Uptravi negado pelo plano de saúde? Seus direitos
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Uptravi (Selexipague) negado pelo plano? Seus direitos

Direito à Saúde, Remédio
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Publicado: maio 11, 2022 Atualizado: maio 14, 2026
Tempo estimado de leitura: 5 minutos

O Uptravi® (princípio ativo selexipague) é um medicamento oral indicado para o tratamento da hipertensão arterial pulmonar (HAP) — uma doença vascular rara, progressiva e potencialmente fatal.

É um agonista seletivo do receptor da prostaciclina (IP), primeiro da classe disponível por via oral. Antes dele, o tratamento direcionado à via da prostaciclina exigia infusão contínua ou inalações repetidas — opções limitantes para o paciente.

Custo mensal entre R$ 18 mil e R$ 30 mil. O tratamento é contínuo, indefinido, e exige uma fase de titulação progressiva de 4-12 semanas até a dose ótima individual.

HAP: uma doença rara que estreita as artérias dos pulmões

A hipertensão arterial pulmonar é uma forma específica de hipertensão pulmonar (grupo 1 da classificação): aumento da pressão sanguínea nas artérias que vão do coração direito para os pulmões.

As pequenas artérias pulmonares ficam progressivamente estreitadas, espessadas e oclusas. O ventrículo direito tem que trabalhar contra resistência crescente, hipertrofia, dilata e eventualmente falha.

As causas incluem formas idiopáticas, hereditárias, associadas a doenças autoimunes (lúpus, esclerodermia), HIV, hipertensão portal, cardiopatias congênitas.

É uma doença de mulheres jovens com mais frequência. Sem tratamento, a sobrevida histórica era de 2-3 anos após o diagnóstico.

Três vias moleculares, três classes de medicamento

O tratamento moderno da HAP atua em três vias moleculares principais. A primeira é a via da endotelina, alvo dos antagonistas (bosentana, ambrisentana, macitentana).

A segunda é a via do óxido nítrico, alvo dos inibidores da fosfodiesterase 5 (sildenafil, tadalafil) e dos estimuladores da guanilato ciclase (riociguat).

A terceira é a via da prostaciclina. Pacientes com HAP têm produção reduzida de prostaciclina, um vasodilatador potente. Repor é o objetivo: epoprostenol (infusão contínua), iloprosta (inalada), treprostinila (SC ou inalada), e selexipague oral.

O Uptravi se diferencia: é o primeiro agonista do receptor IP por via oral. Permite tratamento da via da prostaciclina sem cateter central, sem bomba portátil, sem inalações repetidas.

Titulação progressiva: a fase mais delicada do tratamento

O selexipague não é dado em dose plena desde o início. O paciente começa com 200 mcg duas vezes ao dia e a dose é aumentada em incrementos a cada semana, conforme tolerância.

A titulação visa atingir a dose máxima individualmente tolerada — pode chegar a 1.600 mcg duas vezes ao dia, mas varia muito entre pacientes. Alguns toleram doses altas, outros ficam em doses intermediárias.

Os efeitos colaterais que limitam a subida da dose são típicos da classe prostaciclina: cefaleia (muito frequente), diarreia, náusea, dor de mandíbula, dor muscular, flushing. Tendem a melhorar com o tempo, mas exigem manejo com analgésicos e antieméticos.

A fase de titulação dura tipicamente 4-12 semanas. O paciente precisa de acompanhamento próximo nessa fase — telefonemas semanais, ajustes individualizados.

Preço, posicionamento e o desafio econômico

O Uptravi é vendido em comprimidos de 200 mcg, 400 mcg, 600 mcg, 800 mcg, 1000 mcg, 1200 mcg, 1400 mcg e 1600 mcg — quase uma apresentação para cada degrau da titulação.

Caixa com 60 comprimidos (suficiente para 30 dias) custa entre R$ 18 mil e R$ 30 mil, dependendo da dose. O custo na fase de titulação pode variar conforme dose intermediária, com troca frequente de apresentação.

Em manutenção crônica, o custo anual fica entre R$ 220 mil e R$ 360 mil. Tratamento vitalício. Como medicamento de alto custo para doença rara, o Uptravi é frequentemente negado.

Cobertura, classes funcionais e o argumento da combinação

O selexipague está no Rol da ANS para HAP em classe funcional III-IV (NYHA/OMS), com critérios das Diretrizes de Utilização (DUT). A indicação geralmente envolve terapia combinada — adicionar Uptravi a um esquema já em uso (antagonistas da endotelina + inibidores de PDE5).

As negativas frequentes envolvem: uso em classe funcional II (indicação mais recente, GRIPHON), uso em combinação tripla inicial (estratégia upfront triple therapy), e questionamento sobre o número de comprimidos por mês na titulação.

Em situações fora dos critérios estritos do Rol, vale a ADI 7.265 do STF (setembro de 2025). A defesa pela ausência de alternativa equivalente oral na via da prostaciclina é forte — todas as outras opções exigem infusão ou inalação.

