Enhertu negado pelo plano de saúde? Seus direitos
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Enhertu (Trastuzumabe Deruxtecana) negado pelo plano? Seus direitos

Direito à Saúde, Remédio
Bolsa de infusao IV de Enhertu ao lado de documentos legais e estetoscopio
Publicado: abril 16, 2026 Atualizado: maio 12, 2026
Tempo estimado de leitura: 5 minutos

O Enhertu® (princípio ativo trastuzumabe deruxtecana, ou T-DXd) é um medicamento oncológico do tipo ADC — conjugado anticorpo-fármaco aplicado por infusão intravenosa.

É a segunda geração dos ADCs anti-HER2 — sucessor do Kadcyla (T-DM1). Veio com duas novidades: maior eficácia e indicação em pacientes com HER2-low, conceito até então inédito no câncer de mama.

Cada infusão custa entre R$ 25 mil e R$ 45 mil. Quando o plano de saúde nega a cobertura, a jurisprudência tem reconhecido o direito do paciente — em especial pela evidência clínica acumulada em câncer de mama avançado.

Kadcyla vs Enhertu: por que o T-DXd é a 2ª geração

Os dois medicamentos seguem o mesmo princípio: um anticorpo anti-HER2 (trastuzumabe) liga-se à proteína HER2 na superfície da célula tumoral; uma quimioterapia potente acoplada ao anticorpo é liberada dentro da célula alvo.

Mas há diferenças decisivas. O Enhertu tem uma razão droga-anticorpo maior (8 moléculas de quimioterapia por anticorpo, contra 3-4 no Kadcyla) e uma quimioterapia parceira mais potente (deruxtecana, um inibidor de topoisomerase I).

Outra característica é o efeito bystander: a quimioterapia do Enhertu, depois de liberada, pode afetar células vizinhas — mesmo aquelas com menos HER2. É a base do uso em câncer de mama HER2-low.

Por isso o Enhertu é hoje a opção preferencial em situações onde o Kadcyla já foi usado ou em pacientes com expressão baixa de HER2.

A inovação do HER2-low: tumores antes considerados HER2-negativos

Por décadas, o câncer de mama foi dividido em HER2-positivo (com superexpressão da proteína) ou HER2-negativo (sem). Tratamentos anti-HER2 só faziam sentido nos positivos.

O Enhertu rompeu essa lógica binária. Em estudos clínicos, mostrou-se eficaz em pacientes com tumores classificados como HER2-low — expressão intermediária da proteína (imuno-histoquímica 1+ ou 2+ com FISH negativo).

Estima-se que cerca de 50 a 60% dos cânceres de mama antes ditos “HER2-negativos” sejam, na verdade, HER2-low. A reanálise da biópsia pode revelar elegibilidade ao Enhertu em muitos casos.

Preço, esquema e duração do tratamento

O Enhertu é vendido em frasco-ampola de 100 mg. As cotações em 2026 ficam entre R$ 13 mil e R$ 22 mil por frasco.

A dose é por peso (5,4 mg/kg em câncer de mama) e a aplicação é a cada 3 semanas. Em uma paciente típica, são consumidos 3 a 5 frascos por infusão, com custo por aplicação entre R$ 25 mil e R$ 45 mil.

O tratamento se prolonga enquanto houver resposta clínica e ausência de toxicidade grave. Em um ano, são cerca de 17 ciclos, com custo anual que pode passar de R$ 500 mil.

Como medicamento de alto custo, o Enhertu é alvo recorrente de negativa, ainda que seja um dos avanços oncológicos mais relevantes da última década.

Pneumonite intersticial: o efeito que exige monitoramento

A toxicidade mais característica do Enhertu é a doença pulmonar intersticial (ILD) / pneumonite: inflamação dos pulmões que pode ser grave em uma minoria de pacientes.

Em estudos clínicos, a ILD ocorreu em cerca de 10-15% das pacientes, com casos fatais em menos de 1%. O monitoramento envolve tomografia regular do tórax, atenção a sintomas (tosse, falta de ar) e suspensão imediata na suspeita.

Esse risco específico justifica todo o protocolo de acompanhamento. Não impede o uso — apenas exige cuidado redobrado, com pneumologista e oncologista em comunicação.

Cobertura, Rol da ANS e a luta pelo HER2-low

O Enhertu está no Rol da ANS para algumas indicações de câncer de mama HER2-positivo, com Diretrizes de Utilização (DUT) específicas — geralmente após progressão a tratamentos anteriores.

A indicação em HER2-low é mais recente e nem sempre alinhada com as DUTs vigentes. É nesse ponto que ocorrem muitas das negativas — apesar da evidência científica robusta.

