Kisqali (Ribociclibe): Preço e Cobertura pelo Plano de Saúde
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Kisqali (Ribociclibe): cobertura em mama HR+/HER2-, MBC e adjuvante

Direito à Saúde, Remédio
Imagem editorial do Kisqali (ribociclibe) usado contra câncer de mama HR+/HER2-
Publicado: julho 2, 2020 Atualizado: maio 15, 2026
Tempo estimado de leitura: 7 minutos

O Kisqali® (princípio ativo ribociclibe) é um inibidor das quinases dependentes de ciclina 4 e 6 (CDK4/6) usado em câncer de mama HR+/HER2- — categoria que firmou-se como padrão moderno no tratamento dessa neoplasia.

Saiba como o Judiciário trata de forma geral a negativa de cobertura desses medicamentos — incluindo Lei 14.454/2022, Tema 990 do STJ e ADI 7.265 — no nosso guia consolidado de medicamentos de alto custo pelo plano de saúde.

É um dos três CDK4/6i disponíveis no Brasil — junto com abemaciclibe (Verzenios) e palbociclibe (Ibrance). Embora compartilhem mecanismo, têm perfis clinicamente distintos.

Indicações: mama HR+/HER2- metastática em 1ª linha (combo com IA ou fulvestranto, em pré ou pós-menopausa) e mama HR+/HER2- em recidiva (combo com fulvestranto).

Também: adjuvante em alto risco recém-aprovada (NATALEE, 2023) — segunda indicação adjuvante entre os CDK4/6i, após o monarchE do abemaciclibe.

Custo: R$ 22 mil a R$ 32 mil/mês (600 mg/dia por 3 semanas, depois 1 semana off — ciclo de 28 dias). Em MBC com uso prolongado, custo total ultrapassa R$ 500 mil-R$ 1 milhão. Em adjuvante (3 anos): R$ 800 mil-R$ 1,2 milhão.

CDK4/6 e o trio de inibidores

O ciclo celular é regulado por ciclinas e CDKs (quinases dependentes de ciclina). Em mama HR+, o estrogênio ativa a sinalização proliferativa via CDK4/6, que fosforila a proteína do retinoblastoma (Rb).

Rb fosforilada libera E2F, levando a transcrição de genes da fase S e proliferação celular descontrolada — a base molecular da progressão tumoral em mama HR+.

Inibir CDK4/6 paralisa o ciclo em G1, sem necessariamente destruir o tumor — efeito “citostático” que se traduz em controle prolongado da doença, especialmente em combo com terapia endócrina (que reduz o estímulo estrogênico).

Os três CDK4/6i:

Ribociclibe (Kisqali): QTc prolongado é sua marca — exige ECG basal e periódico. Estudos MONALEESA mostraram sobrevida global em pré e pós-menopausa.

Palbociclibe (Ibrance): pioneiro (2015). Neutropenia profunda é a marca. Tem o maior número de pacientes tratados mundialmente, perfil consagrado.

Abemaciclibe (Verzenios): posologia contínua (sem semana off), diarreia como marca, penetração CNS melhor que os outros, indicação adjuvante consagrada (monarchE).

MONALEESA: a série de estudos que firmou Kisqali em MBC

MONALEESA-2 (2016): ribociclibe + letrozol vs placebo + letrozol em MBC HR+/HER2- em 1ª linha em pacientes pós-menopausa. SLP 25,3 vs 16,0 meses. Sobrevida global em atualização: 63,9 vs 51,4 meses.

MONALEESA-3 (2018): ribociclibe + fulvestranto vs placebo + fulvestranto em MBC HR+/HER2- pré-menopausa com supressão ovariana, em 1ª ou 2ª linha. Sobrevida global em atualização: 53,7 vs 41,5 meses.

MONALEESA-7 (2018): ribociclibe em combo (IA ou tamoxifeno) em MBC HR+/HER2- em PRÉ-MENOPAUSA com supressão ovariana. Primeiro estudo CDK4/6i específico em pré-menopausa.

Resultados: SLP 23,8 vs 13,0 meses; SG em atualização não alcançada vs 40,9 meses — 1ª demonstração de ganho de sobrevida em pré-menopausa com CDK4/6i.

