Stelara (Ustequinumabe): Cobertura pelo Plano de Saúde
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Stelara (Ustequinumabe) negado pelo plano? Seus direitos

Direito à Saúde, Remédio
Paciente com lesões de psoríase nos braços em consulta com dermatologista sobre tratamento com Stelara
Publicado: fevereiro 19, 2021 Atualizado: maio 15, 2026
Tempo estimado de leitura: 6 minutos

O Stelara® (princípio ativo ustequinumabe) é um medicamento biológico injetável usado em duas frentes principais: o tratamento da doença de Crohn moderada a grave e da psoríase em placas moderada a grave.

Saiba como o Judiciário trata de forma geral a negativa de cobertura desses medicamentos — incluindo Lei 14.454/2022, Tema 990 do STJ e ADI 7.265 — no nosso guia consolidado de medicamentos de alto custo pelo plano de saúde.

Também é indicado para artrite psoriásica e, mais recentemente, retocolite ulcerativa. A apresentação varia: intravenosa na fase de indução e subcutânea na manutenção, com intervalos de 8 a 12 semanas.

Quando o plano de saúde nega o Stelara, há jurisprudência sólida para questionar — em especial nas duas indicações de maior peso clínico, Crohn e psoríase.

Stelara no Crohn moderado a grave

Na doença de Crohn, o Stelara é considerado uma alternativa importante quando o paciente não responde ou perde a resposta aos anti-TNF (infliximabe, adalimumabe).

A indicação típica envolve doença ativa, com sintomas como diarreia crônica, dor abdominal, perda de peso e exames laboratoriais alterados (PCR, calprotectina fecal).

A fase de indução é feita por infusão intravenosa única, em dose calculada por peso. Depois, a manutenção é com aplicação subcutânea a cada 8 ou 12 semanas, dependendo da resposta.

A vantagem prática para o paciente em manutenção é o intervalo longo entre doses — bem maior que a quinzena exigida por adalimumabe ou as oito semanas do infliximabe.

Stelara na psoríase em placas e na artrite psoriásica

Na psoríase, o Stelara é indicado para pacientes adultos com forma moderada a grave que não responderam ou não podem usar terapia sistêmica convencional (metotrexato, ciclosporina) ou fototerapia.

O esquema é diferente do Crohn: duas doses subcutâneas iniciais (semanas 0 e 4), seguidas de manutenção a cada 12 semanas — uma das frequências mais espaçadas entre os biológicos para psoríase.

Para artrite psoriásica, o Stelara pode ser usado isoladamente ou em combinação com metotrexato, sob avaliação do reumatologista.

Anti-IL-12/23: o que diferencia o Stelara dos demais biológicos

O ustequinumabe é um anticorpo monoclonal anti-IL-12/23: bloqueia simultaneamente duas interleucinas (IL-12 e IL-23) que disparam a inflamação crônica nas doenças autoimunes.

Essa ação dupla é diferente dos anti-IL-23 mais novos (Tremfya, Skyrizi), que bloqueiam apenas a IL-23. Em algumas indicações — como Crohn — o efeito sobre a IL-12 traz benefício adicional.

Os anti-TNF (mais antigos) atuam em outro alvo. Por isso o ustequinumabe costuma ser uma boa segunda linha quando o paciente falhou com anti-TNF.

Preço por dose e custo anual

O Stelara tem três apresentações: frasco-ampola intravenoso (130 mg, usado na indução do Crohn), seringa preenchida 45 mg (psoríase em pacientes ≤100 kg) e 90 mg (psoríase em pacientes >100 kg ou ajuste de dose).

As cotações em 2026 ficam entre R$ 8 mil e R$ 25 mil por unidade, dependendo da apresentação. A dose intravenosa para Crohn pode usar vários frascos por aplicação, conforme o peso.

O custo anual em manutenção varia conforme a indicação: na psoríase, com aplicação a cada 12 semanas, fica em torno de R$ 50 a R$ 100 mil; no Crohn, com indução IV mais manutenção SC, pode ultrapassar R$ 150 mil.

Cobertura pelo Rol e os pontos de atrito com os planos

O Stelara está no Rol da ANS para Crohn, psoríase e artrite psoriásica, com critérios das Diretrizes de Utilização (DUT) — em geral exigindo falha terapêutica documentada de tratamentos anteriores.

As negativas mais comuns acontecem nesses pontos: discordância sobre a falha dos tratamentos anteriores, tentativa de impor anti-TNF mais barato no lugar, ou contestação da apresentação (45 mg vs 90 mg).

Para situações fora dos critérios estritos da DUT, vale a ADI 7.265 do STF (setembro de 2025): cobertura obrigatória mediante prescrição fundamentada, ausência de alternativa equivalente, registro Anvisa e evidência científica.

Outra fonte de atrito é a retocolite ulcerativa, indicação mais recente e nem sempre alinhada com a DUT vigente — mesmo com aprovação Anvisa e estudos clínicos sólidos.

