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Infliximabe (Remicade) negado pelo plano? Conheça seus direitos

Direito à Saúde
Frasco de medicamento ao lado de martelo de juiz representando direito ao infliximabe negado pelo plano de saude
Publicado: abril 10, 2026 Atualizado: maio 12, 2026
Tempo estimado de leitura: 10 minutos

O infliximabe, vendido como Remicade® (original) e biossimilares (Remsima, Avsola, Xilfya), é um remédio biológico aplicado por infusão na veia.

Trata doenças autoimunes como artrite reumatoide, doença de Crohn, retocolite ulcerativa, espondilite anquilosante e psoríase. Cada frasco custa entre R$ 1.400 e R$ 7.500, e um paciente adulto usa de 3 a 5 frascos por aplicação.

O alto preço faz do infliximabe alvo frequente de negativa pelos planos de saúde. Quando isso acontece, a Justiça brasileira tem reconhecido o direito do paciente à cobertura, inclusive em situações fora das indicações expressas do Rol da ANS.

Para que serve o infliximabe

O infliximabe é um anticorpo monoclonal — uma proteína criada em laboratório que age bloqueando uma substância chamada TNF-alfa, responsável por desencadear inflamações em doenças autoimunes.

Ao neutralizar essa substância, o remédio reduz dor, inchaço e dano às articulações ou ao intestino.

As principais indicações aprovadas pela Anvisa são: artrite reumatoide moderada a grave, doença de Crohn ativa, retocolite ulcerativa, espondilite anquilosante, artrite psoriática e psoríase em placas.

É prescrito quando tratamentos convencionais (anti-inflamatórios, metotrexato, corticoides) não conseguem controlar a doença.

A aplicação é feita por infusão intravenosa em hospital ou clínica, com duração de cerca de 2 horas. O esquema padrão prevê doses nas semanas 0, 2 e 6 (fase de indução).

Depois, vêm as infusões de manutenção a cada 8 semanas. O intervalo pode ser ajustado pelo médico conforme a resposta do paciente.

Quanto custa o tratamento com infliximabe no Brasil

O preço de um frasco-ampola de 100 mg varia conforme a marca. O Remicade®, original da Janssen, custa entre R$ 4.890 e R$ 7.451.

Os biossimilares aprovados pela Anvisa — Remsima, Avsola e Xilfya — ficam entre R$ 1.390 e R$ 7.350, conforme cotação de farmácias em maio de 2026.

O que pesa no bolso é a quantidade de frascos por infusão. A dose padrão é calculada por peso (em geral, 5 mg/kg), o que significa que um adulto de 70 kg usa cerca de 350 mg — o equivalente a 4 frascos por infusão.

Em um ano de manutenção, são aproximadamente 6 a 8 infusões. O custo anual pode passar de R$ 150 mil, sem contar as taxas de aplicação hospitalar.

Justamente por se tratar de um medicamento de alto custo, é frequente que planos recusem o pagamento — alegando ausência de cobertura, exigência de troca por biossimilar ou que a indicação está fora do Rol da ANS.

Quando isso acontece, o paciente não precisa arcar com o tratamento por conta própria: existem caminhos legais para reverter a negativa.

O infliximabe está no Rol da ANS?

Sim, mas com limitações específicas por doença. O Rol prevê o infliximabe como cobertura obrigatória para artrite reumatoide, espondilite anquilosante, doença de Crohn moderada a grave, retocolite ulcerativa e psoríase moderada a grave.

A cobertura depende do paciente atender às Diretrizes de Utilização (DUT) da ANS — critérios como tempo mínimo de uso de medicamentos anteriores ou nível de atividade da doença.

A maior parte das negativas acontece quando o paciente não preenche todos os requisitos da DUT, mesmo com prescrição médica clara.

Outras negativas ocorrem quando a indicação é para uma doença fora das hipóteses listadas no Rol — por exemplo, uveíte refratária, sarcoidose ou outras condições autoimunes em que o medicamento é uso consagrado.

Em setembro de 2025, o STF decidiu, ao julgar a ADI 7.265, que o plano precisa cobrir o tratamento mesmo quando ele não está na lista oficial da ANS.

Para isso, é preciso que o médico prescreva com fundamentação, que não exista alternativa equivalente já listada, que o medicamento tenha registro na Anvisa e que haja comprovação científica de eficácia.

Para o infliximabe, esses requisitos costumam estar atendidos quando o paciente reúne o laudo do especialista, exames e histórico de tratamentos anteriores.

Por que o plano nega o infliximabe

A negativa raramente vem como uma recusa explícita ao princípio ativo. Na prática, o plano usa justificativas técnicas que mascaram a recusa de pagar. As três mais comuns são:

Indicação fora do Rol da ANS: quando o médico prescreve para uma doença que não consta nas Diretrizes de Utilização, o plano alega que não é obrigado a cobrir.