Conjunto MONALEESA: ribociclibe é o ÚNICO CDK4/6i com demonstração consistente de ganho de sobrevida global em MBC em múltiplos cenários. Em alguns análises retrospectivos, sugere superioridade vs Ibrance em sobrevida.

NATALEE: a 2ª indicação adjuvante consagrada entre CDK4/6i

Em 2023, o estudo NATALEE demonstrou benefício do ribociclibe em ADJUVANTE em mama HR+/HER2- de alto risco — segunda indicação adjuvante entre CDK4/6i, após o monarchE do abemaciclibe (Verzenios).

5.101 pacientes randomizadas em ribociclibe 400 mg/dia (dose reduzida do MBC) + IA por 3 anos vs IA isolado por 5 anos. Critérios de alto risco: linfonodos positivos (N1-N3), ou linfonodos negativos + alto risco (T2 + grau 3 ou Ki-67 ≥ 20% ou T3-T4).

Resultados (atualização 2024): SLI invasiva em 3 anos 90,7% vs 87,6% — redução de 25% no risco de recidiva invasiva. Benefício consistente em todos os subgrupos analisados.

Esquema: ribociclibe 400 mg/dia por 3 anos em combo com IA padrão. Dose reduzida vs MBC (600 mg) para tolerância em paciente clinicamente sem doença.

A indicação adjuvante do Kisqali foi aprovada FDA em setembro de 2024 e Anvisa em 2024-2025. ANS está em processo de incorporação ao Rol em algumas DUTs.

Diferenças vs Verzenios (monarchE) adjuvante:

Critérios de risco: NATALEE é mais amplo (inclui N0 alto risco); monarchE focou em N+.

Duração: NATALEE 3 anos; monarchE 2 anos.

Dose: NATALEE usa dose menor que MBC; monarchE usa dose plena.

QTc prolongado: a assinatura cardiovascular do ribociclibe

A cardiotoxicidade do ribociclibe é distinta dos outros CDK4/6i — prolongamento de QTc, que pode levar a arritmias graves (torsades de pointes) em casos extremos.

Frequência: prolongamento de QTc em 5-9% dos pacientes em ECG; raramente sintomático. Mais frequente em pacientes com fatores de risco: distúrbio eletrolítico, medicações QTc-prolongadoras (alguns antibióticos, antifúngicos, antieméticos, antipsicóticos), cardiopatia estrutural.

Monitoramento obrigatório:

ECG basal antes de iniciar (QTc < 450 ms para iniciar com segurança).

ECG aos 14 dias do ciclo 1 (pico de exposição).

ECG no início do ciclo 2, depois conforme indicação clínica.

Eletrólitos basais e periódicos: K, Mg, Ca. Reposição se anormalidade.

Em QTc 480-500 ms: pausa do ribociclibe, repor eletrólitos, reavaliar. Em QTc > 500 ms: suspensão até normalização; redução de dose ao retomar; em casos persistentes ou recorrentes, descontinuação.

Em pacientes com fatores de risco cardiovascular significativos (síndrome QT longo congênito, IC com FE baixa, arritmias graves prévias): contraindicação ou cautela extrema — frequentemente Verzenios ou Ibrance são preferidos.

Outras toxicidades

Neutropenia: ~75% em algum grau, 20-30% grau ≥3. Geralmente nas primeiras 4 semanas. Manejável com pausa e redução de dose. Esquema 21/7 (3 semanas on, 1 semana off) permite recuperação da contagem de neutrófilos.

Hepatotoxicidade: aumento de transaminases em 5-15%. Monitorar mensalmente nos primeiros 6 meses, depois conforme estabilidade.

Náusea, fadiga, alopecia parcial, rash, diarreia (menor que Verzenios): efeitos GI e gerais comuns, geralmente leves.

Hipertrigliceridemia: efeito metabólico.

Doença pulmonar intersticial: rara mas grave — efeito de classe CDK4/6i. Sintomas respiratórios novos exigem TC e suspensão.

Tromboembolismo venoso: 1-2%, similar a outros CDK4/6i.

Negativas frequentes em Kisqali

“Use Ibrance (palbociclibe) — mais barato”: cabível em alguns cenários, pois eficácia em SLP em MBC é comparável.

NÃO cabe quando paciente está estável sob ribociclibe, em pré-menopausa onde MONALEESA-7 tem dados específicos, ou em casos onde dados de sobrevida do ribociclibe são argumento clínico relevante.

