Guselcumabe (Tremfya) negado pelo plano? Seus direitos
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Tremfya (Guselcumabe) negado pelo plano? Seus direitos

Direito à Saúde, Remédio
Caneta autoinjeto de Guselcumabe ao lado de cartao de saude e balanca da justica
Publicado: abril 16, 2026 Atualizado: maio 12, 2026
Tempo estimado de leitura: 8 minutos

O Tremfya® (princípio ativo guselcumabe) é um medicamento biológico injetável indicado para psoríase em placas moderada a grave e artrite psoriásica ativa.

Cada seringa preenchida custa entre R$ 15.600 e R$ 25.700 em farmácias brasileiras, e o paciente precisa de aplicações periódicas — o que torna o tratamento alvo recorrente de negativa pelos planos de saúde.

Quando a cobertura é negada, a Justiça tem reconhecido o direito do paciente ao Tremfya, especialmente quando há prescrição médica fundamentada e falha de tratamentos anteriores documentada.

Para que o Tremfya é indicado

O guselcumabe é indicado para dois quadros principais. O primeiro é a psoríase em placas moderada a grave em pacientes adultos candidatos a terapia sistêmica ou fototerapia.

O segundo é a artrite psoriásica ativa em adultos, isoladamente ou em combinação com metotrexato, quando outros tratamentos modificadores da doença não foram suficientes.

A prescrição costuma vir após a tentativa frustrada de tratamentos convencionais — anti-inflamatórios, metotrexato, ciclosporina ou outros imunobiológicos da classe anti-TNF.

Como o guselcumabe atua no organismo

O Tremfya é um anticorpo monoclonal anti-IL-23: ele se liga a uma proteína do sistema imunológico chamada interleucina-23 (IL-23), que dispara o processo inflamatório da psoríase.

Ao bloquear essa interleucina, o medicamento reduz a inflamação na pele e nas articulações de forma mais direcionada que os medicamentos anti-TNF — afetando menos outras funções do sistema imune.

Essa seletividade tem reflexo prático: muitos pacientes experimentam melhora significativa da psoríase com perfil de efeitos colaterais distinto dos biológicos mais antigos.

Quanto custa o Tremfya no Brasil

O Tremfya é vendido em seringa preenchida de 100 mg/1 mL. As cotações de farmácias brasileiras em 2026 ficaram entre R$ 15.600 e R$ 25.700 por seringa.

O esquema padrão prevê aplicações nas semanas 0 e 4, seguidas de manutenção a cada 8 semanas. Em um ano, são cerca de 7 aplicações.

O custo anual costuma superar R$ 130 mil, sem contar o acompanhamento médico, exames laboratoriais e eventuais aplicações em clínica.

Por se tratar de um medicamento de alto custo, o Tremfya frequentemente entra na lista de negativas das operadoras — mesmo quando há indicação clínica robusta.

O Tremfya está no Rol da ANS?

O Rol da ANS inclui o guselcumabe para psoríase em placas moderada a grave, com critérios definidos nas Diretrizes de Utilização (DUT).

As DUT geralmente exigem falha terapêutica documentada de tratamentos sistêmicos convencionais e de pelo menos um outro biológico, antes da autorização do Tremfya.

Para indicações fora desse escopo — como artrite psoriásica isolada ou casos em que o paciente não preenche todos os critérios da DUT — o plano costuma recusar com argumento de tratamento fora do Rol.

Após a decisão do STF na ADI 7.265 (setembro de 2025), o Rol é taxativo com exceções: o plano precisa cobrir tratamento fora da lista quando há prescrição fundamentada, ausência de alternativa equivalente, registro Anvisa e comprovação científica.

Argumentos que os planos usam para negar

As recusas costumam vir embaladas em justificativas técnicas que parecem objetivas, mas frequentemente cedem diante de documentação clínica adequada.

“O paciente não tentou outras terapias antes”. O plano alega que a DUT exige falha prévia de tratamento sistêmico ou de outro biológico. A solução costuma estar no relatório médico, que precisa documentar quais tratamentos já foram usados e por que falharam.

