Ofev® (Nintedanibe) Pelo Plano De Saúde - Seus Direitos
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Ofev (Nintedanibe) negado pelo plano? Seus direitos

Direito à Saúde, Remédio
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Publicado: agosto 28, 2020 Atualizado: maio 13, 2026
Tempo estimado de leitura: 5 minutos

O Ofev® (princípio ativo nintedanibe) é um medicamento oral indicado para o tratamento da fibrose pulmonar idiopática (FPI), da doença pulmonar intersticial associada à esclerose sistêmica e de outras ILDs fibrosantes progressivas.

Diferentemente da maioria dos medicamentos de alto custo no escopo deste site (que são antineoplásicos ou imunobiológicos), o Ofev é um antifibrótico. Atua para frear a formação de tecido cicatricial no pulmão.

O custo mensal fica entre R$ 8 mil e R$ 14 mil. Quando o plano de saúde nega a cobertura, a Justiça tem reconhecido o direito do paciente — em especial pela ausência de alternativa equivalente na FPI.

Fibrose pulmonar idiopática: a corrida contra a perda de função

A fibrose pulmonar idiopática (FPI) é uma doença em que o pulmão é progressivamente substituído por tecido cicatricial (fibrose), sem causa identificável. Os alvéolos perdem a capacidade de trocar oxigênio e gás carbônico.

O paciente apresenta tosse seca persistente, falta de ar progressiva (inicialmente aos esforços, depois em repouso), perda de peso. Sem tratamento, a expectativa média após o diagnóstico é de 3 a 5 anos.

O Ofev é um dos dois únicos medicamentos aprovados para retardar a progressão da FPI (o outro é a pirfenidona/Esbriet). Não cura a doença, mas reduz significativamente a velocidade de perda de função pulmonar e o risco de exacerbações.

Como o nintedanibe age contra a fibrose

O nintedanibe é um inibidor de tirosina quinase multi-alvo: bloqueia receptores envolvidos no recrutamento de fibroblastos e na formação do tecido cicatricial — VEGFR, PDGFR, FGFR.

Mecanismo curioso: é o mesmo grupo de proteínas-alvo que vários TKIs oncológicos atacam. Aqui, em vez de “matar” um tumor, o nintedanibe interrompe a “cicatrização exagerada” que destrói o pulmão.

Por isso, o Ofev tem um perfil de efeitos colaterais semelhante aos antiangiogênicos oncológicos — fadiga, diarreia (frequente e às vezes limitante), alterações hepáticas. O acompanhamento periódico de função hepática é parte do protocolo.

Outras ILDs respondem ao Ofev

A indicação inicial foi a FPI. Mas o nintedanibe se mostrou eficaz em doença pulmonar intersticial associada à esclerose sistêmica (ES-ILD) — onde a fibrose pulmonar surge no contexto da esclerodermia.

E também em ILDs fibrosantes progressivas de outras causas: sarcoidose, fibrose secundária a doenças autoimunes, hipersensibilidade crônica e outras condições em que a doença pulmonar segue padrão de progressão fibrosante.

Essa indicação ampliada — “ILD fibrosante progressiva” como conceito — é mais recente e nem sempre alinhada com DUTs vigentes. É nesse ponto que a maioria das negativas dos planos acontece.

Preço e custo do tratamento ao longo do tempo

O Ofev é vendido em cápsulas de 100 mg ou 150 mg, em caixas com 60 cápsulas (suficientes para 30 dias). As cotações em 2026 ficam entre R$ 8 mil e R$ 14 mil por caixa.

A dose padrão é 150 mg duas vezes ao dia. Em pacientes com intolerância (especialmente diarreia), pode ser reduzida para 100 mg duas vezes ao dia.

O tratamento é contínuo, enquanto houver tolerância e benefício clínico — pode se prolongar por anos. O custo anual fica entre R$ 95 mil e R$ 170 mil. Como medicamento de alto custo, o Ofev é alvo recorrente de negativa.

Cobertura: Rol da ANS, indicações ampliadas e a ausência de alternativa

O nintedanibe está no Rol da ANS para FPI com critérios das Diretrizes de Utilização (DUT). Para ES-ILD e ILD fibrosante progressiva não-FPI, a inclusão é mais recente e nem sempre totalmente alinhada com as DUTs vigentes.

