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Tagrisso (Osimertinibe): preço, FLAURA, ADAURA e cobertura pelo plano

Direito à Saúde, Remédio
Imagem editorial do Tagrisso (osimertinibe) usado contra câncer de pulmão com mutação EGFR
Publicado: julho 13, 2020 Atualizado: maio 15, 2026
Tempo estimado de leitura: 7 minutos

O Tagrisso® (princípio ativo osimertinibe) é um inibidor de tirosino-quinase EGFR de terceira geração usado no câncer de pulmão de células não pequenas (NSCLC) com mutação ativadora do EGFR.

O Tagrisso se enquadra na categoria de medicamentos de alto custo — drogas de alta complexidade terapêutica frequentemente negadas pelas operadoras de plano de saúde. Para entender a base jurídica geral e o passo a passo da ação judicial, veja: medicamento de alto custo pelo plano de saúde.

É o medicamento que reescreveu o algoritmo de tratamento do NSCLC EGFR+ em duas frentes: na primeira linha (estudo FLAURA, 2018) deslocou erlotinibe e gefitinibe, e no adjuvante pós-cirúrgico (estudo ADAURA, 2020) virou padrão em estágios IB-IIIA com mutação EGFR.

Preço: R$ 30 mil a R$ 45 mil/mês (80 mg/dia, 30 comprimidos). Em tratamento adjuvante de 3 anos, custo total entre R$ 1 milhão e R$ 1,6 milhão.

Negativa frequente: pedido em adjuvante (ADAURA é mais recente, algumas operadoras resistem), uso em situações off-label (mutações EGFR atípicas, combinações), substituição imposta por erlotinibe/gefitinibe (TKIs 1ª gen).

EGFR e as três gerações de TKI

O receptor de fator de crescimento epidérmico (EGFR) está mutado em ~15-20% dos NSCLC adenocarcinomas em populações ocidentais e ~40-50% em asiáticas. As mutações mais comuns: deleção do exon 19 (50% dos casos) e L858R do exon 21 (40%).

1ª geração (erlotinibe — Tarceva, gefitinibe — Iressa): TKIs reversíveis. Foram o primeiro avanço em NSCLC EGFR+ no início dos anos 2000. Sobrevida média de 9-13 meses em 1ª linha — vantagem clara sobre quimio.

2ª geração (afatinibe — Giotrif, dacomitinibe — Vizimpro): TKIs irreversíveis pan-HER. Atividade levemente superior em mutações específicas (deleção exon 19), maior toxicidade (diarreia, rash mais intensos).

3ª geração (osimertinibe — Tagrisso): TKI irreversível seletivo para EGFR mutado, inicialmente desenvolvido para a mutação de resistência T790M que emerge após 9-12 meses dos TKIs 1ª/2ª gen. Depois mostrou superioridade em 1ª linha (FLAURA), e domina o cenário hoje.

FLAURA: o estudo que virou o jogo em 1ª linha

Até 2018, primeira linha em NSCLC EGFR+ era erlotinibe ou gefitinibe; o osimertinibe ficava para a 2ª linha em pacientes com T790M+ documentado por nova biópsia.

O FLAURA (n=556, 2018) comparou osimertinibe vs erlotinibe/gefitinibe em primeira linha. Resultados:

Sobrevida livre de progressão: 18,9 meses com osimertinibe vs 10,2 meses com TKIs 1ª gen (redução de 54% no risco de progressão).

Sobrevida global: 38,6 meses com osimertinibe vs 31,8 com TKIs 1ª gen — primeira demonstração de ganho em sobrevida em estudo de primeira linha em NSCLC EGFR+.

Penetração CNS: redução de 52% no risco de progressão em SNC. O osimertinibe atravessa a barreira hematoencefálica em concentração suficiente para tratar e prevenir metástases cerebrais — vantagem capital nessa população.

ADAURA: o adjuvante que reduz recorrência

O ADAURA (n=682, 2020) testou osimertinibe vs placebo após ressecção cirúrgica completa em pacientes com NSCLC EGFR+ estádios IB-IIIA, com ou sem quimio adjuvante prévia.

Sobrevida livre de doença em 2 anos: 89% com osimertinibe vs 53% com placebo em estágios II-IIIA (redução de 83% no risco de recorrência).

Sobrevida global (atualização 2023): redução de 51% no risco de morte. Dado raro em estudos adjuvantes — a maioria mostra apenas redução de recorrência.

O esquema é osimertinibe 80 mg/dia por 3 anos. Custo total ~R$ 1,2-1,6 milhão. Os planos resistem mais a essa indicação que à metastática, alegando “fora do Rol” ou “quimio adjuvante padrão é suficiente”.

