Xalkori® será fornecido pela Amil, decide Justiça
Home / Artigos e Noticias / Tratamento com Xalkori® (Crizotinibe) tem cobertura pela Amil garantida judicialmente

Tratamento com Xalkori® (Crizotinibe) tem cobertura pela Amil garantida judicialmente

Decisões Favoráveis, Direito à Saúde, Remédio
Amil cobre Xalkori® (Crizotinibe)
Publicado: dezembro 21, 2024 Atualizado: abril 24, 2026
Tempo estimado de leitura: 9 minutos

Uma recente decisão judicial do Tribunal de Justiça de São Paulo trouxe alívio e esperança a uma paciente da Amil, diagnosticada com adenocarcinoma de pulmão em estágio avançado.

O processo envolveu a operadora de saúde Amil, que havia se recusado a custear o medicamento Xalkori® (Crizotinibe), fundamental para o tratamento da doença.

Essa negativa, embora comum em casos de tratamentos caros ou complexos, gerou grande preocupação sobre os direitos dos consumidores frente a abusividades de planos de saúde, especialmente em situações críticas de saúde.

A paciente enfrentava um quadro de grande complexidade, com a doença já em estágio avançado e disseminado em órgãos vitais, como os linfonodos e a pleura.

Diante da necessidade de iniciar rapidamente o tratamento com medicamentos específicos e de eficácia comprovada, como o Xalkori® (Crizotinibe) e o Tepotinibe, ela foi surpreendida pela negativa da Amil, que alegou a ausência desses fármacos no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e o fato de serem utilizados em ambiente domiciliar.

Essa postura criou um entrave para a continuidade do tratamento, colocando em risco a saúde e a vida da paciente.

A negativa de Xalkori® (Crizotinibe) e os efeitos na saúde do paciente

A recusa de cobertura por parte da Amil não se baseou apenas em aspectos financeiros, mas também em interpretações restritivas do contrato e do rol da ANS. Esse rol é utilizado por muitos planos de saúde como justificativa para negar tratamentos considerados “fora do padrão” ou “experimentais”.

Desde o julgamento da ADI 7.265 pelo Supremo Tribunal Federal, em setembro de 2025, o rol da ANS é taxativo com exceções: admite-se a cobertura de procedimentos e medicamentos não listados quando preenchidos requisitos cumulativos. O STJ, no Tema 990, também reforça que medicamentos com registro na Anvisa têm cobertura obrigatória, inclusive para uso off-label, quando há prescrição médica fundamentada.

Os cinco requisitos cumulativos definidos pela ADI 7.265 são: (i) prescrição médica fundamentada; (ii) inexistência de alternativa terapêutica no rol; (iii) comprovação científica de eficácia e segurança; (iv) ausência de negativa expressa da ANS para a incorporação; e (v) registro na Anvisa. Quando esses critérios estão presentes, a negativa de cobertura tem sido considerada abusiva pela jurisprudência.

A paciente, que já lidava com os desafios físicos e emocionais impostos pela doença, teve que enfrentar ainda mais um obstáculo: a insegurança sobre a continuidade do tratamento e a angústia gerada pela demora na obtenção dos medicamentos necessários.

Essa situação destacou a importância de se combater práticas abusivas e de garantir que os beneficiários tenham acesso aos meios mais eficazes para preservar sua saúde, independentemente de interpretações contratuais restritivas.

A decisão judicial: um marco para os direitos dos consumidores

O Tribunal de Justiça de São Paulo foi categórico ao afirmar que a negativa da Amil configurava uma prática abusiva, violando direitos básicos garantidos pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC). A decisão judicial reafirmou que:

  1. O Código de Defesa do Consumidor protege os beneficiários contra práticas abusivas. Cláusulas contratuais que excluem tratamentos fundamentais para a saúde são consideradas nulas, pois comprometem a finalidade principal do contrato: a preservação da saúde do paciente.
  2. A escolha do tratamento cabe ao médico assistente. O tribunal enfatizou que somente os médicos, com base em critérios técnicos e científicos, estão aptos a determinar o tratamento mais adequado para cada caso, independentemente de ele constar ou não no rol da ANS. Essa questão é reforçada em ações envolvendo tratamentos off-label.
  3. Medicamentos como o Xalkori® (Crizotinibe), desde que registrados na Anvisa, devem ser custeados. A decisão pontuou que a destinação domiciliar do medicamento ou sua ausência no rol da ANS não são justificativas válidas para a negativa.

Essa interpretação jurídica segue a jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça (STJ), que reconhece o natureza taxativa mitigada do Rol (ADI 7.265/STF) da ANS e a abusividade de cláusulas que restringem indevidamente o acesso a tratamentos prescritos.

O impacto financeiro e a reparação moral

Além de determinar o custeio integral dos medicamentos, a Justiça condenou a Amil ao ressarcimento de valores desembolsados pela paciente para a compra dos remédios. Foi imposto também o pagamento de uma indenização por danos morais no valor de R$10.000,00, justificada pelo sofrimento emocional causado pela negativa.

Segundo o tribunal, a conduta da operadora transcendeu o mero aborrecimento cotidiano, provocando angústia e colocando em risco a continuidade do tratamento. Esse tipo de situação não pode ser ignorado, já que compromete tanto a saúde física quanto o equilíbrio psicológico do paciente. Para pacientes que enfrentam dificuldades semelhantes, é essencial conhecer os direitos de quem luta contra o câncer nos planos de saúde.

Além disso, a decisão considerou que a negativa injustificada da cobertura configura, por si só, uma violação contratual grave. Essa postura reforça o entendimento de que danos morais podem ser presumidos (in re ipsa) em casos de negativa de cobertura em situações de urgência.