Em situações fora dos critérios estritos, vale a ADI 7.265 do STF (setembro de 2025). O critério da ausência de alternativa equivalente é particularmente atendido na FPI — onde só existem dois antifibróticos aprovados, e o nintedanibe é um deles.

Em ILDs fibrosantes não-FPI, a defesa é igualmente forte pelo mesmo argumento: o pneumologista precisa justificar por que outras opções não são adequadas para o caso específico.

Caminho prático e tutela de urgência

Primeiro: negativa por escrito com justificativa e protocolo. Segundo: relatório pneumológico — diagnóstico (CID), tomografia de tórax (padrão UIP, fibrose), função pulmonar (FVC, DLCO), evolução documentada.

Em fibrose pulmonar progressiva, o atraso pode significar perda de função pulmonar irreversível — situação típica de tutela de urgência.

O juiz analisa probabilidade do direito (laudo, registro Anvisa, ausência de alternativa) e perigo da demora. Casos bem instruídos costumam ter análise compatível com a urgência. Veja o guia geral sobre o que fazer quando o plano nega medicamento.

O plano de saúde é obrigado a cobrir o Ofev?
Sim, quando há prescrição médica e a indicação está prevista no Rol da ANS (fibrose pulmonar idiopática com critérios da DUT cumpridos). Para outras ILDs fibrosantes progressivas ou esclerose sistêmica com ILD, a cobertura também pode ser exigida com base na ADI 7.265 do STF: prescrição médica fundamentada, ausência de alternativa equivalente, registro Anvisa e comprovação científica.
Qual a diferença entre Ofev e Esbriet?
São os dois únicos antifibróticos aprovados para fibrose pulmonar idiopática. Esbriet (pirfenidona) e Ofev (nintedanibe) atuam em vias moleculares diferentes, mas têm efeito final semelhante — reduzir a velocidade de perda da função pulmonar. A escolha entre eles cabe ao pneumologista, considerando perfil de tolerância (Esbriet tem mais efeitos cutâneos, Ofev mais diarreia), interações medicamentosas e outras condições do paciente.
O plano pode me obrigar a usar Esbriet em vez de Ofev?
Não unilateralmente. A escolha entre os dois antifibróticos cabe ao pneumologista assistente, considerando o perfil clínico individual. Quando o médico justifica clinicamente a escolha pelo Ofev (intolerância ao Esbriet, perfil de tolerância, interações medicamentosas), a substituição imposta pelo plano pode ser considerada abusiva.
O Ofev para ILD não-FPI é coberto?
A indicação para ILDs fibrosantes progressivas não-FPI (ES-ILD, sarcoidose, hipersensibilidade crônica fibrosante) é mais recente. A cobertura pode ser exigida com base na ADI 7.265 do STF, desde que o pneumologista documente: ILD com padrão fibrosante progressivo, função pulmonar em deterioração e justificativa clínica para o Ofev. A ausência de alternativa equivalente reforça o pedido.
Quanto custa o tratamento anual com Ofev?
Com caixas custando entre R$ 8 mil e R$ 14 mil em 2026 (60 cápsulas de 150 mg, suficientes para 30 dias), e uso contínuo, o custo anual fica entre R$ 95 mil e R$ 170 mil. O valor varia conforme a dose prescrita (150 mg ou 100 mg duas vezes ao dia).
O Ofev pelo SUS é diferente do oferecido pelo plano?
O princípio ativo é o mesmo (nintedanibe). O acesso pelo SUS depende do Protocolo Clínico do Ministério da Saúde para fibrose pulmonar idiopática, com critérios próprios. É um caminho independente do plano de saúde.
Posso interromper o Ofev se a função pulmonar estabilizar?
A interrupção pode levar à retomada da progressão da fibrose. O Ofev freia a velocidade de perda, mas não reverte a fibrose já estabelecida. Qualquer mudança na dose ou suspensão precisa ser orientada pelo pneumologista, que avalia se o paciente continua se beneficiando do tratamento.

Mais informações

Se você passou por uma negativa de cobertura do Ofev ou tem dúvidas sobre o caminho a seguir, pode entrar em contato com a Rosenbaum Advogados para que a sua situação seja analisada.

Leo Rosenbaum

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