“Use Verzenios em vez de Kisqali em adjuvante”: cabível em maioria dos casos N+ (monarchE foi aprovado primeiro). NÃO cabe em N0 alto risco onde NATALEE tem critérios próprios mais amplos. Em pacientes com intolerância anterior à diarreia do Verzenios, Kisqali é alternativa.

“Indicação adjuvante fora do Rol”: NATALEE é mais recente — em algumas DUTs ainda em incorporação. Em casos elegíveis pelos critérios do estudo, a ADI 7.265 do STF respalda.

“QTc prolongado limita uso”: argumento técnico válido em pacientes com QTc prolongado basal ou fatores de risco. Em pacientes com perfil cardiovascular normal e ECG basal adequado, o uso é seguro com monitoramento padrão.

Como agir na negativa do Kisqali

Primeiro: negativa por escrito, com fundamento técnico.

Segundo: relatório oncológico — diagnóstico (mama HR+/HER2-, perfil molecular, status menopausal), estadiamento, em adjuvante: linfonodos, tamanho, grau, Ki-67 (critérios NATALEE); em MBC: linhas prévias, sítios metastáticos.

Inclua avaliação cardiovascular basal (ECG, função cardíaca, perfil eletrolítico) e justificativa pela escolha do ribociclibe — dados de sobrevida MONALEESA, indicação em pré-menopausa (MONALEESA-7), adjuvante NATALEE em critérios próprios.

Em MBC HR+/HER2- recém-diagnosticada com janela ótima para iniciar, em recidiva metastática em progressão, em adjuvante recém-operada elegível NATALEE, a tutela de urgência tem peso decisivo.

Veja o guia do que fazer quando o plano nega medicamento e os hubs paralelos: Verzenios (CDK4/6i par, monarchE adjuvante), Arimidex (IA parceiro padrão), Nolvadex (SERM par em pré-menopausa), Zoladex (supressão ovariana em pré-menopausa).

