Mavenclad pelo Plano de Saúde: Garantir Cobertura
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Mavenclad (Cladribina) negado pelo plano? Seus direitos

Direito à Saúde, Remédio
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Publicado: março 13, 2023 Atualizado: maio 14, 2026
Tempo estimado de leitura: 5 minutos

O Mavenclad® (princípio ativo cladribina em formulação oral) é um medicamento para esclerose múltipla remitente-recorrente com uma proposta radicalmente diferente das outras opções: tratar por apenas 2 cursos curtos ao longo da vida.

Diferente das DMTs convencionais (Ocrevus a cada 6 meses, Kesimpta mensal, Tysabri mensal, Tecfidera duas vezes ao dia), o paciente do Mavenclad toma o medicamento por poucos dias em dois anos e fica sem terapia ativa o resto do tempo.

Custo do tratamento completo (2 cursos) entre R$ 280 mil e R$ 400 mil. Aparentemente caro, mas significativamente menor que 10 anos de Ocrevus, Kesimpta ou Tysabri. O plano de saúde frequentemente nega — não pela escala financeira, mas pela natureza inusitada do esquema.

IRT: o conceito de “reiniciar o sistema imune”

A esclerose múltipla é uma doença autoimune — linfócitos T e B atacam a mielina. As DMTs clássicas funcionam suprimindo continuamente a atividade desses linfócitos. Para frear a doença, o paciente precisa do medicamento ativo o tempo todo.

O Mavenclad usa uma abordagem completamente diferente: terapia de reconstituição imune (IRT, Immune Reconstitution Therapy).

Em vez de suprimir continuamente, a cladribina elimina seletivamente os linfócitos autorreativos em uma “depleção pulsada”, deixando o sistema imune se reconstituir naturalmente nos meses seguintes.

O sistema imune novo, reconstituído, deixa de ter a memória autorreativa. O paciente fica em remissão prolongada — mesmo sem medicamento ativo. Não é cura, mas é um “reset” terapêutico que pode durar anos.

O esquema: 8-10 comprimidos em 2 anos. Só.

O regime do Mavenclad é peculiar. Ano 1: 2 “ciclos” de 4 a 5 dias separados por aproximadamente 1 mês — total de 8 a 10 comprimidos. Ano 2: repete o mesmo esquema.

Depois desses 2 anos, o paciente está em uma “janela terapêutica de eficácia” de aproximadamente 4 anos sem necessidade de outra DMT, conforme dados do estudo CLARITY estendido.

Se a doença permanecer ativa após esse período, opções incluem repetir o tratamento (em alguns casos, sob critérios específicos) ou trocar para outra DMT. Mas a maioria dos pacientes mantém estabilidade clínica e radiológica.

Linfopenia: o efeito que precisa ser monitorado de perto

Para que a cladribina elimine linfócitos autorreativos, ela reduz transitoriamente a contagem total de linfócitos. Em alguns pacientes, essa redução é severa — abaixo de 500 células/μL.

Por isso, o protocolo exige hemograma antes do início, 2 meses após cada ciclo, e periodicamente nos meses seguintes. O segundo ciclo do ano só é dado se a contagem de linfócitos atingiu níveis adequados.

Outros efeitos relevantes: cefaleia, náuseas, infecções (principalmente herpes-zóster pela linfopenia), e potencial risco aumentado de malignidades em longo prazo — embora os dados pós-comercialização não tenham confirmado esse sinal observado em estudos iniciais.

Preço, conceito e o desafio da cobertura inusitada

O Mavenclad é vendido em comprimidos de 10 mg. A dose total é calculada pelo peso do paciente (3,5 mg/kg ao longo dos 2 anos, dividido em ciclos).

Caixas com 1, 4, 6 ou 7 comprimidos custam tipicamente entre R$ 35 mil e R$ 80 mil cada. O tratamento completo (8 a 10 comprimidos por ano, em 2 anos) totaliza entre R$ 280 mil e R$ 400 mil.

Aparentemente um valor alto. Mas comparativamente: Ocrevus custa R$ 50-60 mil por infusão (2 por ano), o que em 5 anos passa de R$ 500 mil. Kesimpta em 5 anos passa de R$ 700 mil.

Como medicamento de alto custo, o Mavenclad é alvo frequente de negativa — frequentemente justificada pela natureza inusitada do esquema (“é caro de uma vez”) sem comparação com o custo cumulativo de DMTs contínuas.

Cobertura, DUT e o argumento da continuidade

A cladribina oral está no Rol da ANS para esclerose múltipla remitente-recorrente, com critérios das Diretrizes de Utilização (DUT).

As negativas frequentes envolvem: uso em primeira linha, uso em formas progressivas da doença, e questionamento da cobertura do segundo ciclo anual.

Em situações fora dos critérios estritos do Rol, vale a ADI 7.265 do STF (setembro de 2025). A defesa pode invocar contraindicações ou intolerância a outras DMTs, ou preferência clínica fundamentada pelo conceito de IRT.

