
O Skyrizi® (princípio ativo risanquizumabe) é um medicamento biológico injetável indicado para psoríase em placas moderada a grave, artrite psoriásica e, mais recentemente, doença de Crohn moderada a grave.
É um anti-IL-23, classe que disputa espaço com o Stelara (anti-IL-12/23) e o Tremfya (também anti-IL-23). Cada caneta custa entre R$ 12 mil e R$ 20 mil, com aplicações a cada 12 semanas na manutenção.
Quando o plano nega a cobertura, a Justiça tem reconhecido o direito do paciente — em especial quando há prescrição médica fundamentada e indicação coerente com a evolução do tratamento.
Tremfya, Stelara, Skyrizi: por que o médico escolhe um anti-IL-23 específico
Os três medicamentos são da família dos biológicos que bloqueiam interleucinas-23, mas têm sutilezas que justificam escolhas diferentes.
O Stelara (ustequinumabe) bloqueia tanto IL-12 quanto IL-23. É o mais antigo da família e tem histórico longo de uso em Crohn.
O Tremfya (guselcumabe) bloqueia apenas IL-23, com administração a cada 8 semanas após indução. É frequentemente escolhido em psoríase grave ou artrite psoriásica.
O Skyrizi também é anti-IL-23 seletivo, mas tem manutenção a cada 12 semanas — o intervalo mais longo entre os biológicos para psoríase. Essa frequência é decisiva na adesão de muitos pacientes.
Quanto custa o Skyrizi e como funcionam as aplicações
O Skyrizi é vendido em caneta autoinjetora ou seringa preenchida de 150 mg. As cotações em 2026 ficam entre R$ 12 mil e R$ 20 mil por unidade.
O esquema padrão na psoríase prevê aplicação subcutânea nas semanas 0 e 4, depois a cada 12 semanas. Cada dose usa uma caneta. Em manutenção, são 4 aplicações por ano.
No Crohn, o protocolo muda: indução por infusão intravenosa em 3 doses, depois manutenção subcutânea a cada 8 semanas. O custo anual em ambos os cenários pode ultrapassar R$ 80 mil.
Por se tratar de um medicamento de alto custo, o Skyrizi entra na lista de negativas frequentes das operadoras.
Cobertura: o que diz o Rol e onde estão os atritos
O risanquizumabe está no Rol da ANS para psoríase em placas, com critérios das Diretrizes de Utilização (DUT) — em geral exigindo falha de tratamentos sistêmicos convencionais e, em alguns casos, de outro biológico.
Para artrite psoriásica e Crohn, a inclusão é mais recente e nem sempre alinhada com as DUTs vigentes. É nesses pontos que ocorrem mais negativas.
Quando o paciente está fora dos critérios estritos, vale a regra da ADI 7.265 do STF (setembro de 2025): a cobertura fora do Rol da ANS pode ser exigida mediante prescrição fundamentada, ausência de alternativa equivalente, registro Anvisa e evidência científica.
Negativas comuns e como rebater cada uma
Os planos costumam recusar com três justificativas — todas com resposta clara.
“Falta tentar outro biológico antes”. A DUT pode exigir falha de anti-TNF. O relatório precisa documentar tentativas anteriores ou contraindicação clínica a essas opções.
“Existe alternativa no Rol”. Plano sugere Tremfya ou Stelara. Quando o médico justifica clinicamente a escolha pelo Skyrizi (intervalo de 12 semanas, perfil do paciente, evidência específica), a substituição imposta pode ser considerada abusiva.
“Indicação fora do Rol”. Comum em Crohn. Após a ADI 7.265, perde força quando os critérios cumulativos estão atendidos.
Caminho prático em caso de negativa
A primeira providência é obter a negativa por escrito, com justificativa e protocolo — sem esse documento, qualquer ação posterior fica difícil de instruir.
Em paralelo, é importante pedir ao dermatologista, reumatologista ou gastroenterologista um relatório detalhado: diagnóstico (com CID), gravidade (PASI, DAS28, atividade de Crohn), tratamentos anteriores e resposta, e justificativa para o Skyrizi.
Vale registrar reclamação na ANS — o prazo médio de resposta é de 10 dias úteis. Em parte dos casos, a operadora reavalia. Se a negativa persistir, o caminho é a ação judicial. Veja o guia geral sobre o que fazer quando o plano nega medicamento.
Tutela de urgência e como os tribunais têm decidido
A tutela de urgência (liminar) é o pedido feito ao juiz para que o plano forneça o Skyrizi antes do julgamento final.
Tem peso em casos com impacto severo na qualidade de vida (psoríase extensa, com dor e estigma), risco de dano articular (artrite psoriásica) ou agravamento do Crohn com risco de internação.
A jurisprudência segue o Tema 990 do STJ: medicamento com registro Anvisa, prescrito pelo médico, deve ser custeado pelo plano. Decisões nos parentes anti-IL-23 (Tremfya e Stelara) confirmam a posição dos tribunais.
Mais informações
Se você passou por uma negativa de cobertura do Skyrizi ou tem dúvidas sobre o caminho a seguir, pode entrar em contato com a Rosenbaum Advogados para que a sua situação seja analisada.