T790M, C797S e o ciclo de resistências

Quase todos os pacientes em uso de osimertinibe acabam progredindo após 18-24 meses. Os mecanismos de resistência são heterogêneos — distinto da era 1ª/2ª gen onde T790M dominava.

C797S: nova mutação no exon 20 que impede a ligação covalente do osimertinibe. Em torno de 15-20% das progressões.

Amplificação de MET ou HER2: ativação de vias paralelas. Combinações com inibidores de MET (capmatinibe — Tabrecta) ou anti-HER2 (trastuzumabe deruxtecan) estão em estudo.

Transformação para pequenas células (SCLC): rara mas dramática — o tumor muda histologia, exigindo regime de pequenas células (etoposídeo + carboplatina).

Em progressão, a estratégia depende do mecanismo (rebiópsia tecidual ou líquida orienta) — quimio combinada, combinações de TKIs, terapia direcionada à via alternativa, ou imunoterapia em casos selecionados.

Mutações EGFR atípicas e o off-label

Além de deleção do exon 19 e L858R, existem mutações atípicas: G719X, L861Q, S768I, inserções no exon 20.

G719X, L861Q, S768I: respondem ao osimertinibe (e ao afatinibe), embora com taxas mais baixas que em deleção 19 ou L858R. Aprovação varia por país.

Inserções no exon 20: classicamente resistentes aos TKIs convencionais. Tratamentos específicos: amivantamabe (Rybrevant), mobocertinibe — alternativas direcionadas. Osimertinibe nessas mutações é debatido.

Esse cenário gera negativas em pedidos com mutações atípicas — argumento da operadora: “não consta no Rol/DUT para essa mutação”.

A defesa exige fundamentação clínica específica do oncologista, com sequenciamento do tumor e justificativa para osimertinibe nessa configuração molecular.

Toxicidade: previsível e gerenciável

Comparado aos TKIs 1ª/2ª gen, o osimertinibe tem perfil de toxicidade mais favorável — sem o rash papulopustular intenso e a diarreia profusa típicos do erlotinibe/afatinibe.

Mais frequentes: diarreia leve-moderada, paroníquia, rash leve, fadiga, anorexia. Manejo simples (loperamida, cuidados de pele).

Mais graves mas menos frequentes: prolongamento de QTc (monitorar ECG, sobretudo com antiarrítmicos ou antifúngicos azólicos) e pneumonite intersticial (1-3%, pode ser fatal — sintomas respiratórios novos exigem TC de tórax e suspensão).

Também há cardiotoxicidade com queda de fração de ejeção em parte dos pacientes — monitoramento ecocardiográfico periódico vira parte do cuidado em uso prolongado.

Em uso prolongado (adjuvante, 3 anos), o monitoramento cardíaco e pulmonar periódico vira parte do cuidado.

Como pleitear o Tagrisso na negativa

Primeiro: negativa por escrito. O argumento típico é “fora do Rol” (em adjuvante), “use erlotinibe primeiro” (em 1ª linha), ou “mutação não enquadrada” (em atípicas).

Segundo: relatório oncológico — diagnóstico (NSCLC adenocarcinoma), estadiamento (TNM), resultado do teste molecular (mutação EGFR específica: deleção 19, L858R, T790M, G719X), tratamentos prévios.

Inclua a justificativa pela escolha do osimertinibe — 1ª linha por FLAURA, adjuvante por ADAURA, 2ª linha em T790M+, ou indicação fundamentada em mutação atípica.

Em situações fora do Rol da ANS, a ADI 7.265 do STF (setembro de 2025) respaldou cobertura para tratamentos com registro Anvisa, prescrição fundamentada e ausência de alternativa equivalente.

Em NSCLC com metástase cerebral em progressão, em NSCLC ressecado com janela curta para iniciar adjuvante, ou em NSCLC metastático em piora clínica, a tutela de urgência é o caminho.

Veja o guia geral do que fazer quando o plano nega medicamento e os hubs paralelos: Lorbrena (ALK 3ª gen), Alecensa (ALK 2ª gen), Tabrecta (MET exon 14).

