Muitas ações judiciais envolvendo planos de saúde são resolvidas sem a necessidade de análises técnicas aprofundadas, baseando-se em documentos e argumentos das partes. No entanto, em casos mais complexos, o juiz pode recorrer a uma ferramenta essencial: a perícia médica judicial. Se você está em meio a um processo ou considerando ingressar com uma ação contra um plano de saúde, entender como funciona perícia judicial plano de saude é fundamental para navegar pelo sistema judiciário com mais segurança.
Este artigo esclarece dúvidas comuns, como quando o juiz solicita a perícia, o que ocorre durante o procedimento e dicas práticas para se preparar. Além disso, destacamos a distinção entre a medicina assistencial – focada no tratamento direto do paciente – e a medicina pericial, que oferece uma avaliação imparcial para auxiliar a Justiça. Nosso objetivo é fornecer um panorama realista, baseado na prática processual brasileira, para que você compreenda o impacto dessa etapa no resultado final.
O que é a perícia médica judicial em ações contra planos de saúde?
A perícia médica judicial atua como um instrumento técnico indispensável quando o juiz precisa de conhecimentos especializados para decidir sobre questões de saúde. Em ações contra planos de saúde, ela surge para esclarecer pontos que vão além do entendimento jurídico comum, garantindo que a sentença seja fundamentada em evidências científicas.
Diferente de opiniões particulares, a perícia é uma análise imparcial realizada por um profissional nomeado pelo juiz. Esse perito não defende interesses de nenhuma parte, mas sim contribui para a elucidação dos fatos, conforme previsto no Código de Processo Civil (CPC). Em contextos de saúde suplementar, isso ajuda a resolver disputas sobre coberturas, tratamentos e impactos na saúde do beneficiário.
Quando o juiz costuma determinar perícia médica?
Nem todo processo exige perícia, mas ela é comum em situações que demandam expertise técnica. Abaixo, exploramos os cenários mais frequentes.
Quando há conflito técnico relevante
A perícia é frequentemente determinada em casos de divergência entre o laudo do médico assistente e o parecer da operadora de saúde. Por exemplo, se há questionamentos sobre a eficácia, indispensabilidade ou urgência de um tratamento, o juiz pode nomear um perito para analisar as evidências e esclarecer o impasse.

Quando o processo envolve tratamentos não padronizados
Tratamentos inovadores, terapias contínuas ou medicamentos de uso controverso – como aqueles fora do rol da ANS, mas indicados clinicamente – costumam requerer avaliação pericial. Aqui, o foco é verificar se o procedimento atende a critérios científicos de necessidade e segurança.
Quando a operadora questiona o diagnóstico ou indicação médica
Discussões sobre o Código Internacional de Doenças (CID), a adequação terapêutica, o número de sessões ou a equivalência entre tratamentos alternativos também podem levar à perícia. O perito examina se a indicação médica é coerente com o quadro clínico apresentado.
Quando o juiz precisa esclarecer prejuízos, sequelas ou incapacidade
Em ações onde a decisão depende do impacto real na saúde do beneficiário, como sequelas permanentes ou incapacidade laborativa, a perícia ajuda a quantificar danos e riscos, influenciando na análise de urgência ou reparação.
Papel do perito: quem ele é e o que faz?
O perito judicial é um profissional qualificado, geralmente um médico com experiência na área relevante, que auxilia o juiz em questões técnicas.
O perito é auxiliar da Justiça
Nomeado pelo magistrado, o perito não representa o autor, o réu ou a operadora. Sua função é fornecer uma visão neutra, baseada em critérios científicos e éticos, para subsidiar a decisão judicial.
O que o perito avalia
Durante a análise, o perito revisa laudos médicos prévios, exames, a evolução clínica do paciente, a necessidade e eficácia do tratamento solicitado, além dos riscos associados à sua não realização. Essa avaliação é abrangente, considerando evidências documentais e clínicas.

Diferença entre perito judicial e médico assistente
O médico assistente é o profissional que acompanha e trata o paciente diretamente, priorizando o bem-estar individual. Já o perito judicial realiza uma avaliação imparcial para o processo, sem vínculo terapêutico. Embora possam divergir em opiniões técnicas, isso não implica contradição necessária – apenas perspectivas complementares.
Como funciona a perícia médica na prática
Na rotina judicial, a perícia segue etapas definidas para garantir eficiência e imparcialidade.
Agendamento e comunicação
Após a determinação do juiz, o perito agenda a avaliação, que pode incluir consulta, exame ou entrevista. A comunicação ocorre via processo judicial ou pelo advogado, garantindo que todas as partes sejam notificadas.
O que acontece na avaliação
A sessão envolve uma entrevista clínica para entender o histórico do paciente, análise de documentos e exames, observação de sintomas e limitações, além de perguntas sobre a indicação médica. O foco é coletar dados objetivos para embasar o laudo.
Entrega do laudo
O perito responde aos quesitos formulados pelo juiz e pelas partes, entregando o laudo que é anexado aos autos. Se necessário, pode haver complementação para esclarecer pontos adicionais.

Como o paciente deve se preparar para a perícia médica
Uma boa preparação maximiza a clareza da avaliação e fortalece o caso.
Levar todos os documentos relevantes
Compile uma lista essencial: relatórios médicos atualizados, exames recentes, prescrição detalhada do médico assistente, histórico de tratamentos tentados, anotações sobre evolução de sintomas e medicamentos em uso. Esses itens fornecem base concreta para o perito.
Ser claro e objetivo durante a avaliação
Descreva sintomas, limitações e impactos na rotina com precisão, sem exageros ou minimizações. Relatos honestos ajudam a construir uma narrativa coerente.
Importância da coerência entre relatos e documentos
O perito se apoia fortemente em evidências documentais, então inconsistências entre o que é dito e o que está registrado podem complicar a interpretação. Mantenha alinhamento para evitar prejuízos.
Como o laudo pericial influencia a decisão do juiz
O laudo é um elemento chave, mas não definitivo no processo.

O laudo tem grande peso, mas não é absoluto
Embora possua alto valor probatório, o juiz pode discordar, pedir complementação ou nova perícia, decidindo com base no conjunto de provas, como previsto no CPC.
Quando o laudo fortalece o pedido do paciente
Ele reforça o caso ao confirmar a necessidade do tratamento, validar urgência ou riscos, ou rejeitar justificativas da operadora, aumentando as chances de sentença favorável.
Quando o laudo pode gerar dúvidas ou necessidade de complementação
Incongruências, falta de clareza ou conclusões vagas podem levar a objeções, exigindo ajustes para prosseguir.
O que acontece depois da perícia?
Após a entrega do laudo, as partes podem apresentar objeções ou quesitos complementares. Se houver discordância significativa, uma nova perícia ou parecer de assistente técnico pode ser solicitada. O processo segue com alegações finais, até a sentença do juiz, que pode ser recorrida. Em casos urgentes, liminares podem ser mantidas ou ajustadas com base no laudo.
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