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Itvisma (onasemnogene intratecal): quando chega ao Brasil e o plano de saúde

Direito à Saúde, Remédio
Adolescente em cadeira de rodas em consulta com neurologista sobre o Itvisma, terapia gênica para atrofia muscular espinhal
Publicado: novembro 5, 2026 Atualizado: novembro 2, 2026
Tempo estimado de leitura: 9 minutos

O Itvisma (onasemnogene abeparvoveque intratecal) é a terapia gênica de dose única para a atrofia muscular espinhal, a AME, em crianças a partir de 2 anos, adolescentes e adultos. É a versão aplicada no líquido da coluna da mesma substância do Zolgensma, aprovada nos Estados Unidos em 24 de novembro de 2025.

No Brasil, o cenário ainda é de espera: o Itvisma não tem registro na Anvisa e, por enquanto, o plano de saúde não é obrigado a custeá-lo. O registro do Zolgensma não se estende a ele, e esse é um ponto que costuma gerar confusão.

Este guia explica o que é o Itvisma, o que os estudos mostraram, quanto custa, o que é possível fazer hoje e como a situação jurídica muda no dia em que o registro brasileiro sair.

O que é o Itvisma e como ele se diferencia do Zolgensma?

A AME é causada pela falta de uma proteína produzida pelo gene SMN1, essencial para os neurônios que comandam os músculos. A terapia gênica entrega ao organismo uma cópia funcional desse gene, em aplicação única.

O Zolgensma é aplicado na veia, com dose calculada pelo peso, e por isso se destina a bebês e crianças pequenas. O Itvisma tem dose fixa e é injetado no líquido que envolve a medula, na região lombar, como o Spinraza. Isso permite tratar pacientes maiores.

Segundo a página oficial do FDA, a agência americana equivalente à nossa Anvisa, a indicação é para pacientes adultos e pediátricos com 2 anos ou mais e mutação confirmada no gene SMN1.

O que os estudos mostraram?

O estudo principal, chamado STEER, reuniu pacientes de 2 a 17 anos que nunca tinham recebido tratamento para AME e que conseguiam sentar, mas nunca andaram sozinhos. Foram avaliados 126 participantes por cerca de um ano, comparando a aplicação a um procedimento simulado.

A função motora é medida por uma escala de 66 pontos, a HFMSE. O grupo tratado melhorou 2,39 pontos, contra 0,51 no grupo de comparação, segundo a NeurologyLive. É um ganho modesto em números, mas a expectativa natural da doença é de perda, e não de ganho.

Um segundo estudo, o STRENGTH, incluiu pacientes que já tinham usado Spinraza ou Evrysdi, segundo o comunicado da fabricante. Ele serviu principalmente para avaliar a segurança.

Quais os riscos do tratamento?

A bula americana traz alerta destacado de lesão grave no fígado. O paciente passa por exames antes da aplicação, usa corticoide antes e depois dela e é monitorado por pelo menos 3 meses.

A bula também lista queda de plaquetas, neuropatia sensitiva periférica, microangiopatia trombótica e aumento de troponina, um marcador do coração. Os efeitos mais comuns foram infecção respiratória alta, febre e dor de cabeça.

Há ainda uma restrição importante: quem já recebeu o Zolgensma não deve receber o Itvisma. A decisão sobre o tratamento cabe sempre ao neurologista, e as informações desta página não substituem a orientação médica.

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Quanto custa o Itvisma?

Nos Estados Unidos, o preço de lista é de US$ 2,59 milhões por dose, contra US$ 2,1 milhões do Zolgensma, segundo o Pharmaphorum. A mesma fonte noticiou a aprovação na União Europeia em julho de 2026.

No Brasil, não há preço, porque não há registro. O valor explica por que o tema acompanha a discussão sobre medicamentos de alto custo.

O Itvisma já chegou ao Brasil?

Ainda não. Em 2 de novembro de 2026, a busca nas bases oficiais da Anvisa e do Diário Oficial da União não trouxe registro do Itvisma. Também não localizamos avaliação da Conitec para o SUS.

O caminho habitual é este: a fabricante protocola o pedido, a Anvisa avalia a eficácia e a segurança e, se aprovar, o preço máximo é definido antes da venda. Não há previsão pública de quando isso acontecerá.

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Situação em 2 de novembro de 2026: aprovado pelo FDA nos Estados Unidos; sem registro na Anvisa; não consta do Rol da ANS, que prevê o onasemnogeno apenas na forma da diretriz nº 159; sem cobertura obrigatória pelos planos de saúde no Brasil.

