Soliris negado pelo plano de saúde? Seus direitos
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Soliris (Eculizumabe) negado pelo plano? Seus direitos

Direito à Saúde, Remédio
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Publicado: setembro 10, 2020 Atualizado: maio 12, 2026
Tempo estimado de leitura: 6 minutos

O Soliris® (princípio ativo eculizumabe) é um medicamento biológico raro, aplicado por infusão intravenosa, indicado para um grupo restrito de doenças mediadas pelo sistema complemento.

As indicações aprovadas incluem hemoglobinúria paroxística noturna (HPN), síndrome hemolítico-urêmica atípica (aSHU), miastenia gravis generalizada e neuromielite óptica.

É um dos medicamentos mais caros do mundo de uso recorrente — cada frasco custa cerca de R$ 25 mil, e o tratamento anual passa de R$ 1 milhão.

Quando o plano de saúde nega a cobertura, a Justiça tem reconhecido o direito do paciente — especialmente pela ausência absoluta de alternativa equivalente nas indicações principais.

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Por que tantas doenças diferentes respondem a um mesmo medicamento

Pode parecer estranho um medicamento ser indicado para condições aparentemente não relacionadas. A explicação está no mecanismo: todas essas doenças têm em comum a ativação descontrolada do sistema complemento, parte do sistema imunológico.

Na HPN, a falta de proteínas reguladoras nas hemácias as torna alvo do complemento — que destrói os glóbulos vermelhos, causando anemia hemolítica grave.

Na aSHU, mutações desregulam o complemento em vasos renais. Na miastenia gravis, ele ataca a junção neuromuscular. Na neuromielite óptica, ataca a mielina do sistema nervoso central.

O eculizumabe é um anticorpo monoclonal anti-C5: bloqueia uma das proteínas centrais da cascata do complemento, interrompendo o ataque em todas essas situações.

Vacinação prévia: o passo obrigatório antes da primeira dose

Bloquear parte do sistema imune tem uma consequência específica: o paciente fica vulnerável a infecções por bactérias meningocócicas (Neisseria meningitidis), defendidas justamente pelo complemento.

Por isso, antes de iniciar o Soliris, é obrigatória a vacinação contra meningococo — idealmente as vacinas tetravalente (ACWY) e B, com pelo menos 2 semanas de antecedência à primeira infusão.

Em situações de emergência clínica, quando o tratamento não pode esperar, faz-se antibioticoprofilaxia (penicilina ou ciprofloxacino) enquanto a vacinação se completa.

Esse cuidado faz parte do protocolo Anvisa e está documentado na bula. É um diferencial logístico do Soliris que precisa estar previsto no fluxo de tratamento — incluindo cobertura das vacinas pelo plano.

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O plano de saúde negou a cobertura?

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Quanto custa o tratamento com Soliris

O Soliris é vendido em frasco-ampola de 300 mg em 30 mL. As cotações em 2026 ficam entre R$ 22 mil e R$ 28 mil por frasco.

O esquema padrão tem fase de indução (4 doses semanais de 600 mg) seguida de manutenção (900 mg a cada 2 semanas, indefinidamente). Cada dose de manutenção usa 3 frascos, com custo de cerca de R$ 75 mil por aplicação.

Em manutenção, são 26 infusões por ano — o custo anual passa de R$ 1,5 milhão, sem contar taxas hospitalares e exames de monitoramento. É um dos tratamentos contínuos mais caros existentes no Brasil.

Como medicamento de alto custo, o Soliris é alvo recorrente de negativa — em geral apoiada no preço, não na indicação clínica.

Cobertura: o argumento da ausência absoluta de alternativa

O Soliris tem registro Anvisa para todas as quatro indicações principais. A inclusão no Rol da ANS varia conforme a doença: alguns critérios das Diretrizes de Utilização (DUT) podem ser restritivos.

Mas a defesa jurídica do Soliris é particularmente forte em todas elas: não existe alternativa terapêutica equivalente. Em HPN e aSHU em particular, o eculizumabe transformou o prognóstico de doenças antes letais ou com sequelas graves.

Esse critério — ausência de alternativa equivalente — é um dos cinco da ADI 7.265 do STF (setembro de 2025) para exigir cobertura fora do Rol. No Soliris, atende-se de forma quase imediata.

Recusas em medicamentos ultra-raros: o argumento do custo

Em medicamentos com tratamento anual de mais de R$ 1 milhão, os planos costumam alegar “custo desproporcional” ou “alto impacto financeiro”. Nenhum desses argumentos tem amparo jurídico.

O Tema 990 do STJ e a ADI 7.265 do STF não admitem o valor do medicamento como critério para negar cobertura, quando os requisitos clínicos estão atendidos.

A jurisprudência é consistente: registro Anvisa + prescrição médica fundamentada + ausência de alternativa = cobertura obrigatória.

Em medicamentos ultra-raros como o Soliris, há também o tema do Ultomiris (ravulizumabe), sucessor do eculizumabe com administração menos frequente. Mesmo com a chegada do Ultomiris, o Soliris segue indicado em vários cenários — a escolha cabe ao médico.

