Kyprolis negado pelo plano de saúde? Seus direitos
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Kyprolis® (Carfilzomibe) pelo plano de saúde

Remédio
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Publicado: outubro 19, 2021 Atualizado: abril 19, 2026
Tempo estimado de leitura: 7 minutos

A negativa de cobertura de tratamentos pelos planos de saúde é uma prática que dificulta os beneficiários, especialmente os pacientes que dependem de medicamentos e procedimentos de alto custo.

Um exemplo disso é o Kyprolis® (Carfilzomibe), que é um alvo recorrente das recusas de custeio pelo convênio. Por isso, muitos pacientes que recebem indicação para realizar o tratamento acabam impedidos de iniciar a terapia.

Como resultado, a saúde do enfermo fica em risco, pois ele depende da medicação para melhorar. Nesse sentido, a Justiça brasileira tem se esforçado para combater a negativa de cobertura de Kyprolis® (Carfilzomibe) pelo plano de saúde.

Segundo o entendimento dos Tribunais, a recusa de fornecimento de tratamentos de alto custo configura prática abusiva. Por isso, caso receba uma negativa, o paciente pode recorrer ao Poder Judiciário para garantir o custeio da medicação.

Siga na leitura para saber como fazer isso!

Preço do Kyprolis® (Carfilzomibe)

O preço de uma única caixa Kyprolis® (Carfilzomibe) pode ultrapassar o valor de R$ 9 mil.

O plano de saúde cobre o tratamento?

A Lei dos Planos de Saúde (nº 9.656) determina o seguinte:

“Art. 10.  É instituído o plano-referência de assistência à saúde, com cobertura assistencial médico-ambulatorial e hospitalar, compreendendo partos e tratamentos, realizados exclusivamente no Brasil, com padrão de enfermaria, centro de terapia intensiva, ou similar, quando necessária a internação hospitalar, das doenças listadas na Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde, da Organização Mundial de Saúde, respeitadas as exigências mínimas estabelecidas no art. 12 desta Lei (….).”

Assim sendo, visto que o mieloma múltiplo faz parte da Classificação Internacional de Doenças (CID-10), o tratamento deve ser garantido pelo plano de saúde.

Além disso, o Kyprolis® (Carfilzomibe) possui registro regular na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Por isso, havendo recomendação médica, o plano de saúde deve custear a medicação.

Negativa de cobertura pelo plano de saúde

Ainda que o custeio do tratamento seja um direito do paciente, a negativa de cobertura do Kyprolis® (Carfilzomibe) é uma prática recorrente.

Geralmente, as operadoras alegam que a cobertura do medicamento não é obrigatória pois o mesmo não consta no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

No entanto, essa alegação é equivocada, afinal a Justiça entende que existem exceções para o rol taxativo, sendo possível a cobertura de tratamentos não previstos. Por isso, ao utilizar essa lista para limitar as opções de tratamento, o plano de saúde pode estar cometendo uma prática abusiva.

Assim, enquanto os procedimentos não fizerem parte do rol, o enfermo não pode ficar desprotegido. O direito ao tratamento tem sido garantido pelos Tribunais brasileiros, havendo inclusive uma Súmula sobre as negativas de cobertura por falta de previsão no rol:

“Havendo expressa indicação médica, é abusiva a negativa de cobertura de custeio de tratamento sob o argumento da sua natureza experimental ou por não estar previsto no rol de procedimentos da ANS.” (ADI 7.265/STF, TJSP)

Por isso, tendo a negativa do plano, o paciente poderá entrar com processo com pedido de liminar contra o plano de saúde.

Como ajuizar uma ação contra o plano de saúde?

Para ajuizar a ação, é recomendável buscar a orientação de um advogado especialista em Direito à Saúde e Direitos do Consumidor. Além disso, o paciente deve reunir alguns documentos:

  • a recomendação médica do tratamento com Kyprolis® (Carfilzomibe);
  • a negativa de cobertura por escrito (ou então o protocolo de atendimento caso a recusa tenha sido informada por ligação);
  • comprovantes de pagamento (caso o paciente tenha sido obrigado a arcar com as próprias despesas) para solicitar reembolso;
  • o comprovante de residência;
  • a carteirinha do plano de saúde;
  • o contrato com o plano de saúde (se possível);
  • cópias do RG e do CPF;
  • comprovantes de pagamentos das mensalidades (geralmente as duas últimas).
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Através da ação é possível garantir a cobertura do tratamento.

Cabe uma liminar nesse caso?

Sim. Visto que o tratamento do mieloma múltiplo deve ser iniciado com urgência, o paciente não pode esperar o andamento do processo judicial, que pode durar até dois anos.

Por isso, o beneficiário pode ajuizar a ação com o pedido de liminar e, assim, garantir a autorização para iniciar o tratamento o quanto antes.

Qual a jurisprudência sobre esses casos?

