Kesimpta: Ofatumumabe pelo Plano de Saúde - Direitos
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Kesimpta (Ofatumumabe) negado pelo plano? Seus direitos

Direito à Saúde, Remédio
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Publicado: junho 26, 2022 Atualizado: maio 12, 2026
Tempo estimado de leitura: 5 minutos

O Kesimpta® (princípio ativo ofatumumabe) é um medicamento biológico injetável aplicado em casa, uma vez por mês, indicado para esclerose múltipla recorrente.

Pertence à classe dos anti-CD20, a mesma do Ocrevus — mas com diferença prática decisiva: aplicação subcutânea autoadministrável, em vez de infusão hospitalar.

Cada caneta autoinjetora custa entre R$ 8 mil e R$ 14 mil. Quando o plano de saúde nega a cobertura, a Justiça tem reconhecido o direito do paciente, especialmente em pacientes com alta atividade da doença ou perfil que se beneficia da via SC.

Kesimpta e Ocrevus: a escolha entre SC mensal em casa ou IV semestral em clínica

Os dois medicamentos são anti-CD20: agem ligando-se à mesma proteína presente nos linfócitos B (CD20) e reduzindo a atividade dessas células no sistema nervoso. Ambos foram aprovados para esclerose múltipla recorrente.

A diferença está na via de administração e na rotina. O Ocrevus é infusão intravenosa em ambiente clínico ou hospitalar, com duração de horas, aplicada a cada 6 meses.

O Kesimpta é caneta autoinjetora subcutânea, aplicada pelo próprio paciente em casa, uma vez por mês. Cada aplicação leva poucos minutos, sem necessidade de deslocamento, pré-medicação ou observação clínica.

Para muitos pacientes, essa diferença pesa: autonomia, menor disrupção da rotina, possibilidade de viajar sem preocupações com infusão agendada. A escolha entre os dois cabe ao neurologista, considerando o perfil clínico e a preferência do paciente.

Como o ofatumumabe age na esclerose múltipla

A esclerose múltipla recorrente é uma doença em que o sistema imunológico ataca a bainha de mielina dos nervos. Linfócitos B desempenham papel central nesse ataque.

O ofatumumabe é um anticorpo monoclonal anti-CD20: ele se liga aos linfócitos B e os elimina temporariamente da circulação. Ao reduzir essas células de defesa, o medicamento diminui drasticamente os surtos e a atividade inflamatória vista nas ressonâncias.

Diferentemente do Ocrevus (que entra por veia em grande volume), a dose do Kesimpta é pequena e direcionada ao sistema linfático regional via subcutânea — chega gradualmente ao sangue, com efeito mantido pela aplicação mensal.

Quanto custa o Kesimpta no Brasil

O Kesimpta é vendido em caneta autoinjetora preenchida de 20 mg. As cotações em 2026 ficam entre R$ 8 mil e R$ 14 mil por caneta.

O esquema padrão prevê 3 doses iniciais semanais (semanas 0, 1 e 2) — fase de indução — seguidas de manutenção com uma aplicação por mês, indefinidamente.

No primeiro ano, são 14 aplicações (3 iniciais + 11 mensais). Nos anos seguintes, 12 aplicações por ano. O custo anual em manutenção fica em torno de R$ 100 mil a R$ 170 mil.

Como medicamento de alto custo, o Kesimpta é alvo recorrente de negativa — em especial quando os planos tentam impor a alternativa intravenosa por menor custo de oportunidade.

Cobertura: Rol da ANS, DUT e o argumento da escolha terapêutica

O ofatumumabe está no Rol da ANS para esclerose múltipla recorrente, com critérios das Diretrizes de Utilização (DUT) — em geral exigindo confirmação diagnóstica, atividade da doença e, em algumas situações, falha de outros tratamentos modificadores.

As negativas mais comuns acontecem em três pontos: discussão sobre falha de tratamentos prévios, tentativa de impor o Ocrevus ou outro biológico mais barato, ou restrição inicial baseada na novidade do medicamento.

Para situações fora dos critérios estritos do Rol, vale a ADI 7.265 do STF (setembro de 2025): cobertura possível mediante prescrição fundamentada, ausência de alternativa equivalente, registro Anvisa e evidência científica.

Pode o plano me obrigar a fazer Ocrevus em vez de Kesimpta?

