Negativa cobertura Alecensa - Alectinib: Plano de Saúde
Home / Artigos e Noticias / Alecensa (Alectinibe): cobertura em NSCLC ALK+ — padrão 1ª linha

Alecensa (Alectinibe): cobertura em NSCLC ALK+ — padrão 1ª linha

Direito à Saúde, Remédio
negativa-cobertura-alecensa-alectinib-plano-de-saude
Publicado: julho 7, 2020 Atualizado: maio 15, 2026
Tempo estimado de leitura: 7 minutos

O Alecensa® (princípio ativo alectinibe) é um inibidor de ALK de segunda geração que firmou-se como padrão de 1ª linha em câncer de pulmão de células não-pequenas (NSCLC) com rearranjo ALK avançado em maioria dos centros mundialmente.

Indicação principal: NSCLC localmente avançado ou metastático com rearranjo ALK (translocação EML4-ALK ou outras fusões) — em 1ª linha, ou em 2ª linha após falha ao crizotinibe (Xalkori).

Também aprovado: adjuvante pós-cirurgia em NSCLC ALK+ estádio II-IIIA em 2024 (estudo ALINA, 2023), indicação relativamente nova que segue o paradigma do osimertinibe adjuvante em EGFR+.

Pertence ao trio de ALKi 2ª gen junto com brigatinibe (Alunbrig) e ceritinibe (Zykadia). Em 2026, alectinibe é o mais usado globalmente e considerado padrão. Lorlatinibe (Lorbrena, 3ª gen) é alternativa moderna em 1ª linha em alguns centros.

Custo: R$ 30 mil a R$ 50 mil/mês (600 mg 2×/dia). Em uso até progressão (mediana SLP 34,8 meses no ALEX em 1ª linha): custo total R$ 800 mil a R$ 1,7 milhão por linha. Em adjuvante: 2 anos fixos.

ALEX: o estudo que destronou o crizotinibe

Em junho de 2017, o ALEX mudou completamente o cenário de NSCLC ALK+ avançado em 1ª linha:

303 pacientes com NSCLC ALK+ avançado tratamento-naive. Randomização: alectinibe 600 mg 2×/dia vs crizotinibe 250 mg 2×/dia. Endpoint primário: sobrevida livre de progressão por avaliador independente.

Resultados (atualização de 2020, seguimento mediano 5 anos):

Sobrevida livre de progressão: 34,8 vs 10,9 meses com alectinibe vs crizotinibe — redução de 57% no risco de progressão.

Sobrevida global em 5 anos: 62,5% vs 45,5% com alectinibe — diferença de 17% absoluta.

Progressão em SNC: HR 0,16 a favor do alectinibe — redução dramática de progressão em mets cerebrais.

O ALEX firmou o alectinibe como padrão de 1ª linha em NSCLC ALK+ avançado globalmente. Crizotinibe foi deslocado para 2ª-3ª linha.

Penetração CNS: a vantagem decisiva sobre crizotinibe

Em NSCLC ALK+, 40-60% dos pacientes desenvolvem metástases cerebrais em algum momento da história natural — característica importante da população ALK+ (jovens, não-fumantes, alta incidência de progressão CNS).

O crizotinibe (Xalkori, 1ª gen) tem penetração CNS limitada — em pacientes em uso, mets cerebrais frequentemente são o 1º sítio de progressão (santuário CNS).

O alectinibe tem penetração CNS robusta: razão LCR/plasma de ~63%, vs ~0,3% do crizotinibe. Concentrações terapêuticas no SNC permitem tratar e prevenir mets cerebrais sem necessidade obrigatória de radioterapia.

No ALEX: redução de 84% no risco de progressão em SNC com alectinibe vs crizotinibe. Em pacientes com mets cerebrais ao diagnóstico (presentes em 40% dos pacientes do estudo), taxa de resposta CNS de 81% com alectinibe.

Implicação clínica: em NSCLC ALK+ recém-diagnosticado, o alectinibe pode dispensar radioterapia cerebral inicial em pacientes com mets cerebrais não-sintomáticas.

Vantagem importante — radioterapia cerebral tem efeitos cognitivos e radio-induzidos a longo prazo, especialmente relevantes em pacientes jovens com longa expectativa de sobrevida.

