Medicamento de Alto Custo Negado? Seus Direitos [2026]
Home / Advogado de plano de saúde: quando contratar e o que esperar / Medicamento de alto custo pelo plano de saúde

Medicamento de alto custo pelo plano de saúde

O fornecimento de medicamento de alto custo pelo plano de saúde e pelo SUS, nos casos em que há prescrição médica, é um direito do paciente de acordo com o entendimento dos tribunais. Saiba seus direitos nestes casos.

Avaliação sem compromisso · Resposta em até 24h

Se o seu plano de saúde negou a cobertura de um medicamento de alto custo, saiba que a legislação brasileira e a jurisprudência dos tribunais superiores oferecem caminhos jurídicos para buscar o acesso ao tratamento. Nesta página, reunimos todas as informações sobre seus direitos, a base legal atualizada e os medicamentos mais negados pelas operadoras.

A Rosenbaum Advogados atua na defesa dos direitos dos pacientes, compreendendo a urgência de quem precisa iniciar uma terapia medicamentosa. A seguir, explicamos os fundamentos legais, as justificativas das operadoras, a jurisprudência vigente e as etapas para questionar a negativa.

Por que os planos de saúde negam medicamentos de alto custo

Para recusar o custeio de uma medicação de valor elevado, as operadoras utilizam argumentos técnicos e contratuais. Abaixo, detalhamos as principais situações enfrentadas pelos beneficiários e os contrapontos jurídicos:

Ausência no Rol da ANS

Esta é a justificativa mais frequente. O plano alega que o medicamento não consta na lista de procedimentos obrigatórios da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) e, portanto, não haveria dever de cobertura.

No entanto, desde setembro de 2025, o Supremo Tribunal Federal definiu na ADI 7.265 que o Rol da ANS é taxativo, porém com exceções. Quando preenchidos cinco requisitos cumulativos, o paciente pode ter direito à cobertura mesmo para medicamentos fora do Rol:

  • Prescrição médica fundamentada por profissional habilitado
  • Ausência de negativa expressa da ANS para aquele medicamento
  • Inexistência de alternativa terapêutica equivalente no Rol
  • Comprovação científica de eficácia (medicina baseada em evidências)
  • Registro do medicamento na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa)

Uso off-label

O termo off-label refere-se ao uso de um medicamento para uma finalidade diferente daquela descrita originalmente na bula. Por exemplo: o médico prescreve um fármaco indicado para um tipo específico de câncer para tratar outra forma da doença, com base em estudos científicos.

O Tema 990 do Superior Tribunal de Justiça (STJ) consolidou o entendimento de que medicamentos com registro na Anvisa devem ter cobertura obrigatória, inclusive para uso off-label, quando há prescrição médica fundamentada. O médico é a autoridade competente para definir a terapia adequada ao paciente.

Alto custo financeiro

Embora raramente admitam por escrito que o motivo é financeiro, negativas baseadas em “desequilíbrio contratual” podem ocultar essa razão. Esse costuma ser o caso quando o medicamento possui custo elevado e o plano impõe barreiras administrativas.

A Justiça entende que o custo do medicamento não pode se sobrepor ao direito à vida e à saúde. O risco da atividade econômica pertence à operadora, nos termos do Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/90), não podendo ser transferido ao consumidor em momento de vulnerabilidade.

Paciente analisando documento de negativa de cobertura sob alegação de ausência no Rol da ANS

Base jurídica atualizada: decisões que fundamentam a defesa do paciente

O ordenamento jurídico brasileiro possui mecanismos de proteção ao paciente. Cada caso é único, mas existem entendimentos consolidados em decisões de Cortes Superiores que fundamentam a defesa do consumidor.

ADI 7.265 do Supremo Tribunal Federal (set/2025)

O STF julgou parcialmente procedente a Ação Direta de Inconstitucionalidade 7.265, conferindo interpretação conforme à Constituição ao artigo 10, § 13 da Lei 9.656/98 (incluído pela Lei 14.454/2022). A decisão definiu que o Rol da ANS é taxativo com exceções: quando preenchidos os cinco requisitos cumulativos mencionados acima, a operadora é obrigada a custear o tratamento, ainda que fora da lista.

Na prática, esta decisão do STF substituiu interpretações anteriores dos tribunais estaduais e consolidou um novo marco regulatório para a cobertura de medicamentos de alto custo no Brasil.