Caminho administrativo e judicial

  1. Solicitar a negativa por escrito com justificativa e protocolo.
  2. Relatório médico detalhado do gastroenterologista, dermatologista ou reumatologista — com diagnóstico (CID), gravidade, exames (PCR, calprotectina, PASI, DAS28 conforme caso), tratamentos prévios e justificativa para o Stelara.
  3. Laudos que sustentem o quadro: colonoscopia em Crohn/retocolite, fotografias e escalas em psoríase, exames articulares em AP.
  4. Recurso administrativo no plano e na ANS (prazo médio de 10 dias úteis).
  5. Ação judicial se a negativa persistir. Veja o guia geral sobre o que fazer quando o plano nega medicamento.

Quando vale pedir liminar

A tutela de urgência (liminar) tem peso em situações de doença ativa com risco de internação (Crohn em surto), comprometimento severo da qualidade de vida (psoríase extensa) ou dano articular progressivo (artrite psoriásica).

O juiz analisa a probabilidade do direito (laudo, registro Anvisa, jurisprudência) e o perigo da demora (descrição do risco clínico documentado).

Nenhum prazo pode ser garantido — depende do juiz, da comarca e da forma como o pedido é instruído.

Casos da Justiça envolvendo o Stelara e biológicos próximos

A jurisprudência é favorável ao paciente quando há prescrição médica fundamentada. O Tema 990 do STJ sustenta a cobertura inclusive em uso fora da bula.

Decisões em medicamentos da mesma classe (anti-IL-23: Tremfya, Skyrizi) e em outros biológicos para Crohn confirmam a posição dos tribunais.

Para retocolite, as decisões seguem a mesma lógica do Crohn — biológico com registro Anvisa, com prescrição fundamentada, deve ser custeado.

O plano de saúde é obrigado a cobrir o Stelara?
Sim, quando há prescrição médica e a indicação está prevista no Rol da ANS (Crohn moderado a grave, psoríase em placas moderada a grave, artrite psoriásica), com critérios da DUT cumpridos. Para retocolite ulcerativa e situações fora do Rol, a cobertura também pode ser exigida, desde que atendidos os requisitos da ADI 7.265 do STF: prescrição médica fundamentada, ausência de alternativa equivalente, registro Anvisa e comprovação científica.
O plano pode trocar Stelara por anti-TNF (Humira, Remicade)?
Não unilateralmente. Stelara (anti-IL-12/23) e anti-TNF têm mecanismos distintos. Quando o médico justifica clinicamente a escolha pelo Stelara — por falha de anti-TNF anterior, perfil do paciente ou preferência pelo intervalo de 12 semanas —, a substituição imposta pelo plano pode ser considerada abusiva.
Qual a diferença entre Stelara e Tremfya/Skyrizi?
Os três bloqueiam vias inflamatórias relacionadas, mas com alvos diferentes: Stelara é anti-IL-12/23 (bloqueia ambas), Tremfya e Skyrizi são anti-IL-23 (mais seletivos). Na psoríase, os anti-IL-23 mais novos podem oferecer resposta mais ampla. No Crohn, o Stelara tem peso histórico maior, pois o bloqueio da IL-12 contribui em casos específicos.
Quanto custa o tratamento anual com Stelara?
Depende da indicação. Na psoríase, com aplicação a cada 12 semanas, o custo anual fica em torno de R$ 50 a R$ 100 mil. No Crohn, com indução IV (em dose por peso) seguida de manutenção SC, pode ultrapassar R$ 150 mil. O preço por unidade varia entre R$ 8 mil e R$ 25 mil em 2026.
O Stelara pelo SUS é diferente do oferecido pelo plano?
O princípio ativo é o mesmo (ustequinumabe). O SUS fornece o medicamento via Componente Especializado da Assistência Farmacêutica, com Protocolo Clínico próprio. O acesso pelo SUS é independente do plano de saúde — cada caminho tem critérios próprios de elegibilidade.
O Stelara para retocolite ulcerativa é coberto pelo plano?
Apesar de ser uma indicação mais recente e nem sempre expressamente prevista nas Diretrizes de Utilização vigentes, a cobertura pode ser exigida com base na ADI 7.265 do STF. O ustequinumabe tem aprovação Anvisa para retocolite ulcerativa e estudos clínicos sólidos sustentando a indicação.
Posso autoaplicar o Stelara em casa?
Na manutenção subcutânea (45 mg ou 90 mg), sim — após treinamento adequado pelo profissional de saúde. A indução IV em Crohn é feita em ambiente hospitalar ou clínica, em infusão monitorada. A SC pode ser autoaplicada em coxa, abdômen ou braço.

Mais informações

Se você passou por uma negativa de cobertura do Stelara ou tem dúvidas sobre o caminho a seguir, pode entrar em contato com a Rosenbaum Advogados para que a sua situação seja analisada.

Leo Rosenbaum

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