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Bevacizumabe (Avastin): plano de saúde nega cobertura? Saiba como garantir seu direito

Direito à Saúde, Remédio
Bevacizumabe (Avastin) com martelo de juiz simbolizando o direito à cobertura pelo plano de saúde.

Redação

Publicado: agosto 20, 2020 Atualizado: janeiro 19, 2026
Tempo estimado de leitura: 8 minutos

Receber a indicação médica para o uso do Bevacizumabe, conhecido comercialmente como Avastin, é um momento decisivo para pacientes que enfrentam diagnósticos complexos, especialmente em oncologia e oftalmologia. No entanto, a jornada para o tratamento muitas vezes é interrompida por uma barreira administrativa frequente: o plano de saúde nega cobertura ao medicamento. Essa negativa de cobertura gera angústia e coloca em risco a eficácia do combate à doença, mas é fundamental compreender que a legislação brasileira e o entendimento consolidado do Judiciário oferecem proteção robusta aos beneficiários.

Neste artigo, detalhamos tudo o que você precisa saber sobre os seus direitos, o papel da Súmula 102 do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) e como obter uma decisão judicial favorável para garantir o início imediato do seu tratamento.

O que é o Bevacizumabe e para que serve?

O Bevacizumabe é um anticorpo monoclonal humano que atua como um potente inibidor da angiogênese. Em termos simples, ele impede a formação de novos vasos sanguíneos que alimentam os tumores, ajudando a conter o crescimento e a propagação de diversas neoplasias. Por sua alta eficácia e pela tecnologia biotecnológica envolvida em sua produção, ele é classificado como um medicamento de alto custo.

Suas principais indicações clínicas, fundamentadas em protocolos internacionais e nacionais, incluem:

  • Câncer colorretal metastático: frequentemente utilizado em combinação com regimes de quimioterapia para prolongar a sobrevida.
  • Câncer de pulmão de não pequenas células: indicado para casos avançados, metastáticos ou recorrentes.
  • Câncer de mama metastático: aplicado em protocolos específicos, visando o controle da progressão da doença.
  • Câncer de células renais: voltado para pacientes com doença avançada ou metastática.
  • Glioblastoma multiforme: uma forma extremamente agressiva de tumor cerebral, onde o medicamento ajuda no controle do edema e da progressão tumoral.
  • Câncer de ovário, trompa de Falópio e peritônio: utilizado tanto em primeira linha quanto em casos de recidiva.
  • Degeneração macular e outras doenças da retina: embora muitas vezes o uso seja considerado off-label (fora da bula original) para fins oftalmológicos, a eficácia é amplamente reconhecida e validada pela comunidade médica global.

A prescrição do Avastin não é uma escolha aleatória; é uma decisão técnica baseada no perfil genético do tumor e no histórico clínico do paciente. Por isso, a interferência da operadora de saúde nesse processo compromete a própria finalidade do contrato de assistência médica.

Foto do medicamento Bevacizumabe (Avastin) indicado para tratamento oncológico de alto custo.

Por que os planos de saúde negam cobertura de Bevacizumabe?

A negativa de cobertura para o Avastin costuma se basear em justificativas burocráticas que, embora pareçam técnicas, são sistematicamente consideradas abusivas pelo Poder Judiciário. As operadoras geralmente alegam:

  1. Ausência no rol da ANS: o argumento mais recorrente é que o medicamento ou a indicação específica para aquela doença não consta na lista de coberturas obrigatórias da Agência Nacional de Saúde Suplementar.
  2. Uso off-label: ocorre quando o médico prescreve o medicamento para uma condição que ainda não foi incluída formalmente na bula aprovada pela Anvisa, mas que possui evidência científica de sucesso.
  3. Tratamento domiciliar: a tentativa de excluir medicamentos que podem ser administrados fora do ambiente de internação hospitalar, ignorando que o tratamento oncológico é uma unidade indivisível.
  4. Taxatividade do Rol: após as recentes discussões jurídicas, muitas operadoras tentam aplicar o entendimento de que o rol da ANS seria taxativo e intransponível.

É crucial destacar que o entendimento judicial atual reforça que o rol da agência reguladora representa apenas uma cobertura mínima obrigatória, e não um limite máximo para a medicina. Se há prescrição médica fundamentada e evidência de eficácia, o plano de saúde não tem autoridade para substituir o médico na escolha da melhor terapia para salvar a vida do paciente.

Direitos do paciente: a proteção da Lei 9.656/98 e do CDC

A base legal da defesa do consumidor de planos de saúde reside na Lei 9.656/98, que regulamenta o setor, e no Código de Defesa do Consumidor (CDC). A premissa jurídica é transparente: se o contrato prevê a cobertura da doença (como o câncer ou doenças degenerativas da visão), a operadora deve, obrigatoriamente, custear os meios necessários para o tratamento, incluindo os medicamentos biológicos prescritos pelo especialista.

A Súmula 102 do TJSP é um dos instrumentos mais poderosos para os pacientes brasileiros. Ela estabelece com clareza:

“Havendo expressa indicação médica, é abusiva a negativa de cobertura de custeio de tratamento sob o argumento da sua natureza experimental ou por não figurar no rol de procedimentos da ANS.”

Este entendimento pacificado protege o paciente contra a cláusula de exclusão de tratamento que desnatura o objeto do contrato. Além disso, o Artigo 51 do CDC considera nulas de pleno direito as cláusulas que estabeleçam obrigações iníquas ou que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada.

Símbolo de vitória judicial em ação de cobertura para Bevacizumabe contra plano de saúde.

