Enhertu negado pelo plano de saúde? Seus direitos
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Enhertu (Trastuzumabe Deruxtecana) negado pelo plano? Seus direitos

Direito à Saúde, Remédio
Bolsa de infusao IV de Enhertu ao lado de documentos legais e estetoscopio
Publicado: abril 16, 2026 Atualizado: julho 8, 2026
Tempo estimado de leitura: 6 minutos

O Enhertu® (princípio ativo trastuzumabe deruxtecana, ou T-DXd) é um medicamento oncológico do tipo ADC — conjugado anticorpo-fármaco aplicado por infusão intravenosa.

É a segunda geração dos ADCs anti-HER2 — sucessor do Kadcyla (T-DM1). Veio com duas novidades: maior eficácia e indicação em pacientes com HER2-low, conceito até então inédito no câncer de mama.

Cada infusão custa entre R$ 25 mil e R$ 45 mil. Quando o plano de saúde nega a cobertura, a jurisprudência tem reconhecido o direito do paciente — em especial pela evidência clínica acumulada em câncer de mama avançado.

Observatório Rosenbaum · dados públicos do TJSP
94%de êxito do consumidor
(51 decisões de mérito)
No Observatório Rosenbaum, as ações sobre trastuzumabe deruxtecana (Enhertu) contra planos de saúde tiveram esse índice de êxito do consumidor em decisões de mérito do TJSP. Ver o Observatório completo →
Levantamento de decisões públicas do TJSP (jun/2025–jun/2026), não de casos do escritório. Percentuais descritivos de decisões já proferidas — não constituem promessa de resultado. Cada caso é único.

Kadcyla vs Enhertu: por que o T-DXd é a 2ª geração

Os dois medicamentos seguem o mesmo princípio: um anticorpo anti-HER2 (trastuzumabe) liga-se à proteína HER2 na superfície da célula tumoral; uma quimioterapia potente acoplada ao anticorpo é liberada dentro da célula alvo.

Mas há diferenças decisivas. O Enhertu tem uma razão droga-anticorpo maior (8 moléculas de quimioterapia por anticorpo, contra 3-4 no Kadcyla) e uma quimioterapia parceira mais potente (deruxtecana, um inibidor de topoisomerase I).

Outra característica é o efeito bystander: a quimioterapia do Enhertu, depois de liberada, pode afetar células vizinhas — mesmo aquelas com menos HER2. É a base do uso em câncer de mama HER2-low.

Por isso o Enhertu é hoje a opção preferencial em situações onde o Kadcyla já foi usado ou em pacientes com expressão baixa de HER2.

A inovação do HER2-low: tumores antes considerados HER2-negativos

Por décadas, o câncer de mama foi dividido em HER2-positivo (com superexpressão da proteína) ou HER2-negativo (sem). Tratamentos anti-HER2 só faziam sentido nos positivos.

O Enhertu rompeu essa lógica binária. Em estudos clínicos, mostrou-se eficaz em pacientes com tumores classificados como HER2-low — expressão intermediária da proteína (imuno-histoquímica 1+ ou 2+ com FISH negativo).

Estima-se que cerca de 50 a 60% dos cânceres de mama antes ditos “HER2-negativos” sejam, na verdade, HER2-low. A reanálise da biópsia pode revelar elegibilidade ao Enhertu em muitos casos.

Preço, esquema e duração do tratamento

O Enhertu é vendido em frasco-ampola de 100 mg. As cotações em 2026 ficam entre R$ 13 mil e R$ 22 mil por frasco.

A dose é por peso (5,4 mg/kg em câncer de mama) e a aplicação é a cada 3 semanas. Em uma paciente típica, são consumidos 3 a 5 frascos por infusão, com custo por aplicação entre R$ 25 mil e R$ 45 mil.

O tratamento se prolonga enquanto houver resposta clínica e ausência de toxicidade grave. Em um ano, são cerca de 17 ciclos, com custo anual que pode passar de R$ 500 mil.

Como medicamento de alto custo, o Enhertu é alvo recorrente de negativa, ainda que seja um dos avanços oncológicos mais relevantes da última década.

Pneumonite intersticial: o efeito que exige monitoramento

A toxicidade mais característica do Enhertu é a doença pulmonar intersticial (ILD) / pneumonite: inflamação dos pulmões que pode ser grave em uma minoria de pacientes.

Em estudos clínicos, a ILD ocorreu em cerca de 10-15% das pacientes, com casos fatais em menos de 1%. O monitoramento envolve tomografia regular do tórax, atenção a sintomas (tosse, falta de ar) e suspensão imediata na suspeita.

Esse risco específico justifica todo o protocolo de acompanhamento. Não impede o uso — apenas exige cuidado redobrado, com pneumologista e oncologista em comunicação.

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Cobertura, Rol da ANS e a luta pelo HER2-low

O Enhertu está no Rol da ANS para algumas indicações de câncer de mama HER2-positivo, com Diretrizes de Utilização (DUT) específicas — geralmente após progressão a tratamentos anteriores.

A indicação em HER2-low é mais recente e nem sempre alinhada com as DUTs vigentes. É nesse ponto que ocorrem muitas das negativas — apesar da evidência científica robusta.