Esse argumento perdeu força após a ADI 7.265 do STF, mas ainda aparece com frequência nas negativas iniciais.

Exigência de troca por biossimilar: o plano aceita custear, mas só se o paciente trocar o Remicade® original pelo Remsima, Avsola ou Xilfya, que custam menos.

Essa imposição é problemática quando o médico tem motivos clínicos para manter o original — por exemplo, paciente em tratamento estável há anos, com resposta consolidada.

Discussão sobre dose ou frequência: o plano contesta o número de frascos ou o intervalo entre infusões prescrito pelo médico, alegando que a dose excede o previsto na DUT.

Esse tipo de recusa também tem sido considerada abusiva pela Justiça, já que o ajuste de dose é prerrogativa médica baseada na resposta clínica de cada paciente.

O que fazer quando o plano nega o infliximabe

Diante da recusa, há um caminho prático que aumenta as chances de obter o tratamento — seja administrativamente, seja na Justiça.

  1. Exija a negativa por escrito. O plano é obrigado a fornecer a recusa formal, com justificativa e número de protocolo. Sem esse documento, a ação judicial fica mais difícil de instruir.
  2. Reúna o relatório médico detalhado. O laudo precisa descrever o diagnóstico (com CID), o histórico de tratamentos que não funcionaram, a justificativa clínica para o infliximabe e a dose proposta.
  3. Tente o recurso administrativo junto ao plano e à ANS. Em alguns casos a operadora reavalia. O prazo médio é de 10 dias úteis para resposta da ANS após registro da reclamação.
  4. Procure orientação jurídica especializada. Se a negativa persistir, é possível ingressar com ação judicial pedindo tutela de urgência. Veja o guia completo sobre o que fazer quando o plano nega medicamento.
  5. Quando vale pedir tutela de urgência

    A tutela de urgência (popularmente chamada de liminar) é um pedido feito ao juiz para que o plano seja obrigado a fornecer o medicamento antes do julgamento final do processo.

    É o caminho usado quando a demora pode causar dano grave ou irreversível — situação comum em doença de Crohn em atividade, artrite com perda funcional ou retocolite com risco de internação.

    Para que a tutela seja concedida, dois requisitos precisam ficar evidentes: a probabilidade do direito (laudo médico, registro Anvisa, jurisprudência favorável) e o perigo na demora (relatório explicando o risco da interrupção ou da espera).

    Vale lembrar que nenhum prazo é garantido — a análise depende do juiz, da comarca e da forma como o pedido é instruído. Mas casos bem documentados costumam receber decisão em prazo razoável.

    Decisões da Justiça a favor de pacientes em uso de infliximabe

    A jurisprudência brasileira tem se mostrado consistente no reconhecimento do direito do paciente à cobertura do infliximabe, mesmo quando o plano apresenta resistência.

    Em caso envolvendo a Bradesco Saúde, a Justiça determinou a cobertura do Remicade® após a operadora negar o tratamento sob alegação de ausência no Rol.

    A decisão reforçou o entendimento de que prescrição médica fundamentada se sobrepõe a recusas administrativas. Veja o caso do Remicade contra a Bradesco Saúde.

    Em outro processo, a Notre Dame Intermédica foi condenada a fornecer Remicade® a um paciente com espondilite anquilosante.

    O tribunal entendeu que a recusa configurava prática abusiva diante do quadro clínico documentado e do parecer do reumatologista. Detalhes da decisão contra a Notre Dame Intermédica.

    A tendência se repete em outros tribunais. Decisões favoráveis também têm sido proferidas em casos envolvendo medicamentos da mesma classe terapêutica, como o adalimumabe (Humira).

    O entendimento dos tribunais segue a lógica do Tema 990 do STJ: medicamento com registro na Anvisa e prescrição médica fundamentada deve ser custeado pelo plano, inclusive em uso fora da bula.

    Remicade original ou biossimilar: você pode ser obrigado a trocar?

    Essa é uma dúvida própria do infliximabe, que não aparece com a mesma frequência em outros medicamentos biológicos.

    O Remicade® é o original (Janssen). O mercado brasileiro hoje conta com três biossimilares aprovados pela Anvisa: Remsima (Celltrion), Avsola (Amgen) e Xilfya (Pfizer).

    Os biossimilares têm preço significativamente menor, e por isso muitos planos tentam impor a substituição.

    A regra geral é que a troca não pode ser unilateral do plano. A decisão sobre manter o original ou aceitar o biossimilar precisa partir do médico assistente.

