Lorlatinibe (Lorbrena) pelo Plano de Saúde: Cobertura
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Lorbrena (Lorlatinibe) negado pelo plano? Seus direitos

Direito à Saúde, Remédio
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Publicado: outubro 5, 2021 Atualizado: maio 14, 2026
Tempo estimado de leitura: 5 minutos

O Lorbrena® (princípio ativo lorlatinibe) é um medicamento oral oncológico de terceira geração contra ALK (anaplastic lymphoma kinase), indicado para câncer de pulmão não pequenas células (NSCLC) ALK-positivo em pacientes que progrediram com TKIs ALK anteriores.

Tem uma característica que o diferencia radicalmente dos TKIs ALK das gerações anteriores: penetração excelente no sistema nervoso central. Foi desenhado especificamente para atravessar a barreira hematoencefálica e tratar metástases cerebrais — frequentes em NSCLC ALK+.

Custo mensal entre R$ 25 mil e R$ 40 mil. O tratamento é contínuo. Pode ser primeira ou segunda linha em alguns cenários. Como medicamento de alto custo, alvo recorrente de negativa.

NSCLC ALK+: a sequência de TKIs que mudou tudo

Cerca de 3-7% dos pacientes com NSCLC têm rearranjos no gene ALK — produzindo proteínas de fusão (ALK-EML4 e outras) que ativam permanentemente a sinalização de crescimento. É um subgrupo molecular bem caracterizado.

O tratamento evoluiu em gerações. 1ª gen: crizotinibe (Xalkori), aprovado em 2011.

2ª gen: alectinibe (Alecensa), brigatinibe (Alunbrig), ceritinibe (Zykadia) — mais potentes. 3ª gen: lorlatinibe (Lorbrena), desenhado para cobrir mutações resistentes às gerações anteriores.

Cada geração superou suas predecessoras em estudos comparativos. O alectinibe substituiu o crizotinibe como primeira linha.

O lorlatinibe, em segunda ou terceira linha, cobre mutações resistentes ao alectinibe — e mais recentemente é também aprovado em primeira linha em alguns cenários.

A penetração no SNC: o problema das metástases cerebrais

Metástases cerebrais são especialmente comuns em NSCLC ALK+ — chegam a afetar 50-70% dos pacientes em algum momento. Frequentemente representam o ponto de falha terapêutica: o controle sistêmico é bom, mas as metástases cerebrais progridem.

O crizotinibe (1ª gen) tinha penetração no SNC muito limitada — barreira hematoencefálica bloqueava a maior parte do medicamento. O alectinibe (2ª gen) melhorou significativamente — uma das razões para sua superioridade clínica.

O lorlatinibe foi desenhado especificamente para penetração no SNC.

Suas características físico-químicas (lipofilicidade ajustada, baixa afinidade pelo transportador de efluxo P-glicoproteína) permitem concentrações intracerebrais elevadas. Pode tratar metástases ativas sem necessidade de radioterapia.

Onde o Lorbrena se encaixa: sequência e indicações

NSCLC ALK+ que progrediu após pelo menos um TKI ALK de 2ª geração (alectinibe, brigatinibe, ceritinibe). Indicação tradicional e mais consolidada.

NSCLC ALK+ que progrediu após crizotinibe e um TKI de 2ª geração. Em pacientes que receberam múltiplas linhas, o lorlatinibe cobre mutações resistentes acumuladas.

NSCLC ALK+ em primeira linha — indicação mais recente, baseada no estudo CROWN. Em pacientes com metástases cerebrais ao diagnóstico ou alto risco de progressão cerebral, pode ser preferido sobre alectinibe.

A escolha entre Alecensa em primeira linha vs Lorbrena em primeira linha é uma das discussões atuais da onco-pulmonar. Cada paciente exige decisão individualizada.

Efeitos colaterais cognitivos: assinatura única do lorlatinibe

A penetração no SNC tem um preço. O Lorbrena causa efeitos colaterais cognitivos e psiquiátricos em proporção significativa dos pacientes — mais que outros TKIs ALK.

As manifestações incluem: alterações de humor (depressão, irritabilidade, mudanças de personalidade), confusão, lentificação cognitiva, alterações de memória, ideação suicida em casos graves.

Adicionalmente: hipercolesterolemia (muito frequente, exige estatinas em maior parte dos casos), hipertrigliceridemia, neuropatia periférica, edema, ganho de peso.

O perfil de efeitos cognitivos exige acompanhamento próximo — paciente e família devem ser orientados a relatar mudanças comportamentais. Em casos graves, redução de dose ou suspensão são necessárias.

Preço, esquema e a comparação com outras gerações

O Lorbrena é vendido em comprimidos de 25 mg ou 100 mg. A dose padrão é 100 mg/dia em dose única. Caixa com 30 comprimidos (suficiente para 30 dias) custa entre R$ 25 mil e R$ 40 mil.

Comparado: Alecensa custa cerca de R$ 35-50 mil/mês. Crizotinibe (Xalkori) custa cerca de R$ 25-35 mil/mês. Em uma faixa competitiva entre TKIs ALK.

O tratamento é contínuo enquanto houver resposta. Em pacientes ALK+ com resposta duradoura, o uso pode se prolongar por anos.