“A indicação está fora do Rol”. Comum em casos de artrite psoriásica ou variantes da psoríase. Após a ADI 7.265, o argumento perde força quando os critérios do STF estão atendidos.

“Existe biológico mais barato no Rol”. O plano sugere troca por anti-TNF (adalimumabe, etanercepte). Quando o dermatologista justifica a escolha do guselcumabe por motivos clínicos, a imposição costuma ser considerada abusiva.

Caminho para reverter a negativa

Diante da recusa, há uma sequência prática que aumenta as chances de obter o Tremfya pelo plano.

  1. Solicite a negativa por escrito. O plano é obrigado a fornecer o documento formal, com justificativa e número de protocolo. Ele é a base para qualquer ação posterior.
  2. Peça um relatório médico detalhado ao dermatologista ou reumatologista. O laudo deve listar tratamentos anteriores, motivo da falha, justificativa da escolha pelo guselcumabe e a dose proposta.
  3. Acione a ANS via reclamação formal. O prazo médio de resposta é de cerca de 10 dias úteis. Em parte dos casos, a operadora reavalia após a notificação.
  4. Considere a via judicial se a negativa persistir. Veja o guia geral sobre o que fazer quando o plano nega medicamento.

Tutela de urgência: quando faz sentido

A tutela de urgência (liminar) é um pedido feito ao juiz para que o plano forneça o medicamento antes do julgamento final do processo.

É comum em psoríase grave com placas extensas que afetam qualidade de vida, em artrite psoriásica com risco de dano articular, ou quando a interrupção do biológico pode causar piora rápida.

O juiz analisa dois requisitos: a probabilidade do direito (laudo, registro Anvisa, jurisprudência) e o perigo da demora (descrição do risco de adiar o tratamento).

Não há prazo garantido — a decisão depende do juiz e da comarca. Mas pedidos bem instruídos costumam receber análise em ritmo compatível com a urgência clínica.

Como os tribunais têm decidido

A jurisprudência brasileira é consistente em reconhecer o direito do paciente ao Tremfya quando há prescrição médica fundamentada.

O entendimento dominante segue a lógica do Tema 990 do STJ: medicamento com registro Anvisa, prescrito pelo médico assistente, deve ser custeado pelo plano — inclusive em uso fora das indicações estritas da bula.

A ADI 7.265 do STF, julgada em setembro de 2025, consolidou a possibilidade de cobrir tratamento fora do Rol da ANS quando reunidos os requisitos cumulativos: prescrição médica, ausência de alternativa equivalente listada, registro Anvisa e comprovação científica.

Decisões favoráveis também têm sido proferidas em casos envolvendo medicamentos da mesma classe terapêutica — como o Skyrizi (risanquizumabe) e o Stelara (ustequinumabe), outros imunobiológicos usados em psoríase.

Tremfya e os outros biológicos da psoríase: como o médico escolhe

A psoríase moderada a grave conta hoje com várias opções de biológico, cada uma atuando em um alvo do sistema imunológico distinto.

Os anti-TNF (Humira/adalimumabe, Enbrel/etanercepte, Remicade/infliximabe) bloqueiam o TNF-alfa, com longa história de uso. São muitas vezes a primeira escolha em casos com artrite psoriásica associada.

Os anti-IL-17 (Cosentyx/secuquinumabe, Taltz/ixequizumabe) bloqueiam a interleucina-17 e costumam ser eficazes em casos de psoríase pustulosa ou com falha de anti-TNF.

Os anti-IL-23 (Tremfya/guselcumabe, Skyrizi/risanquizumabe, Stelara/ustequinumabe) atuam mais a montante e tendem a oferecer intervalos longos entre aplicações.

A escolha do biológico cabe ao dermatologista ou reumatologista, considerando histórico, comorbidades, gravidade e resposta a tratamentos anteriores. Imposições do plano sobre qual classe usar tendem a ser questionáveis quando há justificativa clínica.