ALINA: adjuvante pós-cirurgia, paradigma novo

Em 2023, o ALINA firmou alectinibe em adjuvante pós-cirurgia em NSCLC ALK+:

257 pacientes com NSCLC ALK+ estádio IB (≥ 4 cm)-IIIA ressecado completamente. Randomização: alectinibe 600 mg 2×/dia por 2 anos vs quimio platina-baseada adjuvante.

Resultados:

Sobrevida livre de doença em 2 anos: 93,8% vs 63,0% com alectinibe vs quimio — redução de 76% no risco de recidiva ou morte (HR 0,24).

Em SNC especificamente: redução de 78% no risco de recidiva CNS.

A indicação adjuvante foi aprovada FDA em abril de 2024 e Anvisa em 2024-2025. ANS incorporou ao Rol em atualizações de 2025.

Esquema: alectinibe 600 mg 2×/dia por 2 anos fixos em adjuvante pós-cirurgia em NSCLC ALK+ estádio IB (≥ 4 cm) a IIIA com testagem molecular confirmada.

Custo total da adjuvância 2 anos: ~R$ 700 mil-1,2 milhão. Negativa de adjuvante mais comum por ser indicação recente e custo elevado em paciente clinicamente sem doença.

Toxicidade bem tolerada e o perfil prático

O alectinibe tem perfil de toxicidade significativamente mais favorável que crizotinibe — uma das razões da preferência clínica:

Mais frequentes (geralmente leves): constipação, fadiga, edema, mialgia, anemia, elevação de transaminases, elevação de CPK (geralmente assintomática), elevação de bilirrubina (alguns pacientes — geralmente sem repercussão clínica), rash, fotossensibilidade.

Mais relevantes mas menos frequentes:

Bradicardia: frequência cardíaca < 60 bpm em ~10-15%; geralmente assintomática.

Hepatotoxicidade severa: rara — monitorar transaminases e bilirrubina periodicamente.

Pneumonite intersticial: 1-3% — sintomas respiratórios novos exigem TC de tórax e suspensão.

Anemia hemolítica: efeito raro específico em alguns pacientes — geralmente leve, raramente exige descontinuação.

Rabdomiólise rara: em CPK persistentemente elevada, monitorar função renal.

Distúrbios visuais: distintos do crizotinibe (que tem “flashes” característicos). Em alectinibe, distúrbios visuais são raros e geralmente leves.

Diferente do crizotinibe, o alectinibe não causa o distúrbio visual característico (rastros luminosos, flashes) — vantagem em pacientes que precisam dirigir noturnamente ou em atividades visuais.

Mecanismos de resistência e o sequenciamento moderno

Pacientes em alectinibe acabam progredindo após mediana de ~35 meses em 1ª linha. Mecanismos de resistência:

Mutações em ALK: G1202R (mais comum), I1171T/N/S, V1180L, L1196M (mais raras). G1202R não é sensível ao alectinibe nem ao crizotinibe — apenas ao lorlatinibe (Lorbrena, 3ª gen).

Bypass por vias alternativas: amplificação de MET, ativação de outros oncogenes.

Transformação histológica: rara mas dramática — transformação para pequenas células (SCLC) ou epitelioide.

Sequenciamento moderno em pós-progressão ao alectinibe:

Rebiópsia (líquida ou tecidual) para identificar mecanismo de resistência.

G1202R ou outras mutações ALK: lorlatinibe (Lorbrena) é a escolha.

Bypass MET: alguns combos em estudo (alectinibe + capmatinibe; lorlatinibe + capmatinibe).

Transformação SCLC: regime de pequenas células (etoposídeo + carboplatina).

Sem mecanismo claro: lorlatinibe ou quimio platina-baseada.

Algumas situações específicas: progressão APENAS em SNC (oligoprogressão) — continuação do alectinibe + radioterapia estereotáxica é estratégia válida sem trocar a sistêmica.

Negativas frequentes em NSCLC ALK+

“Use Xalkori (crizotinibe) primeiro”: INCORRETO. Crizotinibe foi deslocado para 2ª-3ª linha pelo ALEX (2017). Alectinibe é padrão de 1ª linha hoje.