Tema 990 do Superior Tribunal de Justiça

O STJ fixou a tese de que medicamentos com registro na Anvisa devem ter cobertura obrigatória pelas operadoras de plano de saúde, inclusive para indicações off-label. Esse entendimento é vinculante e tem sido aplicado de forma reiterada pelos tribunais de todo o Brasil.

Súmulas 95 e 96 do TJSP

Relevantes especialmente para processos em São Paulo:

“Havendo expressa indicação médica, não prevalece a negativa de cobertura do custeio ou fornecimento de medicamentos associados a tratamento quimioterápico.”
Súmula 95, Tribunal de Justiça de São Paulo

“Havendo expressa indicação médica de exames associados a enfermidade coberta pelo contrato, não prevalece a negativa de cobertura do procedimento.”
Súmula 96, Tribunal de Justiça de São Paulo

Martelo da justiça representando a obtenção de tutela de urgência para fornecimento de medicamentos de alto custo pelo plano de saúde

Medicamentos de alto custo: lista de negativas frequentes e custos

Abaixo listamos medicamentos que frequentemente são objeto de ações judiciais e para os quais há precedentes favoráveis ao paciente. Os valores são estimativas de mercado e podem variar conforme a dosagem e o fornecedor (Fonte: Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos — CMED/Anvisa, 2025).

MedicamentoIndicação principalCusto estimadoNegativa comum
Xolair (Omalizumabe)Asma grave, urticária crônicaR$ 2.500 – R$ 5.000/doseDUT da ANS não atendida
Prolia (Denosumabe)Osteoporose pós-menopausaR$ 870 – R$ 1.100/doseFora do Rol para a indicação
Clexane (Enoxaparina)Trombofilia, prevenção de tromboseR$ 300 – R$ 3.000/mêsUso domiciliar, fora do Rol
IVIG (Imunoglobulina)Imunodeficiências, doenças autoimunesR$ 2.500 – R$ 3.800/doseTratamento experimental
Keytruda (Pembrolizumabe)Melanoma, câncer de pulmãoR$ 16.000 – R$ 25.000/doseAlto custo, off-label
Ocrevus (Ocrelizumabe)Esclerose múltiplaR$ 31.000 – R$ 52.000/doseDUT não preenchidas
Dupixent (Dupilumabe)Dermatite atópica, asma graveR$ 10.000+/caixaFora do Rol, alegação estética
MabThera (Rituximabe)Linfoma, artrite reumatoideR$ 8.000+/caixaRestrição administrativa
Avastin (Bevacizumabe)Câncer colorretal, pulmão, mamaR$ 2.500 – R$ 8.500/doseOff-label, experimental
Spravato (Escetamina)Depressão resistenteR$ 2.500/doseTratamento experimental
Frascos de medicamentos oncológicos e de alto custo frequentemente negados pelos planos de saúde

Como funciona a ação judicial com tutela de urgência

Em questões de saúde, o tempo é essencial. Por isso, uma estratégia jurídica comum é a ação com pedido de tutela de urgência (liminar). Trata-se de uma decisão provisória, analisada no início do processo, que pode determinar que o plano de saúde forneça a medicação imediatamente, antes mesmo do julgamento final.

Segundo o Diagnóstico da Judicialização da Saúde do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a taxa de procedência em ações de saúde é elevada, o que indica que os tribunais tendem a acolher os pedidos dos pacientes quando há fundamentação adequada.

Requisitos para a tutela de urgência

Para a concessão da liminar, é necessário demonstrar ao juiz:

  1. Probabilidade do direito: fundamentada na legislação vigente (Lei 9.656/98, CDC, ADI 7.265/STF, Tema 990/STJ)
  2. Perigo da demora: comprovado por relatório médico atestando a urgência e os riscos da falta do tratamento

Passo a passo para buscar seu medicamento

Caso enfrente dificuldades com a cobertura do medicamento de alto custo e precise questionar a decisão do plano de saúde, a orientação é seguir etapas organizadas:

1. Obtenha a negativa por escrito

Solicite que a operadora formalize a negativa por e-mail ou carta. A operadora é obrigada a fornecer a justificativa da recusa em até 48 horas, conforme resolução da ANS. Registre também o número de protocolo, data e hora do atendimento.

2. Solicite um relatório médico detalhado

O relatório médico é a peça mais importante do processo. Ele deve conter o diagnóstico completo com CID, o nome do medicamento (princípio ativo e nome comercial), a justificativa clínica detalhada e, se aplicável, o caráter de urgência do tratamento.

