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Mevatyl (Nabiximois/Sativex): cobertura para espasticidade na EM pelo plano

Direito à Saúde, Remédio
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Publicado: fevereiro 6, 2022 Atualizado: julho 7, 2026
Tempo estimado de leitura: 7 minutos

O Mevatyl® (princípio ativo nabiximois, conhecido internacionalmente como Sativex®) é um spray oromucosal de canabinoides padronizado — proporção 1:1 de THC (delta-9-tetrahidrocanabinol) e CBD (canabidiol).

Foi o primeiro produto à base de cannabis aprovado como medicamento pela Anvisa (registro em 2017), em uma categoria farmacológica distinta dos canabidiois isolados (CBD puro, óleos magistrais) e dos derivados sem aprovação formal.

Indicação aprovada: espasticidade moderada a grave refratária em pacientes com esclerose múltipla que não responderam aos antiespásticos convencionais (baclofeno, tizanidina, gabapentina, dantrolene).

É o único hub do sprint onde cannabis tem indicação farmacológica formal no Brasil — categoria distinta dos canabidiois magistrais/importados.

Custo: R$ 2 mil a R$ 4 mil/mês, dependendo da dose individual (média 6-12 borrifadas/dia, frasco de 10 mL com 90 doses). Tratamento crônico, prolongando-se por meses ou anos.

CBD e THC: dois mundos farmacológicos no mesmo medicamento

A planta Cannabis sativa produz mais de 100 fitocanabinoides. Os dois principais farmacologicamente:

THC (Δ-9-tetrahidrocanabinol): agonista parcial dos receptores canabinoides CB1 (SNC) e CB2 (sistema imune periférico).

Responsável pelo efeito psicoativo (euforia, alteração de percepção) e pelas ações antiespasmódica, analgésica e antiemética. Em altas doses ou pessoas suscetíveis, pode causar ansiedade, paranoia e taquicardia.

CBD (canabidiol): ação complexa — modulador alostérico negativo do CB1 (atenua o efeito do THC), agonista de receptores 5-HT1A (serotonina), inibidor da degradação de anandamida e modulador de canais TRPV1.

Não-psicoativo, anti-inflamatório, ansiolítico e anticonvulsivante — daí o uso isolado em epilepsias refratárias, ansiedade e outras indicações distintas das do nabiximois.

A combinação CBD + THC em proporção 1:1 do nabiximois explora sinergia + atenuação: o THC traz a ação antiespasmódica desejada, o CBD modula seus efeitos psicoativos e ansiogênicos. Resultado: tolerabilidade muito superior ao THC isolado em doses equivalentes.

Espasticidade na EM: o problema clínico que o Mevatyl trata

A espasticidade é um dos sintomas mais incapacitantes da esclerose múltipla — aumento do tônus muscular, espasmos involuntários, contraturas, dor crônica, comprometimento da marcha, transferências e autocuidado.

Afeta 60-80% dos pacientes com EM em algum momento e é fator importante de perda de qualidade de vida, dependência e custos de cuidado (cadeira de rodas, cuidador, adaptações domiciliares).

Tratamento padrão: baclofeno oral, tizanidina, gabapentina, dantrolene, diazepam. Em casos refratários ou intoleráveis aos orais: baclofeno intratecal (bomba implantada), toxina botulínica (espasticidade focal).

Em 20-40% dos pacientes, mesmo com tratamento otimizado, a espasticidade permanece moderada-grave. É nesse cenário — refratariedade documentada — que o nabiximois encontra sua janela.

Estudos clínicos e o “responder analysis”

A aprovação do nabiximois para espasticidade na EM se baseou em estudos randomizados controlados (Collin 2007, 2010; Novotna 2011) que mostraram redução estatisticamente significativa do escore subjetivo de espasticidade (NRS) em pacientes refratários.

Característica importante: resposta clínica concentrada em subgrupo. Em torno de 40% dos pacientes apresentam resposta substancial (redução ≥ 30% do NRS de espasticidade); o restante, resposta marginal ou ausente.

Por isso, o protocolo padrão inclui um teste terapêutico de 4 semanas com escalonamento progressivo — 1 borrifada de manhã, +1 a cada 1-2 dias.

Se ao fim de 4 semanas não houver redução substancial documentada, suspende-se. Se houver resposta, mantém-se a dose mínima eficaz.

Dose padrão estabilizada: 6 a 12 borrifadas/dia divididas em manhã, tarde e noite. Cada borrifada entrega 2,7 mg de THC + 2,5 mg de CBD.

