Cimzia negado pelo plano de saúde? Seus direitos
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Cimzia (Certolizumabe Pegol) negado pelo plano? Seus direitos

Direito à Saúde, Remédio
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Publicado: julho 21, 2021 Atualizado: maio 13, 2026
Tempo estimado de leitura: 5 minutos

O Cimzia® (princípio ativo certolizumabe pegol) é um anti-TNF imunobiológico indicado para artrite reumatoide, artrite psoriásica, espondilite anquilosante, doença de Crohn e psoríase em placas.

Em uma classe povoada de opções (Enbrel/etanercepte, Remicade/infliximabe, Humira/adalimumabe, Simponi/golimumabe), o Cimzia tem uma peculiaridade estrutural única: é o único fragmento de anticorpo PEGuilado, sem o domínio Fc completo.

Essa peculiaridade não é cosmética. Tem consequências clínicas importantes — particularmente em pacientes que querem engravidar ou estão grávidas. O Cimzia se tornou o anti-TNF de escolha para essa situação.

A engenharia da PEGuilação: o que muda no Cimzia

Anticorpos monoclonais convencionais são proteínas grandes em formato de “Y”, compostas por duas cadeias pesadas e duas leves. A base do Y é o domínio Fc, que se liga a receptores em células imunes e na placenta.

O certolizumabe é diferente. É só um fragmento Fab’ — o “topo” do Y, sem a base. Esse fragmento é então conjugado a uma molécula de polietilenoglicol (PEG), que aumenta sua meia-vida e permite aplicação a cada 2-4 semanas.

Sem domínio Fc, o Cimzia não se liga ao receptor placentário (FcRn) que transporta anticorpos da mãe para o feto. Isso resulta em baixíssima transferência transplacentária — o feto fica essencialmente sem exposição ao medicamento.

O anti-TNF da gestação: indicação que define a escolha

Para mulheres com doenças autoimunes crônicas (artrite reumatoide, doença de Crohn, espondilite) que querem engravidar ou estão grávidas, a manutenção do tratamento é frequentemente necessária — interromper pode levar a flare grave da doença.

Mas os anti-TNF convencionais (adalimumabe, infliximabe) atravessam ativamente a placenta a partir do segundo trimestre, levando a níveis significativos no feto e no recém-nascido.

O Cimzia, sem domínio Fc, mantém níveis quase indetectáveis no cordão umbilical. Por isso é o anti-TNF de escolha quando a manutenção do tratamento durante a gestação é necessária — recomendação reforçada em diretrizes internacionais e da Sociedade Brasileira de Reumatologia.

Indicações e o lugar do Cimzia nas sequências

Artrite reumatoide moderada a grave, após falha ou intolerância a metotrexato. Pode ser usado em combinação com metotrexato ou em monoterapia.

Artrite psoriásica em pacientes com doença ativa após falha de sistêmicos convencionais. Particularmente útil em mulheres em idade fértil.

Espondilite anquilosante e espondiloartrite axial não radiográfica, em pacientes com doença ativa apesar de AINEs.

Doença de Crohn moderada a grave, em pacientes com resposta inadequada à terapia convencional. Indicação às vezes contestada pelos planos em favor do infliximabe.

Psoríase em placas moderada a grave, particularmente em pacientes com componente articular.

Aplicação subcutânea e o esquema flexível

O Cimzia é aplicado por injeção subcutânea, que o próprio paciente pode fazer em casa após treinamento. A apresentação pode ser caneta autoinjetora ou seringa pré-preenchida.

O esquema padrão começa com doses de indução (400 mg nas semanas 0, 2 e 4) e depois passa para manutenção a cada 2 semanas (200 mg) ou a cada 4 semanas (400 mg), conforme a indicação e o protocolo.

Essa flexibilidade — possibilidade de espaçar para mensal — é útil para reduzir o impacto na rotina do paciente. Em situações de remissão sustentada, o intervalo pode ser estendido sob supervisão.

Preço e a posição no leque de anti-TNFs

Cada caixa do Cimzia (com 2 canetas de 200 mg) custa entre R$ 5 mil e R$ 8 mil. Em esquemas de manutenção a cada 2 semanas, o custo mensal fica em torno de R$ 6 mil a R$ 9 mil.

Comparado a outros anti-TNFs: Enbrel (~R$ 4-6 mil/mês), Infliximabe (varia conforme peso e via, ~R$ 4-10 mil), Humira (~R$ 4-7 mil/mês com biossimilares).

Como medicamento de alto custo, o Cimzia é alvo recorrente de negativa — frequentemente em favor de anti-TNFs mais antigos ou biossimilares.

Cobertura, biossimilares e a defesa pela gestação

O certolizumabe está no Rol da ANS para suas indicações principais, com critérios das Diretrizes de Utilização (DUT). Não há (ainda) biossimilar amplamente disponível no Brasil — diferente de adalimumabe e infliximabe, que têm múltiplos biossimilares.