3. Reúna a documentação

Organize os documentos: carteirinha do plano, carta de negativa, relatório médico, prescrição, exames e laudos, orçamento do medicamento e documentos pessoais.

4. Procure orientação jurídica

A orientação de um profissional com experiência em Direito à Saúde é importante para analisar a viabilidade do caso e definir a estratégia adequada para pleitear a cobertura na Justiça.

Advogado com experiência em Direito à Saúde da Rosenbaum Advogados orientando paciente sobre como obter medicamento de alto custo

Medicamentos por doença: guias especializados

Para informações detalhadas sobre medicamentos negados em cada área médica, consulte nossos guias especializados:

Medicamentos que atuamos: guia completo por categoria

A Rosenbaum Advogados atua em casos de negativa de cobertura para dezenas de medicamentos de alto custo. Abaixo, organizamos nossos conteúdos por categoria:

Oncologia e imunoterapia

Doenças neurológicas

Dermatologia e alergias

Reumatologia e doenças autoimunes

Transplantes e outros

Casos reais e decisões judiciais

Guias práticos

Perguntas frequentes

Quando o plano de saúde é obrigado a fornecer medicamento de alto custo?
O plano é obrigado a fornecer medicamentos previstos no contrato e no Rol da ANS. Para medicamentos fora do Rol, a ADI 7.265/STF (set/2025) definiu que a cobertura é obrigatória quando preenchidos cinco requisitos: prescrição médica fundamentada, ausência de negativa expressa da ANS, inexistência de alternativa no Rol, comprovação científica e registro na Anvisa.
O Rol da ANS é taxativo ou exemplificativo?
Desde setembro de 2025, o STF definiu na ADI 7.265 que o Rol da ANS é taxativo com exceções. Não é mais correto afirmar que o Rol é exemplificativo. Existem cinco requisitos cumulativos que, quando preenchidos, obrigam a cobertura mesmo fora da lista.
O que é o Tema 990 do STJ e como ele ajuda?
O Tema 990 é uma tese fixada pelo Superior Tribunal de Justiça que determina que medicamentos com registro na Anvisa devem ter cobertura obrigatória pelas operadoras, inclusive para uso off-label (indicação diferente da bula). É um precedente vinculante que fortalece a posição do paciente.
Quanto tempo demora para obter uma tutela de urgência (liminar)?
Os prazos variam conforme a comarca e a urgência do caso. Em situações de risco à saúde, os juízes costumam analisar o pedido com prioridade. É importante que o relatório médico ateste claramente a urgência e os riscos da falta do tratamento.
O plano pode negar medicamento off-label?
O uso off-label ocorre quando o medicamento é prescrito para indicação diferente da bula, mas com respaldo científico. O Tema 990 do STJ consolidou o entendimento de que, havendo registro na Anvisa e prescrição médica fundamentada, a negativa pode ser questionada judicialmente.
Quais documentos são necessários para entrar com ação?
Os documentos essenciais são: carta de negativa do plano, relatório médico detalhado (com CID, prescrição e justificativa clínica), carteirinha do plano, exames e laudos, orçamento do medicamento e documentos pessoais (RG, CPF, comprovante de residência).
É possível pedir indenização além do medicamento?
Dependendo do caso concreto, é possível pleitear indenização por danos morais quando a negativa causar atraso no tratamento ou agravamento do estado de saúde. Cada situação deve ser analisada individualmente por um profissional.
A Rosenbaum Advogados atende em todo o Brasil?
Sim. O escritório atende pacientes de todo o Brasil em casos de negativa de cobertura de medicamentos de alto custo, com experiência de mais de 20 anos em Direito à Saúde.

Orientação jurídica para o seu caso

A negativa de um medicamento de alto custo pelo plano de saúde deve ser analisada com cautela e, quando indevida, pode ser questionada pelos meios legais. Com a documentação correta e o suporte da jurisprudência atualizada, é possível buscar a reversão da negativa e o acesso ao tratamento necessário.

Se o seu medicamento foi negado, entre em contato com a Rosenbaum Advogados para que possamos analisar a sua situação. Atendemos em todo o Brasil.

Nossa reputação é de excelência em serviços jurídicos

Avaliação dos clientes
ROSENBAUM ADVOGADOS

Fale com a nossa equipe de especialistas, e dê o primeiro passo rumo à solução dos seus desafios.

FALE CONOSCO