Como a negativa de tratamento é baseada em abuso por parte das seguradoras, o Poder Judiciário tem decidido favoravelmente aos pacientes, conforme jurisprudência:

Ementa: Agravo de instrumento. Obrigação de fazer c.c indenização por danos morais. Plano de saúde. Decisão agravada que concedeu a tutela antecipada pleiteada, para determinar que a Ré forneça o medicamento Carfilzomibe (Kyprolis) (…).” (TJSP, A.I.: 2052498-10.2021.8.26.0000)

Ementa: PLANO DE SAÚDE – PACIENTE PORTADOR DE MIELOMA MÚLTIPLO (CID-10: C90-0) – PRESCRIÇÃO DO MEDICAMENTO  “CARFILZOMIBE   (KYPROLIS)” – RECUSA  INJUSTIFICADA, SOB   O FUNDAMENTO DE QUE HÁ EXCLUSÃO CONTRATUAL PARA MEDICAMENTOS NÃO LISTADOS NO ROL DA ANS – ABUSIVIDADE (…).” (TJSP, A.C.: 1001081-45.2016.8.26.0506)

Bula do Kyprolis® (Carfilzomibe): principais informações

O Kyprolis® (Carfilzomibe) é indicado para tratar pacientes com mieloma múltiplo (câncer de células plasmáticas) que receberam pelo menos um tratamento prévio para esta condição.

Este medicamento é um inibidor do proteassoma, que é responsável por degradar proteínas danificadas e desnecessárias, desempenhando um papel importante na função e no crescimento celular.

Através do bloqueio dos proteassomas, as células sofrem com o excesso de proteínas, o que pode levar à morte celular. Visto que as células cancerosas costumam apresentar uma quantidade maior de proteínas anormais, elas morrem com mais facilidade.

O que devo saber antes de usar o Kyprolis® (Carfilzomibe)?

De acordo com a bula do Kyprolis® (Carfilzomibe), existem alguns efeitos colaterais que podem surgir com o uso da medicação. Os principais são:

  • infecção pulmonar e das vias aéreas;
  • tosse, que pode incluir sensação de aperto ou dor no peito e congestão nasal;
  • contagem baixa de plaquetas, glóbulos brancos, e glóbulos vermelhos;
  • alterações em exames de sangue;
  • redução do apetite;
  • insônia;
  • dor de cabeça;
  • adormecimento, formigamento ou menor sensibilidade nas mãos e pés;
  • tontura;
  • pressão alta;
  • falta de ar;
  • diarreia e constipação;
  • náusea e vômitos;
  • dor nas costas, juntas, pernas, braços, mãos e pés;
  • espasmos musculares;
  • febre;
  • inchaço das mãos, pés ou tornozelos;
  • sensação de fraqueza e fadiga.

Como devo usar o Kyprolis® (Carfilzomibe)?

O Kyprolis® (Carfilzomibe) deve ser administrado por um médico ou outro profissional de saúde, que também será responsável por determinar a dose necessária, com base no peso e estatura do paciente.

Cada período de 28 dias é considerado um ciclo de tratamento, e a terapia deve ser mantida até que a doença progrida. No entanto, caso o paciente apresente efeitos colaterais intoleráveis ou não tratáveis, o tratamento poderá ser interrompido.

Quando não devo usar este medicamento?

A bula do Kyprolis® (Carfilzomibe) alerta queo uso do medicamento é contraindicado para:

  • pacientes com hipersensibilidade a qualquer componente da formulação;
  • mulheres grávidas sem orientação médica.

Consultea bula original disponibilizada pela farmacêutica Amgen diretamente na ANVISA.

O Escritório Rosenbaum Advogados tem vasta experiência no setor de Direito à Saúde e Direitos do Consumidor. O contato pode ser feito através do formulário no site, WhatsApp ou pelo telefone (11) 3181-5581. O envio de documentos é totalmente digital.

Perguntas frequentes

O plano de saúde é obrigado a cobrir o Kyprolis?
Quando há prescrição médica fundamentada, o plano de saúde deve cobrir o Kyprolis. A jurisprudência brasileira, incluindo o Tema 990 do STJ e a ADI 7.265 do STF, respalda o direito do paciente à cobertura de medicamentos registrados na Anvisa.
O que fazer se o plano negou o Kyprolis?
Solicite a negativa por escrito, obtenha relatório médico detalhado com CID e justificativa clínica, registre reclamação na ANS (0800-701-9656) e procure orientação jurídica. Em casos urgentes, é possível requerer tutela de urgência.
É possível conseguir Kyprolis por meio de tutela de urgência?
Sim. A tutela de urgência é uma medida judicial que pode obrigar o plano a fornecer o medicamento de forma imediata, sob pena de multa diária. É necessário demonstrar a probabilidade do direito e o perigo da demora.
O Kyprolis é considerado medicamento de alto custo?
Sim. O Kyprolis é um medicamento de alto custo utilizado no tratamento de condições oncológicas. O valor elevado é uma das principais razões pelas quais os planos de saúde negam a cobertura.
O plano pode negar alegando que o medicamento não está no Rol da ANS?
Essa justificativa, isoladamente, não é suficiente para negar a cobertura. A ADI 7.265 do STF (2025) estabeleceu que o Rol é taxativo com exceções, permitindo a cobertura quando há prescrição médica, comprovação científica e registro na Anvisa.
Preciso de advogado para conseguir a cobertura do medicamento?
Embora não seja obrigatório, a orientação jurídica aumenta significativamente as chances de obter a cobertura. Um advogado pode analisar a situação, preparar a documentação necessária e, se preciso, ingressar com ação judicial.

Leo Rosenbaum

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