As negativas frequentes envolvem: substituição imposta por outro anti-TNF, geralmente mais barato, e questionamento da necessidade específica do Cimzia.

Em situações fora dos critérios estritos do Rol, vale a ADI 7.265 do STF (setembro de 2025). A indicação em gestação ou planejamento de gestação é o argumento mais forte para defender a escolha específica pelo Cimzia.

Caminho prático e o argumento da paciente gestante

Primeiro: negativa por escrito, com justificativa e protocolo. Segundo: relatório do reumatologista, gastroenterologista ou dermatologista — diagnóstico (CID), atividade da doença, tratamentos anteriores, prescrição, e — se aplicável — documentação de gestação ou planejamento.

Quando há gestação confirmada ou planejada, a documentação obstétrica reforça o pedido. Diretrizes nacionais e internacionais reconhecem o Cimzia como anti-TNF de escolha nesse contexto.

Veja o guia geral sobre o que fazer quando o plano nega medicamento e os hubs dos outros anti-TNFs: Enbrel, Infliximabe, Simponi.

O plano de saúde é obrigado a cobrir o Cimzia?
Sim, quando há prescrição médica e indicação prevista no Rol da ANS (artrite reumatoide, artrite psoriásica, espondilite anquilosante, doença de Crohn, psoríase em placas, com critérios da DUT). Para outras situações específicas (uso na gestação por necessidade de manter o tratamento), a cobertura também pode ser exigida com base na ADI 7.265 do STF: prescrição médica fundamentada, ausência de alternativa equivalente, registro Anvisa e comprovação científica.
Por que o Cimzia é diferente dos outros anti-TNFs?
O Cimzia é o único anti-TNF que é um fragmento de anticorpo PEGuilado, sem o domínio Fc. Isso significa que ele não se liga ao receptor placentário (FcRn) que transporta anticorpos da mãe para o feto. Resultado: baixíssima transferência transplacentária e níveis quase indetectáveis no cordão umbilical. Por essa peculiaridade, é o anti-TNF de escolha para mulheres que querem engravidar ou estão grávidas e precisam manter o tratamento da doença autoimune.
Posso usar Cimzia na gestação?
Sim — é a indicação mais específica e diferenciadora do Cimzia. Diretrizes nacionais (Sociedade Brasileira de Reumatologia) e internacionais reconhecem o Cimzia como anti-TNF de escolha em gestação, quando a manutenção do tratamento é necessária para controle da doença materna. A baixa transferência transplacentária minimiza a exposição fetal. Cada caso deve ser avaliado individualmente pelo reumatologista/gastroenterologista em parceria com o obstetra.
O plano pode trocar Cimzia por Enbrel ou outro anti-TNF mais barato?
Não unilateralmente quando há fundamentação clínica para o Cimzia. Em situações de gestação ou planejamento, a peculiaridade estrutural do Cimzia (sem domínio Fc) é uma justificativa clinicamente sólida. Mesmo fora da gestação, a escolha cabe ao médico assistente — quando há intolerância prévia a outros anti-TNFs ou justificativa específica, a substituição imposta pode ser considerada abusiva.
Quanto custa o tratamento mensal com Cimzia?
Cada caixa com 2 canetas de 200 mg custa entre R$ 5 mil e R$ 8 mil em 2026. Em esquema de manutenção a cada 2 semanas (200 mg quinzenais), o custo mensal fica em torno de R$ 6 mil a R$ 9 mil. Em manutenção mensal (400 mg a cada 4 semanas), o custo é semelhante. Posicionado em um patamar próximo aos outros anti-TNFs sem biossimilares ainda disponíveis.
O Cimzia é coberto para doença de Crohn?
Sim. A doença de Crohn moderada a grave em pacientes com resposta inadequada à terapia convencional é uma das indicações aprovadas. Os planos às vezes contestam essa indicação preferindo o infliximabe (mais experiência acumulada em Crohn), mas a escolha cabe ao gastroenterologista. Em mulheres em idade fértil ou grávidas com Crohn, o Cimzia tem vantagem clara pela menor transferência placentária.
Como é a aplicação do Cimzia?
O Cimzia é aplicado por injeção subcutânea (em coxa ou abdome), que o próprio paciente pode fazer em casa após treinamento. A apresentação é caneta autoinjetora ou seringa pré-preenchida. O esquema padrão começa com doses de indução (400 mg nas semanas 0, 2 e 4) e depois passa para manutenção a cada 2 semanas (200 mg) ou a cada 4 semanas (400 mg), conforme indicação e protocolo.

Mais informações

Se você passou por uma negativa de cobertura do Cimzia ou tem dúvidas sobre o caminho a seguir, pode entrar em contato com a Rosenbaum Advogados para que a sua situação seja analisada.

Leo Rosenbaum

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