A importância da assessoria jurídica especializada

Casos como o julgado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo reforçam a importância de buscar orientação jurídica em situações de negativa de cobertura de tratamentos de saúde. Com o suporte adequado, pacientes podem garantir seus direitos e acessar tratamentos prescritos por seus médicos, mesmo quando enfrentam resistência das operadoras.

A contratação de um advogado especializado em plano de saúde é um passo recomendável para assegurar o cumprimento das garantias legais e o acesso ao tratamento adequado.

A atuação de advogados especializados em negativas de cobertura é crucial para reverter essas situações. Além disso, é fundamental entender que medicamentos e tratamentos podem ser custeados mesmo fora do rol da ANS, desde que devidamente registrados e prescritos.

Importante: em setembro de 2025, o Supremo Tribunal Federal julgou a ADI 7.265 e definiu que o Rol da ANS é taxativo, mas admite exceções quando preenchidos cinco requisitos cumulativos: (i) prescrição médica fundamentada; (ii) ausência de negativa expressa da ANS para a incorporação; (iii) inexistência de alternativa terapêutica no Rol; (iv) comprovação científica de eficácia e segurança; e (v) registro na Anvisa. Além disso, o Tema 990 do STJ consolidou que medicamentos com registro na Anvisa podem ter cobertura obrigatória, inclusive para uso off-label, quando há evidência clínica.

Essa decisão também destaca os direitos de pacientes com câncer, que frequentemente enfrentam obstáculos para acessar terapias inovadoras.

Conclusão: um precedente importante na luta pelos direitos do paciente

O caso envolvendo o Xalkori® (Crizotinibe) e a Amil não apenas garantiu o tratamento de uma paciente em situação delicada, mas também reafirmou o entendimento jurídico de que planos de saúde devem atuar em conformidade com o Código de Defesa do Consumidor e as determinações da Anvisa.

Decisões como essa representam um marco na luta por direitos dos consumidores, mostrando que práticas abusivas podem e devem ser combatidas judicialmente. Pacientes que enfrentam negativas de cobertura, especialmente em casos graves, devem buscar apoio jurídico para proteger sua saúde e dignidade.

Para mais informações sobre o que fazer em situações semelhantes, consulte conteúdos sobre liminares judiciais para tratamentos de saúde e os efeitos das decisões que garantem o acesso a medicamentos essenciais.

Este processo (nº 1001800-39.2021.8.26.0704), julgado em 22 de agosto de 2022 pela juíza Luciane Cristina Silva Tavares, reforça a responsabilidade das operadoras em fornecer tratamentos atualizados e eficazes, conforme prescrição médica. Apesar de ainda caber recurso, a decisão traz um importante precedente no combate às práticas abusivas das operadoras de saúde.


Saiba mais sobre medicamentos de alto custo

Se o seu plano de saúde negou a cobertura de um medicamento essencial, saiba que a Justiça está do seu lado. Consulte nossos guias completos:

Medicamentos relacionados

Conheça outros medicamentos com situação semelhante nos planos de saúde:

Conheça também seus direitos:

Perguntas frequentes sobre Tratamento com Xalkori (Crizotinibe) e plano de saúde

O plano de saúde Amil pode negar Xalkori crizotinibe para adenocarcinoma de pulmão?
A negativa de medicamentos não inclusos no Rol da ANS pode configurar abusividade, especialmente em tratamentos oncológicos comprovadamente eficazes. Decisões judiciais têm reconhecido o direito à cobertura quando há indicação médica e necessidade terapêutica, conforme entendimentos do STJ (Tema 990) sobre direitos dos consumidores frente a recusas injustificadas.
Quanto custa o Xalkori crizotinibe sem plano de saúde na farmácia?
O custo mensal do Xalkori pode variar entre R$ 15.000 e R$ 25.000, dependendo da dosagem e fornecedor, tornando o acesso direto financeiramente inviável para a maioria dos pacientes. Existem programas de assistência ao paciente dos laboratórios que podem viabilizar o tratamento sem custo direto.
Como conseguir autorização do plano de saúde para Xalkori crizotinibe?
O paciente deve solicitar formalmente à operadora com relatório médico detalhado, laudo patológico e justificativa clínica da necessidade. Caso haja negativa, é possível recorrer administrativamente ou buscar tutela judicial de urgência para garantir o acesso imediato ao medicamento durante o processo.
Adenocarcinoma de pulmão ALK positivo tem tratamento com Xalkori?
O Xalkori (crizotinibe) é indicado para adenocarcinoma de pulmão com mutação ALK positiva em estágios avançados, sendo considerado tratamento padrão-ouro para essa população. A confirmação diagnóstica por teste de mutação ALK é fundamental para a prescrição médica adequada.
Como funciona a liminar para conseguir Xalkori do plano de saúde?
A tutela de urgência pode ser requerida na ação civil contra a operadora, buscando obrigar o fornecimento imediato do medicamento enquanto o processo segue. O juiz analisa o risco ao direito e a probabilidade de abusividade contratual, podendo deferir a medida sem aguardar o julgamento final.

Veja também: Medicamentos oncológicos negados pelo plano | Guia completo sobre medicamentos de alto custo negados pelo plano de saúde.

Leo Rosenbaum

MAIS ARTIGOS

Nossa reputação é de excelência em serviços jurídicos

Avaliação dos clientes
ROSENBAUM ADVOGADOS

Fale com a nossa equipe de especialistas, e dê o primeiro passo rumo à solução dos seus desafios.

FALE CONOSCO
Shares