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Infliximabe (Remicade) Negado pelo Plano de Saúde? Conheça Seus Direitos

Direito à Saúde
Frasco de medicamento ao lado de martelo de juiz representando direito ao infliximabe negado pelo plano de saude
Publicado: abril 10, 2026
Tempo estimado de leitura: 8 minutos

Se o seu infliximabe plano de saúde foi negado, saiba que essa recusa pode ser ilegal. Quando há prescrição médica fundamentada, a legislação brasileira e a jurisprudência dos tribunais superiores asseguram o direito à cobertura do tratamento pelo plano de saúde.

O que é o infliximabe (Remicade)

O infliximabe, comercializado como Remicade, é um medicamento biológico da classe dos anti-TNF (anticorpo monoclonal quimérico). Ele atua bloqueando o fator de necrose tumoral alfa (TNF-α), uma proteína envolvida nos processos inflamatórios do organismo. Por esse mecanismo, o infliximabe é indicado para diversas doenças autoimunes e inflamatórias graves.

As principais indicações terapêuticas do infliximabe incluem: doença de Crohn, retocolite ulcerativa, artrite reumatoide, espondilite anquilosante, artrite psoriásica e psoríase em placas. O tratamento é realizado por infusão intravenosa em ambiente hospitalar ou ambulatorial, com sessões a cada 6 a 8 semanas após a fase de indução.

O custo de cada dose varia entre R$ 2.000 e R$ 5.000, dependendo da apresentação e da instituição de saúde. Esse valor elevado é uma das razões pelas quais os planos de saúde frequentemente tentam negar a cobertura, mesmo quando há prescrição médica. Se você enfrenta dificuldades com a cobertura do seu tratamento, um advogado especialista em medicamentos de alto custo pode orientar sobre os caminhos legais disponíveis.

Ilustração de doença inflamatória intestinal como Crohn e retocolite tratadas com infliximabe
O infliximabe é indicado para doença de Crohn e retocolite ulcerativa graves

Por que os planos de saúde negam o infliximabe

Existem diversos motivos pelos quais as operadoras recusam a cobertura do infliximabe. Conhecer essas justificativas é fundamental para preparar a contestação adequada:

  • Custo elevado do tratamento: o infliximabe é um dos medicamentos biológicos mais caros, e as operadoras buscam reduzir despesas mesmo que em prejuízo do paciente.
  • Alegação de uso off-label: em alguns casos, a operadora argumenta que a indicação não está prevista em bula, mesmo quando há ampla literatura científica e aprovação médica.
  • Exigência de tratamento prévio com alternativas mais baratas: o plano pode exigir que o paciente tente outros medicamentos antes de aprovar o infliximabe, ainda que o médico tenha indicado diretamente.
  • Substituição forçada por biossimilar: algumas operadoras tentam trocar o Remicade por um biossimilar sem consentimento do médico prescritor, o que pode comprometer a eficácia do tratamento.

Independentemente da justificativa apresentada, a negativa de cobertura pode ser considerada abusiva quando contraria a prescrição do médico assistente. Entenda melhor o que fazer quando o plano nega um medicamento.

Documento de negativa do plano de saúde para infliximabe com carimbo de recusa
A negativa de cobertura do infliximabe pelo plano pode ser revertida judicialmente

Seus direitos quando o infliximabe plano de saúde é negado

O consumidor que tem o infliximabe negado pelo plano de saúde conta com diversas proteções legais. A legislação brasileira é clara ao estabelecer que a operadora não pode recusar cobertura de tratamento prescrito por médico habilitado.

Os principais fundamentos jurídicos são:

  • Lei 9.656/98 (Lei dos Planos de Saúde): determina que os planos devem cobrir todos os procedimentos e medicamentos listados no Rol da ANS, além de tratamentos prescritos em casos de urgência e emergência.
  • Código de Defesa do Consumidor (CDC): considera abusiva a cláusula que restringe direitos do consumidor, incluindo a recusa de tratamento médico necessário.
  • ADI 7.265 do STF (setembro de 2025): definiu que o Rol da ANS é taxativo, mas admite exceções quando preenchidos cinco requisitos cumulativos: prescrição médica fundamentada, ausência de negativa expressa da ANS, inexistência de alternativa terapêutica no Rol, comprovação científica robusta e registro na Anvisa. O infliximabe possui registro na Anvisa e consta no Rol para as principais indicações.
  • Tema 990 do STJ: consolidou que medicamento com registro na Anvisa deve ter cobertura obrigatória pelo plano, inclusive em uso off-label com prescrição médica fundamentada.

Esses dispositivos legais garantem ao paciente o direito de receber o infliximabe quando há prescrição médica fundamentada. Caso o plano insista na negativa, é possível processar o plano de saúde para assegurar o tratamento.

Como agir quando o plano nega o infliximabe: passo a passo

Se você recebeu uma negativa de cobertura para o infliximabe, siga estes passos para proteger seus direitos:

  1. Solicite a negativa por escrito: exija que o plano formalize a recusa com justificativa detalhada. Esse documento é essencial como prova judicial.
  2. Reúna a documentação médica: laudo do médico assistente com CID, relatório clínico detalhado, exames que comprovem a necessidade do infliximabe e eventuais falhas terapêuticas com outros medicamentos.
  3. Registre reclamação na ANS: acesse o portal da Agência Nacional de Saúde Suplementar e formalize a queixa. Isso gera um NIP (Notificação de Intermediação Preliminar) que pressiona a operadora a resolver em até 5 dias úteis.
  4. Registre no Procon: paralelamente, formalize a reclamação no Procon do seu estado para criar mais um registro oficial da conduta abusiva.
  5. Procure um advogado especialista: caso a via administrativa não resolva, um advogado com experiência em direito à saúde pode orientar sobre as medidas judiciais cabíveis, incluindo o pedido de tutela de urgência.
Paciente e advogado apertando mãos após obter liminar para infliximabe negado pelo plano de saúde
Com apoio jurídico especializado é possível garantir o infliximabe pelo plano

Tutela de urgência para o infliximabe

Uma das ferramentas mais eficazes para garantir o acesso ao infliximabe é a tutela de urgência (liminar). Quando o paciente demonstra a urgência do tratamento e a probabilidade do direito, o juiz pode determinar que o plano de saúde forneça o medicamento de forma célere, sob pena de multa diária.

