Qatar e Booking devolvem R$ 19 mil de lua de mel | TJSP
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Qatar e Booking condenadas a reembolsar lua de mel

Decisões Favoráveis, Direito Aéreo
reembolso passagem Qatar Booking gravidez de risco — TJSP condena Qatar Airways e Booking.com
Publicado: junho 8, 2026
Tempo estimado de leitura: 4 minutos

O Tribunal de Justiça de São Paulo, por meio da Vara Única da Comarca de Cajuru, condenou solidariamente a Qatar Airways e a Booking.com a reembolsar R$ 19.402,83 a um consumidor que precisou cancelar a viagem de lua de mel após a esposa ser diagnosticada com gravidez de alto risco.

A sentença reconheceu que a cláusula que só permitia reembolso em caso de “doença terminal” é abusiva e que a situação configurou força maior, afastando a retenção integral dos valores pagos.

Ilustração reembolso passagem Qatar Booking gravidez de risco
TJSP (Vara Única de Cajuru) condenou solidariamente Qatar Airways e Booking.com a reembolsar R$ 19.402,83 (passagens + t

Detalhes do caso e argumentos das partes

Em 03/07/2025, o consumidor adquiriu pela plataforma da Booking.com passagens aéreas operadas pela Qatar Airways com destino a Denpasar, na Indonésia, para a lua de mel. O custo total foi de R$ 19.022,83.

Em 27/08/2025, a esposa do autor foi diagnosticada com gravidez de risco (“ameaça de aborto”), com expressa proibição médica para viagens internacionais. O cancelamento foi solicitado com 20 dias de antecedência em relação ao voo.

A Booking.com ainda exigiu traduções juramentadas dos documentos médicos, o que custou outros R$ 380,00.

Mesmo após cumprir a exigência, o pedido de reembolso foi negado em 21/01/2026 sob o argumento de que as regras tarifárias só permitiriam restituição em caso de “doença terminal”.

A Qatar Airways alegou que a compra foi feita por agência de viagens, a quem caberia processar o reembolso. A Booking.com sustentou ser mera intermediária, atribuindo a responsabilidade à companhia aérea.

Conheça os direitos do passageiro aéreo em situações de cancelamento por motivo de saúde.

Decisão judicial e fundamentos

O Juiz José Oliveira Sobral Neto rejeitou as preliminares e julgou os pedidos procedentes. Reconheceu a responsabilidade solidária de toda a cadeia de fornecimento, conforme os artigos 7º, parágrafo único, e 25, § 1º, do Código de Defesa do Consumidor.

A sentença destacou que a Booking.com não é mera vitrine, mas canal de comercialização que integra a cadeia de consumo. A relação interna entre a plataforma e a companhia aérea (comissão mercantil) não afasta as normas de ordem pública do CDC.

O diagnóstico de gravidez de risco foi enquadrado como força maior, nos termos do art. 393 do Código Civil. A cláusula que só admitia reembolso em “doença terminal” foi declarada nula com base no art. 51, IV, do CDC, por colocar o consumidor em desvantagem exagerada.

A decisão ainda invocou o art. 740 do Código Civil, que faculta ao passageiro rescindir o contrato de transporte antes do início da viagem com restituição dos valores.

A retenção integral configuraria enriquecimento sem causa (art. 884 do Código Civil), já que a vaga pode ser revendida.

Ilustração detalhada reembolso passagem Qatar Booking gravidez de risco
Implicações da decisão

Implicações para consumidores em casos semelhantes

A decisão reforça que cláusulas tarifárias rígidas não podem prevalecer sobre situações de força maior devidamente comprovadas, especialmente quando envolvem risco à vida e à saúde. Saiba mais sobre problema com voo e cancelamentos por motivos médicos.

O entendimento também é relevante para reforçar a responsabilidade solidária das plataformas digitais de venda de passagens, como Booking.com, Decolar e similares. A intermediação não afasta a posição de fornecedor na cadeia de consumo.

Documentos médicos claros, atestados com restrição expressa e solicitação de cancelamento com antecedência são elementos importantes para sustentar o pedido. Veja outras decisões favoráveis em casos parecidos.

Perguntas frequentes

Gravidez de risco dá direito a reembolso integral de passagem aérea?
Sim. A decisão do TJSP entendeu que gravidez de risco com proibição médica para viajar configura força maior (art. 393 do Código Civil) e afasta cláusulas tarifárias restritivas que limitam o reembolso, devendo o valor ser integralmente devolvido.
A Booking.com responde junto com a companhia aérea?
Sim. A sentença reconheceu a responsabilidade solidária da plataforma e da companhia aérea, com base nos artigos 7º, parágrafo único, e 25, § 1º, do CDC. A plataforma não é mera vitrine, mas integra a cadeia de consumo.
Cláusula que só permite reembolso em doença terminal é válida?
Não. A sentença declarou nula a cláusula, com base no art. 51, IV, do CDC, por colocar o consumidor em desvantagem exagerada e ferir a boa-fé objetiva, em especial quando há força maior comprovada como gravidez de alto risco.
Os custos com tradução juramentada exigida pela empresa também são reembolsáveis?
Sim. No caso, os R$ 380,00 gastos com traduções juramentadas exigidas pela Booking.com foram reconhecidos como dano material direto, decorrente da conduta da fornecedora, e incluídos na condenação.
Em quanto tempo o pedido de cancelamento deve ser feito?
Quanto antes melhor. No caso, o pedido foi feito com 20 dias de antecedência, o que reforçou a tese de que havia tempo hábil para a empresa remanejar os assentos e mitigar prejuízos.

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Detalhes da decisão

  • Tribunal / Vara: TJSP — Vara Única da Comarca de Cajuru
  • Magistrado: Juiz José Oliveira Sobral Neto
  • Nº do processo: 4000235-46.2026.8.26.0111
  • Data da decisão: 27/04/2026
  • Valor da condenação: R$ 19.402,83 a título de danos materiais (R$ 19.022,83 das passagens + R$ 380,00 de traduções juramentadas), com correção e juros, mais custas e honorários de 10% sobre a condenação
  • Possibilidade de recurso: cabe apelação ao TJSP no prazo de 15 dias úteis

Leo Rosenbaum

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