Home Artigos e notícias Quintuplica o número de imóveis em leilões; vantagens são grandes para quem compra.

Quintuplica o número de imóveis em leilões; vantagens são grandes para quem compra.

17 de agosto de 2016

O número de imóveis, que foi a leilão nos últimos quatro anos, no Paraná, aumentou em 502%, segundo a Associação Nacional dos Mutuários (ANM), e tornou-se um excelente negócio para as pessoas, que pretendem comprar casa, apartamento ou chácara, tanto para uso próprio quanto para investimento. Ao arrematar em leilões judiciais, o comprador poderá fazer uma economia de até 50%.

A Caixa Econômica Federal (CEF) leiloou 66,8% imóveis a mais de janeiro a agosto de 2015 do que no mesmo período de 2014. Foram 5.334 imóveis, em 2014, e 8.897, no ano passado. E, embora, sem um balanço oficial para este ano, a instituição financeira informa que a quantidade, em 2016, é ainda maior.

Em muitos casos, pessoas financiaram, começaram a quitar as prestações e, às vezes, até já moravam na casa nova, mas, depois, por falta de pagamento, perderam o imóvel e o dinheiro, que já haviam investido.

Segundo analistas do mercado imobiliário, muito da recuperação judicial de imóveis, se deve à falta ou planejamento errado. Na cultura do imediatismo, hoje, é possível pagar as prestações. O comprador se esquece, no entanto, que o contrato é de 20, 25, 30, até 35 anos. “Uma inadimplência superior a três meses faz com que o banco retome o imóvel, absorva-o e o venda para terceiros em leilão”, explica Sílvio Saldanha, da ANM.

Na avaliação dos técnicos da empresa Leilões Judiciais Serrano, com sede em Maringá, consideram que o aumento de imóveis levados a leilão, ultimamente, está apenas no começo.

De acordo com o analista Gustavo Soares, a crise, que atinge a economia brasileira, deve fazer com que cada vez mais pessoas não consigam pagar empréstimos e financiamentos contraídos para a compra de casas e apartamentos. “Podemos dizer que a quantidade de imóveis indo a leilão vai aumentar, porque muitas execuções acontecem, agora, e os processos podem demorar dois, três ou mais anos, o que significa que o volume deverá ser maior no futuro”, explica.

Em Maringá, os apartamentos lideram as execuções judiciais. “Isto é relativo”, destaca Soares. Na opinião dele, o aumento ocorre em todo o Brasil e cada cidade tem as peculiaridades dela.

“Em Maringá, tem mais apartamentos sendo levados a leilão porque é uma cidade verticalizada e a maioria dos imóveis adquiridos nos últimos anos é de apartamentos, mas em cidades mais horizontalizadas foram compradas casas comuns”, ressalta Soares.

Metade do preço

Por ser um dos investimentos mais lucrativos do mercado imobiliário, especialmente em anos de crise econômica, o número de pessoas que adquirem imóveis em leilão também cresceu. Não é difícil, por exemplo, encontrar imóveis arrematados por preços 50% abaixo do valor praticado no mercado. Segundo o leiloeiro público oficial Helcio Kronberg, nesse tipo de compra alguns leilões permitem o parcelamento do imóvel mediante ao pagamento de 25% do valor à vista.

Outra vantagem apontada por Kronberg é que neste tipo de negociação há sempre um laudo completo de avaliação à disposição dos interessados, o que geralmente não acontece em outros tipos de transações imobiliárias. “Essa modalidade pode ser interessante tanto para investidores quanto para as pessoas que desejam obter a casa própria gastando menos. Os leilões são públicos e qualquer pessoa pode participar”, afirma.

Também é apontado como vantagem o fato de que em leilões judiciais nenhuma dívida acompanhará o imóvel, pois ele é sempre entregue livre e desembaraçado de qualquer ônus. A única exceção são os condomínios em atraso. “Caso a ação seja exclusivamente de cobrança de condomínio, o valor pago já quitará a dívida. Quando não for, a eventual dívida poderá acompanhar o imóvel”, adverte o leiloeiro, esclarecendo que “nesse caso, avalie o valor e o desconto que é dado na venda”.

Caso o leilão seja anulado ou impugnado, o arrematante não corre risco algum, pois recebe de volta todo o valor pago.

Cautela

Só nesta semana o site da Leilões Serrano anuncia leilões de várias casas, apartamentos e chácaras em Maringá. Em todos os casos, o valor inicial dificilmente chega à metade do que seria pedido em uma transação normal.

“É importante que o interessado seja prudente e não se deixa levar somente pela vantagem financeira”, alerta o analista Gustavo Soares. “Pode acontecer de o imóvel, depois de arrematado, não atender aos interesses do comprador”. Ele aconselha que o interessado visite o imóvel antes.

Helcio Kronberg lembra que, antes de tudo, o arrematante deve verificar se o leiloeiro é de confiança e faz plena divulgação de seu trabalho. Após, é necessário ler e reler o edital, para não perder nenhum detalhe. “Prefira imóveis desocupados e visite sempre o local com antecedência”, declara.

LEGISLAÇÃO
Segundo a Lei 9.514, após 30 dias do vencimento de uma ou mais parcelas, o banco pode iniciar o procedimento de execução. Entretanto, a maioria dos contratos prevê que a execução só pode começar em caso de atraso de três ou mais prestações. Nesse caso, vale a regra mais benéfica ao consumidor. O banco não tem praticamente risco de ficar no prejuízo. Quando o imóvel vai a leilão, o valor do lance vencedor é utilizado para a quitação integral da dívida (prestações vencidas e vincendas) e se não houver arrematante, ele fica com o bem e pode, em seguida, vendê-lo como outro imóvel qualquer.

Fonte: O Diário

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