O plano de saúde é obrigado a cobrir o Kisqali (ribociclibe)?
Sim, nas indicações com respaldo clínico. As principais — mama HR+/HER2- metastática em 1ª linha em combo com IA ou fulvestranto (MONALEESA-2/3), mama HR+/HER2- em recidiva (MONALEESA-3), mama HR+/HER2- em pré-menopausa com supressão ovariana (MONALEESA-7), adjuvante em alto risco (NATALEE 2023, em incorporação ao Rol) — constam ou estão em incorporação no Rol da ANS com Diretrizes de Utilização específicas. Em situações marginais ou em indicações em adjuvante onde a DUT ainda não foi atualizada, a ADI 7.265 do STF (setembro de 2025) consolidou a obrigação de cobertura com prescrição fundamentada e ausência de alternativa equivalente.
Qual a diferença entre Kisqali, Ibrance e Verzenios?
Todos são CDK4/6i com mecanismo central similar (paralisam ciclo celular em G1), mas com perfis distintos. Posologia: Kisqali (ribociclibe) e Ibrance (palbociclibe) usam esquema 21 dias on, 7 off; Verzenios (abemaciclibe) é contínuo. Toxicidade dominante: Kisqali = QTc prolongado (ECG seriado), neutropenia; Ibrance = neutropenia profunda; Verzenios = diarreia, neutropenia leve. Penetração CNS: Verzenios > Ibrance/Kisqali. Dados de sobrevida: Kisqali tem demonstração consistente de ganho em sobrevida global em pré e pós-menopausa (MONALEESA-2/3/7); Ibrance tem dados em SLP mas não em sobrevida global consistente; Verzenios tem dados de sobrevida em MBC mais recente. Em adjuvante: Verzenios consagrado (monarchE em N+) desde 2020; Kisqali aprovado em 2024 (NATALEE em critérios mais amplos incluindo N0 alto risco); Ibrance falhou em adjuvante (PALLAS). A escolha é individualizada.
O Kisqali aumenta a sobrevida em câncer de mama metastático?
Sim — diferencial central do Kisqali. Os estudos MONALEESA são a série mais robusta entre CDK4/6i com demonstração consistente de ganho em sobrevida global em múltiplos cenários: MONALEESA-2 (pós-menopausa 1ª linha): SG 63,9 vs 51,4 meses; MONALEESA-3 (pré-menopausa com SO em 1ª/2ª linha): SG 53,7 vs 41,5 meses; MONALEESA-7 (pré-menopausa em 1ª linha): SG não alcançada vs 40,9 meses (mais impressionante). Esse dado de sobrevida global consistente diferencia Kisqali entre os CDK4/6i em MBC. Em estudos head-to-head retrospectivos, sugere superioridade vs Ibrance em sobrevida — embora dados prospectivos head-to-head sejam limitados.
Posso usar Kisqali em mulher pré-menopausa?
Sim — em combo com supressão ovariana (Zoladex/Lupron) + IA ou tamoxifeno. O estudo MONALEESA-7 foi o primeiro CDK4/6i específico em pré-menopausa, demonstrando superioridade vs combo sem CDK4/6i. SLP 23,8 vs 13,0 meses; sobrevida global em atualização significativa (não alcançada vs 40,9 meses). É um diferencial do Kisqali — os outros CDK4/6i têm dados em pré-menopausa mas menos robustos. Em mama HR+/HER2- metastática em pré-menopausa, o esquema padrão é: supressão ovariana (Zoladex 3,6 mg/28 dias ou 10,8 mg/12 semanas) + IA (anastrozol/letrozol) ou tamoxifeno + Kisqali (ou outro CDK4/6i conforme escolha). Em adjuvante NATALEE em pré-menopausa: similar com SO + IA + Kisqali por 3 anos.
Por que preciso de ECG com Kisqali?
Para monitorar prolongamento de QTc — efeito adverso característico do ribociclibe. O QTc é o intervalo do ECG entre o início do complexo QRS e o final da onda T, corrigido pela frequência cardíaca. Quando prolongado (>450-470 ms), aumenta risco de arritmias graves (torsades de pointes). Frequência com Kisqali: 5-9% em algum grau, raramente sintomático. Mais frequente em pacientes com fatores de risco: distúrbio eletrolítico (K, Mg baixos), medicações que prolongam QTc (alguns antibióticos macrolídeos, antifúngicos azólicos, antieméticos, antipsicóticos), cardiopatia estrutural. Protocolo padrão: ECG basal (QTc 500: suspensão até normalização, redução de dose ao retomar.
O Kisqali em adjuvante (NATALEE) vale a pena?
Em pacientes de alto risco — sim. NATALEE (2023) demonstrou em 5.101 pacientes com mama HR+/HER2- de alto risco (N1-N3, ou N0 com critérios adicionais T2+grau 3 ou Ki-67 ≥ 20% ou T3-T4): SLI invasiva em 3 anos 90,7% vs 87,6% (redução de 25% no risco). Diferenças vs monarchE adjuvante (Verzenios): NATALEE é mais amplo (inclui N0 alto risco onde monarchE focou em N+); duração 3 anos vs 2; dose reduzida vs MBC. Aprovação FDA setembro 2024, Anvisa 2024-2025; ANS em incorporação. Em pacientes elegíveis pelos critérios do NATALEE, a indicação é válida. A negativa específica em adjuvante é mais frequente por ser indicação recente — defesa fundamentada em NATALEE + critérios de elegibilidade documentados.
Quanto custa o tratamento com Kisqali?
R$ 22 mil a R$ 32 mil por mês (600 mg/dia por 3 semanas, depois 1 semana off — dose padrão MBC, ou 400 mg/dia em adjuvante NATALEE). Em MBC com uso prolongado até progressão (mediana SLP 25-28 meses): R$ 500 mil a R$ 1 milhão por linha. Em respondedoras excepcionais com uso > 5 anos, ultrapassa R$ 1,5 milhão. Em adjuvante NATALEE (3 anos fixos com dose reduzida): R$ 600 mil a R$ 1 milhão. Comparativamente, Verzenios (abemaciclibe) e Ibrance (palbociclibe) têm custos similares por mês — escolha é frequentemente clínica e por indicação específica do estudo (MONALEESA, monarchE, NATALEE, PALLAS).

Mais informações

Se você passou por uma negativa de cobertura do Kisqali (ribociclibe) ou tem dúvidas sobre o caminho a seguir, pode entrar em contato com a Rosenbaum Advogados para que a sua situação seja analisada.

Leo Rosenbaum

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