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Você sabe o que é deflação?

Entenda o que é deflação e saiba porque ela pode representar um problema para a economia.

05 de novembro de 2021 - Atualizado 05/11/2021

A maioria das pessoas sabe o que significa inflação. Mas, você já ouviu falar de deflação?

Em síntese, a deflação pode ser compreendida como o processo contrário da inflação, ou seja: queda dos preços. 

À primeira vista, isso parece ser algo positivo para a economia. No entanto, uma deflação persistente reduz a demanda da economia e pode prejudicar a geração de empregos e da própria renda.

Compreenda no que consiste exatamente a deflação e saiba porque esta pode vir a ser pior que a inflação.

O que é deflação?

A deflação é o contrário da inflação, ou seja, gera a baixa de preços. 

A priori, tal situação aparenta ser algo positivo, todavia, a deflação costuma acontecer em períodos de escassez e crises econômicas.

Ou seja, quando os setores da sociedade têm menos capital para gastar, os preços acabam baixando por falta de procura.

É importante salientar que, de acordo com o Banco Central, a deflação também pode ser indesejável, já que o trabalho é para manter a inflação baixa e não para que os preços declinem. 

Nesse sentido, é importante para o planejamento de todos que os valores cobrados sejam relativamente estáveis ao longo do tempo, com inflação baixa e previsível.

Na história mais recente do Brasil, houve deflação no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado o principal indicador de preços do país. 

Isso aconteceu entre julho e setembro de 1998, num período marcado por muitas crises financeiras no mundo e pela desvalorização das commodities.

Em outros países, a deflação já foi o maior vilão da economia. Duas das piores crises aconteceram nos Estados Unidos, após o “crash” da bolsa de Nova York em 1929 e, no Japão, durante a década de 1980. Os governos destes países precisaram intervir para combater um ciclo recessivo gerado pelos preços cada vez mais baixos.

Qual a diferença entre deflação, inflação, desinflação e hiperinflação?

A deflação é a queda generalizada dos preços de bens e serviços causada, principalmente, pelo excesso de oferta frente à demanda, o que gera a diminuição dos preços para estimular o consumo. 

Confira a seguir qual a diferença da deflação em relação à inflação, à desinflação e à hiperinflação.

Inflação

Em suma, a inflação é o aumento contínuo dos preços de forma generalizada.

Neste caso, as pessoas perdem o seu poder de compra, uma vez que não conseguem adquirir o mesmo item com a mesma quantidade de dinheiro que utilizava antes. 

Na prática, reflete-se em um aumento generalizado dos preços de uma série de elementos importantes no dia a dia, tais como:

  • alimentação;
  • saúde;
  • educação;
  • habitação;
  • transporte.

Vale lembrar, que esses itens fazem parte da cesta básica de bens e produtos brasileira e têm seu valor medido mensalmente para indicar a inflação da economia geral.

Desinflação

Trata-se da redução da inflação quando os preços sobem, mas de forma reduzida.

Em outras palavras, a desinflação é o processo onde a inflação ocorre em ritmo mais lento do que o esperado.

Hiperinflação

A hiperinflação é um cenário de inflação potencializado, de descontrole de preços no qual a moeda perde valor rapidamente e, consequentemente, os consumidores perdem poder de compra.

Nesse caso, os preços ficam mudando da noite para o dia e as prateleiras de supermercado ficam vazias por conta da falta de muitos itens.

Qual a relação entre deflação e IPCA?

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é divulgado mensalmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e representa as variações de preços de uma cesta básica de bens e produtos.

Logo, é por meio dele que se verifica se o mercado está com inflação, deflação ou desinflação, uma vez que o índice é referência para o regime de metas da inflação brasileira.

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A deflação causa uma queda no consumo porque os indivíduos esperam consumir por um preço cada vez menor no futuro. | Imagem: Freepik (redgreystock)

Vale lembrar, que o IPCA reflete os padrões e hábitos de consumo das famílias com renda mensal de 1 a 40 salários mínimos.

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O que causa a deflação?

A causa principal da deflação é o desequilíbrio entre a demanda, a oferta e a quantidade de moeda em circulação. 

Quando há uma alta demanda para uma baixa procura, por exemplo, a redução dos preços ocorre como forma de estimular o consumo.

Portanto, quando consumidores estão comprando menos e poupando mais (algo que costuma ocorrer em momentos de instabilidade econômica) o panorama econômico tende a piorar.

Além disso, pouco papel moeda circulando é um sinal de menos pessoas comprando, o que desestimula ainda mais o consumo e acaba gerando queda dos preços.

Tal mistura de fatores pode trazer impactos negativos para a indústria e para a população, quando perdura por mais de 12 meses.  

É importante ressaltar que os valores de uma economia são definidos pela média dos preços de uma quantidade fixa de bens e serviços adquiridos pelos consumidores para um determinado intervalo de tempo.

Nesse rumo, é realizada uma comparação com o período seguinte a esse intervalo de tempo e, a partir dessa comparação, é feita a análise quanto ao nível de preços, identificando se houve aumento ou diminuição, ou seja, inflação ou deflação.

Quais as principais consequências dos efeitos da deflação?

Da mesma forma que a inflação descontrolada traz riscos, a deflação por longos períodos pode ter impactos negativos na economia. 

Isso ocorre, porque a queda generalizada dos preços atrapalha as empresas, causando desemprego e, em última instância, impactando como um todo a economia nacional. 

Nesse momento, ocorre o que os economistas denominam como cadeia deflacionária. Trata-se de uma “bola de neve” que se auto alimenta e, quando se torna um ciclo sem fim, torna-se um problema estrutural, gerando graves efeitos. Entre eles:

  • quebra generalizada de negócios;
  • desemprego;
  • aumento do trabalho informal;
  • queda na arrecadação de fundos públicos;
  • aumento da pobreza;
  • recessão econômica.

Então, a deflação pode ser ruim para a economia?

Sim! A deflação prolongada costuma ser um ponto negativo, porque geralmente é um indício de que a economia está estagnada.

Ou seja, as pessoas não conseguem comprar os produtos e os comerciantes precisam constantemente baixar os preços.

Todavia, quando a deflação apenas indica pontualmente que alguma categoria de produto importante ficou mais barata, não há problema.

Entretanto, uma deflação que se estende por muito tempo pode ser um indicador de que o país está passando por uma recessão.  

Nesse cenário, as empresas diminuem cada vez mais os seus preços porque os consumidores não conseguem comprar. Vender abaixo do custo gera prejuízos e leva a demissões, o que alimenta a retração da economia.

Além do mais, quando existe uma expectativa de que os preços caiam, os consumidores e empresários deixam de comprar e investir, apostando que os preços diminuam ainda mais. Isso também alimenta uma nova queda de preços e puxa a economia para baixo. 

Na mesma via, como as empresas não conseguem vender, deixam de fabricar mais produtos, o dinheiro não circula e, assim, a economia geral também se retrai.

Como combater a deflação?

O principal mecanismo é emitir moeda e colocar mais dinheiro em circulação, o que irá gerar alguma inflação em um período de três a seis meses.

Ademais, uma outra estratégia é manter as taxas de juros baixas, na tentativa de reanimar o consumo novamente. Este caminho foi adotado na crise econômica de 1929 e no Japão, durante a década de 1980.

Enfim, de acordo com especialistas, combater a deflação pode ser ainda mais difícil que combater a inflação alta. Por essa razão, o ideal é que o Banco Central do Brasil (BACEN) mantenha a inflação baixa, mas equilibrada ao longo do tempo.

Imagem em destaque: Freepik (ijeab)

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