Para obter a liminar, é necessário apresentar: prescrição médica atualizada, relatório clínico comprovando a gravidade do quadro, negativa formal do plano e comprovante de vigência do contrato. Quanto mais completa a documentação, maiores as chances de deferimento imediato.

Além da obrigação de fornecer o medicamento, em determinadas circunstâncias, a negativa abusiva pode configurar dano moral indenizável, a depender da análise do caso concreto. Cada caso é analisado individualmente, considerando a gravidade da doença e o impacto da demora no tratamento. Casos envolvendo medicamentos de alto custo frequentemente são resolvidos por meio de tutela de urgência.

Preço do infliximabe e custo anual do tratamento

O infliximabe é um dos medicamentos biológicos com custo mais significativo no Brasil. Os valores de referência são:

  • Custo por dose: entre R$ 2.000 e R$ 5.000, dependendo da apresentação (100 mg frasco-ampola) e do local de infusão.
  • Frequência: após a fase de indução (semanas 0, 2 e 6), as infusões são realizadas a cada 6 a 8 semanas.
  • Custo anual estimado: entre R$ 40.000 e R$ 65.000, considerando aproximadamente 8 infusões por ano na fase de manutenção.

Esses valores tornam inviável o custeio particular para a maioria dos pacientes, reforçando a importância de garantir a cobertura pelo plano de saúde. Quando a operadora nega, o paciente não deve arcar com esse ônus sozinho — a legislação está do seu lado.

O infliximabe está no Rol da ANS?

Sim, o infliximabe consta no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS para diversas indicações, incluindo: doença de Crohn, retocolite ulcerativa, artrite reumatoide e espondilite anquilosante. Isso significa que, para essas condições, a cobertura pelo plano de saúde é obrigatória.

Mesmo para indicações que eventualmente não constem expressamente no Rol, o STF definiu na ADI 7.265 (2025) que o Rol admite exceções quando preenchidos cinco requisitos cumulativos, incluindo prescrição médica fundamentada e registro na Anvisa. Quando esses requisitos são atendidos, o paciente pode buscar judicialmente a cobertura do tratamento.

Portanto, se o seu plano de saúde negou o infliximabe alegando que não está no Rol da ANS, essa justificativa pode ser contestada judicialmente. Consulte a página sobre adalimumabe (Humira) e plano de saúde para entender como outros medicamentos biológicos anti-TNF são tratados pela Justiça.

Perguntas frequentes sobre infliximabe e plano de saúde

O plano de saúde é obrigado a cobrir infliximabe?
Sim. Quando há prescrição médica e a indicação está prevista no Rol da ANS — como para doença de Crohn, retocolite ulcerativa, artrite reumatoide e espondilite anquilosante —, a cobertura é obrigatória. Mesmo fora do Rol, há jurisprudência favorável ao paciente.
Quanto tempo leva para sair uma liminar?
Em casos urgentes, a tutela de urgência (liminar) pode ser concedida em 24 a 48 horas após o ingresso da ação judicial. A rapidez depende da documentação apresentada e da urgência clínica demonstrada.
O plano de saúde pode trocar o infliximabe por outro medicamento?
A troca do Remicade (infliximabe referência) por um biossimilar só pode ser feita com concordância do médico prescritor. A operadora não pode impor a substituição unilateralmente, especialmente quando o paciente já está em tratamento estável com o medicamento original.
O que é uso off-label?
Uso off-label é a prescrição para indicações não previstas na bula aprovada pela Anvisa. Mesmo nesses casos, quando há evidência científica e prescrição médica fundamentada, a Justiça tem reconhecido o direito do paciente à cobertura pelo plano de saúde.
A negativa de cobertura de infliximabe gera indenização?
A negativa abusiva de cobertura para tratamento essencial pode configurar dano moral ao paciente, conforme entendimento dos tribunais. O valor da indenização depende das circunstâncias do caso, como a gravidade da doença e o tempo de espera pelo tratamento.
O infliximabe está disponível no SUS?
Sim, o infliximabe está disponível no SUS por meio do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF) para indicações específicas. No entanto, o acesso pode ser demorado, e pacientes com plano de saúde têm direito de exigir o fornecimento pela operadora.
Preciso fazer outros tratamentos para o plano de saúde cobrir infliximabe?
Nem sempre. Embora alguns protocolos clínicos prevejam escalonamento terapêutico, a decisão cabe ao médico assistente. Se o profissional entende que o infliximabe é a melhor opção, o plano não pode exigir tentativas prévias com medicamentos menos eficazes para aquele paciente.

Fale com um advogado

Se o seu plano de saúde negou a cobertura do infliximabe (Remicade), você não é obrigado a aceitar a recusa.

O escritório Rosenbaum Advogados atua na defesa dos direitos de pacientes contra operadoras de planos de saúde. Você pode entrar em contato para que um especialista analise a sua situação.

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