O Adcetris® (princípio ativo brentuximabe vedotina) é um medicamento oncológico do tipo ADC — conjugado anticorpo-fármaco, aplicado por infusão intravenosa.
Mira a proteína CD30, presente em linfomas específicos — em especial o linfoma de Hodgkin clássico e o linfoma anaplásico de grandes células. Cada infusão custa entre R$ 35 mil e R$ 55 mil.
Quando o plano de saúde nega a cobertura, a Justiça tem reconhecido o direito do paciente, particularmente em linhas avançadas de tratamento e em situações pós-transplante.
Que cânceres têm CD30 (e por que isso importa)
A proteína CD30 não é um marcador comum em cânceres em geral. É expressa de forma intensa apenas em alguns tipos específicos de linfoma — o que torna a indicação do Adcetris bastante focada.
O principal é o linfoma de Hodgkin clássico: as células características da doença (chamadas Reed-Sternberg) expressam CD30 de forma marcante. Esse alvo facilmente identificável foi o que viabilizou o desenvolvimento da terapia direcionada.
Também responde ao Adcetris o linfoma anaplásico de grandes células (sistêmico), com expressão de CD30 característica. Mais recentemente, o medicamento entrou em uso em micose fungoide e linfomas cutâneos CD30-positivos.
Em outros linfomas (folicular, difuso de grandes células B), a expressão de CD30 é mínima — e o Adcetris não tem indicação. Por isso, o teste imuno-histoquímico para CD30 é parte da definição clínica.

O plano de saúde negou a cobertura?
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Como um ADC anti-CD30 funciona
O brentuximabe é o anticorpo anti-CD30: liga-se especificamente à proteína na superfície da célula linfomatosa. Acoplada ao anticorpo, há uma quimioterapia potente — a monometil auristatina E (MMAE).
Quando o anticorpo se conecta ao CD30, todo o conjunto é internalizado pela célula. Dentro, a quimioterapia é liberada e destrói os microtúbulos celulares, levando à morte da célula tumoral.
Como o CD30 é pouco presente em tecidos saudáveis, o efeito é mais seletivo que a quimioterapia tradicional. Mas há toxicidades específicas — em especial neuropatia periférica (formigamento e dor nas extremidades), efeito conhecido da MMAE.
Onde o Adcetris se posiciona no tratamento do linfoma de Hodgkin
O linfoma de Hodgkin tem altas taxas de cura com quimioterapia convencional (esquemas ABVD ou BEACOPP). O Adcetris entra em pacientes que recaem ou não respondem à primeira linha.
É usado em duas frentes principais. Antes do transplante de medula, para reduzir a doença e permitir o procedimento; e após o transplante, como manutenção em pacientes com alto risco de recidiva.
Em primeira linha, o Adcetris também tem indicação aprovada em combinação com quimioterapia (AVD modificado), substituindo a bleomicina em pacientes com formas avançadas. Reduz toxicidade pulmonar relacionada à bleomicina.
Preço, ciclos e duração do tratamento
O Adcetris é vendido em frasco-ampola de 50 mg em pó liofilizado. As cotações em 2026 ficam entre R$ 18 mil e R$ 25 mil por frasco.
A dose padrão em linfoma de Hodgkin clássico é 1,8 mg/kg a cada 3 semanas (ou 1,2 mg/kg em combinações específicas). Em uma paciente típica, são consumidos 2 frascos por aplicação, com custo de R$ 35 mil a R$ 55 mil por ciclo.
A duração depende da indicação: até 16 ciclos em monoterapia ou como manutenção pós-transplante; 6 ciclos em combinação com AVD em primeira linha. O custo total pode passar de R$ 700 mil.
Por ser medicamento de alto custo, o Adcetris é alvo recorrente de negativa — mesmo com indicação consolidada em linfomas de Hodgkin avançados.
Cobertura: Rol da ANS, linhas de tratamento e DUT
O brentuximabe vedotina está no Rol da ANS para linfoma de Hodgkin em situações específicas, com critérios das Diretrizes de Utilização (DUT) — em geral exigindo confirmação histológica e linha de tratamento adequada.
As negativas mais comuns acontecem em duas situações: uso em primeira linha (na combinação com AVD, mais recente) e em linfoma anaplásico, micose fungoide ou outros CD30-positivos, indicações que podem não estar expressamente previstas na DUT.
Para situações fora dos critérios estritos do Rol, vale a ADI 7.265 do STF (setembro de 2025): cobertura possível mediante prescrição fundamentada, ausência de alternativa equivalente, registro Anvisa e evidência científica.
Argumentos de recusa e como rebater
“Use quimioterapia padrão primeiro”. Quando o hematologista justifica clinicamente a escolha do Adcetris — por recidiva, falha da primeira linha, contraindicação a bleomicina — a recusa baseada em “tentar quimio antes” é frágil.
“Linha de tratamento não autorizada”. Argumento em pacientes pós-transplante de medula. A jurisprudência tem reconhecido a obrigatoriedade da manutenção em pacientes de alto risco, com base em evidência científica.
“Indicação fora do Rol”. Linfomas cutâneos CD30+ e linfoma anaplásico. Após a ADI 7.265, perde força quando os critérios cumulativos estão atendidos.
Caminho prático e tutela de urgência
Primeiro: negativa por escrito com justificativa e protocolo. Segundo: relatório hematológico ou oncológico detalhado — tipo do linfoma (CID), histologia (com expressão de CD30 documentada), estadiamento, tratamentos anteriores e justificativa para o Adcetris.
Em linfoma de Hodgkin recaído ou refratário, o atraso pode permitir progressão e comprometer a possibilidade de transplante. É cenário para tutela de urgência: pedido ao juiz para fornecimento antes do julgamento final.
A jurisprudência sobre o Adcetris e outros ADCs é favorável. O Tema 990 do STJ ampara a cobertura inclusive em uso off-label com evidência científica. Veja o guia geral sobre o que fazer quando o plano nega medicamento.
Mais informações
Se você passou por uma negativa de cobertura do Adcetris ou tem dúvidas sobre o caminho a seguir, pode entrar em contato com a Rosenbaum Advogados para que a sua situação seja analisada.
Este caso integra o panorama do Observatório Rosenbaum de Planos de Saúde, levantamento de mais de 43 mil decisões públicas do TJSP sobre planos de saúde.