Ocrevus Negado pelo Plano? Direitos na Esclerose Múltipla
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Ocrevus (Ocrelizumabe) negado pelo plano? Seus direitos

Direito à Saúde, Remédio
Paciente recebendo infusão de Ocrevus ocrelizumabe para esclerose múltipla
Publicado: agosto 22, 2019 Atualizado: maio 12, 2026
Tempo estimado de leitura: 6 minutos

O Ocrevus® (princípio ativo ocrelizumabe) é um medicamento biológico aplicado por infusão intravenosa para tratar formas da esclerose múltipla.

É um dos poucos remédios aprovados também para a forma primária progressiva (EMPP), além da forma surto-remissão. Cada infusão pode custar mais de R$ 50 mil.

Quando o plano de saúde nega a cobertura, a Justiça tem reconhecido o direito do paciente neurológico ao tratamento — especialmente pela ausência de alternativa equivalente em alguns subtipos da doença.

A esclerose múltipla e o lugar do Ocrevus no tratamento

A esclerose múltipla é uma doença autoimune em que o sistema imunológico ataca a bainha de mielina, camada que envolve os nervos. O dano causa surtos neurológicos e, com o tempo, perda funcional progressiva.

O ocrelizumabe é um anticorpo monoclonal anti-CD20: liga-se a uma proteína na superfície dos linfócitos B, células de defesa que participam do ataque à mielina, e reduz sua atividade.

É indicado em duas situações: esclerose múltipla recorrente (EMR, com surtos) e esclerose múltipla primária progressiva (EMPP), forma em que a doença piora desde o início, sem surtos típicos.

Por que o Ocrevus é tão relevante na EMPP

A esclerose múltipla primária progressiva é a forma mais difícil de tratar. Por muitos anos, não havia tratamento aprovado para alterar o curso da doença.

O Ocrevus foi o primeiro medicamento a demonstrar, em estudos clínicos, redução da progressão da incapacidade nessa forma. Para pacientes com EMPP, é frequentemente a única alternativa terapêutica registrada.

Essa ausência de alternativa equivalente é justamente um dos critérios da ADI 7.265 do STF para exigir cobertura — o que torna a discussão jurídica especialmente favorável ao paciente com EMPP.

Quanto custa o Ocrevus no Brasil

O Ocrevus é vendido em frasco-ampola de 300 mg em 10 mL. As cotações em farmácias brasileiras em 2026 ficaram entre R$ 30.000 e R$ 55.000 por frasco.

A dose inicial é dividida em duas infusões de 300 mg com intervalo de 15 dias. Depois, a manutenção é feita com dose única de 600 mg a cada 6 meses.

O custo anual fica em torno de R$ 100 mil a R$ 200 mil, sem contar taxas hospitalares de aplicação e exames de acompanhamento.

Por ser um medicamento de alto custo, o Ocrevus é alvo frequente de negativa, mesmo com o paciente preenchendo critérios clínicos.

O Ocrevus está no Rol da ANS?

A inclusão do ocrelizumabe no Rol da ANS ocorre com critérios definidos nas Diretrizes de Utilização (DUT) — em geral exigindo confirmação diagnóstica, gravidade da doença e falha de outros tratamentos.

Para a forma primária progressiva, as exigências da DUT podem ser difíceis de preencher integralmente, e muitas negativas ocorrem nessa categoria.

Em casos fora do escopo do Rol, vale a regra fixada pelo STF na ADI 7.265 (setembro de 2025): cobertura obrigatória quando há prescrição médica fundamentada, ausência de alternativa, registro Anvisa e comprovação científica.

Negativas frequentes e como rebater

As recusas dos planos seguem alguns padrões previsíveis, todos passíveis de questionamento.

“O paciente não cumpre todos os critérios da DUT”. O relatório neurológico precisa documentar surtos, exames de imagem (ressonância) e tentativas anteriores que falharam ou foram contraindicadas.

“Existe alternativa no Rol”. Argumento comum em EMR, sugerindo medicamentos mais antigos. Vale documentar por que o ocrelizumabe foi a escolha do neurologista (eficácia, contraindicações, perfil do paciente).

“Tratamento experimental para EMPP”. Mesmo o Ocrevus tendo registro Anvisa para EMPP, ainda aparecem recusas com esse argumento — facilmente rebatido com a bula oficial e os estudos pivotais.

O que o paciente precisa fazer

Diante da negativa, há um caminho prático que aumenta as chances de obter o tratamento.

  1. Negativa por escrito: o plano é obrigado a fornecer recusa formal com justificativa e protocolo.
  2. Relatório neurológico detalhado: tipo da esclerose múltipla (EMR ou EMPP, com CID), surtos documentados, achados de ressonância, tratamentos anteriores e justificativa para o Ocrevus.
  3. Recurso administrativo junto ao plano e à ANS. Prazo médio de 10 dias úteis para resposta da ANS.
  4. Via judicial se a negativa persistir. Veja o guia geral sobre o que fazer quando o plano nega medicamento.