Atualizações 2025: o entendimento do STF e STJ sobre o rol da ANS

O cenário jurídico sobre o rol da ANS passou por transformações cruciais entre 2024 e 2025. Após intensos debates sobre a taxatividade do rol, o Legislativo e o Judiciário reafirmaram que o rol é, em regra, exemplificativo (ou possui uma taxatividade mitigada).

Para garantir a cobertura do Bevacizumabe em 2025, o Judiciário observa critérios específicos:

  • Comprovação da eficácia baseada em evidências científicas sólidas.
  • Recomendações de órgãos renomados (como a CONITEC ou sociedades médicas de especialidade).
  • Inexistência de substituto terapêutico com a mesma eficácia que já esteja no rol.

As decisões mais recentes do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Superior Tribunal de Justiça (STJ) têm priorizado a preservação da dignidade da pessoa humana. Quando a operadora nega o acesso ao Avastin, ela não está apenas economizando recursos; ela está cerceando o direito constitucional à vida.

Passos para reverter a negativa e obter liminar judicial

Se você recebeu uma negativa, o primeiro passo é manter a calma e organizar as provas. Para ingressar com uma medida judicial urgente, comumente chamada de liminar, você precisará reunir:

  1. Relatório médico detalhado: Este documento é a peça central. Ele deve descrever o histórico da doença, os tratamentos já realizados sem sucesso e a justificativa técnica para a escolha do Bevacizumabe, enfatizando a urgência.
  2. Negativa formal por escrito: Não aceite apenas negativas verbais por telefone. Exija que a operadora envie o documento formal explicando o motivo da recusa. Isso é uma exigência da Resolução Normativa 395 da ANS.
  3. Comprovantes de pagamento: É essencial demonstrar que o contrato está ativo e os pagamentos em dia.
  4. Cópia do contrato e carteirinha: Documentos que comprovam o vínculo e a segmentação (ambulatorial/hospitalar).

A liminar contra plano de saúde é uma decisão provisória proferida pelo juiz em caráter de urgência (periculum in mora). Em casos oncológicos, o Tribunal de Justiça de São Paulo costuma apreciar esses pedidos em um prazo médio de 24 a 48 horas. Se deferida, a operadora é intimada a fornecer o medicamento sob pena de multa diária, garantindo que o ciclo de tratamento não seja interrompido.

Infográfico detalhando os passos para obter uma liminar judicial para o medicamento Bevacizumabe no TJSP.

Casos de sucesso e a reparação por danos morais

A jurisprudência atual não se limita apenas a obrigar o fornecimento do fármaco. Tem sido cada vez mais comum a condenação das operadoras ao pagamento de indenização por danos morais. O entendimento dos magistrados é que a recusa indevida agrava a aflição psicológica e o sofrimento do paciente, que já se encontra em estado de vulnerabilidade.

O impacto de ver um tratamento essencial negado no momento em que a vida está em jogo é imensurável. Por isso, as ações contra planos de saúde buscam não apenas a correção do erro administrativo, mas uma compensação justa pelo abalo emocional causado pela conduta abusiva. Em casos similares, os tribunais têm fixado indenizações baseadas no caráter punitivo e pedagógico para que a operadora não repita a prática com outros beneficiários.

Perguntas frequentes sobre o Bevacizumabe (Avastin)

O plano de saúde pode negar Bevacizumabe se o tratamento for experimental?
O termo “experimental” é frequentemente usado de forma errônea pelas operadoras. Se o medicamento tem registro na ANVISA e evidência científica para o seu caso, a justiça não aceita a tese de “tratamento experimental” como motivo para exclusão de cobertura.
O que fazer se o médico prescrever o medicamento para uso domiciliar?
A justiça entende que o fornecimento do medicamento de alto custo é obrigatório se ele for indispensável para a manutenção da vida e do tratamento oncológico, mesmo que a administração ocorra fora do hospital (home care ou oral), derrubando a barreira do uso domiciliar.
Posso entrar com a ação mesmo se o tratamento já começou e eu paguei do bolso?
Sim. É possível pleitear o reembolso integral dos valores gastos indevidamente, corrigidos monetariamente, além de garantir que as próximas doses sejam custeadas diretamente pela operadora através da liminar.
Quanto tempo dura um processo contra plano de saúde?
Embora a liminar garanta o medicamento em poucos dias, o processo segue para uma fase de provas e julgamento final, que pode levar de 12 a 24 meses. No entanto, o paciente permanece utilizando o remédio durante todo esse período graças à decisão inicial.
É necessário um advogado especialista?
Dada a complexidade técnica dos argumentos das operadoras e as constantes mudanças no rol da ANS, a orientação de um especialista em direito à saúde é fundamental para aumentar as chances de êxito e garantir que a petição contenha os fundamentos específicos exigidos pelos tribunais superiores.

A luta contra uma doença complexa exige que o paciente e sua família dediquem todas as energias à recuperação. Delegar a batalha burocrática e jurídica a profissionais experientes é um passo estratégico para garantir a tranquilidade necessária. O Bevacizumabe (Avastin) representa uma esperança real de controle da doença e não pode ser transformado em um privilégio de quem pode pagar.

Um advogado especialista atua diariamente para que o direito à saúde seja respeitado. Utilizamos nossa profunda compreensão das normas da ANS e da jurisprudência do TJSP para reverter negativas e restaurar a dignidade dos nossos clientes.

Se você está enfrentando dificuldades com o seu convênio, lembre-se de que a justiça está disponível para corrigir esses desequilíbrios. Você pode entrar em contato para entender os seus direitos.

Redação

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