
O Stivarga® (princípio ativo regorafenibe) é um remédio oral indicado para situações específicas em câncer colorretal metastático refratário, tumores estromais gastrointestinais (GIST) e carcinoma hepatocelular avançado.
É um antineoplásico oral domiciliar, tomado em ciclos de 4 semanas (3 semanas de uso + 1 de pausa), com custo mensal entre R$ 25 mil e R$ 40 mil.
Quando o plano de saúde nega a cobertura, há base sólida para questionar — tanto pela Lei 12.880/2013, que protege antineoplásicos orais, quanto pelo contexto clínico das indicações: pacientes em fase avançada com poucas alternativas restantes.
Quando todas as opções padrão acabaram
O Stivarga ocupa um lugar específico no tratamento oncológico: é usado depois que outras terapias falharam. Não é primeira linha em nenhuma de suas indicações principais.
Em câncer colorretal metastático, entra após falha de quimioterapia com fluoropirimidina, oxaliplatina, irinotecano, anti-EGFR (em RAS selvagem) e anti-VEGF. Ou seja: na terceira ou quarta linha de tratamento.
Em GIST (tumor estromal gastrointestinal), entra após falha do imatinibe (Gleevec) e do sunitinibe (Sutent). Em carcinoma hepatocelular, após falha do sorafenibe (Nexavar).
Esse posicionamento na “cauda” do tratamento tem implicação jurídica importante: pacientes em Stivarga já esgotaram as alternativas convencionais — argumento central da ausência de alternativa equivalente previsto na ADI 7.265 do STF.
TKI multi-alvo: por que age em tumores tão diferentes
O regorafenibe é um inibidor de tirosina quinase (TKI) multi-alvo: bloqueia simultaneamente várias proteínas envolvidas em crescimento tumoral, angiogênese e microambiente tumoral.
Diferentemente dos TKI altamente seletivos (como osimertinibe para EGFR ou ibrutinibe para BTK), o Stivarga atua em VEGFR, KIT, PDGFR, FGFR, RET, RAF e outras moléculas. Esse perfil amplo é o que explica indicações em cânceres tão distintos.
O custo dessa amplitude é um perfil de efeitos colaterais mais amplo — fadiga, síndrome mão-pé, hipertensão, diarreia são frequentes. O acompanhamento próximo durante os primeiros ciclos é parte essencial do tratamento.
Preço, ciclos e a regra das 3 semanas de uso + 1 de pausa
O Stivarga é vendido em comprimidos de 40 mg, em frasco com 84 unidades (suficiente para um ciclo completo). As cotações em 2026 ficam entre R$ 25 mil e R$ 40 mil por frasco.
A dose padrão é 160 mg uma vez ao dia (4 comprimidos) por 3 semanas, seguidas de 1 semana de pausa. Cada ciclo dura 28 dias. A pausa permite recuperação dos efeitos colaterais que se acumulam durante o uso.
O tratamento é contínuo, em ciclos repetidos enquanto houver resposta clínica e tolerância. O custo anual fica em torno de R$ 300 mil a R$ 480 mil.
Por ser medicamento de alto custo, o Stivarga é alvo recorrente de negativa — mesmo em pacientes que já esgotaram alternativas anteriores.
Cobertura: Lei 12.880/2013 + ADI 7.265 + ausência de alternativa
O Stivarga é antineoplásico oral de uso domiciliar — categoria expressamente coberta pela Lei 12.880/2013. Recusas baseadas em “uso domiciliar não coberto” não têm amparo jurídico desde 2013.
A inclusão no Rol da ANS varia conforme a indicação. Em situações fora dos critérios estritos do Rol, vale a ADI 7.265 do STF (setembro de 2025).
Um critério da ADI 7.265 — a ausência de alternativa terapêutica equivalente — é particularmente atendido no Stivarga. Pacientes em linhas avançadas, com falha de múltiplas terapias prévias, frequentemente não têm outras opções padrão.
Negativas comuns e como rebater
“Linha de tratamento não autorizada”. Argumento em pacientes em 3ª ou 4ª linha. Como o Stivarga é justamente medicamento de linha avançada, a recusa contradiz a indicação. O relatório oncológico precisa documentar a sequência de tratamentos esgotada.
“Existe alternativa no Rol”. Argumento frágil em pacientes que já passaram pelas alternativas. Quando o oncologista justifica que o Stivarga é o próximo passo lógico, a recusa baseada em alternativas teóricas é questionável.
“Uso domiciliar não é coberto”. Argumento desatualizado: a Lei 12.880/2013 cobre antineoplásicos orais. Recusas com essa fundamentação são facilmente revertidas.
Caminho prático, tutela de urgência e jurisprudência
Primeiro: negativa por escrito com justificativa e protocolo. Segundo: relatório oncológico detalhado — tipo do tumor (CID), histologia, linhas de tratamento já tentadas (com tempo e resposta de cada uma), justificativa para o Stivarga.
Em câncer metastático na cauda do tratamento, o atraso pode permitir progressão sem possibilidade de retomada — cenário típico de tutela de urgência. O juiz analisa a probabilidade do direito e o perigo da demora.
A jurisprudência sobre o Stivarga e outros antineoplásicos orais é favorável. O Tema 990 do STJ ampara expressamente a cobertura.
Decisões em medicamentos próximos — como o Lynparza e o Revlimid — reforçam o entendimento. Veja o guia geral sobre o que fazer quando o plano nega medicamento.
Mais informações
Se você passou por uma negativa de cobertura do Stivarga ou tem dúvidas sobre o caminho a seguir, pode entrar em contato com a Rosenbaum Advogados para que a sua situação seja analisada.