Tutela de urgência em esclerose múltipla

A tutela de urgência (liminar) é o pedido feito ao juiz para que o plano forneça o medicamento antes do julgamento final.

Em esclerose múltipla, o atraso pode permitir novos surtos com dano neurológico permanente — situação típica em que a urgência fica caracterizada.

O juiz analisa a probabilidade do direito (laudo, registro Anvisa, jurisprudência) e o perigo da demora (descrição do risco de adiar). Casos bem instruídos costumam receber decisão em prazo razoável.

Como os tribunais têm decidido sobre o Ocrevus

A jurisprudência tem reconhecido o direito do paciente ao ocrelizumabe quando há prescrição fundamentada.

A lógica segue o Tema 990 do STJ: medicamento com registro Anvisa e indicação médica deve ser custeado pelo plano, mesmo em uso fora da bula. Para o Ocrevus, esse cenário se reforça pela escassez de alternativas em EMPP.

Decisões favoráveis também têm sido proferidas em casos envolvendo outras terapias para esclerose múltipla — como o Kesimpta (ofatumumabe) e o Tysabri (natalizumabe).

Outras informações sobre o tratamento

Como o Ocrevus é aplicado

A aplicação é por infusão intravenosa em ambiente hospitalar ou clínica, com pré-medicação para reduzir reações infusionais.

A primeira dose é dividida em duas infusões de 300 mg, com 15 dias de intervalo. Depois, mantém-se a dose única de 600 mg a cada 6 meses.

Efeitos colaterais e cuidados

Por reduzir as células B, o Ocrevus aumenta o risco de infecções, em especial das vias respiratórias e urinárias.

A triagem para tuberculose latente, hepatite B e revisão de vacinas costuma ser exigida antes da primeira dose. O acompanhamento envolve exames laboratoriais regulares.

Onde consultar informações oficiais

A bula do Ocrevus está disponível no site da Anvisa, com indicações, contraindicações e alertas de farmacovigilância. Antes de qualquer decisão, consulte o neurologista assistente.

O plano de saúde é obrigado a cobrir o Ocrevus?
Sim, quando há prescrição médica e o paciente cumpre os critérios da Diretriz de Utilização da ANS (esclerose múltipla recorrente ou primária progressiva). Para situações fora do escopo da DUT, a cobertura também pode ser exigida, desde que atendidos os requisitos da ADI 7.265 do STF: prescrição médica fundamentada, ausência de alternativa equivalente no Rol, registro Anvisa e comprovação científica.
O plano pode me obrigar a tentar outros medicamentos antes do Ocrevus?
Depende do que prevê a Diretriz de Utilização. Quando o neurologista justifica clinicamente a escolha direta pelo ocrelizumabe (perfil da doença, contraindicações a outros medicamentos, gravidade), a imposição da operadora pode ser considerada abusiva.
Quanto custa o tratamento anual com Ocrevus?
Com preço por frasco entre R$ 30 mil e R$ 55 mil (cotações 2026), dose de manutenção de 600 mg a cada 6 meses (2 frascos por dose) e duas infusões anuais, o custo costuma ficar entre R$ 100 mil e R$ 200 mil por ano, sem contar taxas hospitalares.
O Ocrevus pelo SUS é diferente do oferecido pelo plano?
O princípio ativo é o mesmo. O SUS fornece o ocrelizumabe via Componente Especializado da Assistência Farmacêutica, com Protocolo Clínico próprio. O acesso pelo SUS é independente do plano de saúde — cada caminho tem critérios próprios de elegibilidade.
O Ocrevus para esclerose múltipla primária progressiva (EMPP) é coberto?
O Ocrevus é o primeiro medicamento com aprovação Anvisa para EMPP e, em muitos casos, a única alternativa terapêutica registrada. A ausência de equivalente no Rol é critério favorável à cobertura segundo a ADI 7.265 do STF. Negativas para EMPP costumam ser revertidas judicialmente quando o quadro clínico está bem documentado.
Quanto tempo demora uma decisão judicial sobre Ocrevus?
O prazo varia conforme o tribunal, a comarca e a forma como o pedido é instruído. Casos com documentação completa (negativa por escrito, relatório neurológico detalhado, ressonância) costumam receber análise da tutela de urgência em prazo razoável, mas nenhum advogado pode garantir tempo específico.
Se eu já uso Ocrevus pelo plano e ele quer suspender, posso reverter?
Sim, a interrupção unilateral do tratamento estável em paciente com resposta clínica documentada tem sido considerada abusiva pela Justiça. O neurologista precisa fundamentar a continuidade, e o paciente pode buscar a manutenção via tutela de urgência.

Mais informações

Se você passou por uma negativa de cobertura do Ocrevus ou tem dúvidas sobre o caminho a seguir, pode entrar em contato com a Rosenbaum Advogados para que a sua situação seja analisada.

Leo Rosenbaum

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