Efeitos adversos e contraindicações

Mais frequentes: tontura (25-30%), fadiga, sonolência, boca seca, alteração de paladar/queimação oral no local da aplicação, náuseas leves. Geralmente leves e tendem a diminuir com tempo.

Mais relevantes: alteração cognitiva leve (atenção, memória de curto prazo — pode ser ponderada conforme atividade profissional do paciente), ansiedade/paranoia raras (mais em titulação rápida), queda de pressão (cuidado em idosos), aumento de frequência cardíaca.

Direção veicular: orientação é não dirigir durante a fase de titulação (4-8 semanas iniciais). Após dose estabilizada e adaptação, dirigir pode ser permitido, mas a recomendação varia conforme legislação local e o estado funcional do paciente.

Contraindicações: doença psiquiátrica grave (esquizofrenia, psicose, bipolar tipo I em descompensação), gestação, lactação, pacientes < 18 anos (off-label), hepatopatia grave.

Antecedente de dependência química exige avaliação caso a caso — risco de dependência ao nabiximois nas doses terapêuticas é considerado baixo, mas exige acompanhamento.

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Mevatyl vs CBD magistral: a distinção que importa

Existem outras categorias de produtos à base de cannabis no Brasil — frequentemente confundidas com o Mevatyl:

CBD puro/isolado importado ou nacional: produtos como Hempflex, Purodiol, Cannabis Belle, Purigen, em geral autorizados sanitariamente pela Anvisa (RDC 327/2019).

Não são medicamentos com registro pleno, mas produtos de uso terapêutico sob prescrição — usados em epilepsia refratária, ansiedade, dor crônica, autismo e múltiplas indicações em pesquisa.

Importação direta de produtos estrangeiros com autorização Anvisa (Epidiolex, Charlotte’s Web, etc.). Cada paciente solicita autorização individual.

Mevatyl/Sativex: medicamento registrado pela Anvisa, com bula completa, fabricação padronizada e indicação formal (espasticidade na EM). Diferente — tem todo o respaldo regulatório de um produto farmacêutico tradicional.

Na disputa com planos de saúde, essa distinção é central. O Mevatyl tem registro pleno e indicação aprovada — não cabe argumento de “produto experimental” ou “uso compassivo”. Outras formulações canabinoides (CBD magistral, Hempflex, etc.) seguem outra lógica.

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Negativas mais comuns e a resposta

“Não consta no Rol da ANS”: o nabiximois NÃO está no Rol como indicação obrigatória.

Mas a ADI 7.265 do STF (setembro de 2025) consolidou cobertura para tratamentos com registro Anvisa, prescrição fundamentada e ausência de alternativa — situação típica em espasticidade refratária da EM.

“Use baclofeno/tizanidina primeiro”: cabe se o paciente ainda não usou antiespásticos convencionais. Não cabe em refratariedade documentada — situação majoritária dos pleitos. A negativa requer revisão da história clínica detalhada.

“É produto experimental, sem indicação”: argumento incorreto. Tem registro Anvisa, indicação formal, estudos clínicos publicados em periódicos peer-reviewed. Não é experimental.

“Use CBD magistral mais barato”: tecnicamente o CBD isolado NÃO substitui o nabiximois — proporção e ação do THC são essenciais para a ação antiespasmódica. A “alternativa” proposta tem mecanismo distinto.

Como agir na negativa

Primeiro: negativa por escrito, com fundamento técnico.

Segundo: relatório neurológico detalhado — diagnóstico de EM (CID, forma clínica, EDSS) e grau de espasticidade (Escala de Ashworth Modificada e NRS).

Inclua os antiespásticos prévios (doses máximas toleradas, motivos de falha ou intolerância) e a recomendação de teste terapêutico de 4 semanas com nabiximois.

A ADI 7.265 do STF respalda a cobertura mesmo fora do Rol, com prescrição fundamentada.

Em espasticidade severa com risco de contratura/lesão tecidual, em perda funcional progressiva (marcha, transferências), em dor refratária associada à espasticidade, a tutela de urgência tem peso.

Veja o guia do que fazer quando o plano nega medicamento e os hubs paralelos de EM: Ocrevus, Tysabri, Fampyra (marcha), Mavenclad.

