frustradas com diversos tratamentos anteriores, o imunobiológico se mostrou a única opção viável, segundo o médico especialista que o acompanha.

Porém, ao tentar obter a autorização para o custeio do medicamento junto à SulAmérica Saúde, a família do paciente foi surpreendida com uma negativa.

A justificativa dada pela operadora foi baseada em critérios restritivos da Diretriz de Utilização (DUT) da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que não incluía o uso do Olumiant® (Baricitinibe) para a alopecia areata no rol de procedimentos obrigatórios.

Frustrada com a recusa, a família tentou reverter a decisão através de apelações administrativas, solicitando revisões e apresentando novas documentações médicas que evidenciavam a necessidade urgente do tratamento. Mesmo com a comprovação da eficácia e da autorização da ANVISA para o uso do medicamento no Brasil, a SulAmérica Saúde manteve sua postura inflexível.

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Busca por assistência jurídica e ação judicial

Diante da negativa reiterada e da falta de alternativas, a família do paciente decidiu buscar orientação jurídica. Procuraram um advogado especializado em ações contra planos de saúde, que prontamente ingressou com uma ação de obrigação de fazer, solicitando a concessão de uma tutela de urgência. O pedido visava buscar medidas judiciais para assegurar o tratamento imediato do Olumiant® (Baricitinibe), essencial para evitar a progressão da doença.

Na petição inicial, foram apresentados todos os relatórios médicos, destacando o alto custo do medicamento, que ultrapassava R$ 3.940,00 por mês, valor inacessível para a família. A urgência do tratamento foi amplamente evidenciada, justificando a necessidade de uma decisão rápida por parte do judiciário.

A SulAmérica Saúde apresentou defesa alegando que a negativa estava em conformidade com o rol de procedimentos da ANS, que, segundo eles, seria taxativo. A operadora sustentou que o tratamento prescrito não preenchia os requisitos legais para cobertura obrigatória, argumentando que o contrato deveria ser interpretado de forma restritiva.

Além disso, a empresa mencionou que a negativa estava respaldada por jurisprudência recente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que reconhece a validade do rol taxativo da ANS. No entanto, a defesa ignorou a recente alteração legislativa que flexibiliza essa interpretação, tornando o rol apenas uma referência básica.

Perguntas frequentes sobre Olumiant (Baricitinibe) e plano de saúde

O plano de saúde pode negar Olumiant baricitinibe mesmo com prescrição médica?
O plano pode invocar critérios da Diretriz de Utilização (DUT) da ANS para negar cobertura, porém essa negativa pode ser questionada judicialmente se o medicamento estiver autorizado pela ANVISA e comprovada sua necessidade clínica. Conforme o Tema 990/STJ, medicamentos não listados no rol da ANS podem ser cobertos em casos excepcionais mediante comprovação de eficácia e inadequação de alternativas terapêuticas.
Quanto custa Olumiant baricitinibe particular sem plano de saúde?
O Olumiant® possui alto custo quando adquirido particularmente, variando conforme a posologia e apresentação, podendo atingir valores significativos mensais. Recomenda-se consultar farmácias especializadas ou verificar programas de acesso do fabricante para obter informações atualizadas sobre preços.
Como conseguir autorização Olumiant baricitinibe pelo plano de saúde SulAmérica?
O beneficiário deve solicitar formalmente à operadora com prescrição médica detalhada, justificativa clínica sobre falha de tratamentos anteriores e documentação que comprove a necessidade do medicamento. Caso haja negativa, é possível recorrer administrativamente ou buscar ação judicial para obrigar o custeio, como ocorreu no caso mencionado.
Plano de saúde pode recusar Olumiant para alopecia areata?
A alopecia areata não consta do rol da ANS (que é taxativo com exceções, conforme a ADI 7.265/STF), o que permite que operadoras neguem cobertura com base em suas DUTs, mas essa recusa pode ser revista judicialmente mediante comprovação de que o medicamento é a única opção terapêutica viável e está regularizado pela ANVISA.
Como conseguir liminar para forçar plano de saúde a liberar Olumiant?
A ação de obrigação de fazer com pedido de tutela de urgência (antecipada) pode ser ajuizada em caso de negativa injustificada, apresentando prescrição médica, documentos que comprovem falha de outros tratamentos e risco de progressão da doença. O juiz pode conceder a tutela antecipada antes do julgamento final, determinando que o plano arque com o custeio imediato.

Decisão judicial: condenação da SulAmérica Saúde

Após analisar o caso, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, em sentença proferida pela 4ª Vara Cível do Foro Regional VIII – Tatuapé, reconheceu a abusividade da negativa da SulAmérica Saúde. O juiz Dr. Rubens Pedreiro Lopes fundamentou sua decisão na aplicabilidade do Código de Defesa do Consumidor (CDC) aos contratos de planos de saúde, reforçando que a negativa de cobertura de um medicamento essencial e aprovado pela ANVISA, sem justificativa plausível, configura prática abusiva.

A decisão determinou que a SulAmérica Saúde fornecesse o Olumiant® (Baricitinibe) no prazo de 72 horas, sob pena de multa de R$ 7.000,00 por cada caixa de medicamento não entregue. A sentença ainda considerou que a recusa imposta pela operadora representava uma grave desvantagem ao consumidor, violando os princípios da boa-fé e o direito à saúde e à vida.

Este caso é mais um exemplo de como o poder judiciário tem se posicionado a favor dos consumidores quando os planos de saúde agem de maneira injusta, negando tratamentos essenciais. A sentença proferida não só garantiu o direito do paciente ao tratamento adequado, mas também reforçou a responsabilidade dos planos de saúde em proporcionar a cobertura necessária, respeitando as prescrições médicas e os direitos dos beneficiários.

A decisão ainda está sujeita a recurso por parte da SulAmérica Saúde. No entanto, a postura firme do Tribunal em proteger os direitos dos consumidores reflete uma tendência crescente de judicialização das negativas de cobertura, principalmente em casos onde a vida e a saúde do paciente estão em risco.

Principais informações sobre o processo judicial

Em 13 de maio de 2024, o Tribunal de Justiça de São Paulo julgou o processo nº 1002233-89.2024.8.26.0008, determinando que a SulAmérica Saúde forneça o medicamento Olumiant® (Baricitinibe) conforme prescrito, para tratamento de alopecia areata. A sentença, sujeita a recurso, reitera a proteção ao consumidor contra práticas abusivas dos plano

O STF, no julgamento da ADI 7.265 (2025), definiu que o Rol da ANS admite exceções quando há prescrição médica fundamentada e registro na Anvisa. O Tema 990 do STJ reforça a obrigatoriedade de cobertura de medicamentos registrados na Anvisa.

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Veja também: Medicamentos para doenças autoimunes negados pelo plano | Guia completo sobre medicamentos de alto custo negados pelo plano de saúde.

Leo Rosenbaum

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