Passos práticos e tutela de urgência

Primeiro: negativa por escrito com justificativa e protocolo. Segundo: relatório médico detalhado do hematologista (HPN), nefrologista (aSHU), neurologista (MG, NMOSD) — com diagnóstico (CID), exames confirmatórios, justificativa para o Soliris.

Em HPN com hemólise ativa, aSHU em crise renal, ou crise miastênica, o atraso pode levar a complicações graves. É cenário típico para tutela de urgência.

O juiz analisa a probabilidade do direito (laudo, registro Anvisa, ausência de alternativa) e o perigo da demora (descrição do risco clínico).

Pedidos bem instruídos em doenças raras costumam receber decisão compatível com a urgência. Veja o guia geral sobre o que fazer quando o plano nega medicamento.

Decisões da Justiça envolvendo Soliris e doenças raras

A jurisprudência sobre o Soliris é favorável ao paciente em todas as suas indicações. Medicamento com registro Anvisa, sem alternativa equivalente, com prescrição fundamentada — essa é uma combinação difícil de ser recusada.

Decisões em outros medicamentos para doenças raras reforçam o entendimento dos tribunais — como o Spinraza em AME e o Zolgensma, com raciocínio jurídico aplicável por analogia.

O argumento de “alto custo” tem sido rejeitado de forma consistente. O Tema 990 do STJ ampara o paciente quando há prescrição médica e os demais critérios clínicos estão atendidos.

O plano de saúde é obrigado a cobrir o Soliris?
Sim, quando há prescrição médica e o paciente tem alguma das indicações aprovadas (HPN, aSHU, miastenia gravis generalizada refratária, neuromielite óptica) — com critérios das Diretrizes de Utilização da ANS cumpridos. Para situações fora dos critérios estritos, a cobertura também pode ser exigida com base na ADI 7.265 do STF: prescrição médica fundamentada, ausência de alternativa equivalente, registro Anvisa e comprovação científica.
O plano pode negar Soliris alegando custo alto?
Não. O valor do medicamento não é critério legal para negar cobertura. O Tema 990 do STJ e a ADI 7.265 do STF estabelecem que, atendidos os requisitos clínicos (registro Anvisa, prescrição médica fundamentada, ausência de alternativa equivalente), o plano deve cobrir — independentemente do preço. Recusas baseadas apenas em “alto impacto financeiro” tendem a ser revertidas.
Por que preciso vacinar antes de iniciar o Soliris?
O Soliris bloqueia parte do sistema imunológico (o complemento), que defende contra bactérias meningocócicas. Sem essa proteção, o risco de meningite grave aumenta. Por isso, a vacinação contra meningococo (tetravalente ACWY e B) é obrigatória antes da primeira dose, com pelo menos 2 semanas de antecedência. Em urgências, faz-se antibioticoprofilaxia enquanto a vacinação se completa.
Qual a diferença entre Soliris e Ultomiris?
O Ultomiris (ravulizumabe) é o “sucessor” do Soliris (eculizumabe). Ambos são anti-C5, mas o Ultomiris tem meia-vida mais longa — administração a cada 8 semanas, contra cada 2 semanas do Soliris. Apesar disso, ambos coexistem no arsenal e a escolha cabe ao médico, considerando perfil do paciente, conveniência e resposta clínica. Imposições do plano sobre qual usar podem ser questionadas quando há justificativa clínica para a escolha do Soliris.
Quanto custa o tratamento anual com Soliris?
Com frasco custando entre R$ 22 mil e R$ 28 mil em 2026, dose de manutenção de 900 mg (3 frascos) a cada 2 semanas, e 26 aplicações por ano, o custo anual ultrapassa R$ 1,5 milhão. Esse valor não inclui taxas hospitalares de aplicação, vacinas iniciais ou exames de monitoramento periódico.
O Soliris pelo SUS é diferente do oferecido pelo plano?
O princípio ativo é o mesmo (eculizumabe). O SUS incorporou o Soliris para algumas indicações via Componente Especializado da Assistência Farmacêutica, com Protocolo Clínico próprio. O acesso pelo SUS é independente do plano de saúde e tem critérios específicos.
Posso interromper o Soliris se a doença melhorar?
Em HPN e aSHU, a interrupção do Soliris pode levar a reativação rápida e grave da doença — incluindo crise hemolítica ou crise renal. Em miastenia gravis e neuromielite óptica, a continuidade também costuma ser necessária por longo prazo. Qualquer mudança precisa ser planejada com o médico assistente, com monitoramento adequado.

Mais informações

Se você passou por uma negativa de cobertura do Soliris ou tem dúvidas sobre o caminho a seguir, pode entrar em contato com a Rosenbaum Advogados para que a sua situação seja analisada.

Este caso integra o panorama do Observatório Rosenbaum de Planos de Saúde, levantamento de mais de 43 mil decisões públicas do TJSP sobre planos de saúde.

Leo Rosenbaum

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