“Use Lorbrena (lorlatinibe) em vez de Alecensa”: cabível em alguns cenários — CROWN 2020 mostrou lorlatinibe com SLP NÃO ALCANÇADA em 5 anos.

A escolha em 1ª linha é institucional: alectinibe tem perfil de toxicidade mais favorável; lorlatinibe tem dados mais impressionantes em sobrevida, mas com efeitos cognitivos/psiquiátricos mais frequentes.

“Indicação adjuvante fora do Rol”: incorporada ao Rol em 2024-2025 com DUT específica (estádio IB ≥ 4 cm a IIIA ressecado, ALK+ confirmado). Em casos marginais ou em pacientes com perfil específico, ADI 7.265 do STF respalda.

“Restrição de testagem molecular”: a testagem ALK em NSCLC adenocarcinoma é parte obrigatória da avaliação molecular antes de indicação. Quando o plano nega a testagem em si, a cobertura é separada mas igualmente garantida (parte do Rol da ANS).

Como agir na negativa do Alecensa

Primeiro: negativa por escrito, com fundamento técnico.

Segundo: relatório oncológico — diagnóstico (NSCLC adenocarcinoma), estadiamento (TNM, incluindo SNC), testagem molecular ALK confirmando rearranjo (por FISH, IHQ ou NGS), tratamentos prévios (se aplicável), justificativa pela escolha do alectinibe específico.

Em NSCLC ALK+ recém-diagnosticado em piora clínica, em mets cerebrais sintomáticas, em NSCLC ALK+ ressecado com janela ótima para iniciar adjuvante, a tutela de urgência tem peso decisivo.

Veja o guia do que fazer quando o plano nega medicamento e os hubs paralelos: Xalkori (ALK 1ª gen — 2ª linha hoje), Lorbrena (ALK 3ª gen — pós-alectinibe), Tagrisso (EGFR 3ª gen — par molecular).