Esta página será atualizada quando houver mudança no status regulatório do medicamento no Brasil.

É possível importar o Itvisma?

A legislação sanitária permite que uma pessoa física importe medicamento para o próprio tratamento, com receita e acompanhamento médico, seguindo as regras de importação da Anvisa.

Na prática, a via é muito difícil para uma terapia gênica. Além do custo, ela exige centro preparado para a aplicação e para o monitoramento, e a responsabilidade pelo uso de um produto sem avaliação da Anvisa recai sobre o médico e o paciente.

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O plano de saúde é obrigado a cobrir medicamento sem registro na Anvisa?

Em regra, não. O Superior Tribunal de Justiça fixou no Tema 990 o entendimento de que as operadoras não estão obrigadas a fornecer medicamento sem registro na Anvisa.

O registro também é um dos requisitos exigidos pelo Supremo Tribunal Federal para obrigar o plano a custear tratamento fora do Rol. Por isso, enquanto o Itvisma não tiver registro brasileiro, a negativa do plano tende a ser considerada legítima.

O registro do Zolgensma não resolve a questão. São produtos com via de aplicação, dose e público diferentes, e a autorização de um não alcança o outro.

O Rol da ANS cobre terapia gênica para AME?

Sim, mas de forma limitada. A Diretriz de Utilização nº 159 do Anexo II do Rol, atualizado até a RN nº 681/2026, garante o onasemnogeno para pacientes com até 6 meses de idade, com AME tipo I e fora de ventilação mecânica invasiva acima de 16 horas por dia.

O público do Itvisma começa aos 2 anos. Portanto, essa diretriz não o alcança.

O que muda quando o Itvisma tiver registro na Anvisa?

O Tema 990 deixa de ser o obstáculo. A discussão passa a seguir o caminho da cobertura de tratamento fora do Rol, pelos critérios da ADI 7.265, julgada pelo Supremo em setembro de 2025. O Rol é taxativo, mas comporta exceções quando estão presentes, ao mesmo tempo:

  • Prescrição por médico habilitado que acompanha o paciente;
  • Inexistência de negativa expressa da ANS ou de análise pendente de incorporação;
  • Ausência de alternativa terapêutica adequada já prevista no Rol;
  • Eficácia e segurança comprovadas por evidências científicas de alto nível;
  • Registro na Anvisa.

Como a aplicação é feita por profissional, em serviço de saúde, a exclusão do remédio de uso domiciliar tende a não ser o centro da discussão. A forma de aplicação no Brasil só será conhecida com a bula brasileira.

Os pontos sensíveis devem ser outros: a escolha entre terapias, sobretudo para quem já usa Spinraza ou Evrysdi, e a força do ganho motor medido no estudo. O relatório do neurologista será a peça central.

O Itvisma em resumo

Item Situação em novembro de 2026
Aprovação nos EUA 24 de novembro de 2025
Indicação nos EUA AME a partir de 2 anos, com mutação confirmada no gene SMN1
Forma de uso Dose única, fixa, injetada no líquido da coluna
Preço de lista nos EUA US$ 2,59 milhões
Registro na Anvisa Ainda não
Cobertura pelo plano de saúde Não obrigatória enquanto não houver registro

Perguntas frequentes

Hoje, em regra, não. O Itvisma não tem registro na Anvisa, e o Tema 990 do STJ afasta a obrigação de fornecer medicamento sem registro. Com o registro, a discussão muda e passa a seguir os requisitos da ADI 7.265 do STF.

Não. Embora a substância seja a mesma, são produtos com via de aplicação, dose e público diferentes. A autorização de um não alcança o outro.

Segundo a bula americana, pacientes já tratados com o Zolgensma não devem receber o Itvisma. A avaliação do caso cabe ao neurologista.

O estudo STRENGTH incluiu pacientes que já tinham usado esses medicamentos, com intervalo definido antes da aplicação. A decisão é médica, e no Brasil depende primeiro do registro na Anvisa.

Não há previsão pública. Em 2 de novembro de 2026, não localizamos registro na Anvisa. Esta página será atualizada quando a situação mudar.

Nos Estados Unidos, o preço de lista noticiado é de US$ 2,59 milhões por dose. No Brasil, ainda não há preço, porque não há registro.

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Este conteúdo integra o panorama do Observatório Rosenbaum de Planos de Saúde, levantamento de mais de 52 mil decisões públicas do TJSP sobre planos de saúde.

Leo Rosenbaum

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