O plano de saúde é obrigado a cobrir o Mevatyl (nabiximois)?
Em espasticidade refratária na esclerose múltipla, sim. O nabiximois (Mevatyl/Sativex) tem registro Anvisa com indicação formal nessa situação clínica específica. Embora não esteja no Rol da ANS como indicação obrigatória, a ADI 7.265 do STF (setembro de 2025) consolidou a obrigação de cobertura para tratamentos com registro Anvisa, prescrição fundamentada e ausência de alternativa equivalente — situação típica em pacientes que falharam aos antiespásticos convencionais (baclofeno, tizanidina, gabapentina, dantrolene).
Qual a diferença entre Mevatyl e CBD magistral?
O Mevatyl/Sativex (nabiximois) é um MEDICAMENTO com registro pleno na Anvisa, com bula, indicação formal aprovada (espasticidade refratária na EM), fabricação padronizada, posologia padronizada (spray oromucosal com 2,7 mg de THC + 2,5 mg de CBD por borrifada). Já o CBD magistral/isolado/importado segue outra categoria regulatória — RDC 327/2019 — autorização sanitária de produto terapêutico, sem registro pleno. As indicações são distintas (CBD: epilepsia refratária, ansiedade, dor; nabiximois: espasticidade na EM). A proporção de THC é essencial para a ação antiespasmódica do nabiximois — CBD puro não substitui.
O Mevatyl causa dependência ou efeito psicoativo?
Risco de dependência é considerado baixo nas doses terapêuticas (6-12 borrifadas/dia divididas). O CBD na proporção 1:1 atenua os efeitos psicoativos do THC, e a entrega oromucosal lenta evita o pico plasmático abrupto que caracteriza a inalação recreativa. Em pacientes com antecedente de dependência química, a avaliação é caso a caso. Os efeitos de alteração cognitiva leve (atenção, memória) são geralmente leves e diminuem após adaptação. Em titulação rápida ou em pessoas suscetíveis, pode ocorrer ansiedade — daí o protocolo de escalonamento gradual em 4 semanas.
Posso dirigir tomando Mevatyl?
Durante a fase inicial de titulação (4-8 semanas iniciais), a recomendação é não dirigir. Após dose estabilizada e adaptação clínica, dirigir pode ser permitido em muitos pacientes, mas a orientação é individual — depende do estado funcional, da resposta cognitiva do paciente, e da legislação local sobre direção e canabinoides medicinais. Recomenda-se conversa explícita com o neurologista antes de retomar atividades que exigem atenção sustentada (direção, operação de máquinas, atividade profissional sensível).
Por quanto tempo dura o tratamento?
Indefinidamente enquanto houver benefício clínico documentado. Como tratamento sintomático da espasticidade (não modifica curso da EM), é uso crônico, mantido enquanto a espasticidade for ativa e o paciente responder. A reavaliação periódica (a cada 3-6 meses) é parte do cuidado — em alguns pacientes em remissão sintomática, doses podem ser reduzidas ou suspensa temporariamente para teste. Não há limite formal de tempo, e o estudo de extensão de longo prazo demonstrou segurança em uso por > 12 meses.
Qual o efeito adverso mais comum?
Tontura é o mais frequente (25-30% dos pacientes), geralmente leve e tendendo a diminuir com adaptação. Outros frequentes: fadiga, sonolência, boca seca, alteração de paladar, queimação oral no local da aplicação (oromucosal — alternar lados ajuda), náuseas leves. Mais relevantes mas menos frequentes: alteração cognitiva leve (atenção, memória de curto prazo), ansiedade rara, hipotensão postural (cuidado em idosos), aumento da frequência cardíaca. A maioria gerencia-se com escalonamento lento e ajuste de dose. A descontinuação por intolerância ocorre em ~10-15% dos pacientes.
O Mevatyl substitui Ocrevus/Tysabri/outros tratamentos da EM?
Não. O Mevatyl é tratamento SINTOMÁTICO da espasticidade — não modifica o curso da doença. Os tratamentos modificadores (DMTs) como ocrelizumabe (Ocrevus), natalizumabe (Tysabri), fingolimode, interferons, glatirâmer, ofatumumabe (Kesimpta), cladribina (Mavenclad) atuam no processo autoimune da EM, reduzindo surtos e atrasando progressão. O Mevatyl é complementar — usado em paralelo aos DMTs quando há espasticidade sintomática refratária. Já o Fampyra (fampridina) é outro sintomático complementar, mas para melhorar velocidade de marcha, não para espasticidade.

Mais informações

Se você passou por uma negativa de cobertura do Mevatyl (nabiximois) ou tem dúvidas sobre o caminho a seguir, pode entrar em contato com a Rosenbaum Advogados para que a sua situação seja analisada.

Decisões favoráveis sobre Mevatyl

O Rosenbaum Advogados já obteve decisões judiciais reais em casos envolvendo Mevatyl e planos de saúde. Conheça alguns desses casos:

Este conteúdo integra o panorama do Observatório Rosenbaum de Planos de Saúde, levantamento de mais de 52 mil decisões públicas do TJSP sobre planos de saúde.

Leo Rosenbaum

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