Votrient® (Pazopanibe) pela Bradesco Saúde
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Votrient® (Pazopanibe): Bradesco Saúde se recusa a fazer cobertura e é condenada

Decisões Favoráveis, Direito à Saúde, Remédio
Bradesco Saúde nega Votrient® (Pazopanibe) para câncer.
Publicado: setembro 24, 2024 Atualizado: abril 23, 2026
Tempo estimado de leitura: 7 minutos

O acesso a tratamentos médicos pode ser um verdadeiro desafio para muitos pacientes, especialmente quando há negativa de cobertura por parte dos planos de saúde. Foi o que aconteceu recentemente com um beneficiário da Bradesco Saúde, diagnosticado com tumor neuroectodérmico gastrointestinal maligno. Mesmo diante de relatórios médicos claros e de uma prescrição firme para o uso de Votrient® (Pazopanibe), o medicamento foi recusado pela operadora.

O segurado passou por uma série de etapas frustrantes para tentar resolver o problema diretamente com a Bradesco Saúde, buscando, inicialmente, a autorização do medicamento essencial para o tratamento do seu câncer. No entanto, após diversas tentativas, todas as solicitações foram negadas sob alegações que, mais tarde, seriam julgadas abusivas.

Diante da negativa, o paciente não teve outra opção senão procurar auxílio especializado, contratando um advogado especializado em ações contra planos de saúde. Esse foi o primeiro passo para que ele pudesse buscar medidas judiciais para assegurar o tratamento ao tratamento prescrito, utilizando Votrient® (Pazopanibe), que já possuía comprovação científica de eficácia.

A negativa do plano de saúde e o acionamento da justiça

A Bradesco Saúde alegou que o tratamento indicado não constava no rol de procedimentos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), além de afirmar que o medicamento teria uma aplicação off-label. Essas alegações, no entanto, não encontravam respaldo médico, pois o Votrient® (Pazopanibe) já havia sido devidamente registrado na Anvisa e era prescrito pelo médico responsável como o único tratamento viável para o caso.

Com a negativa persistente do plano de saúde, o paciente decidiu acionar a Justiça para garantir seu direito de acesso ao tratamento. A ação judicial foi baseada no direito à saúde e na relação de consumo que envolve os contratos de planos de saúde, onde o Código de Defesa do Consumidor (CDC) desempenha um papel importante na proteção do segurado.

Contestação da Bradesco Saúde

Em sua defesa, a Bradesco Saúde argumentou que o contrato firmado com o segurado datava de 1994, não adaptado às exigências da Lei 9.656/98, o que restringia a cobertura de medicamentos como o Votrient® (Pazopanibe), por serem de uso domiciliar e não incluídos em emergências. A operadora também alegou que o medicamento teria uma aplicação experimental, já que o tratamento não estava listado no rol da ANS.

Contudo, o Tribunal de Justiça de São Paulo destacou que o rol da ANS é apenas taxativo em caráter geral, sendo obrigatória a sua atualização para acompanhar os avanços da medicina. Além disso, a corte afirmou que, em casos de câncer, como o do paciente em questão, a negativa de cobertura é ainda mais grave e abusiva. Não havendo alternativas terapêuticas disponíveis no rol da ANS, o tratamento indicado pelo médico do paciente deve ser considerado.

Decisão judicial: um triunfo para o paciente

O tribunal concluiu que a conduta da Bradesco Saúde foi abusiva e violou o Código de Defesa do Consumidor, bem como os princípios da boa-fé objetiva e da função social do contrato. Ficou estabelecido que a operadora não pode restringir o acesso ao tratamento necessário, especialmente quando prescrito por um médico habilitado e em conformidade com as evidências científicas disponíveis.

A decisão, proferida pela 2ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo, determinou que a Bradesco Saúde fosse responsável pelo fornecimento integral do Votrient® (Pazopanibe), conforme prescrito, reafirmando o direito do paciente ao tratamento. O caso foi julgado em 23 de agosto de 2024, sendo a sentença favorável ao paciente, com base nas súmulas nº 95 e nº 102 do TJSP, que tratam da obrigatoriedade de cobertura para tratamentos de câncer e medicamentos relacionados.

Embora o tribunal tenha reformado parcialmente a sentença, retirando uma condenação genérica que poderia ser entendida como ultra petita, a condenação ao custeio do Pazopanibe foi mantida integralmente.

Impacto da decisão

Esse caso marca um importante precedente na luta dos segurados contra as negativas de cobertura abusivas. O Tribunal de Justiça deixou claro que, em situações como essa, não se pode limitar o direito à saúde, e as justificativas de carência contratual ou ausência no rol da ANS são insuficientes diante da necessidade de tratamento de doenças graves, como o câncer.

