
O Imfinzi (durvalumabe) é um tratamento aplicado por injeção usado contra câncer de pulmão e vias biliares, com custo entre R$ 20.000 e R$ 35.000 por aplicação. Por ser caro, é frequente que planos de saúde neguem a cobertura — mesmo havendo prescrição médica.
A Justiça brasileira tem reconhecido o direito do paciente a receber o tratamento, com base em decisões recentes do STF e do STJ.
Esta página explica, em linguagem clara, como o Imfinzi funciona, o que dizem as leis, o que fazer diante de uma negativa e o que a Justiça já decidiu.
Para que serve o Imfinzi
O Imfinzi é indicado para o tratamento de câncer de pulmão (especialmente o tipo de células não pequenas em estágio III) e câncer das vias biliares. É considerado um marco importante no tratamento do câncer de pulmão localmente avançado, após quimioterapia e radioterapia.
O durvalumabe é o princípio ativo do Imfinzi — um remédio aplicado por infusão na veia, que ajuda o sistema imunológico do paciente a reconhecer e atacar as células do câncer.
Faz parte da família dos imunoterápicos (anticorpos anti-PD-L1). Foi desenvolvido pelo laboratório AstraZeneca.
Quanto custa o Imfinzi no Brasil
O preço médio do Imfinzi no Brasil varia entre R$ 20.000 e R$ 35.000 por aplicação, conforme a dose prescrita e a farmácia. Como o tratamento costuma ser contínuo e prolongado, o valor total se torna inviável para a maioria das famílias.
Por isso, o Imfinzi está entre os medicamentos de alto custo que mais geram disputas com planos de saúde no país.
O plano de saúde precisa cobrir o Imfinzi?
Sim, há base legal sólida para exigir a cobertura. A Lei 9.656/98, que regula os planos de saúde, prevê obrigatoriedade de cobertura para tratamentos de doenças que constam na Classificação Internacional de Doenças (CID-10) — caso da indicação do Imfinzi.
Em setembro de 2025, o STF reforçou esse entendimento ao julgar a ADI 7.265. Decidiu que o plano deve cobrir o tratamento mesmo quando ele não está na lista oficial da ANS.
Para isso, basta que o médico prescreva, que exista comprovação científica de eficácia, que o remédio tenha registro na Anvisa e que não haja alternativa equivalente já listada.
No caso do Imfinzi, esses pontos costumam estar atendidos quando o paciente tem o relatório médico em mãos.
O Superior Tribunal de Justiça também é firme nesse sentido. No Tema 990, o STJ entendeu que medicamentos com registro na Anvisa devem ser cobertos pelo plano, inclusive quando o uso é fora da bula oficial — desde que haja indicação médica e respaldo científico.
Por que os planos negam o Imfinzi

As negativas costumam vir com três justificativas: o remédio não estaria na lista da ANS; o uso seria fora da bula; ou seria considerado experimental.
Nenhuma dessas razões resiste à legislação atual quando há prescrição médica fundamentada. Em situações de negativa de medicamento, o paciente tem caminhos jurídicos claros para reverter a decisão.
O que fazer quando o plano nega
- Peça a negativa por escrito. Por lei, o plano é obrigado a fornecer a justificativa formal em até 24 horas. Esse documento é a base de qualquer ação judicial.
- Reúna o relatório médico detalhado. Ele deve conter o diagnóstico, a indicação do Imfinzi e o motivo pelo qual outros tratamentos não foram suficientes ou são contraindicados.
- Registre uma reclamação na ANS pelo telefone 0800 701 9656 ou pelo site da agência. Isso documenta a recusa formalmente.
- Procure um advogado com experiência em direito à saúde. Em casos de urgência, é possível pedir uma decisão liminar que obriga o plano a fornecer o medicamento enquanto o processo corre.
Tutela de urgência: o que é e quando cabe
A tutela de urgência é o mecanismo pelo qual o juiz pode determinar, no início do processo, que o plano forneça o Imfinzi imediatamente — sem esperar o julgamento final.
O pedido precisa demonstrar duas coisas: que há base legal para o direito e que a demora pode causar prejuízo grave à saúde do paciente.
Nos casos relacionados ao Imfinzi, a urgência costuma ser evidente — o atraso no tratamento pode permitir a progressão do câncer para estágios em que a cura se torna inviável.
Decisões da Justiça que reconheceram o direito
Os tribunais brasileiros têm decidido reiteradamente em favor de pacientes que precisam de imunoterapia para câncer de pulmão. Veja casos reais já decididos:
A Bradesco Saúde foi obrigada a custear o Imfinzi após decisão judicial favorável ao paciente. A NotreDame Intermédica também foi condenada a fornecer o tratamento.
A SulAmérica perdeu em caso semelhante e teve que custear o remédio.
Outras informações sobre o Imfinzi
O Imfinzi é tomado aplicação por infusão intravenosa em ambiente hospitalar. O protocolo padrão prevê aplicações a cada 2, 3 ou 4 semanas, conforme o caso.
Os efeitos colaterais mais comuns incluem cansaço, tosse, perda de apetite e, mais raramente, reações imunológicas que podem afetar pulmões, fígado, intestino e glândulas.
Por isso, o acompanhamento médico regular e exames periódicos são essenciais durante todo o tratamento. Mais informações técnicas estão disponíveis na bula registrada na Anvisa.
Quem está em tratamento com Imfinzi não deve interrompê-lo por conta própria. A descontinuação só pode ser decidida pelo médico.
Se houver intolerância ou resistência, o profissional pode considerar trocar para outro remédio da mesma família, como Tagrisso (osimertinibe).
Perguntas frequentes
Fale com o Rosenbaum Advogados
Se o seu plano de saúde negou a cobertura do Imfinzi, é possível buscar a Justiça para reverter a recusa. O Rosenbaum Advogados atua há mais de 25 anos na defesa de pacientes com doenças graves contra operadoras de planos de saúde.
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