
O Evenity® (princípio ativo romosozumabe) é um medicamento injetável usado para tratar a osteoporose grave em mulheres na pós-menopausa com alto risco de fratura.
É uma medicação de uso limitado a 12 meses, com mecanismo de dupla ação: forma osso novo e freia a perda óssea ao mesmo tempo. O custo anual pode passar de R$ 40 mil.
Quando o plano de saúde recusa a cobertura, a Justiça tem reconhecido o direito da paciente — em especial nos casos com fraturas prévias ou densitometria com perda severa.
A paciente que precisa do Evenity
O perfil mais frequente é o de mulheres na pós-menopausa que já sofreram uma ou mais fraturas por osteoporose, ou que apresentam T-score muito baixo na densitometria óssea.
Também são candidatas pacientes que não responderam ou não toleraram outros tratamentos — como bifosfonatos (alendronato, risedronato) ou denosumabe (Prolia).
A escolha pelo Evenity considera não só os exames, mas o contexto clínico completo: idade, comorbidades, qualidade óssea, histórico de quedas e fraturas em parentes próximos.
Dupla ação: forma osso novo e freia a perda
O romosozumabe é um anticorpo monoclonal anti-esclerostina. A esclerostina é uma proteína que normalmente bloqueia a formação óssea — o Evenity neutraliza essa proteína.
Ao mesmo tempo, o medicamento reduz a reabsorção óssea, ou seja, freia a perda. Essa combinação é única no arsenal contra osteoporose — outros medicamentos só fazem uma das duas coisas.
O resultado é um ganho de massa óssea expressivo em curto prazo, especialmente na coluna lombar. Os estudos clínicos mostraram redução do risco de novas fraturas vertebrais já nos primeiros meses de tratamento.
Por que o tratamento é limitado a 12 meses
Diferentemente dos bifosfonatos, que podem ser usados por anos, o Evenity tem uma janela definida de 12 meses de aplicação mensal.
Após esse período, o efeito anabólico (de formação óssea) se esgota — o medicamento deixa de estimular a produção. Por isso, encerrar o ciclo é parte do protocolo.
O cuidado essencial vem depois: ao terminar o Evenity, é fundamental seguir com outro tratamento antirreabsortivo (denosumabe ou bifosfonato), sob pena de perder rapidamente todo o ganho conquistado.
Quanto custa um ano de Evenity
O Evenity é vendido em seringa preenchida com duas doses de 105 mg (total 210 mg por aplicação mensal). As cotações em 2026 ficaram entre R$ 3.000 e R$ 4.500 por caixa com duas seringas.
O esquema padrão é uma aplicação por mês durante 12 meses. O custo do tratamento completo gira em torno de R$ 40 mil a R$ 50 mil, sem contar exames de acompanhamento.
Por se tratar de um medicamento de alto custo, o Evenity é alvo frequente de negativa pelos planos de saúde.
Cobertura pelo Rol da ANS e os pontos de atrito
A inclusão do romosozumabe no Rol da ANS é recente e vem com Diretrizes de Utilização (DUT) bastante restritivas: T-score muito baixo, histórico de fraturas, falha de tratamentos prévios.
O atrito mais comum acontece quando a paciente cumpre parcialmente os critérios da DUT — por exemplo, tem fratura mas o T-score não atinge o limite exato, ou vice-versa.
Nesses casos, a recusa do plano costuma ser contornável com fundamentação clínica. A ADI 7.265 do STF (setembro de 2025) permite cobertura mesmo fora dos critérios estritos, quando há prescrição médica fundamentada e ausência de alternativa equivalente.
Outro ponto de tensão é a cobertura por todo o ciclo de 12 meses. Alguns planos autorizam mês a mês, o que cria risco de interrupção. A regra é: autorizado o tratamento, ele deve ir até o fim.
O caminho prático para reverter a negativa
- Negativa por escrito do plano, com justificativa e protocolo. É o documento que sustenta qualquer ação posterior.
- Relatório médico detalhado: histórico de fraturas, resultado da densitometria (T-score lombar e do quadril), exames laboratoriais, tratamentos anteriores e por que falharam, justificativa para o Evenity.
- Densitometria óssea recente e laudos de fraturas prévias (radiografias, ressonâncias).
- Recurso administrativo junto ao plano e à ANS (resposta média em 10 dias úteis).
- Via judicial se a negativa persistir. Veja o guia geral sobre o que fazer quando o plano nega medicamento.
Tutela de urgência e o que os tribunais vêm decidindo
Em osteoporose grave, o perigo da demora se mede em risco de nova fratura — situação que pode levar a perda de mobilidade, cirurgia ortopédica complexa e até óbito em idosas.
A tutela de urgência (liminar) costuma ser concedida quando o relatório médico documenta o risco e mostra o histórico de fraturas. Não há prazo garantido — depende do juiz, da comarca e da forma como o pedido é instruído.
A jurisprudência tem se mostrado favorável: medicamento com registro Anvisa e prescrição fundamentada deve ser custeado pelo plano, conforme o Tema 990 do STJ.
Decisões em medicamentos da mesma área terapêutica (como denosumabe/Prolia ou teriparatida/Forteo) reforçam essa lógica nos tribunais brasileiros.
Mais informações
Se você passou por uma negativa de cobertura do Evenity ou tem dúvidas sobre o caminho a seguir, pode entrar em contato com a Rosenbaum Advogados para que a sua situação seja analisada.