Viajar de avião pode ser uma experiência desafiadora para muitos, especialmente para aqueles que dependem de suporte adicional.
A definição de Passageiro com Necessidade de Assistência Especial (PNAE) abrange um grupo amplo de viajantes que requerem suporte extra para uma viagem segura e confortável.
No Brasil, o direito do passageiro com assistência especial é protegido por regulamentações específicas da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), garantindo que pessoas com deficiências ou outras necessidades recebam o atendimento adequado.
Apesar dessas normas, falhas por parte das companhias aéreas ainda ocorrem com frequência, como atrasos no fornecimento de equipamentos ou falta de prioridade no embarque.
Este artigo visa orientar você sobre como identificar esses problemas e, principalmente, como registrar evidências para preservar seus direitos.
Se você é um passageiro PNAE ou conhece alguém nessa situação, entender esses passos pode fazer toda a diferença em uma eventual busca por reparação.
Quem são os PNAE segundo a Anac
Definição oficial
A Anac classifica como PNAE indivíduos que, por razões variadas, precisam de assistência para embarcar, viajar ou desembarcar. Isso inclui:
- Pessoas com deficiência (PCD), como deficiências físicas, sensoriais ou intelectuais.
- Indivíduos com mobilidade reduzida, que enfrentam dificuldades para se locomover.
- Idosos com 60 anos ou mais.
- Gestantes e lactantes.
- Pessoas com criança de colo.
- Menores desacompanhados.
- Passageiros que necessitam de acompanhamento médico.
- Pessoas com dificuldade de compreensão ou comunicação

Direitos básicos assegurados pela Anac
Os direitos do passageiro aéreo PCD e de outros PNAE são claros e abrangentes. Entre os principais, destacam-se:
- Atendimento prioritário em todas as etapas, desde o check-in até o resgate de bagagens.
- Assistência dedicada no embarque e desembarque, incluindo o uso de equipamentos como ambulifts.
- Acomodação adequada na aeronave, com assentos que atendam às necessidades específicas.
- Transporte gratuito de equipamentos assistivos, como cadeiras de rodas ou muletas, sem contar como bagagem despachada.
- Fornecimento de cadeira de rodas no aeroporto, se necessário.
- Comunicação acessível, com informações claras e adaptadas, como em braille ou linguagem simples.
Esses direitos visam minimizar barreiras e assegurar uma viagem digna.
Como comunicar previamente a necessidade de assistência
Informar a companhia aérea com antecedência é essencial para evitar contratempos. A recomendação é fazer isso com pelo menos 48 horas de antecedência, embora em alguns casos não seja obrigatório.
Você pode notificar via:
- Central de atendimento telefônico da companhia.
- Site ou aplicativo oficial, geralmente com formulários dedicados.
- Balcão de atendimento no aeroporto, para solicitações de última hora.

Sempre guarde protocolos, e-mails ou capturas de tela como prova. Mesmo que a norma não exija notificação em todos os cenários, registrar a necessidade previamente demonstra proatividade e fortalece sua posição em caso de falhas.
Por exemplo, se você é um passageiro com mobilidade reduzida, mencionar isso antecipadamente pode garantir a disponibilidade de suporte personalizado.
Tipos mais comuns de falha de assistência
Falhas ocorrem em diversas fases da viagem, e reconhecê-las é o primeiro passo para documentá-las.
Falhas relacionadas à cadeira de rodas
Problemas com equipamentos assistivos são frequentes. Exemplos incluem atrasos na entrega da cadeira no destino, danos durante o transporte, recusa indevida no despacho ou ausência de ajuda para chegar ao assento na aeronave.
Esses incidentes podem causar desconforto significativo e até riscos à saúde.
Falhas no embarque e desembarque
Aqui, demoras excessivas para auxiliar o passageiro são comuns, assim como a falta de ambulifts ou outros dispositivos adequados.
Funcionários sem treinamento adequado também contribuem para esses erros, deixando PNAE expostos a situações estressantes.
Falhas de comunicação
Informações incompletas ou falta de orientação personalizada afetam especialmente aqueles com limitações sensoriais.
Desatenção a necessidades como legendas em anúncios ou assistência verbal pode transformar uma viagem simples em um desafio.
Falhas durante o voo
Durante o trajeto, acomodações inadequadas, como assentos sem espaço para equipamentos, ou negligência em movimentações solicitadas previamente, violam os direitos.
Apoio para refeições ou idas ao banheiro, quando pedido, deve ser fornecido sem hesitação.

O que documentar em caso de falha da companhia aérea
Coletar evidências é fundamental para comprovar a omissão.
Provas essenciais
Registre tudo o que puder de forma segura:
- Vídeos curtos mostrando o incidente, como tempos de espera.
- Fotos do local, da ausência de funcionários ou de danos a equipamentos.
- Comprovantes de atrasos, como horários de voo e relógios.
- Registros de danos a itens como cadeiras de rodas, com imagens antes e depois.
- Laudos médicos, se relevantes para contextualizar a necessidade.
- Nomes e funções de funcionários envolvidos.
- Relatos de testemunhas, com contatos se possível.
Essas provas visuais e escritas são inestimáveis.
Documentos formais
Não esqueça de obter:
- Protocolos de atendimento emitidos pela companhia.
- Comprovantes de comunicações prévias, como e-mails de solicitação.
- Registros no balcão da companhia no aeroporto.
- Reclamações escritas feitas no local, com carimbo ou assinatura.
Esses itens formam a base para qualquer ação posterior.
Como registrar a omissão da companhia (passo a passo)
Agir de forma organizada maximiza a eficácia da documentação.
Durante o problema
- Comece capturando fotos e vídeos discretamente para evitar confrontos.
- Solicite imediatamente o responsável pelo atendimento e anote detalhes.
- Busque testemunhas entre outros passageiros ou funcionários, pedindo depoimentos breves.
Mantenha a calma para coletar informações precisas.
Após o problema
- Protocole uma reclamação formal com data e hora exatas.
- Registre no Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da companhia.
- Abra uma queixa no portal Consumidor.gov.br para registro oficial.
- Salve todos os documentos em formato PDF para fácil compartilhamento.
Esses passos criam um rastro documental robusto.
Quando há direito à indenização

Em situações graves, como falhas que causem danos físicos, materiais ou emocionais, os tribunais brasileiros têm reconhecido o direito a reparações.
Por exemplo, em casos semelhantes envolvendo danos a equipamentos assistivos ou atrasos excessivos no embarque, decisões judiciais já concederam indenizações que variam de R$ 5.000 a R$ 20.000, dependendo da gravidade e dos prejuízos comprovados.
Tratamentos inadequados ou constrangedores também podem justificar compensações.
Lembre-se de que cada caso é único, e consultar profissionais pode ajudar a avaliar opções. Entre em contato com um advogado especialista para mais informações sobre seus direitos em cenários como esses.
FAQ — Passageiros PNAE e documentação de falhas
Se precisar de orientação adicional, nossa equipe é especializada em direitos do passageiro aéreo e está preparada para esclarecer aspectos específicos relacionados ao direito do passageiro aéreo PCD.