Para situações fora dos critérios estritos do Rol, vale a ADI 7.265 do STF (setembro de 2025): cobertura possível mediante prescrição fundamentada, ausência de alternativa equivalente, registro Anvisa e evidência científica — todos critérios atendidos no Enhertu.

Caminho prático e tutela de urgência em câncer de mama avançado

O primeiro passo é a negativa por escrito, com justificativa e protocolo. Em paralelo, relatório oncológico detalhado, imunohistoquímica HER2 atualizada (idealmente reanalisada para HER2-low se aplicável) e laudos de imagem do estadiamento.

Em câncer de mama metastático, o atraso pode permitir progressão visceral. É cenário típico para tutela de urgência: pedido ao juiz para que o plano forneça o medicamento antes do julgamento final.

O juiz analisa a probabilidade do direito (laudo, registro Anvisa, jurisprudência) e o perigo da demora. Não há prazo garantido. Veja o guia geral sobre o que fazer quando o plano nega medicamento.

Decisões da Justiça sobre o Enhertu e ADCs

A jurisprudência tem reconhecido a cobertura do trastuzumabe deruxtecana em câncer de mama HER2-positivo, em especial após falha do Kadcyla ou do trastuzumabe convencional.

Para HER2-low, decisões favoráveis vêm aumentando à medida que a evidência clínica se consolida. O Tema 990 do STJ ampara a cobertura em uso fora da bula ou em indicações com respaldo científico.

Decisões em medicamentos próximos — como o Kadcyla e o Herceptin — reforçam o entendimento dos tribunais em câncer de mama HER2.

O plano de saúde é obrigado a cobrir o Enhertu?
Sim, quando há prescrição médica e a indicação está prevista no Rol da ANS (câncer de mama HER2-positivo em situações específicas, com critérios da DUT cumpridos). Para HER2-low e outras situações mais recentes, a cobertura também pode ser exigida com base na ADI 7.265 do STF: prescrição médica fundamentada, ausência de alternativa equivalente, registro Anvisa e comprovação científica.
Qual a diferença entre Kadcyla e Enhertu?
Ambos são conjugados anticorpo-fármaco (ADC) anti-HER2 baseados em trastuzumabe, mas com diferenças importantes. O Enhertu (T-DXd) tem razão droga-anticorpo maior (8 vs 3-4 moléculas de quimioterapia por anticorpo), quimioterapia parceira mais potente (deruxtecana) e o “efeito bystander” — capacidade de afetar células vizinhas mesmo com baixa expressão de HER2. Isso explica a maior eficácia e a indicação em HER2-low.
O que é câncer de mama HER2-low e por que importa?
É um tipo de tumor com expressão intermediária da proteína HER2 (imuno-histoquímica 1+ ou 2+ com FISH negativo). Antes considerado HER2-negativo e sem opções anti-HER2, hoje sabe-se que representa cerca de 50-60% dos cânceres antes ditos “HER2-negativos”. O Enhertu é eficaz nesses tumores — o que torna a reanálise da biópsia importante para definir elegibilidade.
O plano pode me obrigar a usar Kadcyla antes do Enhertu?
A sequência é decisão clínica do oncologista. Em muitas situações, o Enhertu é usado após progressão a Kadcyla ou a trastuzumabe convencional. Mas em casos específicos — como HER2-low — o Enhertu pode ser primeira opção. Imposições do plano sobre a sequência terapêutica sem justificativa clínica podem ser consideradas abusivas.
Quanto custa o tratamento com Enhertu?
Com frasco custando entre R$ 13 mil e R$ 22 mil (cotações 2026), dose por peso e 3-5 frascos por infusão a cada 3 semanas, cada aplicação custa entre R$ 25 mil e R$ 45 mil. Em um ano com cerca de 17 ciclos, o custo total pode passar de R$ 500 mil, sem contar taxas hospitalares e exames de monitoramento (incluindo tomografia de tórax periódica).
O Enhertu pelo SUS é diferente do oferecido pelo plano?
O princípio ativo é o mesmo (trastuzumabe deruxtecana). O acesso pelo SUS depende do Protocolo Clínico do Ministério da Saúde para câncer de mama, com critérios próprios. É um caminho independente do plano de saúde.
O risco de pneumonite faz o tratamento valer a pena?
Em câncer de mama metastático, o ganho de sobrevida e qualidade de vida do Enhertu costuma superar o risco de pneumonite, que é monitorável e tratável quando identificada precocemente. A decisão envolve discussão entre oncologista, paciente e família — considerando o quadro clínico, a expressão de HER2 e a história de tratamentos prévios. O protocolo prevê tomografia regular e atenção a sintomas pulmonares.

Mais informações

Se você passou por uma negativa de cobertura do Enhertu ou tem dúvidas sobre o caminho a seguir, pode entrar em contato com a Rosenbaum Advogados para que a sua situação seja analisada.

Leo Rosenbaum

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