    Esse médico avalia a estabilidade do paciente, o risco de reação imunogênica em quem já está respondendo bem ao original e o histórico clínico.

    A Sociedade Brasileira de Reumatologia reconhece os biossimilares como opção válida, mas defende que a substituição em pacientes já em tratamento exige avaliação caso a caso.

    Se o plano condicionar a cobertura à troca compulsória e o médico contraindicar a substituição com base em razões clínicas documentadas, essa imposição pode ser considerada abusiva.

    Outras informações sobre o infliximabe

    Como o tratamento é aplicado

    A infusão é feita em ambiente hospitalar ou clínica especializada, com acompanhamento médico durante e após a aplicação.

    O tempo médio de infusão é de duas horas, com observação por mais 30 a 60 minutos para identificar eventuais reações.

    Em pacientes que respondem bem, o intervalo pode ser ampliado pelo médico, reduzindo o número de infusões anuais.

    Efeitos colaterais e cuidados

    Como qualquer imunossupressor, o infliximabe aumenta o risco de infecções — em especial as latentes, como tuberculose.

    Por isso, é obrigatória a triagem prévia antes da primeira aplicação (PPD, raio-X de tórax).

    Outros eventos relatados incluem reações infusionais, dor de cabeça e elevação de enzimas hepáticas. O acompanhamento periódico com exames laboratoriais faz parte do protocolo.

    Onde consultar informações oficiais

    A bula oficial do medicamento e dos biossimilares está disponível na Anvisa, que mantém a base de dados de registros, indicações e alertas.

    Antes de qualquer decisão sobre o tratamento, consulte sempre o médico assistente.

    O plano de saúde é obrigado a cobrir o infliximabe?
    Sim, quando há prescrição médica e a doença está entre as indicações previstas no Rol da ANS (artrite reumatoide, doença de Crohn, retocolite ulcerativa, espondilite anquilosante, psoríase moderada a grave). Para indicações fora do Rol, a cobertura também pode ser exigida, desde que atendidos os requisitos definidos pelo STF na ADI 7.265: prescrição médica fundamentada, ausência de alternativa equivalente no Rol, registro na Anvisa e comprovação científica de eficácia.
    O plano pode me obrigar a trocar Remicade por biossimilar?
    Não unilateralmente. A escolha entre o Remicade original e os biossimilares (Remsima, Avsola, Xilfya) cabe ao médico assistente, considerando a estabilidade do paciente, o risco de reação imunogênica e o histórico clínico. Imposição compulsória do plano, quando o médico contraindica a troca, pode ser considerada abusiva.
    Quanto tempo demora uma decisão judicial sobre infliximabe?
    O prazo varia conforme o tribunal, a comarca e a forma como o pedido é instruído. Casos com documentação completa (negativa por escrito, relatório médico detalhado, exames) costumam receber análise da tutela de urgência em prazo razoável, mas nenhum advogado pode garantir tempo específico — a decisão depende do juiz.
    O que fazer se o plano nega o infliximabe alegando que estou fora da DUT?
    Solicite ao médico um relatório detalhado explicando por que o seu caso atende aos critérios clínicos (mesmo que formalmente fora da Diretriz de Utilização), com base em literatura científica e na resposta a tratamentos anteriores. Esse documento é a base para o recurso administrativo na ANS e, se necessário, para a ação judicial.
    O infliximabe pelo SUS é diferente do oferecido pelo plano?
    O princípio ativo é o mesmo, mas o SUS costuma fornecer biossimilares por meio do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica. Para receber pelo SUS, é preciso seguir o Protocolo Clínico do Ministério da Saúde, que define critérios de elegibilidade. O caminho pelo plano de saúde é independente do SUS — uma pessoa pode optar por cada um, conforme o caso.
    Se eu já uso Remicade pelo plano e o reumatologista quer aumentar a dose, o plano pode recusar?
    O plano pode questionar, mas o ajuste de dose é prerrogativa médica baseada na resposta clínica do paciente. Negativas fundadas apenas em DUT, quando o médico justifica a necessidade do ajuste, têm sido consideradas abusivas pela Justiça.
    Quanto custa o tratamento mensal com infliximabe no Brasil?
    O preço por frasco varia de R$ 1.390 (biossimilares) a R$ 7.451 (Remicade original), conforme cotações de maio de 2026. Como a dose média de um adulto usa 4 frascos por infusão e há infusões a cada 8 semanas após a indução, o custo anual pode ultrapassar R$ 150 mil, sem contar taxas hospitalares de aplicação.

    Mais informações

    Se você passou por uma negativa de cobertura do infliximabe ou ainda tem dúvidas sobre o caminho a seguir, pode entrar em contato com a Rosenbaum Advogados para que a sua situação seja analisada.

    Leo Rosenbaum

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