Importante: em setembro de 2025, o Supremo Tribunal Federal julgou a ADI 7.265 e definiu que o Rol da ANS é taxativo, mas admite exceções quando preenchidos cinco requisitos cumulativos: (i) prescrição médica fundamentada; (ii) ausência de negativa expressa da ANS para a incorporação; (iii) inexistência de alternativa terapêutica no Rol; (iv) comprovação científica de eficácia e segurança; e (v) registro na Anvisa. Além disso, o Tema 990 do STJ consolidou que medicamentos com registro na Anvisa podem ter cobertura obrigatória, inclusive para uso off-label, quando há evidência clínica.

Além disso, a decisão ressalta a importância de buscar a ajuda de um advogado especializado. Em muitos casos, é apenas por meio da Justiça que os pacientes conseguem ter acesso aos tratamentos essenciais para a manutenção de sua saúde e vida.

Se você também enfrenta problemas com a negativa de cobertura do seu plano de saúde, é fundamental contar com um advogado especializado em ações contra planos de saúde, para garantir que seus direitos sejam respeitados. Casos como esse são mais comuns do que se imagina, e o tempo é um fator crucial para garantir o sucesso no tratamento.

A importância de buscar orientação jurídica

Quando um plano de saúde se recusa a fornecer um tratamento essencial, como o Votrient® (Pazopanibe), o caminho mais rápido e eficaz pode ser a via judicial. O tempo perdido em tentativas frustradas de resolver o problema diretamente com a operadora pode agravar o quadro de saúde, tornando a intervenção judicial uma urgência.

Procure um advogado com experiência na área para avaliar as melhores estratégias.

Informações sobre o caso

O caso foi julgado em 23 de agosto de 2024 pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, sendo uma decisão da 2ª Câmara de Direito Privado. O número do processo é 1008991-42.2023.8.26.0001 e a sentença ainda está sujeita a recurso para tribunais superiores, caso a Bradesco Saúde opte por recorrer.


Saiba mais sobre medicamentos de alto custo

Se o seu plano de saúde negou a cobertura de um medicamento essencial, saiba que a Justiça está do seu lado. Consulte nossos guias completos:

Conheça também seus direitos:

Perguntas frequentes sobre Votrient (Pazopanibe) e plano de saúde

O plano de saúde pode negar Votrient Pazopanibe para tumor gastrointestinal?
O plano de saúde pode tentar negar a cobertura, mas essa negativa pode ser contestada judicialmente se houver prescrição médica e indicação clínica comprovada. A jurisprudência, incluindo decisões do STJ (Tema 990), tem reconhecido que medicamentos não listados no Rol da ANS podem ser custeados pelo plano quando há necessidade terapêutica demonstrada.
Quanto custa Votrient Pazopanibe no mercado particular sem plano de saúde?
O custo do Votrient varia significativamente conforme a dosagem e quantidade de comprimidos, podendo ultrapassar milhares de reais mensalmente. Recomenda-se consultar farmácias especializadas em medicamentos oncológicos e verificar a disponibilidade de programas de auxílio ao paciente oferecidos pelo fabricante.
Como conseguir aprovação do Votrient Pazopanibe na Bradesco Saúde quando é negado?
Inicialmente, solicite ao médico oncologista uma carta fundamentada justificando a necessidade clínica do medicamento e encaminhe à operadora com recurso administrativo. Caso persista a negativa, é recomendável buscar orientação jurídica para avaliar a possibilidade de ação judicial em busca da cobertura.
Qual é a eficácia do Pazopanibe no tratamento de tumor neuroectodérmico gastrointestinal?
O Pazopanibe é indicado para tumores estromais gastrointestinais (GIST) e demonstra eficácia em controlar o crescimento tumoral em casos específicos. A decisão sobre sua utilização deve ser feita exclusivamente pelo médico oncologista responsável, considerando o caso clínico individual do paciente.
Como conseguir liminar para forçar plano de saúde a liberar Votrient antes de sentença?
A tutela de urgência (liminar) pode ser requerida ao juiz demonstrando risco de dano irreparável à saúde e fumaça de bom direito na pretensão. O magistrado pode ordenar ao plano que autorize o medicamento provisoriamente enquanto o processo é julgado, especialmente em casos de tratamento oncológico onde o tempo é crítico.

Veja também: Medicamentos oncológicos negados pelo plano | Guia completo sobre medicamentos de alto custo negados pelo plano de saúde.

Leo Rosenbaum

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