Infelizmente, muitas pessoas têm sofrido o golpe da maquininha e não sabem o que fazer. Em 2025, esse estelionato explodiu, causando um prejuízo de R$4.8 bilhões no Brasil, segundo o G1/Globo, com um aumento de 400% em registros nos últimos 6 anos.
O golpe da maquininha é uma fraude comum que pode causar prejuízos financeiros para quem usa cartão de crédito e débito com frequência. Desde um camelô até mesmo um motoqueiro (também conhecido como golpe da maquininha iFood ou golpe do delivery) têm praticado este crime.
Aprender como esse golpe acontece é a melhor forma de se proteger. Assim, você saberá identificar se algo está errado e que atitudes tomar para evitar cair nessa armadilha.
Além disso, é necessário entender como é possível buscar o ressarcimento se você porventura caiu no golpe, de acordo com a legislação vigente.
Como funciona o golpe da maquininha de cartão?
O golpe da maquininha é um tipo de estelionato que pode assumir diversas formas e, dentre seus vários nomes, também é conhecido como golpe da maquininha do cartão de crédito, envolvendo desde a clonagem de cartões até cobranças indevidas.
Em todas elas, a maquininha é fraudada e o consumidor paga muito mais do que deveria.
Veja abaixo as estratégias mais utilizadas pelos golpistas em 2025:
- Golpe do visor da maquininha: Os golpistas alteram a tela da maquininha, alegando que está quebrada ou com defeito, como visor quebrado por exemplo. Um visor falso é colocado para mostrar valores errados.
- Golpe da maquininha do iFood: O entregador pede uma taxa extra na hora da entrega, que é indevida, ou usa uma máquina adulterada durante o pagamento.
- Golpe da compra duplicada: O golpista finge um erro e realiza duas transações iguais, fazendo você pagar duas vezes pelo mesmo produto ou serviço. Às vezes, em máquinas diferentes.
- Golpe da senha: O golpista te dá a maquininha antes da tela certa aparecer, fazendo você digitar a senha. Assim, ele consegue obter a senha e, em seguida, realiza a troca do seu cartão.
- Golpe do erro na aproximação: A maquininha acusa erro no pagamento por aproximação. Então a pessoa insere o cartão e, na verdade, ele é clonado.
- Tendências em 2026: Golpes via IA, onde fraudadores usam ferramentas de inteligência artificial para simular visores falsos ou clonar dados remotamente, aumentando a sofisticação das fraudes.

Não perca estas dicas! 7 passos para não cair no golpe da maquininha
Para evitar cair no golpe da maquininha, é preciso tomar alguns cuidados na hora de fazer pagamentos com cartão. Confira a seguir sete dicas para não cair em cilada:
1. Verifique a maquininha
Antes de inserir seu cartão, confirme se a maquininha parece legítima e se está em boas condições. Fique atento a qualquer sinal de adulteração. (Alt text sugerido para imagem: “Prevenção contra golpe da maquininha de cartão em 2025”).
2. Não perca seu cartão de vista
Nunca entregue o seu cartão na hora do pagamento e não o perca de vista durante a transação. Isso reduz o risco de clonagem ou troca do cartão.
3. Não compartilhe sua senha
Não compartilhe informações sobre senha ou código de segurança com outras pessoas e tome cuidado para ninguém ver ao digitar.
4. Cole um adesivo no cartão
Para evitar que seu cartão seja trocado durante o pagamento, uma dica é personalizá-lo. Coloque um adesivo ou marque de alguma forma para que seja facilmente identificado como seu. Isso pode ajudar a prevenir possíveis trocas acidentais ou golpes de substituição de cartão.
5. Confira os valores
Sempre verifique os valores exibidos na maquininha antes de confirmar a transação. Certifique-se de que o valor cobrado está correto e corresponde ao combinado.
6. Em caso de mensagem de erro, pague de outra forma
Se a maquininha apresentar erro na hora de aproximar o cartão, evite inseri-lo. Essa situação pode indicar um golpe de clonagem. Em vez disso, opte por pagar de outra maneira, como Pix ou dinheiro para evitar possíveis fraudes.
7. Monitore suas transações pelo app
Fique atento às suas transações bancárias e verifique regularmente seu extrato no app do banco para identificar qualquer atividade suspeita. Se notar algo fora do comum, entre em contato com sua instituição financeira o quanto antes.