O plano de saúde é obrigado a cobrir o Alecensa (alectinibe)?
Sim. A indicação principal — NSCLC localmente avançado ou metastático com rearranjo ALK em 1ª ou 2ª linha — consta no Rol da ANS com Diretrizes de Utilização específicas. A indicação ADJUVANTE pós-cirurgia em NSCLC ALK+ estádio IB (≥ 4 cm) a IIIA, baseada no estudo ALINA (2023), foi incorporada ao Rol em 2024-2025. Em situações marginais (mutações ALK atípicas, perfis clínicos específicos), a ADI 7.265 do STF (setembro de 2025) consolidou a obrigação de cobertura com prescrição fundamentada e ausência de alternativa equivalente.
O Alecensa é a melhor opção em NSCLC ALK+?
Sim, em 1ª linha em maioria dos centros mundialmente. O estudo ALEX (2017) demonstrou superioridade do alectinibe vs crizotinibe em SLP (34,8 vs 10,9 meses), sobrevida global em 5 anos (62,5% vs 45,5%), e proteção CNS (HR 0,16 — redução de 84% no risco de progressão cerebral). Alectinibe é considerado padrão de 1ª linha em ALK+ avançado. Alternativa moderna em 1ª linha: lorlatinibe (Lorbrena, 3ª gen), com dados ainda mais impressionantes em sobrevida (CROWN 2020 — SLP não alcançada em 5 anos) mas com efeitos cognitivos mais frequentes. A escolha entre alectinibe e lorlatinibe é institucional. Crizotinibe (Xalkori, 1ª gen) foi deslocado para 2ª-3ª linha.
O Alecensa atravessa a barreira hematoencefálica?
Sim, e essa é uma de suas vantagens decisivas sobre crizotinibe. Razão LCR/plasma: ~63% (vs ~0,3% do crizotinibe) — concentrações terapêuticas no SNC permitem tratar e prevenir metástases cerebrais. No estudo ALEX, redução de 84% no risco de progressão CNS com alectinibe vs crizotinibe. Em pacientes com mets cerebrais ao diagnóstico (presentes em 40% dos pacientes do estudo), taxa de resposta CNS de 81%. Implicação prática: em NSCLC ALK+ recém-diagnosticado, o alectinibe pode dispensar radioterapia cerebral inicial em pacientes com mets cerebrais não-sintomáticas — vantagem importante (radioterapia tem efeitos cognitivos e radio-induzidos a longo prazo).
O que é a indicação adjuvante do Alecensa?
É a indicação aprovada em 2024 para pacientes com NSCLC ALK+ estádio IB (tumor ≥ 4 cm) a IIIA que tiveram ressecção cirúrgica completa. Baseada no estudo ALINA (2023): alectinibe 600 mg 2×/dia por 2 anos vs quimio platina-baseada adjuvante. Resultados: sobrevida livre de doença em 2 anos 93,8% vs 63,0% (redução de 76% no risco de recidiva ou morte). Particularmente impactante em redução de recidiva CNS (HR 0,22). A indicação foi incorporada ao Rol da ANS em 2024-2025. Esquema: alectinibe 600 mg 2×/dia por 2 anos fixos pós-cirurgia. Custo total da adjuvância: ~R$ 700 mil-1,2 milhão. Negativa de adjuvante é mais comum por ser indicação recente — defesa fundamentada em ALINA + DUT da ANS.
Qual a diferença entre Alecensa, Xalkori e Lorbrena?
Geração ALKi: Xalkori (crizotinibe) é 1ª gen; Alecensa (alectinibe) é 2ª gen; Lorbrena (lorlatinibe) é 3ª gen. Potência e seletividade: cada geração é mais potente que a anterior contra ALK e cobre mais mutações resistentes. Penetração CNS: crizotinibe (limitada — santuário CNS); alectinibe (boa — razão LCR/plasma ~63%); lorlatinibe (excelente — pode tratar mets cerebrais sem radioterapia). Cobertura de mutações: lorlatinibe cobre G1202R (resistência mais comum); alectinibe cobre algumas mas não G1202R; crizotinibe cobre menos. Sequenciamento moderno em ALK+ avançado: alectinibe (ou lorlatinibe) em 1ª linha → outro ALKi em 2ª linha após progressão com rebiópsia para identificar mecanismo. Crizotinibe permanece em ROS1+ (onde tem aprovação específica) e em situações restritas.
O Alecensa causa muito efeito adverso?
Tem perfil de toxicidade significativamente mais favorável que crizotinibe — uma das razões da preferência clínica. Mais frequentes (geralmente leves): constipação, fadiga, edema, mialgia, anemia, elevação de transaminases/bilirrubina/CPK (frequentemente sem repercussão clínica), rash, fotossensibilidade. Bradicardia em ~10-15% (geralmente assintomática). Mais relevantes mas menos frequentes: hepatotoxicidade severa rara, pneumonite intersticial (1-3% — TC se sintomas respiratórios novos), anemia hemolítica rara, rabdomiólise rara. Distúrbios visuais característicos do crizotinibe (rastros, flashes) NÃO ocorrem com alectinibe — vantagem para direção noturna. A maioria dos pacientes tolera o alectinibe bem, com baixa taxa de descontinuação por toxicidade.
Quanto custa o tratamento com Alecensa?
R$ 30 mil a R$ 50 mil por mês (600 mg 2×/dia, 224 cápsulas). Em uso até progressão em 1ª linha (mediana SLP no ALEX 34,8 meses): R$ 800 mil a R$ 1,7 milhão por linha de tratamento. Em pacientes excepcionais com uso prolongado, pode ultrapassar R$ 2 milhões. Em adjuvante (2 anos fixos): R$ 700 mil a R$ 1,2 milhão. Comparativamente, Xalkori (crizotinibe) custa R$ 18-35 mil/mês; Lorbrena (lorlatinibe) custa R$ 35-55 mil/mês. Alectinibe é um dos TKIs ALK mais caros, justificando a defesa fundamentada da indicação. A relação custo-eficácia é favorável dado o ganho de sobrevida demonstrado no ALEX e ALINA.

Mais informações

Se você passou por uma negativa de cobertura do Alecensa (alectinibe) ou tem dúvidas sobre o caminho a seguir, pode entrar em contato com a Rosenbaum Advogados para que a sua situação seja analisada.

Leo Rosenbaum

MAIS ARTIGOS

Nossa reputação é de excelência em serviços jurídicos

Avaliação dos clientes
ROSENBAUM ADVOGADOS

Fale com a nossa equipe de especialistas, e dê o primeiro passo rumo à solução dos seus desafios.

FALE CONOSCO
Shares