O plano de saúde é obrigado a cobrir o Tagrisso (osimertinibe)?
Sim, nas indicações com respaldo clínico. Para 1ª linha em NSCLC com mutação EGFR ativadora (deleção exon 19 ou L858R) e para 2ª linha em T790M+, a indicação consta no Rol da ANS com Diretrizes de Utilização. Para tratamento adjuvante pós-cirurgia (estágios IB-IIIA, baseado no ADAURA) e para mutações EGFR atípicas (G719X, L861Q, S768I, inserções exon 20 em casos selecionados), a ADI 7.265 do STF (setembro de 2025) consolidou a obrigação de cobertura mesmo fora do Rol, com prescrição fundamentada e ausência de alternativa equivalente.
O Tagrisso é melhor que erlotinibe ou gefitinibe?
Sim, em primeira linha. O estudo FLAURA (2018) demonstrou superioridade do osimertinibe vs erlotinibe/gefitinibe em sobrevida livre de progressão (18,9 vs 10,2 meses), sobrevida global (38,6 vs 31,8 meses) e proteção contra metástases cerebrais (redução de 52%). Por isso, hoje a indicação consagrada em 1ª linha é o osimertinibe. Erlotinibe e gefitinibe ainda têm papel em pacientes com mutações específicas ou em contextos onde a 3ª geração não está disponível, mas a substituição imposta do osimertinibe por TKIs 1ª gen é farmacologicamente inadequada quando há indicação para 3ª geração.
O plano cobre o Tagrisso adjuvante (após cirurgia)?
É a indicação mais negada. O estudo ADAURA (2020) firmou o adjuvante pós-cirurgia em NSCLC EGFR+ estádios IB-IIIA com sobrevida livre de doença em 2 anos de 89% (vs 53% no placebo) e redução de 51% no risco de morte. A ANS incorporou a indicação ao Rol em atualizações de 2024-2025 com critérios da DUT. Em situações fora dos critérios estritos (algumas variações de estadiamento, mutações atípicas em adjuvante), a ADI 7.265 do STF respalda a cobertura com prescrição fundamentada. Como o esquema dura 3 anos com custo ~R$ 1,2-1,6 milhão, a operadora tende a resistir — mas a negativa cai com fundamentação clínica do ADAURA.
Por quanto tempo o Tagrisso funciona antes de progredir?
Em primeira linha (FLAURA), a mediana de sobrevida livre de progressão é 18,9 meses. Em pacientes com penetração cerebral preservada e ausência de mutações de resistência, alguns mantêm controle por 24-36 meses. A progressão ocorre por mecanismos heterogêneos — diferente da era 1ª/2ª gen onde T790M dominava. Os mecanismos atuais incluem C797S (15-20%), amplificação de MET ou HER2, transformação para pequenas células e outros. Em adjuvante (ADAURA), o tratamento é de 3 anos fixos, com sobrevida livre de doença substancialmente prolongada. Em segunda linha pós-TKI 1ª/2ª gen com T790M+, a sobrevida livre de progressão é em torno de 10 meses (AURA3).
Posso usar Tagrisso em mutação EGFR atípica?
Depende da mutação específica. As atípicas G719X, L861Q e S768I respondem ao osimertinibe (e ao afatinibe), embora com taxas mais baixas que em deleção exon 19 ou L858R. Já as inserções no exon 20 são classicamente resistentes aos TKIs convencionais — para elas, os tratamentos específicos são amivantamabe (Rybrevant) e mobocertinibe. A indicação do osimertinibe em atípicas costuma ser considerada off-label e gera negativas frequentes. A defesa exige fundamentação clínica do oncologista com sequenciamento tumoral detalhado e justificativa específica.
O Tagrisso atravessa a barreira hematoencefálica?
Sim, e essa é uma de suas vantagens decisivas sobre TKIs 1ª/2ª gen. O osimertinibe atinge concentrações terapêuticas no SNC suficientes para tratar e prevenir metástases cerebrais — o FLAURA mostrou redução de 52% no risco de progressão em SNC. Em pacientes com metástases cerebrais já presentes, a radioterapia (estereotáxica ou holocraniana) pode ser desnecessária ou postergada com o osimertinibe controlando as lesões. Essa propriedade é particularmente relevante porque NSCLC EGFR+ tem incidência alta de metástases cerebrais (40-50% em algum momento da história).
Quanto custa o tratamento com Tagrisso?
R$ 30 mil a R$ 45 mil por mês (80 mg/dia, 30 comprimidos), conforme marca/distribuidor. Em primeira linha metastática (uso até progressão, mediana de 18-24 meses): R$ 600 mil a R$ 1,1 milhão. Em 2ª linha por T790M+ (mediana de uso ~10-12 meses): R$ 300-500 mil. Em adjuvante (esquema de 3 anos fixos): R$ 1,1 a R$ 1,6 milhão. É um dos medicamentos oncológicos de uso prolongado mais caros — o que explica a resistência das operadoras e a frequência de negativas, especialmente no adjuvante.

Mais informações

Se você passou por uma negativa de cobertura do Tagrisso ou tem dúvidas sobre o caminho a seguir, pode entrar em contato com a Rosenbaum Advogados para que a sua situação seja analisada.

Leo Rosenbaum

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