Caí no golpe da maquininha. O que fazer?
Se você perceber que foi vítima do golpe da maquininha, é importante agir rapidamente. Confira o passo a passo do que fazer:
Bloqueie o cartão
Entre em contato com seu banco para bloquear o cartão utilizado na transação suspeita. Você tem o direito de exigir o cancelamento de todas as compras feitas a partir deste momento. Se o banco não resolver, busque ajuda junto aos órgãos de defesa do consumidor, como o Procon.
Registre um Boletim de Ocorrência
O Boletim de Ocorrência é importante para documentar o golpe e pode ser útil em investigações futuras. Ao descrever o ocorrido, use uma linguagem clara e objetiva, trazendo detalhes relevantes.
Contate as empresas envolvidas
Se você notar transações não autorizadas, informe o mais rápido possível a sua instituição financeira. Além disso, notifique a empresa responsável pela maquininha sobre o ocorrido. Eles podem ter procedimentos específicos para lidar com casos de fraude e ajudar na investigação do incidente.

Golpe da maquininha: o banco devolve o dinheiro perdido?
Tentar pelas vias administrativas é sempre a primeira opção para buscar ressarcimento junto ao banco. Isso quer dizer que o banco fará uma análise para devolver o dinheiro gasto em transações fraudulentas.
Esteja preparado para fornecer detalhes sobre a transação fraudulenta e qualquer outra informação relevante que possa ajudar na investigação.
Além disso, documente todas as etapas e tentativas de recuperação do dinheiro perdido.
Se a transação estiver fora do perfil de uso e o banco não devolver, é recomendável contatar um advogado especialista em golpes e fraudes digitais para avaliar as opções de ressarcimento, de acordo com a legislação aplicável.
Jurisprudência 2025: responsabilidade dos bancos
Em casos de fraude como o golpe da maquininha, os bancos têm responsabilidade objetiva, uma vez que configura falhas na segurança do sistema, desde que as transações fujam do perfil de uso do correntista.
Os tribunais têm decidido que os bancos podem ser considerados responsáveis e obrigados a reparar os danos causados aos correntistas, conforme consta no art. 14 do Código de Defesa do Consumidor (CDC).
Também a Súmula 479 do STJ destaca que as instituições financeiras respondem objetivamente pelos danos gerados por fortuito interno relativo a fraudes e delitos praticados por terceiros no âmbito de operações bancárias.

FAQ: Perguntas frequentes sobre golpe da maquininha
STJ novembro/2025: responsabilidade solidária confirmada
No REsp nº 2.230.872 (STJ, Quarta Turma, Rel. Min. Isabel Gallotti, julgado em 05/11/2025), o STJ decidiu que o banco que indenizou o cliente vítima de golpe da maquininha pode cobrar parte do valor da credenciadora responsável pelo terminal (Cielo, Rede, PagSeguro etc.). A divisão foi de 50/50 entre banco e credenciadora. Para o consumidor, isso significa que a responsabilidade é solidária: ele pode processar qualquer um dos envolvidos na cadeia.
Além do banco e da credenciadora, plataformas de delivery como iFood, Rappi e Uber Eats também podem ser responsabilizadas, já que o entregador atua como preposto ou representante da plataforma (conforme o CDC art. 14 e a Súmula 479 do STJ).
Valores de indenização em golpes da maquininha
| Componente | Valor observado | Base |
|---|---|---|
| Dano moral | R$ 2.500 a R$ 5.000 | TJSP 2024-2026 |
| Declaração de inexigibilidade | Até R$ 24.999 (valor fraudulento) | TJSP (caso concreto) |
| Restituição material | Valor integral cobrado indevidamente | CDC art. 14 + Súmula 479 |
Quando o banco pode não ser responsabilizado
É importante avaliar os riscos antes de ingressar com a ação:
- Consumidor entregou o cartão sem maquininha adulterada: se a transação foi realizada em maquininha legítima e o consumidor permitiu a troca do cartão ou a visualização da senha, pode haver culpa concorrente (redução da indenização)
- Banco sem omissão comprovável: em algumas câmaras do TJSP (ex.: TJSP 14/03/2025), o banco consegue afastar a responsabilidade quando demonstra que não havia como detectar a fraude na transação
- Valor dentro do perfil habitual: se a compra fraudulenta tinha valor compatível com o perfil de consumo do titular, o argumento de transação atípica se enfraquece
A taxa de procedência estimada para casos de golpe da maquininha com maquininha adulterada e valor atípico é de 65% a 70%, conforme análise de acórdãos 2024-2026. Os casos mais fortes são aqueles com múltiplas transações em sequência e valores discrepantes do perfil.
Golpe da maquininha e outras fraudes relacionadas
O golpe da maquininha frequentemente está associado a outras modalidades de fraude. Os mesmos criminosos podem praticar fraude no cartão de crédito, golpe do PIX ou até golpe do boleto falso. Em todos esses casos, a lógica jurídica é a mesma: Súmula 479 e responsabilidade objetiva da instituição financeira.
Se você foi vítima de golpe da maquininha, um advogado especialista em golpes financeiros pode ajudar! Você pode entrar em contato para uma avaliação do seu caso.