Outras informações sobre o tratamento

Como o Tremfya é aplicado

A aplicação é subcutânea — feita logo abaixo da pele, em coxa, abdômen ou braço — com a própria seringa preenchida. Pode ser feita pelo paciente em casa após treinamento.

O esquema padrão é dose inicial na semana 0, segunda dose na semana 4 e manutenção a cada 8 semanas. O médico pode ajustar conforme a resposta.

Efeitos colaterais e cuidados

Como outros imunobiológicos, o guselcumabe pode aumentar o risco de infecções. Triagem para tuberculose latente costuma ser exigida antes da primeira aplicação.

Reações locais no ponto de injeção, dor de cabeça e infecções respiratórias leves estão entre os eventos mais frequentemente relatados. O acompanhamento médico é parte do tratamento.

Informações oficiais

A bula do Tremfya está disponível na Anvisa, com dados de registro, indicações, contraindicações e alertas de farmacovigilância.

O plano de saúde é obrigado a cobrir o Tremfya?
Sim, quando há prescrição médica e a indicação está prevista no Rol da ANS (psoríase em placas moderada a grave, com critérios da DUT cumpridos). Para indicações fora do Rol — como artrite psoriásica isolada ou casos sem todos os critérios da DUT — a cobertura também pode ser exigida, desde que atendidos os requisitos da ADI 7.265 do STF: prescrição médica fundamentada, ausência de alternativa equivalente no Rol, registro na Anvisa e comprovação científica de eficácia.
O plano pode me obrigar a tentar outros biológicos antes do Tremfya?
Depende do que diz a Diretriz de Utilização do Rol da ANS, que costuma exigir falha terapêutica documentada de medicamentos anteriores. Mas se o dermatologista ou reumatologista justifica clinicamente a escolha direta pelo Tremfya (perfil do paciente, contraindicações a outros biológicos, gravidade), a imposição da operadora pode ser considerada abusiva.
Quanto custa o tratamento anual com Tremfya?
Com preço por seringa entre R$ 15.600 e R$ 25.700 (cotações de 2026), e esquema de 2 doses iniciais (semanas 0 e 4) mais manutenção a cada 8 semanas (cerca de 7 aplicações/ano), o custo anual costuma ultrapassar R$ 130 mil. O valor varia conforme a região, a farmácia e eventuais programas de desconto do fabricante.
O Tremfya pelo SUS é diferente do oferecido pelo plano?
O princípio ativo é o mesmo (guselcumabe). O SUS fornece o medicamento por meio do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica, seguindo protocolos clínicos específicos. O acesso pelo SUS é independente do plano de saúde — uma pessoa pode optar por cada caminho conforme o caso, mas geralmente o SUS exige fila e critérios próprios de elegibilidade.
Posso aplicar o Tremfya em casa?
Sim. A apresentação em seringa preenchida foi desenvolvida para autoaplicação subcutânea após treinamento adequado. O médico ou enfermeiro orienta o paciente nas primeiras aplicações para garantir a técnica correta. O acompanhamento médico regular continua sendo necessário.
Quanto tempo demora uma decisão judicial sobre Tremfya?
O prazo varia conforme o tribunal, a comarca e a forma como o pedido é instruído. Casos com documentação completa (negativa por escrito, relatório médico detalhado, histórico de tratamentos anteriores) costumam receber análise da tutela de urgência em prazo razoável, mas nenhum advogado pode garantir tempo específico — a decisão depende do juiz.
Se eu já uso Tremfya pelo plano e ele decide trocar por anti-TNF, posso reverter?
A troca compulsória de biológico em paciente estável, sem indicação clínica para a substituição, tende a ser considerada abusiva pela Justiça. O dermatologista precisa documentar a resposta ao Tremfya e os motivos para manter o tratamento. Com essa fundamentação, é possível questionar judicialmente a imposição.

Mais informações

Se você passou por uma negativa de cobertura do Tremfya ou ainda tem dúvidas sobre o caminho a seguir, pode entrar em contato com a Rosenbaum Advogados para que a sua situação seja analisada.

Leo Rosenbaum

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