Jemperli negado pelo plano de saúde? Seus direitos
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Jemperli (Dostarlimabe) negado pelo plano? Seus direitos

Direito à Saúde, Remédio
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Publicado: março 23, 2022 Atualizado: maio 14, 2026
Tempo estimado de leitura: 5 minutos

O Jemperli® (princípio ativo dostarlimabe) é um anticorpo monoclonal anti-PD-1 com uma indicação que rompe a lógica tradicional da oncologia: não é definido pelo tipo de câncer, mas por uma assinatura molecular compartilhada por vários tipos.

Aprovado para câncer de endométrio recidivado/avançado com deficiência de reparo de mau pareamento (MMR-d) ou instabilidade microssatélite alta (MSI-H). E mais recentemente para outros tumores sólidos com essa assinatura.

Custo por ciclo entre R$ 25 mil e R$ 40 mil. Aplicado por infusão intravenosa a cada 3 semanas (primeiras 4 doses) ou a cada 6 semanas (manutenção). Como medicamento de alto custo, alvo recorrente de negativa — especialmente em indicações pan-tumor.

MMR-d e MSI-H: a assinatura que transformou a oncologia

Em algumas células tumorais, o sistema de reparo de mau pareamento (MMR, mismatch repair) está defeituoso. Esse sistema é uma “polícia interna” que corrige erros de pareamento de bases durante a replicação do DNA. Quando ele falha, erros se acumulam.

A consequência: o DNA da célula tumoral acumula mutações em regiões repetitivas (microssatélites) — o que se chama instabilidade microssatélite alta (MSI-H). As células tumorais ficam “hipermutadas”, com milhares de mutações somáticas.

Essa hipermutação tem uma consequência paradoxal: gera muitos neoantígenos — proteínas alteradas que o sistema imune reconhece como “estranhas”. Tumores MMR-d/MSI-H são, portanto, tumores imunologicamente “visíveis”. E respondem espetacularmente a imunoterapia com anti-PD-1.

Por que dostarlimabe e não Keytruda?

O Keytruda (pembrolizumabe) também é anti-PD-1 e tem indicação para tumores MMR-d/MSI-H. Por que existe o Jemperli?

Razões práticas e clínicas. O Jemperli tem um esquema de manutenção a cada 6 semanas mais flexível, foi o primeiro anti-PD-1 aprovado especificamente para câncer de endométrio, e em alguns estudos demonstrou eficácia particularmente notável em endométrio (estudo GARNET).

Mais recentemente, o dostarlimabe ganhou atenção espetacular: o estudo de Cercek/Diaz (Memorial Sloan Kettering) em câncer retal MMR-d localmente avançado mostrou resposta completa em 100% dos primeiros pacientes.

Sem necessidade de cirurgia ou radioterapia. Um resultado raríssimo na oncologia.

Câncer de endométrio: a indicação principal

O câncer de endométrio é o câncer ginecológico mais comum em países desenvolvidos. Em estágios iniciais, cirurgia é curativa na maioria dos casos. Em estágios avançados ou recidivados, opções têm sido limitadas.

Aproximadamente 20-30% dos cânceres de endométrio são MMR-d/MSI-H — uma fração significativa. Antes do Jemperli, essas pacientes recebiam quimioterapia (carboplatina + paclitaxel) com benefício modesto.

Com o Jemperli, as respostas em pacientes com endométrio MMR-d são frequentemente profundas e duradouras. Resposta objetiva em mais de 40% dos pacientes, com muitas respostas durando anos. Mudança radical no prognóstico.

Indicação consolidada: endométrio MMR-d recorrente ou avançado após platina. E em alguns países, em primeira linha em combinação com platina-paclitaxel em MMR-d.

A indicação pan-tumor: um conceito revolucionário

Em 2021, o Jemperli também recebeu aprovação para tumores sólidos MMR-d em geral após progressão a tratamento prévio — câncer colorretal, gástrico, ovário, pancreático, biliar, próstata, qualquer um — desde que a assinatura MMR-d esteja confirmada.

Isso é o conceito de indicação tumor-agnóstica, ainda raro na oncologia. Junto com Vitrakvi (NTRK) e algumas indicações do Keytruda, redefine o paradigma: o que importa é a assinatura molecular, não o órgão de origem.

A documentação do MMR-d (por imuno-histoquímica das 4 proteínas — MLH1, MSH2, MSH6, PMS2) ou MSI-H (por PCR ou NGS) é a peça central. Sem o teste, não há indicação. O laudo molecular é a porta de entrada.

Preço, esquema e os imune-eventos adversos

Cada infusão de Jemperli (500 mg nas primeiras 4 doses, depois 1.000 mg) custa entre R$ 25 mil e R$ 40 mil. A frequência inicial é a cada 3 semanas (4 doses), depois passa para cada 6 semanas em manutenção.

O tratamento é mantido enquanto houver resposta — pode durar 2 anos ou mais, ou até progressão/toxicidade. Custo anual entre R$ 250 mil e R$ 400 mil.

Os efeitos colaterais típicos de imunoterapia anti-PD-1: tireoidite, pneumonite, colite, hepatite, dermatite, hipofisite, nefrite — qualquer órgão pode ser afetado por inflamação imuno-mediada.

A maioria é manejável com corticoides; alguns casos exigem suspensão definitiva.

Cobertura, biomarcador e o argumento da assinatura

O dostarlimabe está no Rol da ANS para câncer de endométrio MMR-d recidivado/avançado, com critérios das Diretrizes de Utilização (DUT). A documentação obrigatória é o laudo de MMR-d ou MSI-H.