Caminho prático em HAP progressiva

Primeiro: negativa por escrito, com justificativa e protocolo.

Segundo: relatório do pneumologista ou cardiologista — diagnóstico de HAP confirmado por cateterismo direito (mPAP elevada, PCWP normal), classe funcional NYHA/OMS, teste de caminhada de 6 minutos, BNP/NT-proBNP, ecocardiograma, tratamentos anteriores.

Em HAP em progressão clínica (classe funcional piorando, queda no teste de 6 minutos, BNP subindo), a tutela de urgência tem peso máximo — a doença evolui em meses, não anos, e o ventrículo direito uma vez descompensado raramente se recupera totalmente.

Veja o guia geral sobre o que fazer quando o plano nega medicamento. A documentação do cateterismo direito e da classe funcional é a peça central do processo.

O plano de saúde é obrigado a cobrir o Uptravi?
Sim. O Uptravi (selexipague) está no Rol da ANS para hipertensão arterial pulmonar em classe funcional III-IV, com critérios da DUT. Para indicações específicas (classe funcional II, terapia combinada inicial), a cobertura também pode ser exigida com base na ADI 7.265 do STF: prescrição médica fundamentada, ausência de alternativa equivalente, registro Anvisa e comprovação científica. A documentação por cateterismo direito é central no processo.
O que é hipertensão arterial pulmonar (HAP)?
HAP é uma forma específica de hipertensão pulmonar — aumento da pressão sanguínea nas artérias que vão do coração para os pulmões. As pequenas artérias pulmonares ficam progressivamente estreitadas e ocluídas, o ventrículo direito hipertrofia e eventualmente falha. Pode ser idiopática, hereditária, associada a doenças autoimunes (esclerodermia, lúpus), HIV, cardiopatias congênitas. É rara, atinge mais mulheres jovens. Sem tratamento, sobrevida histórica de 2-3 anos.
Por que o Uptravi é diferente das outras opções para HAP?
O Uptravi (selexipague) é o primeiro agonista do receptor da prostaciclina (IP) disponível por via oral. Antes dele, o tratamento direcionado à via da prostaciclina exigia infusão contínua endovenosa (epoprostenol), infusão subcutânea (treprostinila) ou inalações repetidas (iloprosta, treprostinila inalada). Por isso, o Uptravi mudou significativamente a qualidade de vida de pacientes que precisavam dessa via mas não toleravam as opções injetáveis ou inaladas.
Por que a titulação do Uptravi é gradual?
Os efeitos colaterais típicos da via da prostaciclina (cefaleia muito frequente, diarreia, náusea, dor de mandíbula, dor muscular, flushing) limitam a velocidade de subida da dose. A titulação começa com 200 mcg 2x/dia e aumenta semanalmente conforme tolerância, até atingir a dose máxima individualmente tolerada (pode chegar a 1.600 mcg 2x/dia). A fase dura 4-12 semanas. Os efeitos tendem a melhorar com o tempo, mas exigem manejo com analgésicos e antieméticos.
Quanto custa o tratamento mensal com Uptravi?
Caixa com 60 comprimidos (suficiente para 30 dias na dose escolhida) custa entre R$ 18 mil e R$ 30 mil em 2026, dependendo da dose. Em manutenção crônica, o custo anual fica entre R$ 220 mil e R$ 360 mil. Tratamento vitalício. A fase de titulação pode envolver custos extras pela troca frequente de apresentação enquanto se ajusta a dose individual.
O Uptravi substitui as outras drogas para HAP?
Não. O tratamento moderno da HAP geralmente envolve terapia combinada de duas ou três classes que atuam em vias moleculares diferentes: via da endotelina (bosentana, ambrisentana, macitentana), via do óxido nítrico (sildenafil, tadalafil, riociguat) e via da prostaciclina (Uptravi, epoprostenol, treprostinila, iloprosta). O Uptravi é geralmente adicionado a um esquema já em uso. A escolha cabe ao pneumologista ou cardiologista especializado em HAP.
O plano pode negar Uptravi em classe funcional II?
Pode tentar, alegando que a DUT cobre apenas classe funcional III-IV. Mas o estudo GRIPHON estabeleceu eficácia também em pacientes em classe funcional II, e diretrizes internacionais mais recentes consideram o uso em II em determinadas situações. A cobertura pode ser exigida com base na ADI 7.265 do STF, com documentação clínica fundamentada pelo médico assistente.

Mais informações

Se você passou por uma negativa de cobertura do Uptravi ou tem dúvidas sobre o caminho a seguir, pode entrar em contato com a Rosenbaum Advogados para que a sua situação seja analisada.

Este caso integra o panorama do Observatório Rosenbaum de Planos de Saúde, levantamento de mais de 43 mil decisões públicas do TJSP sobre planos de saúde.

Leo Rosenbaum

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