
O Rasonque (daraxonrasib) é o primeiro medicamento da história a agir diretamente sobre as mutações do gene RAS, presentes na maioria dos tumores de pâncreas. Ele foi aprovado nos Estados Unidos em 26 de agosto de 2026 para o tratamento do câncer de pâncreas metastático.
No Brasil, o cenário ainda é de espera: o daraxonrasib não tem registro na Anvisa, não está à venda no país e, por enquanto, o plano de saúde não é obrigado a custeá-lo.
Este guia explica o que é o novo remédio, os resultados que ele apresentou nos estudos, quanto custa, o que é possível fazer hoje e como a situação jurídica muda no dia em que o registro brasileiro sair.
O que é o Rasonque (daraxonrasib)?
O daraxonrasib é um comprimido de uso diário desenvolvido pela farmacêutica americana Revolution Medicines. Ele pertence a uma classe totalmente nova, dos chamados inibidores pan-RAS, capazes de bloquear as diferentes variantes do gene RAS que alimentam o crescimento do tumor.
A aprovação foi concedida pela agência americana FDA, equivalente à nossa Anvisa, para adultos com adenocarcinoma de pâncreas metastático que já passaram por ao menos uma terapia sistêmica anterior ou que não têm condições clínicas de receber quimioterapia com múltiplos agentes, conforme a lista oficial de aprovações do FDA.
Por que a aprovação é considerada histórica?
O câncer de pâncreas é um dos tumores mais agressivos e de tratamento mais difícil, e há décadas as opções para a doença metastática avançavam pouco.
No estudo de fase 3 RASolute 302, feito com 500 pacientes já tratados anteriormente, o daraxonrasib alcançou sobrevida global mediana de 13,2 meses, contra 6,7 meses da quimioterapia padrão — praticamente o dobro —, com redução de 60% no risco de morte. Os resultados foram apresentados no congresso da Sociedade Americana de Oncologia Clínica de 2026 e publicados na revista científica New England Journal of Medicine, segundo o comunicado oficial da fabricante.
A notícia repercutiu no mundo inteiro, inclusive na imprensa brasileira, justamente porque abre um caminho novo para uma doença que tinha pouquíssimas alternativas.

O plano de saúde negou a cobertura?
Um advogado especialista em direito à saúde pode esclarecer quais são os seus direitos.
Quanto custa o daraxonrasib?
Nos Estados Unidos, o preço de lista anunciado é de US$ 39.800 por mês de tratamento — perto de meio milhão de dólares por ano, conforme noticiado pelo Yahoo Finance.
É um patamar comum entre as terapias-alvo mais recentes contra o câncer, e explica por que a discussão sobre medicamentos de alto custo e cobertura pelos planos de saúde acompanha cada lançamento como este.
O Rasonque já chegou ao Brasil?
Ainda não. Até a data de publicação deste guia, não há registro do daraxonrasib na Anvisa nem previsão pública de quando o pedido será analisado.
O caminho habitual é este: a fabricante protocola o pedido de registro na Anvisa, a agência avalia a eficácia e a segurança do produto e, se aprovar, o medicamento passa a poder ser vendido no país. Entre a aprovação americana e o registro brasileiro, costuma haver um intervalo de meses a alguns anos.
Radar Rosenbaum — novos medicamentos
Situação em 30 de agosto de 2026: aprovado pelo FDA nos Estados Unidos; sem registro na Anvisa; sem cobertura obrigatória pelos planos de saúde no Brasil.
Esta página será atualizada quando houver mudança no status regulatório do medicamento no Brasil.
É possível importar o daraxonrasib para uso próprio?
Sim, a legislação sanitária permite que uma pessoa física importe medicamento para o próprio tratamento, mediante receita e acompanhamento médico, seguindo as regras de importação da Anvisa.
Na prática, porém, o custo torna essa via inviável para a imensa maioria das famílias, e a responsabilidade pelo uso de um produto ainda sem avaliação da Anvisa recai sobre o médico prescritor e o paciente. É uma decisão que precisa ser construída com o oncologista que acompanha o caso.
O plano de saúde é obrigado a cobrir remédio sem registro na Anvisa?
Em regra, não. O Superior Tribunal de Justiça fixou no Tema 990 o entendimento de que as operadoras não estão obrigadas a fornecer medicamento sem registro na Anvisa.
O registro sanitário também é um dos requisitos exigidos pelo Supremo Tribunal Federal para obrigar o plano a custear tratamento fora do Rol da ANS. Por isso, é importante ter clareza: enquanto o daraxonrasib não tiver registro brasileiro, a negativa do plano tende a ser considerada legítima pela Justiça.
O que muda quando o Rasonque tiver registro na Anvisa?
O cenário jurídico muda de figura. O daraxonrasib é um antineoplásico oral de uso domiciliar — e, desde a Lei 12.880/2013, a Lei dos Planos de Saúde prevê expressamente a cobertura obrigatória dessa categoria de tratamento contra o câncer.
Além disso, mesmo enquanto o medicamento não constar do Rol da ANS, o STF definiu na ADI 7.265, julgada em setembro de 2025, que o Rol é taxativo mas comporta exceções, quando presentes ao mesmo tempo:
- Prescrição feita por médico habilitado que acompanha o paciente;
- Inexistência de negativa expressa da ANS ou de análise pendente de incorporação do tratamento;
- Ausência de alternativa terapêutica adequada já prevista no Rol;
- Eficácia e segurança comprovadas por evidências científicas de alto nível;
- Registro na Anvisa.
Com o registro publicado, prescrição médica fundamentada e evidência científica do porte do RASolute 302, o pedido de cobertura passa a ter base jurídica concreta — inclusive por meio de tutela de urgência, que costuma ser apreciada em poucos dias quando há risco à saúde do paciente.
O que a Justiça tem decidido sobre remédios de câncer de alto custo
A experiência com outros antineoplásicos registrados no Brasil mostra um padrão: quando existe prescrição fundamentada e o tratamento disponível no Rol já falhou ou não se aplica, as negativas de cobertura vêm sendo revertidas pelos tribunais.
Reunimos em um guia próprio o panorama da cobertura de medicamentos contra o câncer pelos planos de saúde, com os fundamentos que a Justiça aplica a casos desse tipo.
Rasonque em resumo
| Item | Situação em agosto de 2026 |
|---|---|
| Aprovação nos EUA (FDA) | 26 de agosto de 2026 |
| Indicação | Câncer de pâncreas metastático já tratado anteriormente |
| Forma de uso | Comprimido oral, uma vez ao dia |
| Preço de lista nos EUA | US$ 39.800 por mês |
| Registro na Anvisa | Ainda não |
| Cobertura pelo plano de saúde | Não obrigatória enquanto não houver registro na Anvisa |
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Este conteúdo integra o panorama do Observatório Rosenbaum de Planos de Saúde, levantamento de mais de 52 mil decisões públicas do TJSP sobre planos de saúde.