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Para Idec e Procon SP, instituições financeiras culpam as vítimas por golpes bancários

Finanças, Golpes Virtuais e Digitais
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Redação

setembro 28, 2022

De acordo com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), há um investimento constante em campanhas e ações de conscientização sobre segurança financeira, a fim de alertar os clientes e reduzir o número de golpes bancários, que são cada vez mais comuns.

“Os bancos têm implementado diversas tecnologias, como georreferenciamento, biometria, tokenização, reconhecimento de IP, além de comunicação aos clientes para preservar suas senhas e comunicar ao banco imediatamente após algum evento, roubo de celular por exemplo”, afirma a federação.

Além disso, segundo a entidade, os bancos investem cerca de R$ 3 bilhões por ano em sistemas de segurança, o que corresponde a cerca de 10% dos gastos totais do setor com tecnologia da informação.

Para a Febraban, é notável o esforço das instituições financeiras para impedir os golpes bancários, inclusive através da cooperação com a Polícia Federal que, desde 2015, investiga e combate esses crimes.

“Neste período, através dos trabalhos de inteligência e investigação da Polícia Federal, já foram deflagradas mais de 60 operações como Boleto Real, BR 153, Creeper, Valentina, entre outras”, destaca.

Mas, será que isso é o suficiente? Siga na leitura para entender.

Os bancos realmente têm se prevenido contra golpes bancários?

Daniel Barbosa, que é especialista em segurança da informação na Eset, acredita que sim. Segundo o profissional, as instituições financeiras são referência de boas práticas quando o assunto é a segurança de ativos.

Barbosa também ressalta que os bancos sempre estão implementando novas tecnologias para segurança e opina que os golpes bancários continuam acontecendo porque eles envolvem questões que vão além do sistema de proteção das empresas.

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Imagem: Freepik (rawpixel.com)

“O aplicativo, por ser de propriedade do banco, conta com a mesma segurança robusta que citei anteriormente, porém, quando o golpe é dedicado a comprometer o usuário em si o cenário ganha variáveis que adicionam complexidades distintas à equação”, comenta.

Nesse sentido, o especialista acredita que as campanhas informativas são efetivas e necessárias. Porém, ele reconhece que seria melhor divulgar os meios por onde o consumidor possa solicitar auxílio nessas campanhas.

Eduardo Bernuy Lopes, diretor executivo da Redbelt Security, também enxerga as campanhas de informação e conscientização como algo positivo e diz que “os bancos estão no caminho certo”.

Para Lopes, a informação deve ser prioridade, pois as chances de consumidores informados caírem em golpes bancários são menores.

“Fazendo uma analogia, não passamos informações sobre a segurança de nossas casas caso alguém nos pergunte, mas muitas pessoas ainda inserem dados pessoais e confidenciais se quem está perguntando é um site ou uma ligação que parece um robô, solicitando que digite sua senha pelo teclado numérico”, pontua.

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Então, porque os crimes continuam acontecendo?

De acordo com representantes do Procon SP e do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), há uma falha no sistema de segurança dos bancos.

Para Guilherme Farid, diretor-executivo do Procon SP, essa falha seria a falta de cuidado com o perfil de consumo dos clientes.

O especialista explica que as instituições possuem dados sobre os hábitos e a rotina financeira do cliente. Assim sendo, há tecnologia o suficiente para identificar operações suspeitas, que poderiam ser controladas.

“Como você justifica, por exemplo, um consumidor que teve seu celular furtado e eventualmente o bandido conseguiu fazer um empréstimo de R$ 50 mil às 3h? Ou 50 transações Pix em menos de 30 minutos e esvaziar a conta do consumidor?”, questiona.

No entanto, Barbosa argumenta que essas medidas de bloqueio automático podem prejudicar a experiência do cliente, pois operações legítimas podem ser afetadas pelo sistema.

“Ainda assim é possível pensar em formas variadas de validação de usuários, como uso ostensivo de biometria, restrição de horários para realização de determinadas atividades, fatores de autenticação adicionais com possibilidade de uso de geolocalização e diversos outros pontos”, diz.

Ione Amorim, economista e coordenadora do programa de serviços financeiros do Idec, também fez uma crítica ao sistema de segurança dos bancos e afirmou que é necessário criar mecanismos para proteção do cliente, utilizando o lançamento do Pix como exemplo do risco que o consumidor corre.

“O sistema foi anunciado com grande ênfase na praticidade e segurança nas operações instantâneas, mas isso entre os bancos. Pouco foi feito para dar segurança aos usuários do sistema, e hoje vivemos uma situação grave de fraudes e violência por falta de segurança para quem o opera”, alerta.

Além disso, a economista questionou a disponibilização automática de crédito acima do perfil de renda dos clientes, o que, segundo ela, estimula o endividamento e favorece os roubos de celulares seguidos de golpes bancários.

Falta de assistência às vítimas

Sobre a situação atual, Farid ressalta que educar o consumidor sobre os riscos e a prevenção é fundamental, mas que, ao fazer isso, a maioria das empresas se isentam da responsabilidade sobre os golpes bancários.

“A partir do momento que você resolve depositar seu patrimônio numa instituição financeira, você quer a segurança de que ele não sairá de lá sem a sua autorização. E nesse cenário, cabe ao prestador de serviço adotar todas as cautelas e tecnologias possíveis para não autorizar”, explica.

Ocorre que os bancos não fazem o suficiente para evitar que esses crimes aconteçam nem o prejuízo decorrente. Na verdade, em boa parte dos casos, eles autorizam essas transações, que fogem do perfil do consumidor.

Além disso, as instituições culpam a vítima pela falta de atenção aos golpes bancários e, quando o cliente procura ajuda, é difícil encontrar.

“O que encontram quando recorrem ao SAC por telefone é uma sequência de gravações, com um roteiro cheio de perguntas que dificultam falar diretamente com alguém que os orientem e providencie os bloqueios necessários ou encaminhamento correto para contestação de operações involuntárias”, explica Ione Amorim.

Defesa do consumidor

Diante da dificuldade em entrar em contato com as instituições financeiras e conseguir obter auxílio, a maioria dos consumidores que se tornam vítimas de golpes bancários costuma sofrer grandes prejuízos.

A demora na ação das instituições financeiras tem uma grande importância nesse processo, pois o tempo que leva para as vítimas serem atendidas e as operações bloqueadas é suficiente para que os criminosos façam grandes estragos.

Por isso, a Justiça tem entendido que as instituições financeiras são responsáveis por golpes bancários e, inclusive, garantido às vítimas indenizações pelos danos materiais e morais sofridos diante da falta de respaldo.

Nesse sentido, diante de golpes bancários, os consumidores devem buscar seus direitos e entrar em contato com as instituições financeiras para solicitar a reparação do prejuízo causado.

Caso não haja resolução, é recomendável recorrer aos órgãos de defesa ao consumidor para resolver a situação e, em último caso, acionar a Justiça, através de um advogado especialista em Direito do Consumidor.

O Escritório Rosenbaum Advogados tem vasta experiência no setor de Direitos do Consumidor. O contato pode ser feito através do formulário no site, WhatsApp ou pelo telefone (11) 3181-5581.

Todo o envio dos documentos e os trâmites do processo são feitos de forma digital, sem necessidade da presença do cliente.

Imagem em destaque: Freepik (yanalya)

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