Para situações fora dos critérios estritos do Rol, o marco atual é a ADI 7.265 do STF (setembro de 2025), que fixou o rol da ANS como taxativo, mas com exceções. A cobertura fora do rol pode ser reconhecida quando presentes, de forma cumulativa: prescrição por médico que acompanha o paciente; ausência de negativa expressa da ANS (ou análise de incorporação ainda pendente); inexistência de alternativa terapêutica adequada no rol; comprovação de eficácia e segurança por evidências científicas; e registro na Anvisa — critérios que tendem a estar reunidos no caso do Enhertu.

Caminho prático e tutela de urgência em câncer de mama avançado

O primeiro passo é a negativa por escrito, com justificativa e protocolo. Em paralelo, relatório oncológico detalhado, imunohistoquímica HER2 atualizada (idealmente reanalisada para HER2-low se aplicável) e laudos de imagem do estadiamento.

Em câncer de mama metastático, o atraso pode permitir progressão visceral. É cenário típico para tutela de urgência: pedido ao juiz para que o plano forneça o medicamento antes do julgamento final.

O juiz analisa a probabilidade do direito (laudo, registro Anvisa, jurisprudência) e o perigo da demora. Não há prazo garantido. Veja o guia geral sobre o que fazer quando o plano nega medicamento.

Decisões da Justiça sobre o Enhertu e ADCs

A jurisprudência tem reconhecido a cobertura do trastuzumabe deruxtecana em câncer de mama HER2-positivo, em especial após falha do Kadcyla ou do trastuzumabe convencional.

Para HER2-low, decisões favoráveis vêm aumentando à medida que a evidência clínica se consolida. O Tema 990 do STJ ampara a cobertura em uso fora da bula ou em indicações com respaldo científico.

Decisões em medicamentos próximos — como o Kadcyla e o Herceptin — reforçam o entendimento dos tribunais em câncer de mama HER2.

O plano de saúde é obrigado a cobrir o Enhertu?
Sim, quando há prescrição médica e a indicação está prevista no Rol da ANS (câncer de mama HER2-positivo em situações específicas, com critérios da DUT cumpridos). Para HER2-low e outras situações mais recentes, a cobertura também pode ser exigida com base na ADI 7.265 do STF: prescrição médica fundamentada, ausência de alternativa equivalente, registro Anvisa e comprovação científica.
Qual a diferença entre Kadcyla e Enhertu?
Ambos são conjugados anticorpo-fármaco (ADC) anti-HER2 baseados em trastuzumabe, mas com diferenças importantes. O Enhertu (T-DXd) tem razão droga-anticorpo maior (8 vs 3-4 moléculas de quimioterapia por anticorpo), quimioterapia parceira mais potente (deruxtecana) e o “efeito bystander” — capacidade de afetar células vizinhas mesmo com baixa expressão de HER2. Isso explica a maior eficácia e a indicação em HER2-low.
O que é câncer de mama HER2-low e por que importa?
É um tipo de tumor com expressão intermediária da proteína HER2 (imuno-histoquímica 1+ ou 2+ com FISH negativo). Antes considerado HER2-negativo e sem opções anti-HER2, hoje sabe-se que representa cerca de 50-60% dos cânceres antes ditos “HER2-negativos”. O Enhertu é eficaz nesses tumores — o que torna a reanálise da biópsia importante para definir elegibilidade.
O plano pode me obrigar a usar Kadcyla antes do Enhertu?
A sequência é decisão clínica do oncologista. Em muitas situações, o Enhertu é usado após progressão a Kadcyla ou a trastuzumabe convencional. Mas em casos específicos — como HER2-low — o Enhertu pode ser primeira opção. Imposições do plano sobre a sequência terapêutica sem justificativa clínica podem ser consideradas abusivas.
Quanto custa o tratamento com Enhertu?
Com frasco custando entre R$ 13 mil e R$ 22 mil (cotações 2026), dose por peso e 3-5 frascos por infusão a cada 3 semanas, cada aplicação custa entre R$ 25 mil e R$ 45 mil. Em um ano com cerca de 17 ciclos, o custo total pode passar de R$ 500 mil, sem contar taxas hospitalares e exames de monitoramento (incluindo tomografia de tórax periódica).
O Enhertu pelo SUS é diferente do oferecido pelo plano?
O princípio ativo é o mesmo (trastuzumabe deruxtecana). O acesso pelo SUS depende do Protocolo Clínico do Ministério da Saúde para câncer de mama, com critérios próprios. É um caminho independente do plano de saúde.
O risco de pneumonite faz o tratamento valer a pena?
Em câncer de mama metastático, o ganho de sobrevida e qualidade de vida do Enhertu costuma superar o risco de pneumonite, que é monitorável e tratável quando identificada precocemente. A decisão envolve discussão entre oncologista, paciente e família — considerando o quadro clínico, a expressão de HER2 e a história de tratamentos prévios. O protocolo prevê tomografia regular e atenção a sintomas pulmonares.

Mais informações

Se você passou por uma negativa de cobertura do Enhertu ou tem dúvidas sobre o caminho a seguir, pode entrar em contato com a Rosenbaum Advogados para que a sua situação seja analisada.

Leo Rosenbaum

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