A pergunta é frequente. A resposta: não unilateralmente. Apesar de ambos serem anti-CD20, têm vias, rotinas e perfis distintos.

O Kesimpta sustenta a escolha clínica em vários cenários: pacientes com dificuldade de acesso a centros de infusão, agenda incompatível com infusões semestrais ou preferência clara pela autoaplicação.

Há ainda pacientes que se beneficiam clinicamente de um efeito distribuído ao longo do tempo, próprio da via SC mensal.

Quando o neurologista justifica clinicamente a escolha pelo Kesimpta, a imposição pelo plano de troca por Ocrevus pode ser considerada abusiva. A jurisprudência tem sido sensível a esse argumento.

Tutela de urgência, caminho prático e jurisprudência

Primeiro passo: negativa por escrito, com justificativa e protocolo. Segundo: relatório neurológico detalhado — forma da esclerose múltipla (CID), surtos documentados, achados de ressonância, EDSS, tratamentos anteriores, justificativa para o Kesimpta especificamente.

Em esclerose múltipla com atividade, o atraso pode permitir novos surtos e dano neurológico permanente. A tutela de urgência (liminar) costuma ser pedido procedente nesses casos quando a documentação está completa.

A jurisprudência sobre os anti-CD20 em esclerose múltipla é favorável. O Tema 990 do STJ ampara a cobertura inclusive em uso off-label com base científica.

Decisões em Ocrevus e em outros biológicos para EM — como o Tysabri — confirmam o entendimento. Veja o guia geral sobre o que fazer quando o plano nega medicamento.

O plano de saúde é obrigado a cobrir o Kesimpta?
Sim, quando há prescrição médica e a indicação está prevista no Rol da ANS (esclerose múltipla recorrente, com critérios da DUT cumpridos). Para situações fora dos critérios estritos, a cobertura também pode ser exigida com base na ADI 7.265 do STF: prescrição médica fundamentada, ausência de alternativa equivalente, registro Anvisa e comprovação científica.
O plano pode me obrigar a usar Ocrevus em vez de Kesimpta?
Não unilateralmente. Apesar de ambos serem anti-CD20, têm vias e rotinas distintas. Quando o neurologista justifica clinicamente a escolha pelo Kesimpta (autonomia da autoaplicação SC, dificuldade de acesso a centros de infusão, perfil de paciente, preferência informada), a substituição imposta pelo plano pode ser considerada abusiva.
Quanto custa o tratamento anual com Kesimpta?
Com caneta custando entre R$ 8 mil e R$ 14 mil em 2026, o primeiro ano (com 3 doses iniciais semanais mais 11 mensais) consome 14 aplicações. Nos anos seguintes, 12 aplicações anuais. O custo anual em manutenção fica em torno de R$ 100 mil a R$ 170 mil.
Posso aplicar o Kesimpta em casa?
Sim. A apresentação em caneta autoinjetora foi desenvolvida para autoaplicação subcutânea, em coxa ou abdômen, depois de treinamento curto. Cada aplicação dura poucos minutos. Nas primeiras doses, a aplicação pode ser supervisionada por enfermeiro para garantir a técnica. A partir daí, o paciente segue em casa.
O Kesimpta pelo SUS é diferente do oferecido pelo plano?
O princípio ativo é o mesmo (ofatumumabe). O acesso pelo SUS depende do Protocolo Clínico do Ministério da Saúde para esclerose múltipla, com critérios próprios. É um caminho independente do plano de saúde.
Posso pausar o Kesimpta se a doença ficar estável?
Não por conta própria. A interrupção pode permitir reativação dos linfócitos B e retorno da atividade da doença. Qualquer pausa ou descontinuação precisa ser planejada com o neurologista, com avaliação dos riscos e plano de monitoramento.
Quanto tempo demora uma decisão judicial sobre Kesimpta?
O prazo varia conforme o tribunal, a comarca e a forma como o pedido é instruído. Casos com documentação completa (negativa por escrito, relatório neurológico detalhado, ressonância, descrição de surtos) costumam receber análise da tutela de urgência em prazo razoável, mas nenhum advogado pode garantir tempo específico.

Mais informações

Se você passou por uma negativa de cobertura do Kesimpta ou tem dúvidas sobre o caminho a seguir, pode entrar em contato com a Rosenbaum Advogados para que a sua situação seja analisada.

Leo Rosenbaum

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