As negativas frequentes envolvem: indicação pan-tumor (uso em câncer colorretal, ovário, outros, MMR-d), uso em retal MMR-d localmente avançado (cenário inovador pós-Cercek), uso em primeira linha em endométrio.

Em situações fora dos critérios estritos do Rol, vale a ADI 7.265 do STF (setembro de 2025). O argumento da seleção molecular (MMR-d/MSI-H confirmada) é central: o tratamento é tão específico quanto o teste que ele depende, e os dados de eficácia são robustos.

Caminho prático e o peso do laudo molecular

Primeiro: negativa por escrito, com justificativa e protocolo.

Segundo: relatório oncológico — diagnóstico (CID, tipo do tumor primário), estadiamento, laudo de MMR-d (imuno-histoquímica das 4 proteínas) ou MSI-H (PCR/NGS), linhas anteriores de tratamento, prescrição com cronograma.

Em câncer metastático com progressão, a tutela de urgência tem peso. Veja o guia geral sobre o que fazer quando o plano nega medicamento e os paralelos: Keytruda (também anti-PD-1 com indicação MMR-d), Vitrakvi (outro tumor-agnóstico).

O plano de saúde é obrigado a cobrir o Jemperli?
Sim, quando há prescrição médica, indicação prevista no Rol da ANS (câncer de endométrio MMR-d recidivado ou avançado) e laudo molecular confirmando MMR-d ou MSI-H. Para outras indicações (uso pan-tumor em outros cânceres MMR-d, uso em retal localmente avançado, primeira linha em endométrio), a cobertura também pode ser exigida com base na ADI 7.265 do STF: prescrição médica fundamentada, ausência de alternativa equivalente, registro Anvisa e comprovação científica.
O que é MMR-d e MSI-H?
MMR-d (mismatch repair deficient) é a deficiência do sistema de reparo de mau pareamento do DNA — uma “polícia interna” que corrige erros durante a replicação. Quando ele falha, erros se acumulam no DNA, especialmente em regiões repetitivas chamadas microssatélites, resultando em MSI-H (instabilidade microssatélite alta). As células tumorais ficam hipermutadas, geram muitos neoantígenos, e ficam “visíveis” ao sistema imune. Esse perfil molecular responde excepcionalmente a imunoterapia anti-PD-1 (Jemperli, Keytruda). O laudo molecular é a porta de entrada para o tratamento.
Qual a diferença entre Jemperli e Keytruda?
Ambos são anti-PD-1 com indicação em tumores MMR-d/MSI-H. O Jemperli foi o primeiro especificamente aprovado para câncer de endométrio, tem esquema de manutenção a cada 6 semanas (mais flexível que Keytruda a cada 3-6 semanas), e em alguns estudos mostrou eficácia particularmente notável em endométrio (GARNET) e em retal localmente avançado MMR-d (Cercek/MSKCC). A escolha entre eles cabe ao oncologista assistente, considerando indicação específica, perfil do paciente e estudos disponíveis.
Jemperli serve para câncer sem MMR-d?
Não. A eficácia do Jemperli é fortemente dependente da assinatura molecular MMR-d ou MSI-H. Em tumores com MMR intacto (MMR-proficient ou MSS), a resposta é muito baixa. Por isso o teste molecular é obrigatório antes da prescrição. Em câncer de endométrio MMR-proficient, outras opções terapêuticas (quimio com platina, hormonioterapia) são preferidas. O dostarlimabe é especificamente uma “terapia biomarcador-driven”.
Como é feito o teste de MMR-d?
Existem duas abordagens principais. (1) Imuno-histoquímica (IHQ) das 4 proteínas do sistema MMR: MLH1, MSH2, MSH6 e PMS2. Se uma ou mais estão ausentes, o tumor é MMR-d. (2) PCR ou NGS (sequenciamento) para avaliar instabilidade microssatélite — MSI-H confirma o status. As duas abordagens são complementares. O laudo é feito no tecido tumoral (biópsia ou cirurgia). Em alguns países, o teste é parte do diagnóstico padrão de câncer de endométrio.
Quanto custa o tratamento mensal com Jemperli?
Cada infusão (500 mg nas primeiras 4 doses, depois 1.000 mg) custa entre R$ 25 mil e R$ 40 mil em 2026. A frequência inicial é a cada 3 semanas (4 doses), depois passa para cada 6 semanas em manutenção. Custo anual estimado entre R$ 250 mil e R$ 400 mil. O tratamento é mantido enquanto houver resposta — pode durar 2 anos ou mais.
O Jemperli pode ser usado em outros cânceres além de endométrio?
Sim, em tumores sólidos com MMR-d/MSI-H confirmado após progressão a tratamento prévio — câncer colorretal, gástrico, ovário, pancreático, biliar, próstata, qualquer um. É a indicação “pan-tumor” ou “tumor-agnóstica”, baseada em assinatura molecular em vez de órgão de origem. No Brasil, essa indicação pode não estar totalmente coberta pelo Rol da ANS — a cobertura pode ser exigida com base na ADI 7.265 do STF, com documentação do laudo MMR-d/MSI-H e da progressão a tratamento prévio.

Mais informações

Se você passou por uma negativa de cobertura do Jemperli ou tem dúvidas sobre o caminho a seguir, pode entrar em contato com a Rosenbaum Advogados para que a sua situação seja analisada.

Este caso integra o panorama do Observatório Rosenbaum de Planos de Saúde, levantamento de mais de 43 mil decisões públicas do TJSP sobre planos de saúde.

Leo Rosenbaum

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