Cobertura, sequência e o argumento das metástases cerebrais

O lorlatinibe está no Rol da ANS para NSCLC ALK+ após progressão a TKI ALK prévio, com critérios das Diretrizes de Utilização (DUT).

As negativas frequentes envolvem: uso em primeira linha (indicação mais recente baseada em CROWN), quantificação da linha prévia (planos podem exigir 2 ou mais TKIs prévios), e uso em metástases cerebrais como indicação primária.

Em situações fora dos critérios estritos do Rol, vale a ADI 7.265 do STF (setembro de 2025).

A defesa pela penetração no SNC é forte em pacientes com metástases cerebrais ativas ou histórico de progressão cerebral com TKIs anteriores. A RM cerebral é peça central.

Caminho prático em NSCLC ALK+

Primeiro: negativa por escrito, com justificativa e protocolo.

Segundo: relatório oncológico — diagnóstico (CID, NSCLC adenocarcinoma, rearranjo ALK confirmado), estadiamento (incluir RM cerebral), TKIs prévios usados (datas, motivo de progressão ou intolerância), prescrição.

Em metástases cerebrais ativas ou progressão sistêmica rápida, a tutela de urgência tem peso máximo. Veja o guia geral sobre o que fazer quando o plano nega medicamento e os hubs paralelos: Alecensa (alectinibe), Xalkori (crizotinibe).

O plano de saúde é obrigado a cobrir o Lorbrena?
Sim. O Lorbrena (lorlatinibe) é antineoplásico oral de uso domiciliar, categoria coberta pela Lei 12.880/2013. Está no Rol da ANS para NSCLC ALK+ após progressão a TKI ALK prévio, com critérios da DUT. Para outras indicações (primeira linha, uso em metástases cerebrais como cenário primário), a cobertura também pode ser exigida com base na ADI 7.265 do STF: prescrição médica fundamentada, ausência de alternativa equivalente, registro Anvisa e comprovação científica.
Por que o Lorbrena penetra melhor no cérebro?
O lorlatinibe foi desenhado especificamente para penetração no sistema nervoso central. Suas características físico-químicas (lipofilicidade ajustada, baixa afinidade pelo transportador de efluxo P-glicoproteína na barreira hematoencefálica) permitem concentrações intracerebrais elevadas. Isso é fundamental em NSCLC ALK+, onde metástases cerebrais afetam 50-70% dos pacientes em algum momento. O Lorbrena pode tratar metástases ativas sem necessidade de radioterapia, em muitos casos.
Qual a diferença entre Lorbrena e Alecensa?
Ambos tratam NSCLC ALK+ mas são de gerações diferentes. Alecensa (alectinibe) é 2ª geração — primeira linha consolidada, boa penetração no SNC. Lorbrena (lorlatinibe) é 3ª geração — penetração no SNC ainda melhor, cobre mutações resistentes ao alectinibe, mas com perfil de efeitos colaterais cognitivos mais marcante (depressão, irritabilidade, alterações de memória). Em pacientes com metástases cerebrais ao diagnóstico, o Lorbrena pode ser preferido em primeira linha (estudo CROWN). A escolha cabe ao oncologista.
Lorbrena causa depressão e alterações cognitivas?
Sim — é o perfil de efeito colateral mais característico e potencialmente limitante do Lorbrena. A penetração no SNC tem como contrapartida efeitos sobre o próprio cérebro normal. Manifestações: alterações de humor (depressão, irritabilidade), confusão, lentificação cognitiva, alterações de memória, em casos graves ideação suicida. O acompanhamento exige paciente e família orientados a relatar mudanças comportamentais. Em casos graves, redução de dose ou suspensão são necessárias. Adicionalmente, hipercolesterolemia é muito frequente, exigindo estatinas.
Quanto custa o tratamento mensal com Lorbrena?
Caixa com 30 comprimidos (suficiente para 30 dias na dose padrão de 100 mg/dia) custa entre R$ 25 mil e R$ 40 mil em 2026. Em uma faixa competitiva entre os TKIs ALK. O tratamento é contínuo enquanto houver resposta — em pacientes ALK+ com resposta duradoura, o uso pode se prolongar por anos.
Lorbrena é coberto em primeira linha?
A indicação para primeira linha em NSCLC ALK+ é mais recente, baseada no estudo CROWN (publicado em 2020). Em pacientes com metástases cerebrais ao diagnóstico ou alto risco de progressão cerebral, pode ser preferido sobre alectinibe. A DUT da ANS pode ainda priorizar uso após progressão a TKI prévio. A cobertura em primeira linha pode ser exigida com base na ADI 7.265 do STF, com documentação clínica fundamentada (presença de metástases cerebrais, RM, decisão do oncologista).
Posso interromper Lorbrena se entrar em remissão?
Não. Em NSCLC ALK+, mesmo com resposta completa documentada, a interrupção do TKI leva quase sempre à recidiva — frequentemente em meses. A doença permanece dependente da inibição contínua de ALK. O tratamento é mantido enquanto houver resposta e tolerância. Em casos de toxicidade significativa (efeitos cognitivos importantes), redução de dose pode ser feita pelo oncologista — mas suspensão geralmente não é uma opção segura.

Mais informações

Se você passou por uma negativa de cobertura do Lorbrena ou tem dúvidas sobre o caminho a seguir, pode entrar em contato com a Rosenbaum Advogados para que a sua situação seja analisada.

Leo Rosenbaum

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