Caminho prático e o cronograma comprimido

Primeiro: negativa por escrito, com justificativa e protocolo.

Segundo: relatório neurológico — diagnóstico de EM (CID), EDSS atual, ressonância recente com lesões T2/T1 gadolínio, número e tipo de surtos, DMTs anteriores e motivos de falha/intolerância, prescrição com cronograma detalhado dos 2 anos.

O fator urgência tem peso particular no Mavenclad — uma vez começado o primeiro ciclo, qualquer atraso no segundo ciclo (do mesmo ano ou do ano seguinte) compromete o conceito de IRT. Em EM com atividade clínica ou radiológica, a tutela de urgência tem peso.

Veja o guia geral sobre o que fazer quando o plano nega medicamento e os hubs paralelos: Ocrevus, Kesimpta, Tysabri, Tecfidera, Lemtrada.

O plano de saúde é obrigado a cobrir o Mavenclad?
Sim. O Mavenclad (cladribina oral) está no Rol da ANS para esclerose múltipla remitente-recorrente, com critérios da DUT. Para situações específicas (uso em primeira linha, formas progressivas, segundo ciclo do tratamento), a cobertura também pode ser exigida com base na ADI 7.265 do STF: prescrição médica fundamentada, ausência de alternativa equivalente, registro Anvisa e comprovação científica.
O que é IRT (Immune Reconstitution Therapy)?
IRT significa “terapia de reconstituição imune” — uma abordagem radicalmente diferente das DMTs convencionais. Em vez de suprimir continuamente o sistema imune (como Ocrevus, Kesimpta, Tecfidera), a cladribina elimina seletivamente os linfócitos autorreativos em uma “depleção pulsada”, deixando o sistema imune se reconstituir naturalmente. O sistema imune novo deixa de ter a memória autorreativa, e o paciente fica em remissão prolongada — mesmo sem medicamento ativo. Não é cura, mas é um “reset” terapêutico que pode durar anos. Lemtrada (alemtuzumabe) usa um conceito semelhante de IRT.
Como é o esquema do Mavenclad?
Ano 1: 2 ciclos curtos (cada um de 4-5 dias) separados por aproximadamente 1 mês — total de 8-10 comprimidos. Ano 2: repete o mesmo esquema. Depois disso, o paciente fica em janela terapêutica de aproximadamente 4 anos sem necessidade de outra DMT, conforme dados do estudo CLARITY estendido. Se a doença permanecer ativa após esse período, pode-se considerar repetir o tratamento ou trocar para outra DMT.
O Mavenclad cura a esclerose múltipla?
Não. O Mavenclad mantém a doença em remissão prolongada — mas não cura. O conceito de IRT é “resetar” o sistema imune de modo que a memória autorreativa seja eliminada e a doença fique inativa por anos. A maioria dos pacientes mantém estabilidade clínica e radiológica após os 2 anos de tratamento. Mas a EM pode reativar; o acompanhamento neurológico continua sendo necessário, com ressonâncias periódicas.
Quanto custa o tratamento completo com Mavenclad?
O tratamento completo (2 cursos ao longo de 2 anos) totaliza entre R$ 280 mil e R$ 400 mil em 2026. Aparentemente um valor alto. Mas comparativamente: Ocrevus em 5 anos passa de R$ 500 mil; Kesimpta em 5 anos passa de R$ 700 mil. O Mavenclad pode ser uma opção economicamente mais favorável em longo prazo, com a vantagem de não exigir aderência crônica diária ou mensal.
O Mavenclad pode causar câncer?
Estudos iniciais observaram um sinal de aumento potencial de malignidades em pacientes tratados com cladribina, o que levou a alguns alertas regulatórios. Mas os dados pós-comercialização — em uso clínico amplo — não confirmaram esse sinal de forma consistente. O risco, se existir, é considerado pequeno. O acompanhamento exige rastreio oncológico regular conforme a idade do paciente. A decisão de iniciar Mavenclad envolve avaliação individualizada do balanço risco-benefício.
O plano pode trocar Mavenclad por outra DMT contínua?
Não unilateralmente. Mavenclad e DMTs contínuas (Ocrevus, Kesimpta, Tecfidera, Tysabri) têm mecanismos completamente diferentes (IRT vs supressão contínua). A escolha cabe ao neurologista assistente, considerando perfil do paciente, comorbidades, aderência potencial, preferências e custo cumulativo. Quando o médico justifica clinicamente a escolha pelo Mavenclad (intolerância prévia, conceito de IRT, dificuldade de aderência contínua), a substituição imposta pelo plano pode ser considerada abusiva.

Mais informações

Se você passou por uma negativa de cobertura do Mavenclad ou tem dúvidas sobre o caminho a seguir, pode entrar em contato com a Rosenbaum Advogados para que a sua situação seja analisada.

Leo Rosenbaum

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